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    <tagline mode="escaped" type="text/html">Une Versos Paralelos</tagline>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>DEU NA CABEÇA... ( conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small; color: #003366;"><strong><em>Aquele homem de meia idade, cabelos j&aacute; encanecidos por manchas claras, trazia nos olhos fitando o nada e distantes, &nbsp;um meditar reflexivo, como se absorto e alheio na espera que a cancela &nbsp;abrisse e o deixasse seguir seus passos, para al&eacute;m dos trilhos.</p><p>P&eacute; de dan&ccedil;a, dominador das aten&ccedil;&otilde;es nos sal&otilde;es, freq&uuml;entador habitual de inferninhos de terceira, pouco respons&aacute;vel com seus cuidados de marido e pai. A idade contrastava com os &iacute;mpetos de um adolescente estouvado e &aacute;vido pelas aventuras, embora j&aacute; envelhecido para tantas extravag&acirc;ncias.<br />N&atilde;o fora dado aos estudos, &nbsp;fizera o primeiro ciclo, por&eacute;m, pela conviv&ecirc;ncia de anos no trabalho, falava com desenvoltura e bons modos; era ex&iacute;mio como dan&ccedil;arino e como barbeiro, o que o levou a trabalhar na barbearia da Assembl&eacute;ia Legislativa, tendo como clientes ilustres homens p&uacute;blicos. Imposs&iacute;vel n&atilde;o partilhar confid&ecirc;ncias, ainda que cifradas, extra&iacute;das em falas entrecortadas dos legisladores, que, sentados em sua cadeira, despojavam as etiquetas e se abriam como homens comuns, em camaradagens nos momentos de descontra&ccedil;&otilde;es longe dos protocolos do of&iacute;cio. Assim, entre o tricotar das tesouras podando cabeleiras , ou utilizando as navalhas para escanhoar barbas, tornava-se pr&oacute;ximo, e, em sua imagin&aacute;ria pretens&atilde;o, &iacute;ntimo das celebridades . Gra&ccedil;as a isso arranjou empregos para parentes e conhecidos, sempre pela simpatia granjeada. Tudo se desenrolava em sua mente naqueles instantes. Se sempre ajudou a tantos, n&atilde;o seria justo socorrer-se deles agora, em situa&ccedil;&atilde;o inusitada e de p&ecirc;sames ? &nbsp;Esbarrava diante seus pruridos, misto de orgulho e falsa altivez, afinal, pedir a outros tinha um ar de benem&eacute;rito e de indisfar&ccedil;&aacute;vel prazer por exibir-se como importante e influente, mas, para si mesmo, era humilhante.</p><p>Aquela situa&ccedil;&atilde;o o amofinava, &nbsp;as medidas se ultimavam, eram prementes, e o encontrava ( ali&aacute;s, como sempre) desprevenido financeiramente. Transpirava pelo corpo todo naquele dia quente de ver&atilde;o, pelo calor pr&oacute;prio da esta&ccedil;&atilde;o e mais pela ansiedade e temor. Para as noitadas haviam as obsequiosas caixinhas a garantir as bebidas e companhias femininas &nbsp;para o seu deleite inveterado de dan&ccedil;arino e homem profano, sem ter que mexer no minguado sal&aacute;rio que mal sustentava a mulher e a prole, e do aluguel da casa pequena da &nbsp;periferia, situada al&eacute;m da linha do trem.<br />&nbsp;N&atilde;o se recordava de experimentar &nbsp;tanta apreens&atilde;o &nbsp;antes. Acostumado que era de levar a vida na ginga da malemol&ecirc;ncia e dar n&oacute; em pingo d'&aacute;gua sem esmorecer . O filho menor, vitimado por uma doen&ccedil;a rara, viera a &oacute;bito, tinha o corpo para retirar do IML, visto ter perecido em casa e ter que passar pela necropsia, &nbsp;providenciar o enterro, despesas exigindo dinheiro r&aacute;pido. J&aacute; tinha o cr&eacute;dito comprometido com alguns fin&oacute;rios agiotas a abocanharem parte de suas gorjetas; estava encurralado. Ainda a paci&ecirc;ncia mal disfar&ccedil;ada pela espera da passagem dos vag&otilde;es. Nesses momentos, acossado pela necessidade, voltava-se aos Santos de sua devo&ccedil;&atilde;o, externando arrependimentos e pendurando as contas em promessas a serem cumpridas, nisso se entretinha naqueles tormentosos momentos.<br />A sirene anunciava a proximidade do trem, tirando-o, por instantes, de sua preocupa&ccedil;&atilde;o, alertando-se para a travessia da linha, a exemplo de pequeno agrupamento de transeuntes.<br />&nbsp;Sempre se referia &agrave;quela divis&atilde;o, de antes e ap&oacute;s os trilhos, dos infelicitados pela classe social; antes da linha, os despossu&iacute;dos, para al&eacute;m, os mais abastados. Sonhava em ultrapassar aquela demarca&ccedil;&atilde;o, trazendo sua fam&iacute;lia para mais perto. Projetos, por&eacute;m, que sua leviana inclina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o permitia concretizar, seus poucos recursos o atra&iacute;am para os prazeres mais iminentes, nas esb&oacute;rnias dos sal&otilde;es e das damas da noite de perfumes baratos. &nbsp;Perdia-se em suas preocupa&ccedil;&otilde;es, invocando a ajuda Divina, atrav&eacute;s de suas devo&ccedil;&otilde;es ( sempre requeridas e posteriormente esquecidas), talvez fosse a urg&ecirc;ncia de um Santo Expedito, para a vida embaralhada a Nossa Senhora Desatadora dos N&oacute;s, ou ainda para S&atilde;o Judas, o das causas imposs&iacute;veis... E, em seu sincretismo religioso, pedia &agrave;s divindades da Umbanda: &nbsp;Ogum para sua prote&ccedil;&atilde;o, Xang&ocirc; nas demandas dos documentos, Ox&oacute;ssi para a fartura t&atilde;o ausente em seu atrapalhado destino; rever&ecirc;ncias onde tamb&eacute;m n&atilde;o deixava de depositar f&eacute;. Era um pobre pedinte implorando aos C&eacute;us, sem a humildade de se socorrer aos semelhantes... Torcia um papel amarrotado no bolso da blusa, rabiscou r&aacute;pido os n&uacute;meros do vag&atilde;o que passava, esperava acertar na milhar do bicho. Na hora do apuro qualquer sa&iacute;da era uma solu&ccedil;&atilde;o, valei-me seu Z&eacute; Pelintra !!!<br />Torrou seu troco no volante do bicho, apostou na milhar, &ldquo;ou vai ou racha&rdquo;, sentenciou decidido. E as horas passando, o nervoso aumentando. Prestes a entrar em parafuso, represa amea&ccedil;ando romper o dique, pondo-o nu diante a si mesmo, expondo suas fragilidades, embora prevalecendo o orgulho de n&atilde;o se reconhecer como necessitado frente aos demais...</p><p>&nbsp;Coube &agrave; esposa, conhecedora da &iacute;ndole intransigente dele e de sua resist&ecirc;ncia &agrave; mod&eacute;stia, recolher donativos entre os conhecidos, e a pedir que algu&eacute;m fosse ao encontro do desalentado marido. Uma m&atilde;o no seu ombro o tirou do mutismo conflagrado, como se o despertasse de seus assombros. Ara&uacute;jo, o vizinho, atendeu o pedido dela, viera &agrave; sua procura, oferecendo o ombro e a ajuda. &nbsp;Ciente das dificuldades, fizera uma lista entre os demais moradores e amealhara pequena quantia, mas suficiente para o necess&aacute;rio.<br />Torcendo-se consigo mesmo por ter sido vencido pelas circunst&acirc;ncias, necessitado da caridade alheia, que a sua emp&aacute;fia recalcava. Afinal, pobre que n&atilde;o abandonava a pose de quem convivia com os ilustres representantes, apesar da sua modesta fun&ccedil;&atilde;o.</p><p>Cabisbaixo, amargava a despedida de seu ca&ccedil;ula, vendo os seus entes familiares consumidos em l&aacute;grimas. Parecia que aquele choque de realidade o trouxe, por fim, &agrave; maturidade, e acabava com as ilus&otilde;es de sua retardat&aacute;ria adolesc&ecirc;ncia; n&atilde;o ganhara no jogo do bicho, mas deu na cabe&ccedil;a para se reorientar na caminhada...<br /></em></strong></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />27/11/2019</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2019-11-07T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CONTINGÊNCIA OLFATIVA ( conto- parte final)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small; color: #000080;"><em><strong><span style="color: #000080;"><span style="font-size: small; color: #000080;">Foi no meio do expediente que fora requisitado no terceiro andar, vencendo lances de uma escada, atendeu o chamado. E, para surpresa de ambos, eram colegas de trabalho. Ela como uma das auxiliares de escrit&oacute;rio, eram duas. E ele, o de servi&ccedil;os gerais, no sub-solo, com uma escada de alum&iacute;nio para trocar uma l&acirc;mpada. Olharam-se surpresos, cumprimentaram-se &nbsp;pelos olhares, &nbsp;a perfumada e o sem banho, fatos lembrados gostosamente &nbsp;tempos depois de se conhecerem e rirem &ndash;se daquilo, mais &iacute;ntimos e amigos. No refeit&oacute;rio romperam o mutismo dos dois, sentando-se com o bandej&atilde;o lado a lado, sempre ela &nbsp;se avizinhando dele, por coincid&ecirc;ncia, possivelmente.</span><br /></span></strong><br /><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><span style="color: #000080;">Passaram a disputar juntos o coletivo no final de cada dia, por vezes ele cedendo o lugar a ela no &ocirc;nibus apinhado, que ent&atilde;o &nbsp;carregava no colo sua pequena sacola com o macac&atilde;o de servi&ccedil;o, que gentilmente passou a levar para a casa e lav&aacute;-lo visto ter onde sec&aacute;-lo em seu quintal, e sempre o livro, seu fiel companheiro. Tinham o mesmo destino na ida, e desciam em locais diferentes no retorno. Ele em um bairro central, em casa de c&ocirc;modos, corti&ccedil;o, onde alugara um quarto que era tamb&eacute;m sua cozinha, com o banheiro coletivo disputado pelos moradores a desaforos a cada manh&atilde; ou noites; ela, moradora com os pais em um bairro da periferia, mais distante. Eram de origem humilde, n&atilde;o havia constrangimentos entre eles, sabiam-se lutadores em ringues onde as esperan&ccedil;as nutriam &nbsp;for&ccedil;as de dias melhores &nbsp;na batalha cotidiana, a dela estendida &nbsp;pela freq&uuml;&ecirc;ncia em um curso supletivo noturno, onde n&atilde;o raro cochilava nas aulas. extenuada pelo cansa&ccedil;o de &nbsp;levantar &nbsp;t&atilde;o cedo.</span><br /><span style="color: #000080;">A rotina dos inevit&aacute;veis encontros, os aproximou al&eacute;m de colegas de trabalho e de mesma condu&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria, j&aacute; faziam pequenos passeios juntos aos finais de semana e feriados, unidos na solid&atilde;o de jovens pobres, &nbsp;apaixonaram-se , e passaram a dividir uma casinha juntos, com banheiro privativo nos arrabaldes, &nbsp;mutuamente se ajudando. Enfim, as leituras tiveram serventia pr&aacute;tica, e &nbsp;ele as usava para auxili&aacute;-la na conclus&atilde;o dos estudos. &nbsp;Afinal estavam na mesma estrada, povoada de sonhos e de &aacute;rduos e merit&oacute;rios &nbsp;avan&ccedil;os, unidos e se fortalecendo na caminhada, deixando seus mundos se penetrarem e compartilharem a &nbsp;mesma jornada.</span></p><p><span style="color: #000080;">Com a cabe&ccedil;a enevoada de shampoo, &nbsp;lembrando que J&aacute; era passado a disputa por uma vaga no banheiro coletivo, pequeno e expressivo sucesso. Ria-se ao demorar-se um pouco mais sob o chuveiro com &nbsp;&aacute;gua &nbsp;morna e reconfortante, sem receios das queixas dos apressados, ou do risco de sentir-se sujo pela aus&ecirc;ncia de um banho, causa do in&iacute;cio de sua viv&ecirc;ncia com a companheira, a quem agradecia o incidente e as mudan&ccedil;as em sua trajet&oacute;ria. Isso o remetia &agrave; reflex&atilde;o da necessidade de observar os pequenos passos e agradecer as conquistas, simples que sejam...</span></strong></span></em></span><br /><span style="font-size: small; color: #000080;"><span style="color: #000080;"><br /></span></span><br /><span style="font-size: small; color: #000080;"><span style="color: #000080;"><br /></span></span><br /><span style="font-size: small; color: #000080;"><br /></span><br />&nbsp;</p><p>&nbsp;<br />&nbsp;<br />&nbsp;<br />&nbsp;</p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />07/11/2019</p></p></div>
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	    <issued>2019-10-31T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CONTINGÊNCIA OLFATIVA ( conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small; color: #000080;"><em>O sol denunciava-se cedo, pelas frestas da janela de madeira, manh&atilde; de setembro. Aquele h&aacute;lito t&eacute;pido no rosto trazia Jo&atilde;o de seu sono pesado, cansado, mal recuperado de mais um dia de labuta exaustiva. Abriu os olhos semicerrados, e, num &aacute;timo, como quem est&aacute; sempre correndo atr&aacute;s do tempo, levantou-se apressado... Tudo&nbsp; iniciaria novamente, a batalha de um outro dia, que n&atilde;o considerava novo, para ele uma&nbsp; repeti&ccedil;&atilde;o do anterior, sem novidades e tr&eacute;guas, mal agradecendo a ben&ccedil;&atilde;o de estar vivo, embora, na&nbsp; inf&acirc;ncia , cat&oacute;lico, tenha sido at&eacute; coroinha da par&oacute;quia da esquecida cidadela de onde viera, cheio de sonhos e ilus&otilde;es, para o anonimato das multid&otilde;es paulistas, espremido por um lugar no coletivo... A roupa mal passada,&nbsp; a cara macerada de sono desconfort&aacute;vel, o agir feito um aut&ocirc;mato&nbsp; vestindo-se. Decidira que n&atilde;o disputaria o banheiro coletivo para um banho r&aacute;pido, sempre de esperas imprevis&iacute;veis, lamentando n&atilde;o ter feito isso na noite anterior, passou um desodorante nas ax&iacute;las, examinando se cheirava algum odor de suor,&nbsp; a economia&nbsp; dessa medida o colocaria em vantagem no ponto de &ocirc;nibus, alguns minutos a mais para chegar ao seu destino.&nbsp; Esquentou um caf&eacute; amanhecido com um gole de &aacute;gua, havia umas batatas doces cozidas no dia anterior que substitu&iacute;ram os brioches de alguma mesa mais afortunada que a dele, bastava, contudo, para satisfazer um est&ocirc;mago&nbsp; exigente de alguma coisa e n&atilde;o dado a caprichos com requintes.&nbsp; Sentia-se felizardo pela conquista de um lugar sentado no &ocirc;nibus, coisa n&atilde;o habitual, recompensado por n&atilde;o ter-se demorado em um necess&aacute;rio e higi&ecirc;nico banho. Pela janela, desatento, quase sonolento, observava as imagens do dia se revelando, vidas em movimento, seres caminhantes em seus destinos, contempor&acirc;neos em anseios, d&uacute;vidas, viventes do mesmo tempo, pessoas em busca de alguma coisa, imersas em seus mundos, a fazer sentido na roda da exist&ecirc;ncia.&nbsp; Havia pouco dias conquistara uma vaga em uma empresa de m&eacute;dio porte, seria um &ldquo;faz-tudo&rdquo;, de carregador de materiais, estoquista, at&eacute; mesmo da faxina se fosse requisitado. O importante era&nbsp; o emprego fixo, com carteira assinada e algumas garantias asseguradas. Antes penara em trabalhos eventuais e bra&ccedil;ais, sem continuidade,&nbsp; at&eacute; mesmo na constru&ccedil;&atilde;o civil como ajudante de obras,lembrando os parentes que eram trabalhadores das lavouras em tempos de colheitas, sujeitos &agrave; sazonalidade dos plantios, e &agrave; inseguran&ccedil;a. At&eacute; que, para os padr&otilde;es, em tempos melhores, poderia ter ambicionado um outro cargo, melhor remunerado, tinha o segundo grau completo, falava bem, evitava g&iacute;rias, n&atilde;o se permitia tatuagens e adere&ccedil;os como piercings e brincos, t&atilde;o comuns em sua faixa et&aacute;ria. Portava apenas um rel&oacute;gio para orientar-se em sua rotina. Sentia-se um jovem /velho prematuramente respons&aacute;vel por si mesmo, talvez&nbsp; por suas ra&iacute;zes de&nbsp; viv&ecirc;ncia interiorana e morador da zona rural. Aportara na megal&oacute;pole,como tantos migrantes neste pa&iacute;s continental e diverso , atr&aacute;s de um lugar ao sol, que n&atilde;o fosse o causticante de cortador de cana ou nas colheitas de algod&atilde;o, caf&eacute; e de laranjas. Apesar de restrito e solit&aacute;rio no almoxarifado, aguardando ordens, no mais das vezes, aquilo era confort&aacute;vel se comparado &agrave;s experi&ecirc;ncias anteriores. Cultivara um h&aacute;bito salutar, adquirido na pequena escola rural de pau a pique, trazia sempre um livro, mesmo de bolso, e, em momentos espor&aacute;dicos, se entretinha em leituras, colecionava adjetivos, fascinava-se por novas palavras, mesmo que n&atilde;o as usasse como&nbsp; gostaria, mas isso o fazia mais atento em conversas refinadas ouvidas, discernia os assuntos, sentia-se destacado e admirado quando ouvido por algu&eacute;m, como na entrevista de emprego. Emprego simples, de pouca qualifica&ccedil;&atilde;o, mas sua reda&ccedil;&atilde;o quase o tra&iacute;ra, pois a entrevistadora detectou seu talento , n&atilde;o poderia&nbsp; admitir um candidato t&atilde;o expressivo em sua manifesta&ccedil;&atilde;o escrita; teve que implorar pela oportunidade,&nbsp; &nbsp;chinfrim que fosse, com receio de ser descartado para a fun&ccedil;&atilde;o, por apresentar qualidades superiores, intelectualmente, ao requisitado. O fato &eacute; que n&atilde;o tinha outra vaga na empresa, aquilo servia a ele naquela circunst&acirc;ncia, embora a selecionadora o visse como mais preparado , foi necess&aacute;rio insistir com ela. Venc&ecirc;-la na argumenta&ccedil;&atilde;o de que era pouco para ele, e que deixaria o emprego na primeira oportunidade que lhe aparecesse. Estranho era ter mais do que requisitavam e ser exclu&iacute;do por isso. Tinha um dicion&aacute;rio velho, adquirido em um sebo,&nbsp; na escrivaninha improvisada em meio aos utens&iacute;lios de trabalho, e um caderno de anota&ccedil;&otilde;es com as palavras garimpadas nas est&oacute;rias lidas.&nbsp; A leitura tamb&eacute;m o elevava al&eacute;m da mesmice med&iacute;ocre e o permitia sonhar com outros cen&aacute;rios, ut&oacute;picos que fossem. Por vezes pensava em rascunhar alguma coisa, escrever sobre si mesmo e sobre os outros pelo filtro de suas sutis observa&ccedil;&otilde;es , infelizmente&nbsp; sempre postergando, vencido pelas horas suprimidas de seu cotidiano. Entretinha-se&nbsp; com&nbsp; as imagens&nbsp; visualizadas pelo ritmo lento do coletivo, de paradas e de partidas.&nbsp; Nem notara que o assento ao lado, ocupado at&eacute; ent&atilde;o por um senhor, dera lugar a uma jovem, cabelos encaracolados e cheio, aroma suave de seu perfume e&nbsp; corpo rescendendo o frescor de um banho recente, na tez morena, salientada por um vestido leve, de al&ccedil;as, desnudando seus ombros delicados.&nbsp; Instintivamente&nbsp; apurou o olfato&nbsp; denunciando-se como quem se policiava&nbsp; cheirando os pr&oacute;prios sovacos, o que n&atilde;o passou despercebido pela&nbsp; vizinha de viagem.&nbsp; Tirando-o de seu universo pessoal, uma pergunta a&nbsp; ele dirigida, o despertou. - &not; Acho que exagerei&nbsp; no perfume , desculpe !&nbsp; Instou a jovem ao seu lado.&nbsp; Olharam-se, ele receoso de seus poss&iacute;veis&nbsp; odores negligenciados com a higiene, e ela, como se o incomodasse com seu aroma perfumado.&nbsp; Como responder sem denunciar-se como negligente consigo mesmo sem banhar-se a uma estranha ?&nbsp; Penitenciou-se por ter adormecido frente &agrave; televis&atilde;o , esperando a fila&nbsp; de seus vizinhos , &aacute;vidos para o mesmo fim, e&nbsp; ter&nbsp; ido sem banho, temendo o atraso em per&iacute;odo de experi&ecirc;ncia, o corpo parecia acus&aacute;-lo e cobr&aacute;-lo com coceiras, a atorment&aacute;-lo durante todo o expediente. Trabalho manual, carregando coisas em carrinhos pesados, inevit&aacute;veis&nbsp; as transpira&ccedil;&otilde;es. Preferiu o sil&ecirc;ncio e a resposta pelo olhar, parece que compreendido por ela, a acomodar-se melhor na poltrona,&nbsp; entretida com seu celular.</em></span></p><p>( CONTINUA NA PARTE FINAL...)</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />31/10/2019</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2019-09-20T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>DESEJO OU DEVER ? (conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>A cada requebrada daquelas ancas na saia justa, salto alto, maquiagem viva, arrancava suspiros dos pe&otilde;es da obra, encarapitados&nbsp; nos andaimes...Era um frisson&nbsp; para todos.&nbsp; Os olhos de Antonio, m&atilde;os e corpo sujos de poeira&nbsp; e suor, cabelos desalinhados sobre a pele morena vislumbravam aquela mulher com anseios animalescos, misto de desejo e lux&uacute;ria, fera aprisionada retendo for&ccedil;osamente seus instintos... Saberia ela o que causava naqueles&nbsp; homens simples? Seria neglig&ecirc;ncia, ou vaidade feminina de ser cobi&ccedil;ada, ou talvez&nbsp; desleixo, afinal eram eles pobres detalhes, impercept&iacute;veis... Passava parecendo desfilar em sua eleg&acirc;ncia, fragr&acirc;ncia de seu perfume evolando nos olfatos, sua feminilidade agu&ccedil;ando interesses ,despertando anseios e sonhos, era uma tenta&ccedil;&atilde;o.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>- Seria capaz de uma loucura para ter esta dona em meus bra&ccedil;os, suspirou&nbsp; o rapaz amassando cimento e cal, transportando tijolos. A rigidez de seus m&uacute;sculos pareciam mais intensos, o sangue a ferver, nervos retesados.&nbsp; Os olhos a perseguiam at&eacute; que adentrasse o edif&iacute;cio de escrit&oacute;rios logo mais a frente. Invariavelmente a cena, como em um ritual previs&iacute;vel,&nbsp; acontecia em cada manh&atilde;. O frescor de seu corpo rescendendo ainda ao banho e seu aroma inebriante denunciavam sua presen&ccedil;a desejada. Nos semblantes toscos adivinhavam-se os pensamentos cobi&ccedil;adores, as express&otilde;es faciais dispensavam a verbaliza&ccedil;&atilde;o de suas inten&ccedil;&otilde;es reprimidas.&nbsp; Pareciam famintos diante &agrave; comida exposta mas inacess&iacute;vel.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>&nbsp;A enxergava quando se dirigia &agrave; cozinha, com pequena varanda&nbsp; dava para vislumbr&aacute;-la vez ou outra, localizada na parte de tr&aacute;s do&nbsp; pr&eacute;dio vizinho, terceiro andar.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>&Agrave; noitinha, no sil&ecirc;ncio da obra deserta, trocadas as roupas, caminho de casa, coletivos lotados, retornavam de suas labutas di&aacute;rias, imagens que deixavam os arranha-c&eacute;us e desenhavam os arrabaldes pelas janelas dos &ocirc;nibus com destinos a lares humildes, casas de poucos c&ocirc;modos, joo&otilde;es e marias, tarefeiros e empregadas dom&eacute;sticas,&nbsp; an&ocirc;nimos retornando para o descanso de mais um dia...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>Tudo parecia transcorrer sem novidades naquela manh&atilde;, onde o sil&ecirc;ncio era quebrado pelo som de marretas, o levantamento de carga para o esqueleto da constru&ccedil;&atilde;o que se adiantava cada vez mais. Os oper&aacute;rios lembrando formigas trabalhando em grupos transportando em carriolas os materiais i&ccedil;ados por roldanas aos patamares mais elevados, onde outra equipe aguardava. A obra se agigantava, mais uma a somar naquele mar de concreto, em breve mais um lan&ccedil;amento imobili&aacute;rio.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>Deu-se o alvoro&ccedil;o numa dessas manh&atilde;s qualquer,&nbsp; as sirenes do corpo de bombeiros, altercando a barafunda na algaravia de sons desesperadores e alarmantes com policiais e ambul&acirc;ncias denunciando a cat&aacute;strofe em chamas que lambiam o edif&iacute;cio pr&oacute;ximo, e tufos de fuma&ccedil;a enegrecida a envolv&ecirc;-lo ...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>&nbsp;Em breve, a&nbsp; multid&atilde;o estarrecida de curiosos a assistirem, apalermados e impotentes, com a presen&ccedil;a da imprensa &aacute;vida de informa&ccedil;&otilde;es e informando telespectadores e r&aacute;dio-ouvintes sobre o desastre funesto.&nbsp; Ardia a constru&ccedil;&atilde;o, encurralando os que nela se encontravam, ref&eacute;ns do imprevisto e calamitoso inc&ecirc;ndio. Aturdidos e incessante os bombeiros em seu mister louv&aacute;vel mas de aparente pouco resultado, diante ao avan&ccedil;o das labaredas&nbsp; na fogueira magistral.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>&nbsp;</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>H&aacute; momentos em experi&ecirc;ncias inusitadas em que nos desconhecemos, como se nos apresent&aacute;ssemos a n&oacute;s mesmos, incapazes de nos reconhecermos em certas circunst&acirc;ncias; fato que se verificou em um&nbsp; daqueles oper&aacute;rios da constru&ccedil;&atilde;o vizinha, destemido e audaz, vencendo resist&ecirc;ncias e invadindo o edif&iacute;cio condenado, voluntariamente parte&nbsp; do tormento daquelas v&iacute;timas. Como costumeiramente observava a mulher de seus desejos, acompanhava seu trajeto pelas salas e se encaminhava para a cozinha, a via &agrave; dist&acirc;ncia do alto de seu andaime, todos os dias. Estava a tr&ecirc;s andares do estacionamento, observou que havia uma entrada pelos fundos, na lateral, local em que o fogo ainda n&atilde;o havia se propagado, embora j&aacute; tomado pelo calor do morma&ccedil;o, al&eacute;m dos gases t&oacute;xicos, n&atilde;o tinha tempo a perder.&nbsp; N&atilde;o cogitou dos riscos a que se expunha, pulou o muro da constru&ccedil;&atilde;o, sofrendo algumas escoria&ccedil;&otilde;es e adentrou pela lateral vencendo os andares pelas escadas, chegando ao pequeno refeit&oacute;rio onde sempre observava a raz&atilde;o de suas aten&ccedil;&otilde;es. A encontrou s&oacute;, desfalecida. Retornando com ela em seus bra&ccedil;os acostumados ao peso, e ganhou alguma dist&acirc;ncia, at&eacute; entreg&aacute;-la a param&eacute;dicos que a socorreram, desmaiara pela ingest&atilde;o da fuma&ccedil;a, n&atilde;o havia sinais de queimaduras, continuava linda e desej&aacute;vel, sentiu o aroma do perfume de seu corpo junto ao seu peito, estava salva. Aquilo parecia cena cinematogr&aacute;fica, n&atilde;o se detivera em analisar os riscos a que se exp&ocirc;s, tomado pela vontade de socorr&ecirc;-la, ainda que tamb&eacute;m pudesse ter sido v&iacute;tima.Valentemente, expondo-se ao inferno e resgatando a mo&ccedil;a desacordada em seus bra&ccedil;os fortes.&nbsp; Sa&iacute;ram por uma porta lateral e conseguiram se colocar a metros de dist&acirc;ncia daquele fervor abrasador. Sem saber exatamente como, trazia Antonio a desfalecida e cobi&ccedil;ada jovem a desfilar cotidianamente com sua beleza e sensualidade para aquelas almas simples e sequiosas de emo&ccedil;&atilde;o e vida representadas por aqueles homens, servidores bra&ccedil;ais.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>Aquele gesto heroico, n&atilde;o passou em branco, televisionado em tempo real, noticiado em todas as m&iacute;dias; quem seria aquele homem corajoso, capaz de enfrentar t&atilde;o obstinadamente o perigo para salvar aquela mulher ?&nbsp; Sem nem se aperceber disso, entretido em entreg&aacute;-la s&atilde; e salva, n&atilde;o dimensionou a repercuss&atilde;o dos fatos, acostumado &agrave; sua simplicidade e anonimato, despertando a aten&ccedil;&atilde;o de todos.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>Colocaram a m&aacute;scara de oxig&ecirc;nio tamb&eacute;m para ele, teria inalado a fuma&ccedil;a perniciosa, e ficou sentado por minutos dentro da ambul&acirc;ncia, sendo assistido por enfermeiros. A linda e cobi&ccedil;ada jovem ficou deitada, medicada e tendo os primeiros socorros ali mesmo, visto n&atilde;o se ter constatado nenhuma queimadura ou les&atilde;o grave. Nunca a tinha visto assim, t&atilde;o pr&oacute;xima dele.&nbsp; Era realmente bela, talvez isso a tenha salvo, o despertar das aten&ccedil;&otilde;es que fizeram dele um seu guardi&atilde;o, desejando-a &agrave; dist&acirc;ncia, providencial naqueles cruciais momentos.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>Viu-se foco de entrevistas, requisitado por todos, cumprimentado e elogiado, era o assunto dos pr&oacute;ximos dias. At&eacute; correu pela internet uma colabora&ccedil;&atilde;o financeira para ajud&aacute;-lo, al&eacute;m de ser apresentado em um programa na TV.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>De todas as perguntas a ele direcionadas, s&oacute; uma cisma tinha consigo ( n&atilde;o perguntada por ningu&eacute;m, que n&atilde;o conseguiria responder nem para si mesmo:&nbsp; foi por desejo ou dever ?</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #003366;"><em><strong>Selecionado para publica&ccedil;&atilde;o na antologia CONTOS ARDENTES, 2019, editora CBJE, Rio de Janeiro-RJ.</strong></em></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />20/09/2019</p></p></div>
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	    <issued>2018-10-24T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>SAUDADES...</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><em><strong>Como de tantas vezes,<br />volt&aacute;vamos para casa,<br />recuperando-se aos poucos</strong></em></span></p><p><em><strong>Desta vez n&atilde;o lhe deram alta<br />Mas a alforria do corpo padecente<br />E suas asas a distanciaram de mim</strong></em></span></p><p><em><strong>Invejoso, confesso, de seu al&ccedil;ar.<br />machucado, solit&aacute;rio, a buscando<br />nas lembran&ccedil;as de n&oacute;s dois...</strong></em></span></p><p></em></span></em></span></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />24/10/2018</p></p></div>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>AO PÚBLICO</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><br />&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #808000;"><strong><em>n&atilde;o basta<br />o grito<br />alerta</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #808000;"><strong><em>in&uacute;til ato<br />est&eacute;ril<br />brado</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #808000;"><strong><em>nas esquinas<br />desatentos<br />aturdidos</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #808000;"><strong><em>cada qual<br />encolhido<br />resumido</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #808000;"><strong><em>nas ilus&otilde;es<br />de si mesmos<br />escondidos...</em></strong></span></p><p>&nbsp;</p><p></span></p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />31/07/2018</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2018-07-04T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">MORTE...</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>MORTE...</h4><p><![CDATA[<br /><span style="color: #800000;"><em>Furta-me os que amo<br />Subtrai-me afetos<br />Avizinha-se aziaga,<br />Sondas-me por perto<br /></span><br /><span style="color: #800000;">Traz-me saudades<br />L&aacute;grimas, desconforto<br />Melancolias, tristezas,<br />Inquietas-me em d&uacute;vidas<br /></span></span><br /><span style="color: #800000;">Nada ofereces<br />Alenta ou consola<br />&Eacute;s m&aacute;, mesquinha<br />Deixas &nbsp;aus&ecirc;ncias...</span></span><br /></em></span><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />04/07/2018</p></p></div>
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	    <issued>2018-05-22T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>PROFANO AMOR (conto)</h4><p><![CDATA[<strong><em><span style="font-size: medium; color: #800000;">Balan&ccedil;ou a cabe&ccedil;a devagar, como se memorizasse algo, um sorriso distante de satisfa&ccedil;&atilde;o nos l&aacute;bios entre abertos, parecia voar como aquela pomba que teimava em ficar na soleira da janela, indo e vindo.&nbsp; Assim estavam seus pensamentos, voando longe e retornando, para, em seguida, como se n&atilde;o quisesse voltar, &agrave; sua revelia, ir al&eacute;m... E o destino daqueles pensamentos tinham endere&ccedil;o certo, embora n&atilde;o quisesse admitir, distra&iacute;sse em ocupa&ccedil;&otilde;es outras para deles se desembara&ccedil;ar, em v&atilde;o... Tal qual aquela ave, retornava, incomodando, assustando, era um querer n&atilde;o consentido, um desejar n&atilde;o pretendido, um gostar arrependido de querer, de se lembrar... Solteiro por convic&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se via amarrado a ningu&eacute;m por muito tempo, buscava suas distra&ccedil;&otilde;es em garotas de programas, diversificadas, e que n&atilde;o o entediavam, sem estabelecer compromissos. Tivera namoradas, poucas, mas as liga&ccedil;&otilde;es duradouras pareciam asfixi&aacute;-lo, ca&iacute;am na monotonia, e logo rompia seus la&ccedil;os. N&atilde;o se recordava de ter sofrido por nenhuma, embora deixassem, cada qual, suas lembran&ccedil;as. Optara, ent&atilde;o, pela sua liberdade de viver a vida, sem se sentir acorrentado. Acostumara-se com a sua deliberada reclus&atilde;o, por vezes compartilhada, sem dar chances de se criar v&iacute;nculos que o prendesse. Agora, contudo, via-se de cabe&ccedil;a para baixo, apaixonado, e negando-se a si mesmo, por algu&eacute;m que o atendia entre um cliente e outro.</span></em></strong></p><p><strong><em><span style="font-size: medium; color: #800000;">&nbsp;Os arreb&oacute;is daquela tarde quente anunciavam seus belos desenhos no horizonte de um dia que se despedia, e uma noite que se pronunciava, com todo seus encantos e seus temores. Ligar ou n&atilde;o?&nbsp; Que diferen&ccedil;a fazia, era pela ordem de agendamento, ningu&eacute;m o aguardava especialmente, e nisso estava seu tormento, ser apenas mais um, quando pretendia ser o &uacute;nico, o esperado. Raro era o hor&aacute;rio em que pretendia t&ecirc;-la desocupada, sempre um arranjo na agenda, o tempo dispon&iacute;vel por ela. Estivera com tantas que nem se lembrava, eram apenas momentos, bastava um telefonema; mas, perturbava-se em assumir a si mesmo, ela era diferente... A viu no antes, a desejando, &ecirc;xtases delirantes, seu corpo em prazeres, gozos e confortos, e a tinha em outro momento, ainda que n&atilde;o aceitasse tal verdade, em sentimentos, ouvindo seu ressonar, acarinhando seus cabelos, terno com em uma can&ccedil;&atilde;o de ninar...bem mais que &acirc;nimos desenfreados, todo o seu deleite se expressava em car&iacute;cias e afagos, aconchegos, del&iacute;cias, mansid&atilde;o, flores em jardins, suavidade e ternura, paz na imensid&atilde;o. Por mais que quisesse t&ecirc;-la como a mais uma, a sua presen&ccedil;a transcendia ao ato, aos olfatos e tatos, em seres que se buscam, se acariciam e se desejam...Amantes no cio, desnudos de pudores, paix&otilde;es em posi&ccedil;&otilde;es, buscando emo&ccedil;&otilde;es, anseios e prazeres, unidos se completavam como jamais se sentira, entregues &agrave; faina de se darem frenesis, alucina&ccedil;&otilde;es e deleites. A curtia nos sentidos da mat&eacute;ria carente e fren&eacute;tica, seria apenas aquilo e se conturbava transcendendo em suas emo&ccedil;&otilde;es, enlevado na busca da ess&ecirc;ncia, na entrega em que um casal reivindica a paz, o encontro consigo mesmos, nos bra&ccedil;os um do outro, acima dos espasmos org&aacute;sticos produzidos... Sentia-se aprisionado na teia da aranha da qual n&atilde;o queria ver-se liberto, e sim ser consumido em suas tenta&ccedil;&otilde;es, a desejava sem amarras, sem tabus e meneios, inteira, impudica, apenas saciar suas taras, manias recalcadas, esbaldar-se na orgia...N&atilde;o contava am&aacute;-la, mais uma aventura passageira, e a percebeu tomando parte de si, fazendo-o tem&ecirc;-la em sua vontade, recuando em seus receios. Em sua ang&uacute;stia, questionando-se, desejava fugir dela, e t&ecirc;-la ao lado, numa confus&atilde;o mental alucinante, paradoxal; a queria, n&atilde;o mais por algumas vezes, e sim por todas elas. Por&eacute;m, profissional, dispon&iacute;vel para todos, n&atilde;o era a pessoa que se enquadrava em seus conceitos para uma vida inteira. Sempre os encontros interrompidos por uma liga&ccedil;&atilde;o, toda a magia circunscrita em horas determinadas, a lembr&aacute;-lo de que n&atilde;o lhe era exclusiva, n&atilde;o lhe pertencia. Ela era livre, leve, solta, independente em suas vontades, destemida, libertina, muito para uma mente oposta de si mesmo, amedrontado, tacanho em sua vis&atilde;o de vida. Ent&atilde;o aqueles conflitos tiravam-lhe a paz, martirizando-o, fazendo-o questionar suas certezas, sentir-se impotente e vazio.&nbsp; E, quando o manto da noite ca&iacute;a, come&ccedil;ava seu inferno, ir ao encontro dela, ou n&atilde;o? E, para tir&aacute;-la de sua fixa&ccedil;&atilde;o, por vezes escolheu outras, buscando-a em outros corpos, sentindo-se infeliz, saudoso de sua companhia, sua pele, cheiro, sorriso, olhar.&nbsp; Queria nutrir por ela um sentimento ruim, de rejei&ccedil;&atilde;o, algo que o ajudasse a ter for&ccedil;as para esquec&ecirc;-la, talvez ela nem imaginasse o que ele sentia, e sofria, afinal era apenas um dos muitos clientes a procur&aacute;-la, a quem cabia representar um papel simp&aacute;tico, n&atilde;o mais que isso. O pior &eacute; que passava a nutrir ci&uacute;mes, tormento a que se julgava imune...Assim, quando estava com ela, e o celular tocava, disfar&ccedil;ava com dificuldade seu inc&ocirc;modo, a vendo atender e, n&atilde;o raro, agendar com outro um encontro, fazia parte do seu trabalho. Incapaz de continuar ocultando o que sentia, resolveu confessar-lhe seus sentimentos, sem atinar ao certo de sua proposta caso foi aceito. O ouviu em sil&ecirc;ncio, compreensiva, carinhosa, e a sua resposta foi t&atilde;o decepcionante que antes n&atilde;o tivesse ousado confidenciar-se. Ela o entendia, ali&aacute;s, n&atilde;o era a primeira vez que algu&eacute;m tamb&eacute;m se dizia apaixonado. Apenas isso?, sentiu-se diminu&iacute;do, talvez o orgulho ferido, comparado a outros, tinha esperan&ccedil;as de que n&atilde;o lhe fosse indiferente, que nutrisse por ele correspond&ecirc;ncia nos sentimentos, n&atilde;o o entendimento de uma psic&oacute;loga com seu paciente.&nbsp; Odiou ter falado, melhor manter-se em segredo do que n&atilde;o ser correspondido, endere&ccedil;ando-lhe apenas solid&aacute;ria compreens&atilde;o. Se algu&eacute;m transgrediu os limites n&atilde;o fora ela; ele, homem vivido, n&atilde;o poderia ter-se permitido amar, ser&aacute; que h&aacute; algum manual nos imunizando dos sentimentos?&nbsp; &Eacute; poss&iacute;vel o contato &iacute;ntimo, a reciprocidade de pele, sem o risco da paix&atilde;o? Ele sentia-se derrotado, vencido em sua aparente fortaleza, ver-se vulner&aacute;vel ; talvez para ela, profissional do sexo, fosse mais f&aacute;cil. Nenhuma responsabilidade dela se ele a via com outros olhos, a admirasse al&eacute;m do que oferecia, se a observava em seus detalhes, como a vivacidade de seus olhos, reverberando estrelas e o luar; e o seu sorriso a traduzir uma alegria contagiante, o pondo &agrave; vontade como a um menino em descobertas; um franzir de testas e as covas nos cantos da boca encantadoras, e uma pausa reflexiva nas conversas, quando se permitia saborear um drinque ou a fumar sua cigarrilha odor&iacute;fica. Suas m&atilde;os aveludadas nas car&iacute;cias e no beijar. Aquele conjunto de considera&ccedil;&otilde;es sobre ela era o resultado de sua car&ecirc;ncia nunca assumida, fragilizada e exposta diante a si mesmo. Em mudos argumentos, buscando arrimo para seu desespero &iacute;ntimo, tentava se entender, buscando culp&aacute;-la para aliviar suas pr&oacute;prias dores. Teria sido mais f&aacute;cil,&nbsp; se tivesse apenas cumprido com o combinado, nada al&eacute;m de oferecer o corpo, sem a sua luz e a sua alma, possivelmente foi o que ela fez, ele, contudo, extrapolou nas suas ilus&otilde;es e a endeusou...</span></em></strong></p><p><strong><em><span style="font-size: medium; color: #800000;">Nunca sua solid&atilde;o foi t&atilde;o sentida. Embora ciente de que ela cumpria seu papel, sentiu-se ultrajado, desprezado, sufocando a dor. Para n&atilde;o parecer piegas, fez r&aacute;pido e sem maiores coment&aacute;rios o pagamento, despedindo-se de olhos baixos, refreando furtivas l&aacute;grimas.</span></em></strong></p><p><strong><em><span style="font-size: medium; color: #800000;">N&atilde;o mais se encontraram, o olhar compassivo dela foi a sua decep&ccedil;&atilde;o e o pudor envergonhado, o ant&iacute;doto para a febre do desejo do macho ultrajado em seus brios...</span></em></strong></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />22/05/2018</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2018-02-10T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">BLOCOS DA ALEGRIA</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>BLOCOS DA ALEGRIA</h4><p><![CDATA[<br />&nbsp;</p><p><br />&nbsp;</p><p><span style="font-size: large; color: #ff0000;"><em>Nas ruas e avenidas<br />Adultos crian&ccedil;as<br />Debochados relaxados<br />Da histeria cotidiana</span></strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #ff0000;"><em>Semi nus ou despidos<br />Arlequins, Pierr&ocirc;s, Colombinas<br />Dan&ccedil;as de roda, brincadeiras<br />Bizarrices sem chatices</strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #ff0000;"><em>Sorrisos ant&iacute;dotos<br />M&aacute;goas e dores<br />Frustra&ccedil;&otilde;es,<br />Dissabores...</strong></em></span></p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />10/02/2018</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2018-01-20T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>O CANDIDATO DO POVO (conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #003366;"><strong><em>O que teria feito aquele simp&aacute;tico pernambucano de tez amorenada, meia estatura, sorriso cativante e cabelereira cheia e salpicada de neve, a ser picado pelo fasc&iacute;nio e enveredar-se pela pol&iacute;tica ?&nbsp; O certo &eacute; que a decis&atilde;o caiu como uma bomba na rotina de seus familiares, pelo inusitado.&nbsp; Por que n&atilde;o fazer uma escala, algo como candidatar-se a vereador para se inteirar dos meandros, e n&atilde;o sair de supet&atilde;o, a&ccedil;odado, direto para o cargo de executivo do munic&iacute;pio?&nbsp; Besteira, n&atilde;o vale a pena ser parte dessa s&uacute;cia, s&atilde;o uns be&oacute;cios que se re&uacute;nem para discutirem nada de importante, parece t&iacute;tulo honor&iacute;fico ( n&atilde;o&nbsp; necessariamente nessas palavras, ali&aacute;s, vocabul&aacute;rio desconhecido pelo pretendente e dono de um bar restaurante naquela pequena cidade).&nbsp; A mulher, clara e gorda, extenuada &agrave;s voltas com suas panelas, e cozida a pele clara nos &oacute;leos comest&iacute;veis, resignada e n&atilde;o dada a contrariar as prefer&ecirc;ncias do marido, &agrave;s tampas com seu g&ecirc;nio por d&eacute;cadas, de prole grande, n&atilde;o se ocuparia de deter aquele burro empacado, n&atilde;o perderia seu tempo, seria in&uacute;til.&nbsp; Se insistisse em contrari&aacute;-lo seria o pretexto para a previs&iacute;vel e malfadada tentativa eleitoral; que colhesse, ele, o malogro de sua vaidade.&nbsp; Na verdade colheriam todos eles o resultado malogrado, sabia-o bem a pobre, todavia, tentar dissuadi-lo era dar murros em ponta de faca. Os familiares ocupavam-se dos afazeres do estabelecimento, n&atilde;o necessitando de terceiros para os servi&ccedil;os, dando ocupa&ccedil;&atilde;o a todos, at&eacute; mesmo &agrave; sua idosa m&atilde;e, sempre &agrave;s voltas com o descascar das batatas, resmungando de que o mundo parecia ser uma montanha daquelas tuberosas. Um pequeno ex&eacute;rcito com as m&atilde;os &agrave; obra no cotidiano daquela esfuma&ccedil;ada cozinha com fog&atilde;o a lenha e tachos imensos fumegantes. A vida, no in&iacute;cio de cada dia, uma rotina intermin&aacute;vel de fazer comida e servir nas mesas ou no encher de marmitas para as fam&iacute;lias mais abastadas em entregas em domic&iacute;lios.</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium;"><strong><em><span style="color: #003366;">Pelo progn&oacute;stico do sonhador a elei&ccedil;&atilde;o seria ganha com facilidade, era popular, mais que os demais concorrentes: um dentista, um relojoeiro, um professor aposentado e um lojista de pequena loja, inexpressivo junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Na sua teoria todos eram distantes do conv&iacute;vio cotidiano com a popula&ccedil;&atilde;o, de predomin&acirc;ncia rural.&nbsp; O doutor j&aacute; tentara a verean&ccedil;a e fora mal sucedido, conhecido pelos urbanos com poder econ&ocirc;mico de restaurarem, vez ou outra, suas c&aacute;ries; o relojoeiro sem carisma, apagado, talvez o concorrente mais fraco; o professor gozava da estima de v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es de alunos e da simpatia de seus familiares, contudo, muitos j&aacute; se haviam mudado da regi&atilde;o, assim, um a um, na sua retina, seriam vencidos pela sua popularidade. Restava ele, o mais conhecido dentre os postulantes, que, aos s&aacute;bados, debandavam de seus s&iacute;tios para o com&eacute;rcio da pequena localidade, indo almo&ccedil;ar em seu hospitaleiro restaurante, julgava conhec&ecirc;-los, no trato, a todos.</span></em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium;"><strong><em><span style="color: #003366;">&nbsp;Seus olhos ambiciosos brilhavam diante a isso, pois n&atilde;o contavam os pol&iacute;ticos locais com o improv&aacute;vel at&eacute; ent&atilde;o, surgiria como a grande surpresa. No decorrer da campanha, viu seu movimento crescer de forma assustadora, chegavam, aos montes, na carroceria de caminh&otilde;es, para as refei&ccedil;&otilde;es, sempre com um afago nas costas, sem pagarem nada pela cortesia disfar&ccedil;ada em ades&atilde;o. Os familiares viam aquilo com afli&ccedil;&otilde;es, mais servi&ccedil;os e menos faturamento, avolumavam as contas com os fornecedores...&nbsp; A isso tirava de letra o enfeiti&ccedil;ado pelo Poder, tudo se resolveria posteriormente &agrave; assun&ccedil;&atilde;o ao cargo, que n&atilde;o se amofinassem com aquilo, eram as suas armas de convencimento, sua palpitante campanha. Tinha, em rela&ccedil;&atilde;o aos demais pretendentes, o melhor material, a comida, sem o alimento ningu&eacute;m sobrevive, conjeturava com seus bot&otilde;es.&nbsp; De que adiantariam os empolados discursos oportunistas direcionados em per&iacute;odos de cata aos votos nas periferias esquecidas dos arredores ? Nestas &eacute;pocas compareciam por ali deputados e senadores, com estardalha&ccedil;o para apoiarem seus correligion&aacute;rios, todos os demais candidatos a eles vinculados.&nbsp; N&atilde;o a ele, concorrente independente, sem v&iacute;nculos com a politicagem institucionalizada, sem rabo preso com as raposas oportunistas e conhecidas. O povo daria o troco aos mesmos de sempre, carimbados e not&oacute;rios politiqueiros de ocasi&atilde;o, fugazes como os foguet&oacute;rios soltados em seus com&iacute;cios.&nbsp; Enquanto apostavam em seus &ldquo;santinhos&rdquo; para o corpo a corpo, ele apresentava argumentos mais convincentes, sua culin&aacute;ria popular e apetitosa, numa peleja entre a palavra vazia e o est&ocirc;mago, nisso apostava suas fichas, cioso da inevit&aacute;vel vit&oacute;ria, para o desaponto de muitos galhofeiros a menosprezarem a sua pouca experi&ecirc;ncia em tais assuntos, ao que respondia, ter a viv&ecirc;ncia com o povo, este sofredor e s&aacute;bio, que decide as elei&ccedil;&otilde;es !</span></em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium;"><strong><em><span style="color: #003366;">V&ecirc;-lo abra&ccedil;ado aos trabalhadores rurais, degustando cafezinhos, servindo-os, ele pr&oacute;prio, em suas mesas, rindo e conversando de igual para igual, atitudes que jamais fora antes vistas por aquele povo humilde em um candidato, ali&aacute;s, em um igual a eles.&nbsp; Tudo concorria para um desfecho inevit&aacute;vel, uma explos&atilde;o de votos e a consagra&ccedil;&atilde;o do postulante de forma avassaladora...</span></em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium;"><strong><em><span style="color: #003366;">Abertas as urnas, o nosso &ldquo;popular&rdquo; candidato teve retumbantes 14 votos, insuficientes para&nbsp; eleger um vereador na comunidade. Ferido de morte em seu &iacute;ntimo, endividado e desconfiado da trai&ccedil;&atilde;o at&eacute; dos mais pr&oacute;ximos. Tempo depois, n&atilde;o conseguindo conviver com sua frustra&ccedil;&atilde;o, mudou-se da cidade que tanto amava, fechando seu estabelecimento t&atilde;o frequentado pelo populacho.</span></em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium;"><strong><em><span style="color: #003366;">Este fato ver&iacute;dico, traz-me, sempre, as acertadas conclus&otilde;es de um m&eacute;dico e psic&oacute;logo, Wilhelm Reich, que retrata em sua obra, Escuta, Z&eacute; Ningu&eacute;m, que o homem comum, desacreditado de si mesmo e em sua for&ccedil;a coletiva, deposita nos filhos da burguesia, de discursos inacess&iacute;vel ao seu mediano alcance, sua confian&ccedil;a. Pois dos iguais a ele restam sinceras desconfian&ccedil;as de sua inferioridade.&nbsp;</span></em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium;"><strong><em><span style="color: #003366;">Lembra-me, tamb&eacute;m, a propaganda de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, em 1989, do slogan &ldquo; Um brasileiro igualzinho a voc&ecirc;&rdquo;, narrando a origem de retirante e oper&aacute;rio,&nbsp; que acabou elegendo Fernando Collor de Mello, um embuste da oligarquia nordestina, diplomado, a fascinar o conservadorismo do eleitorado.</span></em></strong></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />20/01/2018</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-12-25T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">REFÉM DA DOR  ( CONTO)</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>REFÉM DA DOR  ( CONTO)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small; color: #808000;"><em><strong>Naquela noite, despida com viol&ecirc;ncia diante a um estranho, temendo por sua vida, tendo as vestes rasgadas e o corpo feito marionete nas m&atilde;os calejadas daquele homem, desejada com f&uacute;ria e desespero, uma ferocidade irracional de uma fera em veste humana, de onde temeu pela sobreviv&ecirc;ncia.&nbsp; As escoria&ccedil;&otilde;es e hematomas foram curadas, amenizadas, mas em seu esp&iacute;rito restaram feridas n&atilde;o apaziguadas, vertendo sangue, a alucinando. Com os olhos aterrados pelo pavor de ser devassada em suas intimidades, invadida pelo membro teso&nbsp; a lhe vergastar suas entranhas, atordoando-a pelo pavor imposto pelo agressor atrevido e descomunal. Encontrada horas depois, inconsciente, como a um brinquedo abandonado em terreno ermo, machucada e suja, mas respirando. A sua hist&oacute;ria se dividia entre o antes e o depois daquele ultraje. Pessoa doce, de h&aacute;bitos saud&aacute;veis, simp&aacute;tica com os demais, jamais poderia desconfiar daquela abordagem repentina, valendo-se de que encontrava-se s&oacute;, &agrave; espera do &ocirc;nibus, na sa&iacute;da do trabalho onde se detivera at&eacute; pouco mais tarde. Distra&iacute;ra-se atendendo o celular, confabulando amenidades com uma amiga. A interrup&ccedil;&atilde;o abrupta da liga&ccedil;&atilde;o, os sons estranhos registrados pela colega, serviram como um alerta de que algo imprevis&iacute;vel e anormal estava ocorrendo, informando a familiares em sua captura.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: small; color: #808000;"><strong><em>Tantas as sess&otilde;es no analista para retomar sua sanidade depois do tenebroso abuso.&nbsp; Por que lhe voltava, ami&uacute;de, as cenas deplor&aacute;veis de que fora v&iacute;tima por aquele celerado?&nbsp; &nbsp;Parecia-lhe constante e atual as viv&ecirc;ncias de terror e medo, de ang&uacute;stia e de um sentimento que a assustava e temia confess&aacute;-lo a si mesma, quanto mais ao psicanalista. Que sensa&ccedil;&atilde;o era aquela, medonha, descabida, impudica, indecente ,&nbsp; a assustava e, curiosamente, impiedosamente, a fazia saudosa? Ora, como poderia ter saudades das lembran&ccedil;as da trag&eacute;dia, daquele ser rude, asqueroso, que a tratou como uma carne abjeta a servir-lhe os bestiais instintos ?&nbsp; Compreendida em sua situa&ccedil;&atilde;o pelo namorado, sendo infrut&iacute;feras as tentativas de continuar a rela&ccedil;&atilde;o, mesmo com a insist&ecirc;ncia dele. Tivera outros relacionamentos, depois do acontecido, tratada com respeito e amor, mas sentia a presen&ccedil;a an&ocirc;nima daquele monstro, como se necessitasse de sua gana a fustigar-lhe o corpo, sem considera&ccedil;&atilde;o nenhuma pelo que ela pudesse sentir e desejar, apenas a possuindo como um louco. Jamais seria a mesma ?&nbsp; Procuraria o ofensor em cada relacionamento, sempre insaciada ?&nbsp; &nbsp;Que penar, os traumas adquiridos, passaram a ser desejados, n&atilde;o poderia assumir a si mesma e a ningu&eacute;m aquilo, repudiava aquelas sensa&ccedil;&otilde;es, o certo &eacute; que o buscava como a uma sombra, necessitava ser possu&iacute;da com aquela devassid&atilde;o e vol&uacute;pia jamais experimentada em seus relacionamentos posteriores, a fazendo insatisfeita e fria.&nbsp; Carregaria por toda a vida aquela tara insana pelo abuso dementado que a fazia sequiosa? Perdia-se em suas inconfess&aacute;veis conjeturas tortuosas. Ele se foi,&nbsp; um an&ocirc;nimo na escurid&atilde;o, a deixando estirada, nua, abusada... Marcou-a como um ferro em brasa, vivo na sua lembran&ccedil;a, n&atilde;o exatamente a sua figura, mas os fatos ocorridos e recorrentemente revisitados involuntariamente fazendo-a busc&aacute;-lo em outros, inconsciente de si mesma. Esteve em v&aacute;rias delegacias de pol&iacute;cia, oferecendo-se para reconhecimentos de estupradores, embora n&atilde;o se lembrasse com precis&atilde;o de sua fisionomia, o que, afinal, buscava com aquilo, justi&ccedil;a ?&nbsp; N&atilde;o sabia ao certo, talvez quisesse conhec&ecirc;-lo por alguma raz&atilde;o n&atilde;o confessada a si mesma. Sabia&nbsp; que n&atilde;o o reconheceria, ainda que por ventura o encontrasse. Tudo aconteceu muito r&aacute;pido e estava escuro, seu corpo grande sobre si a impediu de encar&aacute;-lo, possivelmente isso a tivesse salvo de ser morta, a certeza de que n&atilde;o seria reconhecido. O certo &eacute; que experimentava um vazio existencial onde se perdera naquele crime hediondo, lesada irremediavelmente em seu &iacute;ntimo, sequestrada de sua identidade e valores morais, levada de si mesma para sempre. Perdera-se por aquele desatinado, onde temia jamais ser encontrada em seu equil&iacute;brio emocional para seguir vivendo.</em></strong></span></p><p><strong><em><span style="font-size: small; color: #808000;">- Me bata, por favor !&nbsp; &nbsp;Aquelas palavras de masoquismo e vulgaridade assustavam os parceiros, que, n&atilde;o acostumados com aquele comportamento, a deixavam. Queria vingar-se em outros a inf&acirc;mia sofrida, raz&atilde;o de sua indiferen&ccedil;a sem qualquer prazer?&nbsp; E a fazia sofrer pela incompreens&atilde;o de suas necessidades estigmatizadas em sua alma. Queria ser possu&iacute;da com a viol&ecirc;ncia experimentada, como se a purgar de algo que a consumia, um fogo sustentado em suas labaredas &iacute;ntimas e insaci&aacute;veis, exigindo de seu par algo al&eacute;m do normal.&nbsp; Tida como devassa e compulsiva espantava relacionamentos de quem a queria como algo permanente e duradouro, afastando-se de si pretendentes a um relacionamento s&eacute;rio.&nbsp;</span></em></strong></p><p><span style="font-size: small; color: #808000;"><strong><em><span>&nbsp;Em sua solid&atilde;o, nos seus tormentos pessoais, vagava nas noites, querendo em estranhos as sensa&ccedil;&otilde;es experimentadas, talvez a de </span>ser usada e n&atilde;o amada. Buscava em si mesma algo que n&atilde;o a satisfazia, em seu interior conturbado, sua &acirc;nsia pelo imponder&aacute;vel. Acenava nas esquinas por algum estranho em busca de sexo, e ela de um prazer nunca satisfeito, de algu&eacute;m sem rosto, embrutecido e algoz de seu psiquismo atormentado...&nbsp;</em></strong></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />25/12/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-12-19T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>M A R I L U Z</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small; color: #000080;"><em><strong>Volta-me, em instantes</strong></em></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><em><strong>Alegrias vividas</strong></em></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><em><strong>Fa&ccedil;anhas infantes</strong></em></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><em><strong>Lembran&ccedil;as queridas</strong></em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>Tempos antigos</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>A escola e os amigos</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>O cinema e as can&ccedil;&otilde;es</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>O dorso nu nos cal&ccedil;&otilde;es</em></strong></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>A longa avenida</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>Extremos da vida</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>Um petiz, suas vis&otilde;es</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><br /></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>Acalentadas na mem&oacute;ria</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>A cidade, sua hist&oacute;ria,</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #000080;"><strong><em>Sentimentos e emo&ccedil;&otilde;es</em></strong></span><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />19/12/2017</p></p></div>
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	    <link href="https://sitedepoesias.com.br/poesias/114518-sexo-seducao-conto-erotico" rel="service.edit" title="SEXO &amp;amp; SEDUÇÃO (conto erótico)" type="application/atom+xml"/>
	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-11-21T00:00:00-03:00</issued>
	    <created>2017-11-21T00:00:00-03:00</created>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">SEXO & SEDUÇÃO (conto erótico)</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>SEXO & SEDUÇÃO (conto erótico)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small; color: #008080;"><strong><em>Ari era um belo rapaz, corpo bem distribu&iacute;do, escultural, sedutor e falastr&atilde;o, por boquirroto inibia Ana de se entregar a ele, temia cair na boca do povo, quase certa de ser alvo de falat&oacute;rios levianos caso cedesse. O que tinha em beleza de deus grego tamb&eacute;m o era na sua infantilidade narc&iacute;sica. Nas vezes em que se encontravam, sempre com outras pessoas, transpareciam nos olhares a sintonia sensualizada, a qu&iacute;mica de corpos que se desejam.&nbsp; Assim ambos suspiravam nas inten&ccedil;&otilde;es, sem se aproximarem. A jovem tinha um desejo ardente pelo rapag&atilde;o, continha-se para reprimir seus &iacute;mpetos. Como moravam na mesma comunidade, mantinham um refreado comportamento, mal dissimulado. A atra&ccedil;&atilde;o era rec&iacute;proca, ambos sedentos um pelo outro, contudo o julgamento do vulgo, acrescida da exacerbada vaidade masculina de proclamar ao l&eacute;u suas conquistas, a impedia de concretizar seu intento de se deitar com ele. Ciosa de seu valor, era mais ela, n&atilde;o apenas mais uma para elencar o rol das enamoradas daquele conquistador.&nbsp; &nbsp; Personagem de seus sonhos er&oacute;ticos, tinha-os e os cultivava secretamente sem melindres ou falsos pudores &ldquo;se eles podem, por que n&atilde;o n&oacute;s, as mulheres?&rdquo; Assim pensava ao se auto acariciar buscando o &ecirc;xtase libidinoso, momentos em que em seu imagin&aacute;rio deleitava-se com ele. Crescia nela a necessidade daquele encontro&nbsp; cada vez mais dif&iacute;cil de reprimir, farol vermelho, quanto maior a tenta&ccedil;&atilde;o mais se policiava. Tinha que domar a si mesma, sem, contudo, pretender abrir m&atilde;o da experi&ecirc;ncia acalentada. Como materializar sua paix&atilde;o sem correr riscos de ficar mal falada nas conversas entre gracejos nos botecos?&nbsp; H&aacute;bil, come&ccedil;ou a arquitetar um plano de realizar seus intentos, explorando o lado mais exibicionista da v&iacute;tima, sua propagada virilidade. Corria entre a rapaziada a fama de devorador de cora&ccedil;&otilde;es e amante insuper&aacute;vel, aumentando a curiosidade da desejosa. Exibia suas conquistas como trof&eacute;us e dono de in&uacute;meros cora&ccedil;&otilde;es femininos a seus p&eacute;s. Ela, por sua vez, bela e insinuante, tinha seu s&eacute;quito de f&atilde;s desejosos em t&ecirc;-la em seus bra&ccedil;os, raz&atilde;o do interesse em especial dele, que, em sua emp&aacute;fia, acreditava ser quest&atilde;o de tempo para inclu&iacute;-la em sua orgulhosa e comentada cole&ccedil;&atilde;o; quanto mais cobi&ccedil;ada a conquista maior a tenta&ccedil;&atilde;o em venc&ecirc;-la...</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #008080;"><strong></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #008080;"><strong><em>Ardilosa, Ana elaborava seu plano de estar com ele, sem riscos para a sua reputa&ccedil;&atilde;o. Meticulosa, como se estudasse a psicologia da v&iacute;tima, preparava o cadafalso do fanfarr&atilde;o, daria cordas para o pesco&ccedil;o do desejado, o atingiria em seu idolatrado m&eacute;rito de sedutor, mant&ecirc;-lo-ia em sil&ecirc;ncio mesmo sendo permissiva a ele, para tal tinha que ter ast&uacute;cia, entregar-se como presa e prend&ecirc;-lo como ref&eacute;m de sua pr&oacute;pria vaidade... Todas ca&iacute;am de quatro pelo bonit&atilde;o, ela queria inverter a situa&ccedil;&atilde;o, p&ocirc;-lo aos seus p&eacute;s, domin&aacute;-lo e mant&ecirc;-lo cativo. N&atilde;o queria um relacionamento s&eacute;rio, prolongado, n&atilde;o se atinha a isso, apenas o desejava, pretendia experiment&aacute;-lo com a voluptuosidade com que os machos demonstram pelas f&ecirc;meas. Nisso levava vantagem, n&atilde;o o amava, assim n&atilde;o se entregaria de cora&ccedil;&atilde;o, a atra&ccedil;&atilde;o era f&iacute;sica, quest&atilde;o de pele.&nbsp; O leito seria uma arena, onde, no sexo, exporiam suas armas lasc&iacute;vas, duelo prazeroso, medi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as e de poder. Enquanto ele pensasse que a desfrutava, o usaria para seus fetiches ocultos, deleites presumidos e ardentemente sonhados. Para tal sabia que n&atilde;o poderia aparentar passividade, seria a maestrina da orquestra, permissiva sem demonstrar a posse dele sobre ela, compartilhar sem abrir m&atilde;o do controle da situa&ccedil;&atilde;o. Mesmo curtindo a transa deveria aparentar-se insaciada, tomar as iniciativas, conduzir e n&atilde;o ser conduzida. Para tanto deveria ser dela o convite e n&atilde;o dele, bem como toda a dire&ccedil;&atilde;o do coito.&nbsp; E mais, em hip&oacute;tese alguma mostrar-se saciada, ferindo os brios e inoculando no imagin&aacute;rio do parceiro a desconfian&ccedil;a aonde mais se vangloriava, deveria esgot&aacute;-lo &agrave; exaust&atilde;o, e demonstrar sutilmente certa apatia com a performance dele, insinuar, sem verbalizar, algo como &ldquo;esperava mais&rdquo;, n&atilde;o pronunciado, subentendido. As a&ccedil;&otilde;es dosadas a colocariam como protagonista e n&atilde;o coadjuvante, menos como fr&iacute;gida ou indiferente.&nbsp; Torn&aacute;-lo vulner&aacute;vel diante a sua autoimagem, de maneira a inibir coment&aacute;rios, confidenciando seu fracasso, revelar-se fr&aacute;gil onde ostentava fortaleza. S&aacute;bio o ditado popular, o peixe morre pela boca, assim seria o desfecho pretendido pela maquiav&eacute;lica e astuta mulher.</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #008080;"><strong></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #008080;"><strong><em>Lev&aacute;-lo para as quatro paredes foi simples, como se estivesse habituado aos convites delas&nbsp; por ele, n&atilde;o foi diferente o roteiro tra&ccedil;ado em como domin&aacute;-lo e a execu&ccedil;&atilde;o do plano. Senhor de si e de suas conquistas, n&atilde;o poderia se imaginar enredado em uma teia de d&uacute;vidas e da qual n&atilde;o sairia psicologicamente ileso daquela aventura. Ca&iacute;a como uma mosca em ardil da aranha predadora, vitimado na autoestima de macho. Pretendendo, como habitualmente acostumado, ser o dono das ocorr&ecirc;ncias, viu-se dominado por ela em cada movimento, sem lhe ouvir um suspiro de satisfa&ccedil;&atilde;o ( o que fazia com f&eacute;rrea disciplina, pois estava estonteada de gozo), antes possuidora de uma fome insaci&aacute;vel, ainda que se valendo de sua l&iacute;ngua vibrante visitando seus l&aacute;bios vaginais, n&atilde;o a sentia rendida na rela&ccedil;&atilde;o, fazendo-o aborrecido em sua incapacidade de finalizar com os esperados louros aquela transa ( embora ela gozasse, e muito, com tudo aquilo!), de mastro baixo, vela arriada e estafado, parecia um boxeador derrotado no ringue, vencido em todos os rounds e a olhando disposta para mais alguns "assaltos", viu-se humilhado e desejoso de sumir daquele quarto como quem quer acordar de um pesadelo...</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #008080;"><strong><em> Depois, ao avist&aacute;-la no dia-a-dia, se esquivava com obsequioso respeito ( ou temor) de ser desafiado para uma revanche... O certo &eacute; que n&atilde;o era mais visto em rodas de amigos contando suas fa&ccedil;anhas, talvez inibido de ser objeto de zombarias ( ser&aacute; que ela confidenciou a terceiros seu malbaratado desempenho ? Na d&uacute;vida, n&atilde;o se expunha mais.)</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #008080;"><strong><em>O esquema foi exitoso, exceto por n&atilde;o ter as repeti&ccedil;&otilde;es ansiadas por ela, pretendia t&ecirc;-lo, domesticado, sempre que o desejasse. O deus desceu de seu pedestal do pante&atilde;o &agrave; sua hum&iacute;lima condi&ccedil;&atilde;o de mortal; parecia ter perdido o vi&ccedil;o de seu orgulho e n&atilde;o mais ousou insinuar-se. Queria us&aacute;-lo mais algumas vezes, contudo, o poss&iacute;vel receio do fracasso arrefeceu-lhe os &acirc;nimos, castrando novas tentativas; dizem que gato escaldado tem medo da &aacute;gua fria. Ele passou a evit&aacute;-la, tomando dist&acirc;ncia quando eventualmente se encontravam, possivelmente a presen&ccedil;a dela era a lembran&ccedil;a amarga de seu malogro. Saudosa daquela transa, pensava consigo mesma, &ldquo;assustei o garanh&atilde;o, acho que exagerei na dose, o cara &eacute; mesmo um gostos&atilde;o desfrut&aacute;vel&rdquo;...&nbsp;&nbsp;</em></strong></span></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />21/11/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-11-07T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>RETROSPECTIVA...</h4><p><![CDATA[<em><strong><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ah, como sofri !</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Padeci , sobrevivi</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Sem ch&atilde;o</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Raz&atilde;o para seguir</span></p><p><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Dias se sucederam</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Temporais funestos</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Alvoradas insanas</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; S&oacute;is e amanh&atilde;s</span></p><p><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;C&aacute; estou, envelhecido,</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Vivido, machucado,</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Paciente a observar</span><br /><span>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Esperan&ccedil;as ressurgirem...</span></strong></em></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />07/11/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>A BOLA DA VEZ.... Conto - final.</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #993300;"><strong><em>Naquela oportunidade fazia uma obra de reforma em meu apartamento, raz&atilde;o de ter acompanhado os fatos de perto, assistido a soberba de um garanh&atilde;o e a depress&atilde;o de um tra&iacute;do, simultaneamente.&nbsp; Era me dif&iacute;cil conceber a promiscuidade marital dela, visto ser funcion&aacute;ria id&ocirc;nea e&nbsp; antiga em conhecida e renomada empresa de cunho social beneficente, al&eacute;m de usar seus finais de semana dedicando-se a ganhos extras como confeiteira, curr&iacute;culo que s&oacute; a fazia engradecida junto a mim, conhecedor do hist&oacute;rico de pulador de cerca do injuriado.&nbsp; Portanto, todas aquelas acusa&ccedil;&otilde;es pareciam-me descabidas, e insistia com ele na defesa indireta dela. &ldquo; Voc&ecirc; n&atilde;o a conhece, a tirei da boca do povo quando me casei, mesmo tendo um filho solteira. Sendo minha prima, a fam&iacute;lia ficou dividida, a parte que me alertava estava certa, s&oacute; eu n&atilde;o acreditei do que ela fosse capaz&rsquo;... Tudo teve in&iacute;cio, as desconfian&ccedil;as, quando o celular dela ficou desligado na tal festa, o hor&aacute;rio extrapolado, as desculpas desencontradas e o sexto sentido do tra&iacute;do aceso, sabe-se l&aacute; por quais desconfian&ccedil;as, min&uacute;cias que n&atilde;o foram desvendadas por mim. &Eacute; que a conviv&ecirc;ncia por anos com algu&eacute;m, nos faz conhecer uma pessoa al&eacute;m das apar&ecirc;ncias, at&eacute; a adivinhar o que ela pensa. E, intramuros, cada qual sabe a temperatura do relacionamento, mantido oculto pelas conveni&ecirc;ncias sociais, fica o dito, roupa suja lava-se em casa, sem assist&ecirc;ncia de terceiros. Ligando suas desconfian&ccedil;as, farejando o perigo, talvez medindo as atitudes dela com a r&eacute;gua do pr&oacute;prio comportamento d&uacute;bio e desleal, tornou-se um enraivecido incapaz de raciocinar com alguma lucidez.&nbsp; Tal circunst&acirc;ncia foi agravada com o infeliz coment&aacute;rio do seu auxiliar na obra, sem se dar conta dos efeitos do relato maldoso. Tendo sua irm&atilde; presente &agrave; festividade por trabalharem juntas, mencionou de que a esposa do infeliz estava aos abra&ccedil;os com o colega de trabalho, apimentando as tonalidades da conversa de que trajava uma roupa ousada para uma mulher da idade dela, sendo casada. Em detalhes, como toda a maledic&ecirc;ncia manda, citava que falavam do shortinho apertado e insinuante mostrando parte da bunda da desavergonhada, a deliciar-se com o mo&ccedil;o, visivelmente mais jovem, na piscina.&nbsp; Todo o meu esfor&ccedil;o para evitar maiores estragos ru&iacute;ram de vez, j&aacute; o tinha furibundo parecendo um touro bravo, ferido, em arena de tourada, os olhos injetados de &oacute;dio e despeito. A remoer toda sua trajet&oacute;ria conjugal, alinhavando momentos cruciais em que suas suspeitas, reais ou imagin&aacute;rias, em outras ocasi&otilde;es n&atilde;o comprovadas, alimentavam o crepitar da fogueira &iacute;ntima em que se sentia consumir. E onde estavam os filhos diante a esses acontecimentos inusitados ?&nbsp; Ao lado da m&atilde;e, possivelmente n&atilde;o acreditando na vers&atilde;o enlouquecida dele. Era mais pai que marido, tanto se empenhou para ver a filha como modelo&nbsp; profissional e o garoto jogador de futebol, ambos tiros n&rsquo;&aacute;gua; a mo&ccedil;a deu-lhe tr&ecirc;s netos de pais diferentes, apenas um de casamento sacramentado, com um homossexual que a deixou logo cedo e foi morar com o companheiro. Depois veio o segundo, de um angolano assassinado antes do nascimento do bebe, e o terceiro de pai n&atilde;o conhecido, parecendo ser de descend&ecirc;ncia asi&aacute;tica. O garoto que imaginou levar para um clube internacional em seus del&iacute;rios de grandeza, n&atilde;o seguiu a carreira almejada pelo pai, talvez mais ideal paterno que dele pr&oacute;prio, n&atilde;o passando de amador em clube pequeno. A esses infort&uacute;nios culpava a companheira por n&atilde;o apoi&aacute;-lo em suas iniciativas a favor da prole com ele constitu&iacute;da; e de pensar somente no enteado que chegou a cursar faculdade de Direito, lamuriando-se de que &agrave;s custas de seu sacrif&iacute;cio pessoal.</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #993300;"><strong><em>&nbsp;Assim o acompanhei nestes momentos de infaustos onde o ch&atilde;o lhe faltava, alternando condescend&ecirc;ncia com a irracionalidade de seu orgulho ferido, parecia um vulc&atilde;o prestes a entrar em erup&ccedil;&atilde;o. Temi por seus poss&iacute;veis desatinos, daqueles que nos horrorizam cotidianamente na m&iacute;dia nos boletins policiais. Precisava de um ombro amigo, quase me aleijou por us&aacute;-los, continha as l&aacute;grimas por temer aparentar fraquezas, o certo &eacute; que o veneno experimentado era de degusta&ccedil;&atilde;o amarga e desconhecida, sempre servido &agrave; companheira, jamais antes a ele mesmo. E, tal como me afirmava categoricamente, quando at&eacute; eu mesmo duvidava, a ent&atilde;o ex esposa j&aacute; estava maritalmente com o vigilante e colega de servi&ccedil;o, apesar de ter mulher e filhos, em novo endere&ccedil;o. Temendo pelo pior com o decorrer dos fatos, intercedi junto a ela, ponderando para apaziguar a situa&ccedil;&atilde;o, tentando convenc&ecirc;-la de voltar atr&aacute;s na reclama&ccedil;&atilde;o feita, papel de bombeiro apagando inc&ecirc;ndio, ou de padre em confession&aacute;rio relevando fi&eacute;is infi&eacute;is. Muitos argumentos depois, pensando no bem estar dos filhos e possivelmente do julgamento do mais velho, criado pelo marido, acertamos uma conc&oacute;rdia para o dia da audi&ecirc;ncia, o que n&atilde;o se deu. Dia antes, domingo, festa no quintal comunit&aacute;rio, anivers&aacute;rio de um neto. A brasa ainda quente, bebedeira e o pavio curto pelas inj&uacute;rias recentes, tudo conspirando contra, e o pau comeu novamente. Festival de xingamentos e a turma do deixa-disso acrescida da maioria dos que curtiam a desgra&ccedil;a alheia como divers&atilde;o...Assinou o depoimento como quem se vinga do ex-marido, devolvendo-lhe a moeda da infidelidade com os pruridos de uma senhora aviltada em sua honra.</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #993300;"><strong><em>&nbsp;Com o tempo as feridas abertas deixam cicatrizes mas n&atilde;o incomodam mais como antes; fui procurado por ele, anos depois do acontecido.&nbsp; Respondera o processo em liberdade tendo que comparecer ao f&oacute;rum mensalmente, no que negligenciara deixando de assinar a presen&ccedil;a por v&aacute;rios meses. Como precisava tirar uma segunda via da identidade extraviada, temia ter alguma &ldquo;bronca&rdquo; pendente .&nbsp; O processo havia sido arquivado meses antes; j&aacute; sem receios de qualquer poss&iacute;vel abordagem policial, e de documento novo, voltava a ser o astro nas noites, bailando nos sal&otilde;es exibindo suas habilidades e encantando femininos cora&ccedil;&otilde;es iludidos... E a ex continua fazendo bolos para ajudar nas despesas com a sua nova paix&atilde;o.</em></strong></span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />22/10/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-10-17T00:00:00-03:00</issued>
	    <created>2017-10-17T00:00:00-03:00</created>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">A BOLA DA VEZ... conto 1ª parte</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>A BOLA DA VEZ... conto 1ª parte</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small; color: #993300;"><strong><em>Aquele homem de meia estatura e de f&iacute;sico atarracado, careca onde j&aacute; ostentou um cabeleira black-power, &agrave; qual se referia aos tempos de sua distante juventude, com a cal&ccedil;a boca de sino, a fivela saliente do cintur&atilde;o, a camisa colada ao b&iacute;ceps fizeram sucesso frente ao mulherio. Negro trabalhador, de virar a noite na labuta, servi&ccedil;os de el&eacute;trica e montagens, aventurava-se em v&aacute;rios of&iacute;cios, alvenaria e hidr&aacute;ulica, coloca&ccedil;&atilde;o de azulejos, embora a especialidade fosse eletricista, tinha forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica na fun&ccedil;&atilde;o. Mulherengo de carteirinha, onde o celular tocava indefinidamente com chamadas de tantas, a tal ponto de lhe perguntar como n&atilde;o se confundia ao atender, tirando-lhe sorrisos orgulhosos da exibida virilidade. Agenda sempre apertada, cochilos no trabalho para espantar o sono de noites insones. Conquistas reputadas ao seu desempenho nas pistas de dan&ccedil;as, forrozeiro e sambista de tirar o f&ocirc;lego e atrair as aten&ccedil;&otilde;es femininas. Elas gostam de homens versados nas artes da dan&ccedil;a, comentava cioso do assunto. E colecionava f&atilde;s, apesar de ser casado h&aacute; anos com uma prima, e pai de um casal de filhos e de um enteado que criava, todos j&aacute; adultos.</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #993300;"><strong><em>Agora, gaguejante, prestava o depoimento na delegacia da mulher, sob minha assist&ecirc;ncia para n&atilde;o se comprometer ainda mais junto a lei... Teve sorte, a mal encarada delegada, pessoa s&eacute;ria, &oacute;culos de lentes grossas, de vis&iacute;vel bu&ccedil;o escuro, passou a tarefa para o escriv&atilde;o ( mulheres costumam ser severas com maridos infratores). A custo consegui intervir para amenizar os fatos, n&atilde;o se sentia culpado mas v&iacute;tima e sua prepot&ecirc;ncia poderia atrapalh&aacute;-lo ainda mais.&nbsp; Expulsara, tardes horas, a esposa de casa, sob os improp&eacute;rios de cabra tra&iacute;do, aos berros....As roupas jogadas escada abaixo. A resid&ecirc;ncia tinha vizinhos pr&oacute;ximos, n&atilde;o faltaram testemunhas, esc&acirc;ndalos sempre tem plateias. Cercado de familiares, amigos ursos, moradores no mesmo quintal, que o queriam ver pelas costas, coisas da inveja, confidenciava enraivecido.&nbsp; Do incidente restou um boletim de ocorr&ecirc;ncia, a investiga&ccedil;&atilde;o e o risco de ser enquadrado na Lei Maria da Penha... &ldquo; A vagabunda me p&otilde;e chifres e ainda sou processado?&rdquo;&nbsp; Resmungava como se fosse um santo injusti&ccedil;ado. Sarc&aacute;stico em meus coment&aacute;rios, detive-me para n&atilde;o espezinh&aacute;-lo ainda mais, mas pensar, confesso, pensei: aquele dom Juan estava sendo corneado, &eacute;, como diz o ditado popular, santo de casa n&atilde;o faz milagres...Sorri refreando a inc&ocirc;moda gargalhada. Nos tempos das vacas gordas, profissional procurado e bem pago, servi&ccedil;os grandes de lojas em shoppings, mantinha conta secreta em banco para n&atilde;o deixar vest&iacute;gios de suas gastan&ccedil;as extraconjugais, n&atilde;o permitindo que as correspond&ecirc;ncias banc&aacute;rias chegassem ao seu endere&ccedil;o; &eacute;poca boa, lembrava-se saudoso.&nbsp;</em></strong></span></p><p><span style="font-size: small; color: #993300;"><strong><em>Foi numa festividade de final de ano, aquelas em que geralmente a fam&iacute;lia n&atilde;o participa, apenas os funcion&aacute;rios da empresa, onde a coisa toda veio a p&uacute;blico. A mulher mantinha uma rela&ccedil;&atilde;o amorosa clandestina com o vigia da Institui&ccedil;&atilde;o, levados pelo teor alco&oacute;lico festivo perderam os freios... Remo&iacute;a-se todo ao imaginar que a levava de carro ao trabalho e a beijava na entrada, possivelmente assistido pelo tra&iacute;ra, tamb&eacute;m casado e pai de filhos pequenos.&nbsp;</em></strong></span></p><p><strong>(CONCLUS&Atilde;O NA 2&ordf; PARTE...)</strong></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />17/10/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">ILUSÕES DE UMA NOITE</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>ILUSÕES DE UMA NOITE</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><strong><em><span style="color: #993300;">Idealizada em bela noite</span></em></strong></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">imagens almejadas</span></em></strong></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">ornadas flores e cetins</span></em></strong></span></p><p><span style="color: #993300;"><br /></span></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">amada minha doce</span></em></strong></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">luzes na passarela</span></em></strong></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">gorjeios da passarada</span></em></strong></span></p><p><span style="color: #993300;"><br /></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">arquitetado em sonhos</span></span></em></strong></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">constru&iacute;do o castelo</span></span></em></strong></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">&agrave; princesa ofertado</span></span></em></strong></p><p><span style="color: #993300;"><br /></span></p><p><em><strong><span style="color: #993300;">desabrochada flor</span></strong></em></span></p><p><em><strong><span style="color: #993300;">injuriada indignada</span></strong></em></span></p><p><em><strong><span style="color: #993300;">na alvorada cessava</span></strong></em></span></p><p><span style="color: #993300;"><br /></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">apesar dos caprichos</span></em></strong></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">chorou desencantada</span></em></strong></span></p><p><strong><em><span style="color: #993300;">&agrave;s ilus&otilde;es p&ocirc;s fim</span></em></strong></span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />03/10/2017</p></p></div>
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	    <link href="https://sitedepoesias.com.br/poesias/114074-o-oga-de-xango-conto" rel="service.edit" title="O OGÃ DE XANGÔ - CONTO" type="application/atom+xml"/>
	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-09-07T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>O OGÃ DE XANGÔ - CONTO</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #993300;"><em>Aquele corpanzil bem distribu&iacute;do em 1.85 cms, se contrariava com os balbucios constrangidos de quem a ele se referia: &nbsp;mulato, moreno, crioulo... &nbsp;Ao que interrompia dizendo: Negro, sou Negro ! &nbsp;E mostrava seus dentes perfeitos e alvos em contraste com a tez de &eacute;bano. Assim se fazia respeitar, eliminando melindres de terceiros, e sendo chamado pelo nome, Luiz, ou , aos mais pr&oacute;ximos, neg&atilde;o. Aqueles instantes de aparente constrangimento se desfazia quando seus olhos denunciavam o menino oculto naquela carca&ccedil;a. Seu bi&oacute;tipo se encaixava na fun&ccedil;&atilde;o, a de ser seguran&ccedil;a, of&iacute;cio que exercia naquele edif&iacute;cio comercial no centro da cidade e nos bicos feitos em diversas outras atividades. Sua paix&atilde;o, al&eacute;m da fam&iacute;lia, um filho pequeno e a esposa, era o atabaque e seus orix&aacute;s da umbanda, que venerava, e era surpreendido a cantarolar suas can&ccedil;&otilde;es, com ensaios em momentos inapropriados, raz&atilde;o de queixas veladas por alguns preconceituosos melindrados. Atuava em terreiro da religi&atilde;o afro-brasileira em algumas noites da semana, como og&atilde;, aquele que toca o instrumento de percuss&atilde;o, manejando as m&atilde;os sobre o couro do tambor invocando as entidades espirituais daquela cren&ccedil;a. Em suas apresenta&ccedil;&otilde;es parecia dominado por ex&oacute;tica for&ccedil;a fazendo de seu corpo extens&atilde;o do aparelho que manuseava tirando sonoras batidas. Algumas coisas o marcaram, como o dia da morte do pai, onde n&atilde;o demonstrou sentimentos, apenas confidenciou de que fora de vida errada, dado a v&iacute;cios, tornando dif&iacute;cil a vida de sua m&atilde;e, possivelmente a raz&atilde;o de n&atilde;o ter tais &nbsp;maus h&aacute;bitos, o de beber e fumar. Triste o percebi por ocasi&atilde;o do falecimento da av&oacute;, embora esperado pelo estado de sa&uacute;de, o marcou muito mais que a aus&ecirc;ncia paterna.&nbsp;</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #993300;"><em>Embora revelasse amor pela esposa, residia nele o mal da maioria masculina, os olhares maliciosos aos requebros femininos das outras... Porta de pr&eacute;dio, entrada de muitas, o dia preenchido com flertes mal disfar&ccedil;ados, ou mesmo de furtivas e presum&iacute;veis aventuras. Sua estampa em uma silhueta bem trabalhada, atl&eacute;tica, praticante e treinador de muay thai, o distinguia perante o sexo oposto. A sua fisionomia alegre, juvenil, dava-lhe um diferencial que n&atilde;o passava despercebido pela mulherada, encantadas por sua destacada figura.&nbsp;</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #993300;"><em>A esposa, bela morena, trabalhadora e apaixonada pelo marido. &Agrave;s amigas, sempre sofria das brincadeiras feitas sobre o envolvimento do esposo com elas, estava acostumada, sabia serem inver&iacute;dicas e propositais para encabul&aacute;-la; assim, eventuais liga&ccedil;&otilde;es telef&ocirc;nicas com essa inten&ccedil;&atilde;o tirava de letra... &nbsp;Exceto as insistentes chamadas que observou no celular esquecido pelo companheiro, desconfiou e resolveu atender. Preocupada ao identificar a voz e a imagem de Ana, ex vizinha do casal, moradora na casa de c&ocirc;modos ao lado, jovem e sozinha. Aquilo a atormentou, e resolveu manter segredo, precisava de tempo e de pensar com calma, apesar de estar nos seus limites de toler&acirc;ncia. Aquele jeito brincalh&atilde;o, risonho, tamb&eacute;m ocultava um sedutor nato, sabia-o bem, afinal, foram atributos para enla&ccedil;ar tamb&eacute;m a ela, tempos atr&aacute;s. Sua figura mudou-lhe a vida, a encantou, foi diferente de todos os relacionamentos anteriores, foi especial, eram felizes. Por&eacute;m conviver com as suspeitas era o desafio maior para Grazy, como Ana tinha o n&uacute;mero do telefone dele ? &nbsp;E como o tratava com tanta intimidade, cobrando o seu comparecimento, em tom insinuado de amea&ccedil;a? &nbsp;Resolveu tirar a limpo a hist&oacute;ria, por mais cruel que lhe pudesse ser... Teve a intui&ccedil;&atilde;o de procur&aacute;-la em uma favela pr&oacute;xima, pois havia se mudado, embora n&atilde;o soubesse como localiz&aacute;-la. &nbsp;Saiu com o carro do marido, que tinha insulfilme nos vidros e n&atilde;o permitia uma vis&atilde;o clara de quem estava no interior do ve&iacute;culo. &nbsp;Bastou achegar-se das proximidades da comunidade, que Ana, pensando tratar-se do amante, apareceu junto ao carro... N&atilde;o havia mais d&uacute;vidas, tinham um caso. Apenas um inconveniente deteve a f&uacute;ria da esposa contra a outra, a j&aacute; vis&iacute;vel barriga denunciando a gravidez. &nbsp;O lado maternal falou mais alto, impedindo-a de atos e atitudes r&iacute;spidas, a ouviu consternada...</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #993300;"><em>Maculada em sua confian&ccedil;a, sentiu-se despeda&ccedil;ada em seu interior; como resolver aquela situa&ccedil;&atilde;o inusitada ? &nbsp; Apartar-se do pai de seu filho, e de seu homem ? A mem&oacute;ria rebobinada em tortuosas d&uacute;vidas, como imaginar seu pequeno distante do pai t&atilde;o querido ? Priv&aacute;-lo da conviv&ecirc;ncia em que ambos pareciam crian&ccedil;as em suas alegres brincadeiras ? E ela, divorciada do amor de sua vida ? Como restaurar os cacos da rela&ccedil;&atilde;o profundamente abalada? &nbsp;N&atilde;o fora um caso eventual, que poderia desconfiar mas jamais ter a certeza; havia uma gesta&ccedil;&atilde;o, um bra&ccedil;o de outra fam&iacute;lia clandestina sendo gerado, como suportar aquilo? &nbsp;Sem conseguir digerir todo o fel que a consumia, entregou-se ao trabalho e, intencionalmente, a criar programas sozinha, desligando-se do esposo...Queria feri-lo, tentar atingi-lo com as mesmas armas. Que sofresse suas aus&ecirc;ncias injustificadas, e sentisse o receio de perd&ecirc;-la, se realmente a amava como dizia. Incomodado e estranhando o comportamento alheio e distante da esposa, a questionou e teve a resposta a eclodir como lavas de um vulc&atilde;o. &nbsp;N&atilde;o conseguiu conter sua insatisfa&ccedil;&atilde;o e vomitou &ndash; lhe suas ang&uacute;stias e descobertas, fazendo-o part&iacute;cipe de suas decep&ccedil;&otilde;es... Em suas m&atilde;os a responsabilidade de sua inconsequente aventura.</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #993300;"><em>N&atilde;o quis participar das decis&otilde;es que caberiam a ele. Que contornasse a situa&ccedil;&atilde;o, dando dinheiro para a amante retornar &agrave; sua pequena cidade no interior baiano de onde viera, n&atilde;o se sabe se livraria da barriga, ou se levaria no ventre a semente da tr&acirc;nsfuga rela&ccedil;&atilde;o com ele. Conhecendo-o como sabia ser, n&atilde;o concordaria com o aborto, mas sobre isso se eximia, era demais para ela sobrecarregar-se com o resultado da trai&ccedil;&atilde;o sofrida, n&atilde;o lhe pertencia aquele encargo, que se resolvessem eles.</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #993300;"><em>Para a esposa, contudo, apesar de amainada as turbul&ecirc;ncias dom&eacute;sticas, seu olhar triste denuncia a sombra a persegui-la e a inquiet&aacute;-la... Nada mais ser&aacute; como antes ? Tinha claro de que em cada esquina poderia surgir outra advers&aacute;ria a ser fisgada pela facerice sedutora de seu amado... O tempo dir&aacute;; se depender das molecagens do marido, altissonantes como o soar dos atabaques &nbsp;no solo do terreiro de pai Xang&ocirc; saudando os Orix&aacute;s, ningu&eacute;m poder&aacute; asseverar com certeza...</em></span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />07/09/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-08-07T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CAMINHO DE VOLTA...</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #008000;"><em>&nbsp;</em></span><span style="color: #000080;"><em><span style="font-size: medium;"><span style="font-size: medium; color: #008000;"><em>deponha nesta arena&nbsp;<br />as suas armas&nbsp;<br />&oacute;dios m&aacute;goas rancores&nbsp;<br /></em></span><br /><span style="font-size: medium; color: #008000;"><em>abra seus bra&ccedil;os&nbsp;<br />enlace luzes&nbsp;<br />semeie flores&nbsp;<br /></em></span><br /><span style="font-size: medium; color: #008000;"><em>perdoe incondicional&nbsp;<br />sorria desprevenido&nbsp;<br />soterre orgulhos humores&nbsp;<br /></em></span><br /><span style="font-size: medium; color: #008000;"><em>releve entenda contendas&nbsp;<br />espinhos encravados na carne&nbsp;<br />seja crian&ccedil;a inf&acirc;ncia se desarme&nbsp;<br /></em></span><br /><span style="font-size: medium; color: #008000;"><em>refa&ccedil;a os passos desenganos&nbsp;<br />perdoe-se perdoando aliviando&nbsp;<br />enxugue l&aacute;grimas cultue amores&nbsp;<br /></em></span><br /><span style="font-size: medium; color: #008000;"><em>p&aacute;ssaro alado enviado da paz&nbsp;<br />alce voos rumo &agrave;s estrelas&nbsp;<br />proscrito filho de volta ao Divino...&nbsp;</em></span></span></em></span></p><p>&nbsp;</p><p>(13/02/2009)]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />07/08/2017</p></p></div>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>AMOR & DESEJO</h4><p><![CDATA[<em><span style="font-size: large; color: #800080;"><em>amei e menti</em><span>&nbsp;</span><br /><em>menti mais do que amei</em><span>&nbsp;</span><br /><em>se amei sinceramente n&atilde;o sei</em><span>&nbsp;</span></p><p></span></em><span style="font-size: large; color: #800080;"><em><em>sem saber direito o que &eacute; amar</em><span>&nbsp;</span><br /><em>insensato afirmei tal sentimento</em><span>&nbsp;</span><br /><em>pelo desejo talvez o corpo sedento</em><span>&nbsp;</span><br /></em></span><br /><span style="font-size: large; color: #800080;"><em><em>lux&uacute;rias devassid&atilde;o sensa&ccedil;&atilde;o</em><span>&nbsp;</span><br /><em>reprimidos bestiais instintos</em><span>&nbsp;</span><br /><em>da posse do gozo satisfa&ccedil;&atilde;o</em><span>&nbsp;</span><br /></em></span><br /><span style="font-size: large; color: #800080;"><em><em>amei bem sei ou n&atilde;o</em><span>&nbsp;</span><br /><em>desejei certo bem sei</em><span>&nbsp;</span><br /><em>se amei, deveras, n&atilde;o sei...</em></em></span></p><p><em>(14/12/2008)&nbsp;</em>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />09/07/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>MORRE  NOSSO COLEGA  SÉRGIO NÉSPOLI</h4><p><![CDATA[VIVA A VIDA</p><p><br />At&eacute; onde? At&eacute; quando?<br />Por que a fome? Por que o sono?<br />Pai, dizei-me por onde ando.<br />&nbsp;<br />O que &eacute; a morte? Por que &eacute; certa?<br />&Eacute; s&oacute; um abandono<br />Ou &eacute; solid&atilde;o que aperta?<br />&nbsp;<br />Quanta vida ainda me resta?<br />Dizei-me, pai, quanta vida,<br />quantas missas; quantas festas.<br />&nbsp;<br />Dizei-me quantos outonos.</p><p>(Antonio S&eacute;rgio N&eacute;spoli &nbsp;19/03/17)</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p><em><strong>Antonio S&eacute;rgio N&eacute;spoli, poeta participante deste Site de Poesias, faleceu na data de ontem, 25/06/2017. Neste site publicou 236 poesias, sendo a &uacute;ltima, As Contas do Ros&aacute;rio, em 20 de maio pr&oacute;ximo passado. Desconhe&ccedil;o as causas que o levaram, mas lamento a aus&ecirc;ncia do poeta que esmerilhava com maestria seus versos, tendo uma obra concisa, enxuta, mas exuberante e imaginativa, que deixar&aacute; saudades a todos n&oacute;s.</strong></em></span></p><p></span></p><p><em><strong>Que tenha um despertar reconfortante na p&aacute;tria espiritual junto aos seus entes queridos que o antecederam na jornada, minhas homenagens saudosas.</strong></em></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />25/06/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-06-23T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">FESTAS JUNINAS</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>FESTAS JUNINAS</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><strong><em>Juninas dan&ccedil;as saudosas<br />com pamonha e quent&atilde;o,<br />subindo como um bal&atilde;o<br />clareando a escurid&atilde;o</span></span></span></em></strong></p><p><strong><em>Do alto, junto &agrave;s estrelas<br />pontilhadas no infinito,<br />Noites frias, aquecidas,<br />pela fogueira no ch&atilde;o</span></span></em></strong></p><p><strong><em>Meninos tempos<br />longe na imensid&atilde;o,<br />atuais, relembrados,<br />na doce imagina&ccedil;&atilde;o...</span></span></em></strong></p><p>&nbsp;</p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />23/06/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-06-12T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">CRÔNICA DE ANIVERSÁRIO</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CRÔNICA DE ANIVERSÁRIO</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p><br /><span style="font-size: medium;"><em><strong><span style="background-color: #ffffff;"><span style="color: #808000;">H&aacute; exatos sessenta anos, mais precisamente as 18 horas do dia 12/06/1957, na pequena Echapor&atilde;-SP, minha saudosa m&atilde;e percebeu que as coisas n&atilde;o estavam correndo dentro do previsto, eu dava sinais de relutar em deixar a toca e enfrentar o mundo, talvez j&aacute; prevendo o que me esperava c&aacute; de fora. Foi ent&atilde;o, em uma prece de f&eacute;, sendo v&eacute;spera do dia de Santo Ant&ocirc;nio, o fervoroso pedido para me desalojar de minha ent&atilde;o c&ocirc;moda posi&ccedil;&atilde;o, e parece que o santificado</span></span><span style="background-color: #ffffff;"><span style="color: #808000;">&nbsp;fez o milagre e ajudou no despejo, onde surgi nu em pelo, desdentado e careca, enchendo fraldas e mamando feito um bezerro faminto, mas um sonho de guri para os papais corujas, embora todos pare&ccedil;amos com cara de joelho nas primeiras horas, na condescend&ecirc;ncia materna e paterna isso n&atilde;o conta... Em agradecimento sincero foi prometido ao casamenteiro que teria Ant&ocirc;nio na certid&atilde;o, ainda bem que n&atilde;o em primeiro; nada contra, mas ao fato de ser comum, hom&ocirc;nimos s&oacute; d&atilde;o trabalho na vida civil. O nome principal herdei de meu pai, nada vistoso por&eacute;m n&atilde;o comum e estramb&oacute;lico, ouvi falar de poucos xar&aacute;s. Sem ref&uacute;gio acolhedor, passei a enfrentar as alegrias e tristezas de existir, e, sem saudosismos, parece que foi ontem...</span></span></span></strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium;"><em><strong><span style="background-color: #ffffff;"><span style="color: #808000;"><span>Os anivers&aacute;rios, por serem juninos, trocava-se os refrigerantes por ch&aacute;s (geralmente junho &eacute;, ou foi, frio), as balas e guloseimas viravam pipocas, quent&atilde;o, batata doce, doces de leite e de ab&oacute;bora e pinh&atilde;o, para abrilhantar as festinhas havia a fogueira e os fogos de artif&iacute;cios, daqueles quase inofensivos, estilo traques. Comemorava-se o anivers&aacute;rio e o Santo, c&uacute;mplice do meu surgimento ao mundo dos vivos. Assim, as m&uacute;sicas pr&oacute;prias desta &eacute;poca festiva me acompanham, sabendo-as de cor. Ainda que na madureza da exist&ecirc;ncia os encantos ficam distantes, &eacute; um m&ecirc;s especial, talvez saudades daqueles tempos infantis.&nbsp;</span><br /><span>Preocupa-me a perda da mem&oacute;ria de nosso folclore, assim fico feliz ao observar os pequenos travestidos de caipirinhas, rostos pintados de barbas e bigodes, roupas listradas, dan&ccedil;ando a quadrilha; figurava-me com um resgate atemporal de nossa cultura, t&atilde;o necess&aacute;rio preserv&aacute;-la dos modismos estrangeiros e que nada representam aos nossos valores. &Eacute;pocas em que valorizamos as m&uacute;sicas mais tradicionais, a moda de viola, o bai&atilde;o, o xaxado, o maxixe, o forr&oacute;. Acrescidos de culturas regionais, como o bumba-meu-boi do norte e nordeste. Em um Pa&iacute;s de extens&atilde;o continental, comemorarmos nossos usos e costumes, do Oiapoque ao Chu&iacute;, &eacute; um trof&eacute;u inquestion&aacute;vel de nossa uni&atilde;o. Mantermos nossa identidade &eacute; tarefa de todo n&oacute;s, patrim&ocirc;nio nacional.</span><br /><span>Tempos em que a mem&oacute;ria embotada de emo&ccedil;&otilde;es ressuscita tantos momentos...</span><br /></span><span style="color: #ffffff;">Os anivers&aacute;rios, por serem juninos, trocava-se os refrigerantes por ch&aacute;s (geralmente junho &eacute;, ou foi, frio), as balas e guloseimas viravam pipocas, quent&atilde;o, batata doce, doces de leite e de ab&oacute;bora e pinh&atilde;o, para abrilhantar as festinhas havia a fogueira e os fogos de artif&iacute;cios, daqueles quase inofensivos, estilo traques. Comemorava-se o anivers&aacute;rio e o Santo, c&uacute;mplice do meu surgimento ao mundo dos vivos. Assim, as m&uacute;sicas pr&oacute;prias desta &eacute;poca festiva me acompanham, sabendo-as de cor. Ainda que na madureza da exist&ecirc;ncia os encantos ficam distantes, &eacute; um m&ecirc;s especial, talvez saudades daqueles tempos infantis.&nbsp;</span></span><br /><span style="color: #ffffff; background-color: #ffffff;">Preocupa-me a perda da mem&oacute;ria de nosso folclore, assim fico feliz ao observar os pequenos travestidos de caipirinhas, rostos pintados de barbas e bigodes, roupas listradas, dan&ccedil;ando a quadrilha; figurava-me com um resgate atemporal de nossa cultura, t&atilde;o necess&aacute;rio preserv&aacute;-la dos modismos estrangeiros e que nada representam aos nossos valores. &Eacute;pocas em que valorizamos as m&uacute;sicas mais tradicionais, a moda de viola, o bai&atilde;o, o xaxado, o maxixe, o forr&oacute;. Acrescidos de culturas regionais, como o bumba-meu-boi do norte e nordeste. Em um Pa&iacute;s de extens&atilde;o continental, comemorarmos nossos usos e costumes, do Oiapoque ao Chu&iacute;, &eacute; um trof&eacute;u inquestion&aacute;vel de nossa uni&atilde;o. Mantermos nossa identidade &eacute; tarefa de todo n&oacute;s, patrim&ocirc;nio nacional.</span><br /><span style="color: #ffffff; background-color: #ffffff;">Tempos em que a mem&oacute;ria embotada de emo&ccedil;&otilde;es ressuscita tantos momentos...</span></span></strong></em></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />12/06/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-06-03T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">REFLEXÕES...</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>REFLEXÕES...</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>Ef&ecirc;mera vida</em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>ontem engatinhava</em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>Esposava sonhos</em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>ignorava os reveses</em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>Rindo dos desalentos</em></span></p><p><em><span style="font-size: large; color: #008000;">mitigando contraridades</span></em></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>Ri mais do que chorei, talvez,</em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>em disfarces de l&aacute;grimas</em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>Dores tantas em conta</em></span></p><p><em><span style="font-size: large; color: #008000;">das experi&ecirc;ncias</span></em></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>inexistentes em manuais</em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>recompostas nas esperan&ccedil;as</em></span></p><p>&nbsp;</p><p><em><span style="font-size: large; color: #008000;">Entre tristezas e alegrias</span></em></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>Dedu&ccedil;&otilde;es e conclus&otilde;es</em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>Aprendiz da caminhada</em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>n&atilde;o inc&oacute;lume aos tombos...</em></span></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />03/06/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-05-15T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>AS ESPERAS DAS MÃES</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>Anseiam por cada passo nosso,</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong> nos veem crescer,</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong> germinando como uma planta;</strong></em></span></p><p>&nbsp;</p><p><em><span style="font-size: medium; color: #800000;"><strong>Desde o ventre nos esperam,</strong></span></em></p><p><em><span style="font-size: medium; color: #800000;"><strong> ao chegar da escola, do passeio,</strong></span></em></p><p><em><span style="font-size: medium; color: #800000;"><strong> das ruas, das viagens...</strong></span></em></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>T&atilde;o experimentadas na arte de nos esperar,</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>partem antes de n&oacute;s</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong> para nos recepcionar do outro lado,</strong></em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><strong><em> nos esperando, para variar...</em></strong></span></p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />15/05/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-03-28T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">PELA VIDA...</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>PELA VIDA...</h4><p><![CDATA[<strong><em><em><strong>Fui ficando pelos caminhos</strong></em></span></em></span></strong></span></p><p><strong><em><em><strong>Subtraindo ilus&otilde;es, fazendo concess&otilde;es,</strong></em></span></em></span></strong></span></p><p><strong><em><em><strong>Resignando-me de sonhos, amadurecendo desilus&otilde;es</strong></em></span></em></span></strong></span></p><p><span><em><strong>Aos trancos fiz-me forte ( ou menos piegas)</strong></em></span></span></p><p><em><strong>Que tudo &eacute; o que &eacute;, o resto vai ficando, aos poucos</strong></em></span></p><p><strong><em><em><strong>Pelos descaminhos, misturando quimeras com desencantos...</strong></em></span></em></span></strong></span></p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />28/03/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-04-12T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>QUINTO MANDAMENTO: NÃO MATARÁS ! (conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>Coloquei a bagagem, transportada em um carrinho de m&atilde;o, o material que trazia do bairro rumo ao centro da cidade, e subi no coletivo. Como fazia o trajeto no contra fluxo, acomodei-me em uma cadeira individual para melhor me ajeitar; na viagem, observando o movimento pela janela, distra&iacute;a-me. Desceria no ponto final, o que me deixava mais &agrave; vontade; e, como o &ocirc;nibus n&atilde;o estava cheio, desatento, e involuntariamente, passei a ouvir a conversa de um passageiro com o condutor. Os dois relativamente jovens, falando de amenidades, e reconhecendo-se como de mesma denomina&ccedil;&atilde;o religiosa, evang&eacute;licos.&nbsp; O decorrer do di&aacute;logo, que ia de pessoas conhecidas em comum, at&eacute; a pr&aacute;tica de jogos de futebol amador que participavam. Como ambos professavam a mesma religi&atilde;o, em que o falante rapaz narrava da sua namorada, ex&iacute;mia instrumentista nos cultos da igreja, manejando v&aacute;rios instrumentos da banda, enquanto ele tentara aprender bateria, sem sucesso. O outro, na dire&ccedil;&atilde;o, respondeu, resumidamente, que tocava tumba. &nbsp;A pergunta do motorista sobre de qual regi&atilde;o do pa&iacute;s o amigo era, deu in&iacute;cio &agrave; narrativa que seguiu-se, a mim inusitada. ...</strong></em></span><br />&nbsp;<br /><span><span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>Vim da Bahia. Cheguei aqui aos 17 anos, hoje estou com 28, depois de ver meu pai assassinado...ele foi morto com tr&ecirc;s facadas. Neste ponto do col&oacute;quio, a sua fala tornou-se mais pausada, s&eacute;ria, como se tivesse necessidade de falar sobre t&atilde;o delicado assunto... Cheguei aqui ( S&atilde;o Paulo), trabalhei, comprei um carro, uma arma e paguei a dois ajudantes para me acompanharem at&eacute; a minha cidade natal, queria ving&aacute;-lo. &nbsp;A vingan&ccedil;a era o est&iacute;mulo para minhas economias, n&atilde;o descansaria enquanto me lembrasse da forma vil e humilhante com que fora abatido, pelas costas. &nbsp;Aquela quebra no ritmo da conversa chamou-me a aten&ccedil;&atilde;o mais detidamente. O inusitado de se confidenciar a outro rec&eacute;m conhecido, de um fato incomum, a vindita que o consumira. Pois ent&atilde;o, retornou o assunto o loquaz narrador, embora frequentador dos cultos, o que lhe dava relativa paz de esp&iacute;rito, a mem&oacute;ria do pai agonizante em seus bra&ccedil;os cobrava-lhe atitudes en&eacute;rgicas, n&atilde;o lhe permitindo sossegar sobre o drama a consumi-lo; mataria o desafeto, assassino frio e implac&aacute;vel, &ldquo;quem com ferro ferre, com ferro ser&aacute; ferido&rdquo;, sentenciava no dizer b&iacute;blico.&nbsp; Debalde as mensagens que pareciam vir direcionadas a ele, atrav&eacute;s das prega&ccedil;&otilde;es dos pastores, enaltecendo sentimentos de paz e de perd&atilde;o incondicional aos inimigos. E a lembran&ccedil;a do quinto mandamento, &ldquo;n&atilde;o matar&aacute;s!&rdquo;, a incomod&aacute;-lo, planejou e intentou o crime. Tal era seu desiderato como uma ideia fixa. Curioso como aquele cidad&atilde;o risonho tinha tanta necessidade de se expor sobre t&atilde;o privada quest&atilde;o, afinal fora a causa de uma morte, n&atilde;o importasse as suas raz&otilde;es. E discorria com detalhes, como se sentisse necessidade de esmiu&ccedil;ar o acontecimento; deduzi que via naquilo uma compensa&ccedil;&atilde;o para o torpe assassinato paternal, enaltecia a narrativa com ligeira ponta de orgulho pela infausta fa&ccedil;anha de t&ecirc;-lo vingado. Jamais poderia supor conversa t&atilde;o inesperada como aquela. &nbsp;A mente humana, insond&aacute;vel em seus meandros, nos apresenta surpresas. Como aquele simp&aacute;tico var&atilde;o, cheio de juventude, alegre e aparentemente pac&iacute;fico, abrigara tal instinto revanchista, capaz de fazer justi&ccedil;a a seu pr&oacute;prio modo?</strong></em></span></span><br />&nbsp;<br /><span><span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>Em uma noite chegou em sua pequena cidade, distante da capital, Salvador. Feitos os cumprimentos saudosos &agrave; m&atilde;e, perguntou-lhe sobre o famigerado, sendo informado que transitava placidamente pelas ruas, sendo respeitado por seu passado delituoso naquela terra esquecida da Justi&ccedil;a. Com um rol de acontecimentos criminosos na biografia, era temido pelos pacatos cidad&atilde;os, a parecer temor no disfarce de respeito.</strong></em></span></span><br />&nbsp;<br /><span><span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>Achegou-se &agrave; v&iacute;tima que se encontrava em um bar, o interpelou, atraindo a sua aten&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o agiria de forma covarde, como fizera com seu pai, pelas costas. Morreria ciente do que se tratava, fitando-o, cara a cara.&nbsp; Apesar de acompanhado, determinou que caberia a ele a consuma&ccedil;&atilde;o do delito, era uma quest&atilde;o pessoal, intransfer&iacute;vel. Embora t&eacute;trico, desejava v&ecirc;-lo estrebuchando, feito um animal, tal qual relembrava seu drama paterno. Pego em surpresa, desprevenido, parecia o fim do malfeitor, se a arma acionada, em v&aacute;rias tentativas, n&atilde;o tivesse refugado nos disparos, inexplicavelmente. Instantes preciosos para, refeito do susto, a v&iacute;tima evadir-se rapidamente do local.&nbsp; Ao presenciarem a frustrada tentativa, os comparsas sa&iacute;ram no encal&ccedil;o, alcan&ccedil;ando-o e o fulminando com onze tiros, &agrave; queima roupa, pondo fim &agrave; carreira criminosa daquele homem. </strong></em></span></span><br />&nbsp;<br /><span><span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>A cidade, desassistida pela Justi&ccedil;a, sentiu-se aliviada pelo exterm&iacute;nio, e, tal qual procedia diante &agrave;s execu&ccedil;&otilde;es feitas pelo morto, calaram-se, como se nada tivesse acontecido...</strong></em></span></span><br />&nbsp;<br /><span><span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>No caminho de volta, abismado, experimentou disparar para o alto, e o rev&oacute;lver respondeu prontamente, vindo em seu &iacute;ntimo a lembran&ccedil;a da prega&ccedil;&atilde;o nos cultos, al&eacute;m dos frequentes apelos da namorada, o do quinto mandamento de Deus, &ldquo;N&atilde;o matar&aacute;s !&rdquo;</strong></em></span></span><br />&nbsp;<br /><span><span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>Encerrando a conversa, algo aliviado, pediu o n&uacute;mero do whatsApp do motorista, para lhe enviar os c&acirc;nticos de louvor da Igreja de ambos... </strong></em></span></span><br />&nbsp;<br /><span><span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>&nbsp;Cheg&aacute;vamos ao destino, o ponto final, no centro da cidade.</strong></em></span></span></p><p>&nbsp;<br /><span><span style="font-size: large; color: #008080;"><em><strong>&nbsp;</strong></em></span></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />12/04/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-03-26T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>O SEGREDO DE GERUSA ( conto parte 2 final)</h4><p><![CDATA[...</p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em>A casa grande tinha cinco quartos com banheiros, arejados, cercada por uma varanda bem posicionada de amplas vistas, os m&oacute;veis de bom gosto e sem exageros, privilegiando mais espa&ccedil;os do que acess&oacute;rios decorativos. A ela foi indicado um dos aposentos, estranhou pela defer&ecirc;ncia, ao n&atilde;o lhe designarem uma acomoda&ccedil;&atilde;o de empregada, como seria o esperado. Seus poucos pertences tomavam apenas parte do guarda-roupas e da c&ocirc;moda a ornarem a depend&ecirc;ncia, tamb&eacute;m composta por uma cama de solteiro, um criado mudo anexo com um abajur simp&aacute;tico. Aquilo parecia o m&aacute;ximo para quem sempre teve apenas o essencial. &nbsp;As surpresas n&atilde;o terminavam, havia empregadas na casa, ent&atilde;o por que contrat&aacute;-la? &nbsp;Tamb&eacute;m n&atilde;o lhe foram dadas as recomenda&ccedil;&otilde;es e as fun&ccedil;&otilde;es que desempenharia, talvez esclarecidas no decorrer da gesta&ccedil;&atilde;o da patroa, lembrando-se ela de que tamb&eacute;m estava gestante, aquilo a incomodou, ser&aacute; que era do conhecimento da senhora seu estado de gr&aacute;vida? Por certo ignorava de que o pai era seu pr&oacute;prio marido, o que teria ele alegado para a esposa ao contratar uma gestante? &nbsp;Em breve estaria proeminente seu ventre, suas atividades iriam requerer mais cuidados ; ele sabia que seria pai, e dele foi a iniciativa de lev&aacute;-la para sua casa. Eram tantas as d&uacute;vidas a assalt&aacute;-la que deixaria as coisas acontecerem para ter suas respostas. A indefini&ccedil;&atilde;o do que faria na casa a encabulava, parecia uma h&oacute;spede tratada com inusitada delicadeza. Recusou-se, delicadamente, a fazer as refei&ccedil;&otilde;es na copa, junto dos patr&otilde;es. Sentia-se mais a vontade na cozinha, junto &agrave;s empregadas. N&atilde;o insistiram, por certo consideraram sua timidez e poucos modos nos tratos com os talheres e card&aacute;pios mais sofisticados. Quis ajudar na cozinha, precisava desempenhar alguma fun&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o acabava louca em suas interroga&ccedil;&otilde;es sem respostas, nisso n&atilde;o permitiram. Ai foi que deu-se conta de que a patroa sabia que ela estava gestante, ficou evidente na admoesta&ccedil;&atilde;o para que n&atilde;o fizesse nada que exigisse esfor&ccedil;os, dado ao seu &ldquo;estado&rdquo;. &nbsp;Mist&eacute;rio que a intrigava, ainda mais com a chegada de um homem gorducho de valise e estetosc&oacute;pio no pesco&ccedil;o, era o m&eacute;dico, possivelmente para consultar a patroa. Mas n&atilde;o, ela fora chamada perante ao doutor rechonchudo. Homem simp&aacute;tico e alegre, fez-lhe algumas perguntas, consultou seus pulm&otilde;es, prescreveu algumas vitaminas, e confirmou sua gravidez j&aacute; perto dos quatro meses. &nbsp;Dona L&uacute;cia assistiu a tudo, estranhamente maravilhada com a confirma&ccedil;&atilde;o, recebeu o receitu&aacute;rio e ordenou que fosse aviado na farm&aacute;cia. A partir dali Gerusa passou a ser tratada com especiais cuidados, como se fosse uma rica porcelana que poderia se quebrar. O casal se esmerava em cuidar de sua sa&uacute;de e bem estar, poupando-a de maiores esfor&ccedil;os, o que a entediava a passar as horas sem nada por fazer. Era din&acirc;mica, sempre tivera sua rotina, agora parecia estar proibida de exercer qualquer atividade. Passava a ficar claro de que a patroa sabia que a crian&ccedil;a gerada era do pr&oacute;prio marido, do contr&aacute;rio por que tanto desvelo com ela, &nbsp; praticamente uma estranha ? E, se ela estava gr&aacute;vida, por que seria t&atilde;o tolerante com uma rela&ccedil;&atilde;o extra - conjugal do esposo? &nbsp;Procurou especular com as colegas de trabalho, discretas ao extremo. Mas se mostraram surpresas ao ouvir dela que a patroa estava gestante. Chegaram a alegrar-se com a not&iacute;cia, pois deixaram escapar que a mesma, desde a &uacute;ltima frustrada gesta&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o poderia mais engravidar. As coisas come&ccedil;avam a fazer sentido, Gerusa passou a considerar que fora engravidada para dar ao casal uma crian&ccedil;a, n&atilde;o importando a eles seus sentimentos, era apenas um meio de conseguirem seu intento. Ent&atilde;o todos os cuidados a ela dispensados faziam sentido. O patr&atilde;o agiu tendo certeza de que ela se calaria aos seus, por medo de enfrent&aacute;-lo, ent&atilde;o seu plano s&oacute;rdido estava desvendado. Mais uma vez teria que suportar aquela injusti&ccedil;a, serviria como uma barriga de aluguel, hospedando um ente do qual n&atilde;o poderia sequer am&aacute;-lo como seu. Para a fam&iacute;lia pediam que escrevesse, periodicamente, uma carta, sabiam que ela omitiria sua gravidez, n&atilde;o desejariam que algu&eacute;m aparecesse para v&ecirc;-la gestante, assim a dist&acirc;ncia ficava mais toler&aacute;vel para eles. Sempre havia a promessa de que voltaria, assim que o filho da patroa nascesse.</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em>O patr&atilde;o, depois da not&iacute;cia da gravidez, n&atilde;o mais a procurou, ali&aacute;s, evitava ficar a s&oacute;s com ela, possivelmente para n&atilde;o ser interpelado; quanto a L&uacute;cia, pelo contr&aacute;rio, vivia pr&oacute;xima, dispensando aten&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o raro permitindo-se alisar o ventre j&aacute; crescidinho com inexced&iacute;vel carinho. Parecia que a gr&aacute;vida, efetivamente, fosse ela, a tal ponto de chamar o bebe de &ldquo;nosso filho&rdquo;. Curiosamente, o ber&ccedil;o foi escolhido pelo casal sem a presen&ccedil;a e mesmo a opini&atilde;o da parturiente, que s&oacute; tomou ci&ecirc;ncia quando da entrega do m&oacute;vel, instalado no quarto do casal. Assim como o caprichado enxoval do beb&ecirc;, escolhido &agrave; revelia da verdadeira m&atilde;e. Claro ent&atilde;o o zelo para com ela, n&atilde;o exatamente consigo, mas com quem trazia em suas entranhas. &nbsp;Abismada e arisca, j&aacute; previa o final daquela hist&oacute;ria, a teriam enquanto n&atilde;o nascesse a crian&ccedil;a, depois... Ora, para a sua fam&iacute;lia ela voltaria ap&oacute;s ajudar a patroa em sua gesta&ccedil;&atilde;o, tudo dentro da l&oacute;gica. Quanto a ela, desembara&ccedil;ada da barriga, voltaria ao anonimato de camponesa. Continuaria a manter o segredo, sem outra op&ccedil;&atilde;o. Usariam a sua maternidade para suprir a defici&ecirc;ncia da patroa; parecia inexistir como pessoa, sequer a consultaram e pareciam indiferentes a essa quest&atilde;o. Era como um objeto, sem sentimentos, vontade e voz. Lembrava antes uma procriadora, uma vaca leiteira, inoculada pelo s&ecirc;men patronal. Nem parceria era, pois ela n&atilde;o teria parte alguma.</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em>Ap&oacute;s o nascimento do menino, saud&aacute;vel, de parto normal, a m&atilde;e funcionou como ama de leite at&eacute; o desmame, o fruto de sua gesta&ccedil;&atilde;o trouxera paz e alegrias &agrave;quele casal, miss&atilde;o cumprida. Ficava com o pequeno no colo apenas naqueles imprescind&iacute;veis momentos da amamenta&ccedil;&atilde;o, observada atentamente pela m&atilde;e usurpadora, como enciumada daquelas tetas fartas e providas do nutritivo leite. N&atilde;o a destratavam, se fosse seria alguma coisa, uma rea&ccedil;&atilde;o, menos que isso, sentia a indiferen&ccedil;a, como se ela estivesse cumprindo uma simples obriga&ccedil;&atilde;o devida.</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em>A mesma charrete que a trouxera meses atr&aacute;s a devolvia ao conv&iacute;vio dos seus, sem qualquer suspeita. Aquele interregno em sua vida seria sempre um lapso de tempo do qual deveria esquecer, mesmo que seu amor materno a sufocasse em l&aacute;grimas de saudades de seu filhinho que jamais a conheceria...</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />26/03/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-03-17T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>O SEGREDO DE GERUSA ( conto parte 1)</h4><p><![CDATA[<span style="color: #008000;"><span style="font-size: small;"><strong>Quando sentiu o l&iacute;quido quente escorrer pelas pernas, viu que era sangue, empalideceu, buscou pela m&atilde;e, iletrada mas vivida, que a esclareceu, em seu modo tosco, e tal como acreditava. Gerusa tomou conhecimento de que j&aacute; era uma f&ecirc;mea com possibilidades de engravidar, os receios nas advert&ecirc;ncias maternas a deixaram incomodada. Atr&aacute;s de cada palavra nenhum alento, apenas precau&ccedil;&otilde;es externadas trazendo junto os traumas vividos pela genitora, assim foram recebidos os conselhos. In&uacute;til florear de que deixava a inf&acirc;ncia e ingressara na puberdade, as etapas da vida, naquelas condi&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o se davam de maneira suave, a hostil vida se apresentava aos solavancos, sendo vivida sem maiores considera&ccedil;&otilde;es. Assim a assustada menina conhecia-se mulher. Sua beleza brejeira, maltratada mas insinuante, despontava. Era a &uacute;nica filha, tinha dois irm&atilde;os maiores, que junto aos pais lavravam a terra, cultivada em regime de parceria com o propriet&aacute;rio; aquilo garantia o sustento familiar, podendo ter algumas cria&ccedil;&otilde;es, como aves e porcos, al&eacute;m de pequena horta. A ela cabia os servi&ccedil;os dom&eacute;sticos, cozinhar e levar a comida aos familiares na ro&ccedil;a, inclusive para a pr&oacute;pria m&atilde;e que ajudava no cultivo. Tamb&eacute;m era sua incumb&ecirc;ncia encher a tina de &aacute;gua para as necessidades de higiene e lavar as roupas na beira do rio, o que fazia alguns dias na semana, sempre solit&aacute;ria.<br /></strong></span><br /></span><span style="font-size: small;"><strong><span style="color: #008000;"><span style="color: #008000;">A flor que surgia entre as pedras da vida humilde n&atilde;o passou despercebida pelo dono das terras, a avist&aacute;-la de seu cavalo, espreitando-a em seus afazeres, sendo que ela n&atilde;o notava mal&iacute;cias naquele proceder, as terras eram dele, normal, portanto, que cavalgasse por elas, acompanhando os servi&ccedil;os dos lavradores parceiros. Foi entretida na lavagem de roupas, agachada na beira do rio, ouvindo o canto dos p&aacute;ssaros, abordada pelo homem, rente a ela, de supet&atilde;o e sem condi&ccedil;&otilde;es de reagir &agrave; investida. Pressionada contra o peito m&aacute;sculo, quase sem for&ccedil;as para reagir, sentiu as inten&ccedil;&otilde;es dele, quase a sufocando. O asco de ver-se beijada &agrave; for&ccedil;a, sem saber esbo&ccedil;ar rea&ccedil;&atilde;o, sequer articular palavras ou gritar para fazer-se ouvida. Abatida como uma presa indefesa pelo predador, tendo o corpanzil do agressor devastando sua intimidade, burilando seus mamilos imberbes com sua boca &aacute;vida de gozos, depositada e arrastada sobre a relva mais oculta, sentiu-se penetrada e devastada em sua inoc&ecirc;ncia. Em movimentos r&aacute;pidos, deitada ainda na grama, viu ele levantar-se, afivelando as cal&ccedil;as, saindo como se nada tivesse acontecido...</span><br /><span style="color: #008000;">Momentos de pavor e impot&ecirc;ncia a assomaram, p&aacute;lida e vacilante, tentando concatenar os pensamentos, dar-se c&ocirc;nscia da situa&ccedil;&atilde;o e de si mesma, buscando vestir-se com as roupas espalhadas, pe&ccedil;as &iacute;ntimas maculadas por sangue coagulado, a serem lavadas e ocultas dos olhos maternos. As l&aacute;grimas inundaram seu rosto, solu&ccedil;ando, desprotegida diante a agress&atilde;o que jamais poderia imaginar. Do&iacute;a as partes &iacute;ntimas de seu corpo, parecia sentir ainda o inc&ocirc;modo daqueles momentos a martiriz&aacute;-la, n&atilde;o conseguindo retirar dos pensamentos as cenas degradantes a que fora exposta... &nbsp;Um misto de indigna&ccedil;&atilde;o e a repentina ideia de correr aos seus e delatar a agress&atilde;o sofrida. E a mente oscilando entre a raz&atilde;o e a raiva, reclamando vindita. Falaria &agrave; fam&iacute;lia, o que poderiam fazer em sua defesa? &nbsp;Cobrar satisfa&ccedil;&otilde;es, no caso grave da honra ultrajada, a quest&atilde;o poderia ser de viol&ecirc;ncia, gerando trag&eacute;dias. Seu pai e irm&atilde;os estariam enredados em uma vingan&ccedil;a, sujeitos a sofrerem as consequ&ecirc;ncias de um tirano poderoso; havia, ainda, a expuls&atilde;o de todos da propriedade daquele monstro, ficando ao desamparo. &nbsp;Aquela pobre menina-mo&ccedil;a-mulher via-se diante de um dilema dilacerante, a tirar-lhe o sossego e a placidez da exist&ecirc;ncia, que apesar de pobre era mansa e tranquila. Com imenso esfor&ccedil;o procurou agir com naturalidade, n&atilde;o passando desconfian&ccedil;as aos seus, apenas ficou mais calada, alheia em seus tormentos &iacute;ntimos, passando despercebida pelos demais. Aturdidos todos em suas fun&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o deram pelo seu comportamento quieto e arredio, traumatizada em seus solil&oacute;quios a martelar as cenas de que fora v&iacute;tima.</span></p><p><span style="color: #808000;">O ocorrido verificou-se em v&aacute;rias outras vezes, j&aacute; n&atilde;o encontrando resist&ecirc;ncias, subjugava-se pass&iacute;vel e resignada &agrave;s vol&uacute;pias do patr&atilde;o. Conformava-se consigo mesma de que n&atilde;o adiantaria reagir, melhor que se consumasse seus intentos. Parecia que a dominava como parte de sua propriedade, em nada importando-se como ela se sentia.</p><p>Certa feita, voltando para casa com a lata d&rsquo;&aacute;gua na cabe&ccedil;a, sentiu-se estranha, parecia girar sem controle, teve vertigens, a obrigando descansar. Em seguida vieram os enjoos, com insuport&aacute;veis &acirc;nsias de v&ocirc;mitos. Sem saber o que acontecia consigo, com a respira&ccedil;&atilde;o ofegante, espalhou &aacute;gua pelo rosto e a nuca, buscando algum al&iacute;vio aos inc&ocirc;modos. Aquilo chamou a aten&ccedil;&atilde;o de uma roceira pr&oacute;xima, que se aproximou, tirando-a de suas interroga&ccedil;&otilde;es sem respostas. &ndash; Menina, se fosse casada diria que s&atilde;o sinais de nen&eacute;m a caminho... Aquilo veio-lhe como uma bordoada, tentando conter-se para n&atilde;o desmoronar ali mesmo, disfar&ccedil;ando nas rea&ccedil;&otilde;es....&Eacute; a carne de porco, neste calor, n&atilde;o me fez bem...logo passa ! &nbsp; Passados alguns momentos, refeita, prosseguiu a caminhada para sua casa. A assaltava o desespero diante a possibilidade de estar gr&aacute;vida.<br />&nbsp;<br />Na outra tarde, agachada no seu mister de lavadeira, pressentiu a presen&ccedil;a do homem que vinha satisfazer-se a usando; desta vez, contudo, reuniu for&ccedil;as e retrucou, quase em um pedido de compaix&atilde;o: Por favor, acho que estou prenha, n&atilde;o sei o que vai ser de mim... &nbsp;Diferente das atitudes bruscas anteriores, sempre calado, n&atilde;o teve as mesmas rea&ccedil;&otilde;es de sempre, parou para ouvi-la, dizendo compassivamente: Eu cuido disso, me aguarde, n&atilde;o comente com ningu&eacute;m. E pela primeira vez, desde de suas infelizes investidas, n&atilde;o abusou dela, retirando-se.</p><p>No domingo, com a fam&iacute;lia reunida em casa, pretextando cuidar das galinhas e dos porcos, manteve-se no quintal, onde ocultava os constantes enjoos que iam e vinham. J&aacute; havia feito um ch&aacute; com ervas para o est&ocirc;mago, o boldo, amenizava mas n&atilde;o resolvia o problema. Tinha as t&ecirc;mporas com suor frio, rusga de preocupa&ccedil;&otilde;es com seu destino caso os familiares tomassem conhecimento. Entretinha-se em seus pensamentos e foi necess&aacute;rio que gritassem alto para traz&ecirc;-la de volta a si mesma. Anunciavam que tinham visitas e que queriam v&ecirc;-la. Para mim, quem poderia ser? Pensou com ar de aborrecida, temendo trair-se com os sintomas evidentes da gravidez, foi para dentro de casa. Da cozinha ouvia as vozes na sala, n&atilde;o conseguindo identificar de quem fosse. Como diziam que queriam v&ecirc;-la, entrou no recinto, assustando-se com a surpresa.<br />O Pai, servil, tomou a frente: filha este &eacute; o &ldquo;seu&rdquo; Hon&oacute;rio, o propriet&aacute;rio destas terras, e a sua esposa, dona L&uacute;cia, eles vieram para nos pedir que voc&ecirc; v&aacute; para ajud&aacute;-la em casa, pois a senhora est&aacute; gr&aacute;vida e precisa de algu&eacute;m nos servi&ccedil;os... Antes que pudesse se recuperar do susto, o genitor praticamente respondeu por ela... Temos muito gosto que voc&ecirc; possa ajud&aacute;-los, talvez at&eacute; continuar com seus estudos. P&aacute;lida, procurando se conter do susto, estendeu a m&atilde;o em cumprimentos ao casal, evitando fitar de frente seu agressor que parecia um bem comportado cavalheiro naquela encena&ccedil;&atilde;o. &nbsp;Diante aos fatos ela n&atilde;o tinha escolha sen&atilde;o seguir com eles. A despedida mais sentida foi com a m&atilde;e, juntas no quarto arrumando as suas poucas roupas percebeu que aquela matuta forte tinha sentimentos que n&atilde;o conseguiu disfar&ccedil;ar em um apertado abra&ccedil;o e as l&aacute;grimas dela brotaram como &aacute;gua represada, seriam press&aacute;gios de m&atilde;e? &nbsp;Ficaram de ser ver quando fosse poss&iacute;vel, e seguiu o casal, cabisbaixa. Sua sorte entregue nas m&atilde;os daquele homem que a desonrou e de quem germinava em seu ventre sua semente.</p><p>Poucas palavras trocadas durante a viagem de charrete, o casal seguia no banco da frente e ela, atr&aacute;s, os observava dando asas &agrave;s suas d&uacute;vidas. Teria aquela ainda jovem esposa conhecimento das libertinagens do marido? Pareciam felizes, rindo e conversando como um casal bem consorciado, ou tudo seria, apenas, encena&ccedil;&otilde;es para ela ? &nbsp;N&atilde;o acreditava, pois n&atilde;o se sentia com import&acirc;ncia para tanto, parece, at&eacute;, que desconheciam sua presen&ccedil;a naquele assento traseiro.<br /></span></span><span style="color: #808000;"><br /></span></strong></span><span style="color: #808000;">(continua na parte 2 final)</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />17/03/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-03-06T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>ARLEQUIM</h4><p><![CDATA[<strong><em>Ah, figura<br />delicada, triste,<br />risonha, magoada !</span></em></strong></p><p><strong><em>Risos soltos<br />Ilus&otilde;es choradas<br />Amor sem sintonia</em></strong></span></p><p><strong><em>Estandarte de tantos<br />Amores malamados<br />Das l&aacute;grimas ocultas</em></strong></span></p><p><strong><em>Confetes e serpentinas<br />Nas folias, dores nossas<br />Por tantas Colombinas...</em></strong></span><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />06/03/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-02-24T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">CAMALEOA  ( conto)</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CAMALEOA  ( conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>De &oacute;culos escuros e cabelos presos, uma tiracolo de rendas, roupas leves e coloridas apropriadas ao ver&atilde;o, andou por entre as sombras das copadas &aacute;rvores da pra&ccedil;a, pregui&ccedil;osamente percorreu aquelas alamedas conservadas, em seus passos despreocupados, ao ritmo de suas recorda&ccedil;&otilde;es... Tantas lembran&ccedil;as advinham ao visitar aquele lugar, h&aacute; anos deixado no passado. Os ecos das brincadeiras assomavam vida ao perceber-se menina correndo e escondendo-se nas brincadeiras com seus amiguinhos de inf&acirc;ncia. Ali fez os primeiros estudos, viu-se adolescente necessitada de voos maiores, mas, apesar da independ&ecirc;ncia de suas origens, sentia-se presa as suas ra&iacute;zes interioranas. O viver na imensa cidade, sendo mais uma, no anonimato das multid&otilde;es, tinha suas vantagens, o da privacidade um deles. Mas o aconchego daquele lugar era &uacute;nico, onde aflorou a sua personalidade. A vida vai nos construindo, paulatinamente, a cada novo desafio, nos apresentando a n&oacute;s mesmos, as vezes surpresos com as nossas pr&oacute;prias atitudes em cada situa&ccedil;&atilde;o, com ela n&atilde;o foi diferente. Ali voltava depois de longa aus&ecirc;ncia. Vinha para o sepultamento do velho pai, a m&atilde;e j&aacute; havia partido antes. Ele a visitou algumas vezes e n&atilde;o conseguiu convenc&ecirc;-lo a acompanh&aacute;-la, a metr&oacute;pole o atordoava, preferia a quietude daquela pequena cidade, onde todos pareciam se conhecer, como extens&atilde;o da pr&oacute;pria fam&iacute;lia. De heran&ccedil;a a velha casa, bem localizada mas de monta pequena, necessitada de reparos. Era a &uacute;nica filha, a ela caberia a decis&atilde;o do que fazer, possivelmente a venderia, rompendo, definitivamente, seus la&ccedil;os materiais com seu passado. &nbsp;Restariam as recorda&ccedil;&otilde;es, que vinham naquele momento como o rebobinar de um filme guardado nos refolhos da mente. Percebera a mulher desabrochando naquela vivaz menina de outrora, no avantajar de suas pernas, mal ocultas nas vestes, com a proemin&ecirc;ncia dos seios espont&acirc;neos, insinuantes sob o tecido de suas roupas. Seus l&aacute;bios carnudos e femininos manifestavam-se na face morena, seus cabelos em desalinho revoltos na testa e dorso, pareciam acentuar uma sensualidade precoce; os olhos jabuticabas, matreiros e fascinantes e cada vez mais ousados e curiosos, as formas exorbitando no corpo modulado de f&ecirc;mea, a crian&ccedil;a despertando para a mulher que surgia. O sorriso denotando mudan&ccedil;as, as m&atilde;os finas e impacientes detendo o pudor diante &agrave;s descobertas adultas, fruta de meia-esta&ccedil;&atilde;o, larva rompendo o casulo, despontando a bela falena, vi&ccedil;osa, inebriante, instintos em apuros, frenesis e torpores. Mal&iacute;cias &agrave;s escondidas, a primeira aventura, o beijo, o abra&ccedil;o mais estreito, o sentir e o sentir-se do outro, nos cheiros, na pele, a confid&ecirc;ncia e a descoberta de si mesma em novos anseios. A imagem vaidosa no espelho, o olhar diferenciado ao outro, o flerte, o inocente bilhete, os projetos de um amanh&atilde; desabrochados e imediatos. Na l&aacute;bia das maravilhas, desejando e desejada, receios e d&uacute;vidas, a flor tentada pelos instintos, atos e gozos consumados... Aonde andaria aquele meninote, sua primeira experi&ecirc;ncia com as coisas adultas? Ambos curiosos a olharem-se cheios de surpresas, os corpos nus, in&eacute;ditas apari&ccedil;&otilde;es a ambos; a ela a primeira vez a avistar o macho em pelo, e tamb&eacute;m ele a descobria sem bem saber como proceder...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>Livre mariposa, rosa aberta, amadureciam as mal&iacute;cias, despidas as faces ruborizadas do que restava da pequena menina de la&ccedil;arotes e bonecas.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>Com o tempo, a ave manhosa de asas crescidas, dos resqu&iacute;cios infantis, a meiguice; da mulher brotou o sensual. Das ma&ccedil;as das faces a chama flamejante de vol&uacute;pias, em ardente fogo avassalador. Senhora de si e de suas qualidades, reinando absoluta, subjugando tantos s&uacute;ditos submetidos aos seus encantos. Do forte f&ecirc;-lo fr&aacute;gil, fascinado nas car&iacute;cias, e do macho quedou-se crian&ccedil;a, necessitada de colo. De tantos fazia-se cobi&ccedil;ada, poucos a satisfez, era tantas em in&uacute;meras m&aacute;scaras, na conveni&ecirc;ncia de cada situa&ccedil;&atilde;o, metamorfose camale&ocirc;nica, surpreendendo-se consigo mesma muitas vezes. Fantasia de grandes paix&otilde;es, fruta enigma, num jogo de sensualidades em brincadeiras perigosas, onde os pap&eacute;is se invertem, e as paix&otilde;es trazem luzes e trevas, fasc&iacute;nios e desilus&otilde;es. Foi a joia rara, desejada, exigente a menina e seus encantos, enamorada por ningu&eacute;m...&nbsp;</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>Na voragem do tempo, onde tudo se apresenta como cap&iacute;tulos sequenciais de uma hist&oacute;ria de vida, ela estava a refletir-se na despedida de uma fase importante de sua hist&oacute;ria. &nbsp;Por certo pouco restou da inf&acirc;ncia doce, os dias requerendo novos pap&eacute;is, nem sempre f&aacute;ceis de serem desempenhados. Tornara-se uma executiva de uma empresa, onde a ast&uacute;cia para se manter na lideran&ccedil;a exigia muito de si em jogos nem sempre claros e leais, eram as regras do jogo. &nbsp;Desligou-se de seu solil&oacute;quio com o alarme de seu celular, os compromissos, sempre eles...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>Ent&atilde;o a meditativa personagem assumia os ares da atual personalidade, sem enlevos po&eacute;ticos e saudosos, mas fatal e certeira, determinada e assumida. Em r&aacute;pidas considera&ccedil;&otilde;es dera as ordens, sem possibilidades de serem questionadas. Assumira aquela posi&ccedil;&atilde;o motivada pelo seu carisma, reconhecia isso, e, para mant&ecirc;-la, exigia de si constante vigil&acirc;ncia e dilig&ecirc;ncia. Dentre tantos candidatos &agrave; cobi&ccedil;ada vaga lan&ccedil;ou-se de todas suas armas e ardis, inclusive de seu belo corpo como moeda de troca. N&atilde;o vacilara em colocar na balan&ccedil;a seus atributos f&iacute;sicos, n&atilde;o negaceou nem por um momento, pontos de que n&atilde;o dispunham os concorrentes, todos masculinos. Tinha curr&iacute;culo acad&ecirc;mico para isso, como todos os demais.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>No jogo da sedu&ccedil;&atilde;o, com atributos inexistentes nos concorrentes, assumia a vaga e a condi&ccedil;&atilde;o de amante eventual do presidente da empresa, papel, ali&aacute;s, que desempenhava com prazer. &nbsp;Efetivada como uma das executivas do grupo empresarial demonstrava compet&ecirc;ncia profissional, fazendo jus ao cargo. Comandava setor importante com m&atilde;o de ferro, atraindo admira&ccedil;&otilde;es em uns e despeitos em outros. Sabia-se invejada e que apostavam &nbsp;em seus poss&iacute;veis deslizes para ocuparem seu lugar, o que a mantinha em alerta permanente. N&atilde;o perderia aquela oportunidade por nada. A vantagem inicial que contou na efetiva&ccedil;&atilde;o na fun&ccedil;&atilde;o inexistia atualmente, pois o ex-presidente, v&iacute;tima de um acidente vascular cerebral, encontrava-se enfermo e aposentado de sua lideran&ccedil;a, consequentemente distante de seus pr&eacute;stimos extra profissionais. Importante era ter galgado o posto, o resto era com ela, dependia de seu tiroc&iacute;nio e de sua intui&ccedil;&atilde;o para os neg&oacute;cios, as aventuras extras conjugais do l&iacute;der foi acidente de percurso, a esposa oficial que cuidasse do enfermo.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>A vida a teria tornado fria e objetiva, ou eram partes de si mesma que assomava em suas atitudes dependendo das situa&ccedil;&otilde;es? &nbsp;Talvez nos desconhe&ccedil;amos inteiramente e nos apresentemos a n&oacute;s mesmos dependendo os desafios apresentados. A vis&atilde;o que temos de n&oacute;s pode depender do contexto vivido, ou temos apenas idealiza&ccedil;&otilde;es imaginadas, dubiedades constru&iacute;das motivadas pelas circunst&acirc;ncias? &nbsp;Talvez sejamos mut&aacute;veis pelo meio, assumidas conveni&ecirc;ncias, como camale&otilde;es e seus disfarces na natureza. Possivelmente coabitemos em n&oacute;s o desconhecido, habitando o mesmo Ser, coexistindo sem questionarmos. Como sombra, pronto a assumir o controle, al&eacute;m do que supomos ser, em cada necessidade que nos desconhecemos capazes, andando sobre os nossos passos, identidade compartilhada, como o coadjuvante na coxia do palco da vida, pronto &agrave;s emerg&ecirc;ncias em cena, numa identidade compartilhada. Talvez passemos a vida na figura idealizada de n&oacute;s mesmos, poss&iacute;veis produtos de nossa heran&ccedil;a cultural e tradi&ccedil;&atilde;o, ocultos em nossa figura social idealizada, inc&oacute;lumes aos demais, sem nos apresentarmos a n&oacute;s, ignorando quem sejamos, na ilus&atilde;o de n&oacute;s mesmos... Ah, como diferimos do que somos, no depender das condi&ccedil;&otilde;es !&nbsp;</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em><strong>Por detr&aacute;s daquela bela e enigm&aacute;tica mulher muito se ocultava da esquecida menina a correr e a brincar naquela pra&ccedil;a, personagem guardada qual boneca da inf&acirc;ncia no velho guarda-roupas...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"></span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />24/02/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-02-07T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">DESEJOS INCONFESSÁVEIS  (conto erótico)</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>DESEJOS INCONFESSÁVEIS  (conto erótico)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong>De natureza fechada, acabrunhado, parecendo inexistir ainda que estando presente, arredio. Assim era Arquimedes, possuidor de uma timidez que o distanciava do conv&iacute;vio com os demais. De olhar baixo, parecendo temer ser percebido, passava por n&atilde;o ser notado, tal talvez fosse sua inten&ccedil;&atilde;o. Trabalhava naquele pensionato feminino, fazendo servi&ccedil;os gerais, sempre &agrave;s voltas com seus apetrechos, o balde e a vassoura. Encontrado invariavelmente no seu mister a percorrer extenso corredor mantendo o ch&atilde;o limpo, recolhendo os cestos de lixos depositados pelas ocupantes, estudantes universit&aacute;rias que alugavam os quartos. Falava em monoss&iacute;labos, sempre que provocado a dar alguma resposta, cabe&ccedil;a voltada para os p&eacute;s, posi&ccedil;&atilde;o servil e subalterna. Embora jovem e de fei&ccedil;&otilde;es normais, dado ao seu proceder, t&iacute;mido e retra&iacute;do, n&atilde;o o consideravam como pessoa normal, apenas algu&eacute;m que executava pequenas tarefas, passando quase despercebido na maior parte do tempo. Testemunha de fatos que consideravam por ele como despercebidos, e nele n&atilde;o tinham resson&acirc;ncia a terceiros. De t&atilde;o distante e alheio passava a ser desconsiderado como uma pessoa masculina, raz&atilde;o para n&atilde;o se incomodarem muito, as pensionistas, com sua presen&ccedil;a, permitindo-se atitudes &iacute;ntimas mesmo ele estando por perto... N&atilde;o era novidade deixarem as portas entreabertas, em trajes sucintos e despreocupadas. &nbsp;Embora de uma discri&ccedil;&atilde;o a toda prova, fechado em si mesmo, ele era jovem e saud&aacute;vel, com os horm&ocirc;nios em ebuli&ccedil;&atilde;o , ocultando-se em seu &iacute;ntimo um vulc&atilde;o prestes a eclodir, lan&ccedil;ando lavas. Sua mente ocultava seus anseios, em olhares dissimulados a entrever cenas ousadas das belas ocupantes daqueles c&ocirc;modos. Ent&atilde;o, na intimidade, se revelava um macho imaginativo e tendo cada uma delas como personagens de seus sonhos, reprimidos e inconfess&aacute;veis. Em sussurros manipulava-se, tendo-as, em seus bra&ccedil;os.Julgava v&ecirc;-las sorrindo satisfeitas a olharem-no com ares de conquistador, em frenesis , desnudas a desej&aacute;-lo, almejando o prazer , sem pruridos e tramelas, a mente buli&ccedil;osa criando fantasias profanas, onde as tinha sensuais e pecadoras, em &acirc;nsias de cobi&ccedil;ador, vicissitudes em lampejos, de impudica paix&atilde;o lacaio, car&ecirc;ncias e s&uacute;plicas em dor...Seu &iacute;ntimo insano e atrevido, um furac&atilde;o abrasador, devastador, desconhecendo r&oacute;tulos e modos, as imagens de suas deusas cobi&ccedil;adas a desfilarem em sua passarela de desejos, imaginando-as, uma a uma. Tantos corpos, macios e ardentes, como lobo a espreitar as gazelas, tantos embustes detr&aacute;s daquele personagem apalermado.</strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong><em>Rotulava-as de acordo com a numera&ccedil;&atilde;o dos quartos. Sabia hor&aacute;rios, costumes, at&eacute; as roupas que usavam nos dias da semana. A nissei Myura, de quem admirava a discri&ccedil;&atilde;o, os cabelos lisos e escorregadios, sua prefer&ecirc;ncia por saias, sua beleza nip&ocirc;nica, seus olhos apertados e seu sorriso melindrado. Identificavam-se no proceder moderado, mas avantajava-se sua figura em seu imagin&aacute;rio despudoroso. Haveria naquela quase menina um Ser oculto, como ele mesmo, talvez t&atilde;o incendi&aacute;ria quanto as suas inten&ccedil;&otilde;es recalcadas ? A observava sedenta, nua, com sua cabeleira escorrida por seu dorso n&iacute;veo, antevendo seus mamilos imberbes e sensuais. Sua beleza oriental desabrochando uma amante diferente, uma gueixa a ser domada, um desafio. Seus olhos o olhavam de passagem, respeitosa, numa sauda&ccedil;&atilde;o protocolar de bom dia, boa noite... Mas ecoavam como can&ccedil;&otilde;es aos seus ouvidos, sussurros e convites a alimentarem suas ilus&otilde;es inconfess&aacute;veis. Tinha com ele que ela o queria muito al&eacute;m de um servidor insignificante, talvez faltasse a ela vencer suas barreiras e se confessar. Sabia bem o que era aquele muro intranspon&iacute;vel chamado timidez. Esteve por duas vezes em seu dormit&oacute;rio, para trocar uma l&acirc;mpada e desentupir a pia da su&iacute;te, momentos em que viu um pouco de sua intimidade no varal interno do banheiro, com suas pe&ccedil;as &iacute;ntimas.&nbsp;</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong><em>Os compartimentos dividiam-se em dois andares, sendo dez c&ocirc;modos em cada um deles, tudo a cargo de sua vigil&acirc;ncia e dilig&ecirc;ncia. Mulheres jovens, de etnias diversas, todas catalogadas em seu universo pessoal, escolhendo-as a cada noite para protagonizarem seus sonhos libidinosos, momentos em que se revelava um insaci&aacute;vel var&atilde;o, sedento por todas. Dizem que na noite todos os gatos s&atilde;o pardos, no sigilo das madrugadas ele se transformava no guardi&atilde;o daquelas beldades, falante e cantador, contrariando sua recatada condi&ccedil;&atilde;o de an&ocirc;nimo. Ent&atilde;o naqueles er&oacute;ticos cen&aacute;rios extravagantes de orgia e sexo, ele reinava absoluto, &uacute;nico entre as divas, har&eacute;m exclusivo. As ocupantes da pens&atilde;o lembravam as estrelas da bandeira nacional, quase todos Estados representados, com suas peculiaridades, sotaques e h&aacute;bitos regionalizados. A baiana de riso largo, ancas redondas; a mineira de fala cantada e caipirizada, cabelos em cachos e olhos espertos; as sulistas de tez e madeixas claras; as cariocas mais debochadas, alegres e estabanadas; As nortistas do Amazonas &nbsp;e do Par&aacute;, falando de seus h&aacute;bitos e costumes e de suas culin&aacute;rias diferenciadas, queixando das saudades de sua gente. Ali se encontravam por ser uma cidade cosmopolita, capital maior, de muitas possibilidades de ensino e de trabalho. &nbsp;</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong><em>Chamado para uma das diversas e pequenas emerg&ecirc;ncias, viu-se no quarto de uma delas; como tentasse tirar a danificada resist&ecirc;ncia do chuveiro, tirou a camisa para n&atilde;o se molhar. Seus ombros ficaram vis&iacute;veis, e, de costas, n&atilde;o passou despercebido pela mineira, a lhe fazer gracejos. Acostumado a ser despercebido, demorou-se a sentir as inten&ccedil;&otilde;es da garota, ou, talvez, embara&ccedil;ado, n&atilde;o acreditasse nas insinua&ccedil;&otilde;es dela... O fato &eacute; que os olhos da mo&ccedil;a, atrevidos, denotavam sua car&ecirc;ncia, e o b&iacute;ceps do macho a&ccedil;ularam seus desejos, permitindo-se ao var&atilde;o. S&oacute; deu-se por convencido das inten&ccedil;&otilde;es ao sentir suas m&atilde;os espalmadas em suas costas, com um arrepio a percorrer o corpo todo... &nbsp;N&atilde;o precisaram argumentos, juntaram-se as necessidades, e viveram momentos t&oacute;rridos e arrebatadores, onde o que menos importava era o funcionamento do chuveiro. Afinal, nossos antepassados, Ad&atilde;o e a Eva, n&atilde;o necessitaram de manuais, apenas da tenta&ccedil;&atilde;o da serpente... A menina da terra do p&atilde;o de queijo era a de n&uacute;mero sete, na rotula&ccedil;&atilde;o de suas escritas pessoais.</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong><em>Mais discreta a aproxima&ccedil;&atilde;o com a de n&uacute;mero vinte, a nissei. Esbaforida com tanto volume a carregar, consentiu que ele a ajudasse a subir os degraus do andar superior com seus livros e compras de mercado. No ambiente, ficou aguardando ela guardar seus mantimentos, sem saber o que fazer. Foi lhe oferecido um ch&aacute; feito na hora, e o tomaram em mutismo verbal, por&eacute;m os olhos os tra&iacute;ram. A s&oacute;s no aconchego do quarto, o gelo foi quebrado e a delicadeza nip&ocirc;nica revelou-se em uma gueixa ardente, momentos ardorosos tendo as quatro paredes como testemunhas.</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong><em>Arquimedes, discreto e de b&iacute;ceps tentador, comemorava a sua segunda conquista, quando a paulista, vendo-se desiludida com seu namorado, passionais como ficam nessas condi&ccedil;&otilde;es, abriu-se em confid&ecirc;ncias, compartilhando seu cora&ccedil;&atilde;o, seu corpo e seu edredom, em instantes memor&aacute;veis e ousados...&nbsp;</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong><em>&nbsp;Ele sentiu de que para elas era um faz-tudo a extrapolar seus afazeres cotidianos, um homem dispon&iacute;vel e confi&aacute;vel. &nbsp;E passou a t&ecirc;-las, sempre em seu conveniente sil&ecirc;ncio. &nbsp;A carioca, de n&uacute;mero dezesseis, mais despachada, o recolheu do corredor quando fazia a faxina, chamando-o e pregando-lhe um estupendo beijo convidativo, nessa n&atilde;o houve poesia alguma, apenas o desejo palpitante e voraz. &nbsp;At&eacute; mesmo a bela do quatorze, de quem desconfiava de sua prefer&ecirc;ncia sexual, deitou-se em seu leito, a suprindo de car&iacute;cias e de calor, se tinha outra inclina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o soube, a conheceu sedenta e lasciva, em v&aacute;rias oportunidades.</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong><em>Algumas, mais recatadas e n&atilde;o menos insaciadas, exigiram momentos espec&iacute;ficos, como a japonezinha; para a maioria, contudo, foi como efeito domin&oacute; (ser&aacute; que elas se confidenciavam ? Falariam de sua performance, muito al&eacute;m das habilidades com os baldes e vassouras ?) Talvez fosse ele mesmo, revelando-se menos embrutecido e temeroso, e mais exposto e desejoso que as atra&iacute;ram, afinal era um macho dentre tantas f&ecirc;meas com iguais desejos...</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;"><strong><em>Cria&ccedil;&otilde;es on&iacute;ricas e er&oacute;ticas de um homem carente e solit&aacute;rio, apenas um discreto faxineiro; ou, verdadeiramente, deitou-se com todas as pensionistas ? &nbsp;Apenas desejos satisfeitos em sua solid&atilde;o, na car&ecirc;ncia e imagina&ccedil;&atilde;o, ou a concord&acirc;ncia de anseios entre ele e elas ? Dif&iacute;cil saber, afinal ele era de sigilo sepulcral...</em></strong></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />07/02/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2017-01-16T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">DA JANELA... (conto)</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>DA JANELA... (conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>Desde de pequena se aninhava naquele canto, aconchegada com o negrinho, seu gato, parecendo viajar para al&eacute;m dos limites vis&iacute;veis daquele janel&atilde;o. Era ali o seu ref&uacute;gio, onde observava as mudan&ccedil;as do tempo, o sol brando das manh&atilde;s aquecendo seu rosto, ou nas vespertinas horas, os arreb&oacute;is desenhando figuras nas nuvens, no ocaso do astro rei, ocultando-se no pren&uacute;ncio das noites, onde estrelas despontavam no manto celeste. Ou ainda, no per&iacute;odo chuvoso, as gotas s&ocirc;fregas batendo nos vidros, levantando do solo ressequido a poeira do ch&atilde;o, olores pr&oacute;prios de &aacute;gua e de mato, sens&iacute;veis e agrad&aacute;veis aos olfatos, coriscando o c&eacute;u com raios magn&iacute;ficos e terr&iacute;ficos ao mesmo tempo. Testemunha do panorama avistado, assistindo as transforma&ccedil;&otilde;es daqueles ermos, acompanhando a vida pac&iacute;fica e rotineira a se desfraldar lentamente; um dia, como tudo na vida, seu companheiro de pelos foi-se, a deixando entristecida, diante &agrave;s fatalidades inevit&aacute;veis, na tenra idade o felino querido, na maturidade a despedida dos pais... &nbsp;Confundia-se ao avistar as estripulias dos estudantes que retornavam da escola rural, em ebuli&ccedil;&atilde;o, exuberantes como s&atilde;o as crian&ccedil;as em suas manifesta&ccedil;&otilde;es, onde ela tamb&eacute;m figurou em sua inf&acirc;ncia, com sua saia plissada, e os cabelos presos em la&ccedil;arotes. Parecia enxergar-se menina a correr com os colegas, no correr do tempo que tudo transforma em reminisc&ecirc;ncias. &nbsp;Os casamentos em domingos de festas, replicando os sinos da igreja matriz, os falat&oacute;rios das mulheres, os senhores e seus cavalos e charretes, os pequenos no &aacute;trio a correrem em seus folguedos e gargalhadas. Como fora o seu cons&oacute;rcio com Ambr&oacute;sio, homem bom, trabalhador, meio bronco mas fiel, e, como dizem, tudo que &eacute; bom morre logo, foi-se depois de quinze anos de harmoniosa conviv&ecirc;ncia, n&atilde;o tendo filhos, dele restaram as lembran&ccedil;as e uma foto de casal em cima de uma cristaleira, al&eacute;m dos raros motivos para deixar sua casa, em visita ao cemit&eacute;rio...Como todos os romances naqueles s&iacute;tios, conheceram-se em uma quermesse da igreja, olharam-se cumpliciados, as m&atilde;os toscas e calosas do agricultor segurando as suas, macias, de professora prim&aacute;ria. Descobriram-se, sendo ela a sua primeira experi&ecirc;ncia como macho, e a dela como f&ecirc;mea, quebraram todos os tabus entre as quatro paredes de suas intimidades, o que arrancava suspiros saudosos &agrave; vi&uacute;va. Nem parecia que uma circunst&acirc;ncia trivial na vida roceira levaria o companheiro, picado por uma cobra cascavel na lida com a terra, socorro tardio com o soro antiof&iacute;dico. Os pais falecidos, sem irm&atilde;os, a deixaram habitante &uacute;nica naquele teto de tantas lembran&ccedil;as, nas paredes que rescendiam as mem&oacute;rias de seus ocupantes, em seus passos lentos a percorrer cada c&ocirc;modo. Aposentada, entretinha-se na confec&ccedil;&atilde;o de roupas de rec&eacute;m-nascidos das obras assistenciais da par&oacute;quia, tecendo mantas, gorros e outras indument&aacute;rias com suas agulhas de tricotar. &nbsp;Devota de Santa Rita de C&aacute;ssia, desde que recebera um santinho com a figura da canonizada e lera sua hist&oacute;ria, ainda menina. Dedicava-se &agrave;s novenas promovidas, principalmente as da via sacra, com suas quatorze esta&ccedil;&otilde;es de dores, onde o ter&ccedil;o era rezado em contri&ccedil;&atilde;o diante aos supl&iacute;cios do M&aacute;rtir. Por acaso viu-se detentora de uma faculdade, a de benzer, o que fazia com reservas temendo reprimendas do padre. Diante a um dos in&uacute;meros afilhados, tiritando de febre, o segurou nos bra&ccedil;os, e, sem saber o que fazer para minorar sua temperatura, orou. O certo &eacute; que o pequeno, j&aacute; prostrado, aquietou-se, dormindo um sono suave e acordando bem. Bastou para o fato correr, de boca em boca, e passar a ser procurada por m&atilde;es aflitas com seus rebentos enfermi&ccedil;os.</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>Parecia-lhe estranho que em algum lugar, em not&iacute;cias vindas da televis&atilde;o e do r&aacute;dio, cientistas falando sobre a lua como astro sideral, ali parecia uma deusa, venerada como uma entidade divina em suas v&aacute;rias fases, respons&aacute;vel pelo sucesso da lavoura, do nascimento dos beb&ecirc;s, do resultado das pescarias. Tudo buc&oacute;lico, distante, um peda&ccedil;o esquecido, antigo, em um contexto em que o mundo se modernizava alhures, longe daquelas paragens. Daquela torre de vig&iacute;lia, como a si mesma dizia, tinha a sensa&ccedil;&atilde;o de onipot&ecirc;ncia e onisci&ecirc;ncia, rindo e se penitenciando dos assuntos, conforme fossem os ocorridos. Alegrias para os cas&oacute;rios e batizados, pesar pelos falecimentos, sempre de conhecidos, por ser lugar pequeno, uma extens&atilde;o da fam&iacute;lia. O luto, quando ocorria, deixava ainda mais silencioso o lugarejo, que de si j&aacute; era discreto, a compadecer a todos os viventes atingidos, a consterna&ccedil;&atilde;o era coletiva, sinalizada pelas badaladas pausadas do sino da par&oacute;quia. O aviso vinha pelo servi&ccedil;o de som, antecedido pela m&uacute;sica f&uacute;nebre, o toque de sil&ecirc;ncio, dando breves informes sobre o f&eacute;retro a ser velado. Daquele canto do janel&atilde;o tinha-se a sensa&ccedil;&atilde;o de testemunha ocular do que se avistava, sendo a casa localizada em lugar alto, de ampla vis&atilde;o. De parcas possibilidades de distra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era de todo incomum ficar &agrave; espreita naquele canto da espa&ccedil;osa sala, avistando o horizonte e reportando a vida alheia. Naquele dia, todavia, ela l&aacute; n&atilde;o estava de prontid&atilde;o fazendo sua cr&ocirc;nica mental di&aacute;ria como de costume, avultava como a personagem anunciada no alto falante sendo venerada em cortejo.</em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>&nbsp;A vizinha a encontrou recostada na cadeira de balan&ccedil;o, junto &agrave; janela, com seus novelos de l&atilde; e as agulhas de tric&ocirc;, parecia dormir placidamente, para sempre, talvez indo ao encontro de seu saudoso matuto...</em></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />16/01/2017</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2016-12-22T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">A FORMA & O TEMPO</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>A FORMA & O TEMPO</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #993300;"><em><strong><em>a forma desejo infrene</em><span style="color: #993300;">&nbsp;</span><br /><em>se apenas a ela amasse</em><span style="color: #993300;">&nbsp;</span><br /><em>desilus&atilde;o com o tempo</em><span style="color: #993300;">&nbsp;</span><br /></strong><br /><span style="color: #993300;"><strong><em>um ser</em>&nbsp;<em>habita a forma</em>&nbsp;<br /><em>maravilhoso enternecido</em>&nbsp;<br /><em>quanto mais idoso fica</em>&nbsp;<br /></strong></span><br /><span style="color: #993300;"><strong><em>forma veste o esp&iacute;rito</em>&nbsp;<br /><em>eterno e imut&aacute;vel</em>&nbsp;<br /><em>alimenta a paix&atilde;o</em>&nbsp;</strong><br /></span><br /><span style="color: #993300;"><strong><em>e o esmorecer com a forma</em>&nbsp;<br /><em>envelhecida e depauperada</em>&nbsp;<br /><em>se revigora com o brilho</em>&nbsp;<br /></strong></span><br /><span style="color: #993300;"><strong><em>com o encanto descoberto</em>&nbsp;<br /><em>nas verdades mais &iacute;ntimas</em>&nbsp;<br /><em>constru&iacute;das no tempo...&nbsp;</em></strong></span></em></span></p><p>&nbsp;</p><p>(2008)]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />22/12/2016</p></p></div>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>UMA EXPERIÊNCIA PARANORMAL (conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium;"><em><span style="color: #993300;">A not&iacute;cia do desaparecimento do amigo o consternou al&eacute;m do que poderia supor, a primeira vez que a morte o visitava de t&atilde;o perto; j&aacute; faleceram parentes, idosos, nunca a fatalidade chegara t&atilde;o perto, de algu&eacute;m jovem, de sua faixa et&aacute;ria. &nbsp;Segundo o relato dos que se encontravam com o falecido, estavam em uma praia deserta, regi&atilde;o de grandes pedras, quando, nu, resolvera tomar sol no corpo todo, momento em que uma onda imprevista ( &nbsp;soube-se, por pescadores, de que n&atilde;o era t&atilde;o ocasional assim, mas desconhecida pelos frequentadores eventuais), arremetida contra o rochedo em que se achava o desequilibrou e foi arremessado nas profundezas, n&atilde;o sendo encontrado o corpo.</span><br /><span style="color: #993300;">Cursavam o antigo curso ginasial, jovens cheios de vida e de sonhos para o futuro. A missa de s&eacute;timo dia foi sofrida, acompanhada em choros convulsivos, cicatrizes que marcaram as lembran&ccedil;as de todos.</span><br /><span style="color: #993300;">A trag&eacute;dia o marcou particularmente, passando a ter estranhos sintomas, jamais, antes, percept&iacute;veis. Em algumas oportunidades tinha a sensa&ccedil;&atilde;o de acordar e sentir o corpo let&aacute;rgico, im&oacute;vel, sem comando de sua vontade, a pressentir a presen&ccedil;a de algu&eacute;m, e sons estranhos, n&atilde;o vis&iacute;veis, visto n&atilde;o se mover. Adormecido no sof&aacute; da sala, ap&oacute;s o almo&ccedil;o, despedira de sua m&atilde;e que ia visitar a tia em outro bairro, onde pediu que ela tomasse cuidado, sem saber exatamente o porqu&ecirc; da advert&ecirc;ncia. A sensa&ccedil;&atilde;o de imobilidade e da impossibilidade de se mexer, acordado, mas sem dom&iacute;nio do pr&oacute;prio corpo, al&eacute;m de sentir a presen&ccedil;a de pessoas estranhas a comentarem em tons de galhofas sobre o aviso dado &agrave; m&atilde;e. Uma parada brusca no coletivo que levava a genitora por pouco n&atilde;o a arremessara fora do ve&iacute;culo, falando com ele assim que voltou para casa. Aquelas sucessivas ocorr&ecirc;ncias, perto de uma crise nervosa e depressiva, levaram-no ao desespero, e a comentar com sua m&atilde;e, assustado.</span><br /><span style="color: #993300;">Preocupada com a situa&ccedil;&atilde;o, ela comentou com uma conhecida, sendo aconselhada a irem a um centro esp&iacute;rita, onde o filho da mesma desenvolvia suas faculdades medi&uacute;nicas. A situa&ccedil;&atilde;o era surreal, nunca se imaginou em assuntos t&atilde;o estranhos a ele. Mas a resolu&ccedil;&atilde;o do problema era maior que a incredulidade, e dar fim &agrave;quilo era premente.</span><br /><span style="color: #993300;">O bairro era distante do centro da cidade onde residia. As reuni&otilde;es ocorriam dentro da casa de uma senhora clara, de apar&ecirc;ncia europeia, e, ao contato com os manifestantes atrav&eacute;s dela, mais precisamente de um senhor de fala humilde, a pitar um cachimbo, de sotaque caboclo, aparentando bondade e aten&ccedil;&atilde;o para o seu relato. Tinha a ajuda de uma mo&ccedil;a, que transcrevia em um papel, ajudando no entendimento da fala nem sempre aud&iacute;vel do comunicante. &nbsp;Foi solicitado pela entidade de que, se queria ajudar o amigo, teria de ir a uma igreja cat&oacute;lica, durante sete segundas-feiras, rezar e acender uma vela em cada ida... Ao t&eacute;rmino da &uacute;ltima visita retornasse e teria a manifesta&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio desencarnado. Adiantou de que ele se encontrava confuso, sem entender o que estava acontecendo, e sua ajuda seria uma caridade. Tal foi feito, cumprido religiosamente.</span><br /><span style="color: #993300;">Aquela reuni&atilde;o esperada era tamb&eacute;m uma experi&ecirc;ncia &uacute;nica, misto de ansiedade e curiosidade. Em uma mesa, coberta por uma toalha branca, a senhora de tez clara, a princ&iacute;pio recebeu o bondoso velho, para depois, mudando a voz, em &acirc;nsias de afogado, e de se expressar com dificuldade, estabelecer a comunica&ccedil;&atilde;o com o falecido. A mensagem deu-se &nbsp;em falas entrecortadas e ag&ocirc;nicas, segundo explica&ccedil;&atilde;o posterior, devido &agrave;s impress&otilde;es do afogamento sofrido; agradeceu a interfer&ecirc;ncia, &nbsp;e que, gra&ccedil;as a isso, ele conseguira ser resgatado e esclarecido sobre a sua atual condi&ccedil;&atilde;o.</span><br /><span style="color: #993300;">No caminho de volta, dentro do &ocirc;nibus passou a sentir &acirc;nsias de v&ocirc;mitos, como as cenas presenciadas com o comunicante, colocando a cabe&ccedil;a &nbsp;para fora para evitar sujar o recinto, momento em que percebeu que a lente de contato r&iacute;gida de um dos olhos se perdera. Ao verificar isso, reclamou da sorte, e lembrou-se de que fizera o bem e sa&iacute;ra no preju&iacute;zo...</span><br /><span style="color: #993300;">Na manh&atilde; do dia seguinte, ao se dirigir ao emprego, trabalhava em um departamento de um Banco, tinha um aviso no rel&oacute;gio de ponto para se dirigir ao setor de recursos humanos. Ficou preocupado, visto n&atilde;o primar pela pontualidade, achando que seria advertido. A not&iacute;cia n&atilde;o poderia ser melhor. Em sorteio entre os funcion&aacute;rios, evento que se realizava anualmente, e era de seu desconhecimento, fora contemplado com um pr&ecirc;mio em dinheiro... Ap&oacute;s refletir consigo mesmo, achou que estava sendo compensado pela perda da lente de contato da noite anterior...</span><br /><span style="color: #993300;">Teve um sonho com o amigo falecido; o via sentado em um muro baixo, conversando com outros, estava p&aacute;lido e com olheiras fortes, e, ao ser visto por ele, veio ao seu encontro que, sobressaltado e com medo, desmaiou.</span><br /><span style="color: #993300;">N&atilde;o mais teve as sensa&ccedil;&otilde;es de torpor e de imobilidade do pr&oacute;prio corpo, experimentada em v&aacute;rias oportunidades anteriores. Mas a experi&ecirc;ncia vivida fez com que n&atilde;o visse os fen&ocirc;menos paranormais com ceticismo, e isso mudou a sua vis&atilde;o da vida, inteirando-se sempre do assunto com respeito e interesse. Com a maturidade e estudos sobre o tema, compreendeu que a comunica&ccedil;&atilde;o com o extraf&iacute;sico ser&aacute;, no futuro, visto com naturalidade. Vencidas as barreiras de preconceitos religiosos, o homem conhecer&aacute; a verdade que o libertar&aacute; de muitos tabus e receios.</span></p><p><span style="color: #ff6600;">* publicado no livro Contos da Meia-Noite, editora CBJE, Rio de Janeiro-RJ, outubro de 2016.<br /></span></em></span><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />13/11/2016</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2016-10-28T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>O URUBU E O CANÁRIO   (conto/fábula)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Pr&oacute;ximo a um condom&iacute;nio residencial, em terreno desocupado, entretinha-se a ave grande e escura a devorar os restos de um animal pequeno, que empesteava o ar com o mau cheiro de sua putrefa&ccedil;&atilde;o...Atarefado em saciar-se, queixava do calor escaldante sobre seu corpo e o inc&ocirc;modo causado pela sede. A sonora cantoria de um can&aacute;rio era o contraste &agrave;quela cena deprimente...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Embalado naquele cantar, embevecido o Urubu com o pequeno cantador, dono de uma sonoridade bel&iacute;ssima...Deteve-se para refrescar e aproximou-se da gaiola do cantador.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>- P&aacute;ssaro querido, de seu cantar mavioso, na plumagem dourada, &eacute;s dengoso e acarinhado, por todos desejado... Sa&uacute;da as manh&atilde;s com seus sons maviosos. Quanto a mim, a todos repugno, n&atilde;o tenho voz admir&aacute;vel, nem a beleza a ser notada...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Vendo-se objeto da admira&ccedil;&atilde;o do amigo de penas, respondeu o cantante, a surpreend&ecirc;-lo:</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Agrade&ccedil;o os elogios, mas as apar&ecirc;ncias enganam. Sou cativo entre telas, do horizonte restrito observo a natureza, dela apartado, ref&eacute;m da minha beleza e de meu canto...Sujeito a jamais usar minhas asas, desbravando alturas, sentindo o ar em meu corpo, sendo dono de meus voos e destino. N&atilde;o poderei sobrevoar as copas das grandes &aacute;rvores e nem me saciar com a &aacute;gua dos rios, banhar-me quando quiser, construir meu ninho entre os galhos...Sentir o amanhecer nas florestas, voando de lugar a lugar...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Como? &nbsp;&Eacute;s admirado em sua plumagem de ouro, em seus gorjeios encantadores, replicou intrigado ( pensando com seus bot&otilde;es, como tem gente insatisfeita com tudo, verdadeiros chor&otilde;es de barrigas cheias...) Tens o alimento &agrave; m&atilde;o, gaiola decorada, um adorno, um requinte... N&atilde;o sabes, amigo, o que &eacute; batalhar para matar a sede e a fome, fugindo de predadores, ao relento.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Tenho, com certeza, a admira&ccedil;&atilde;o dos humanos que me veem, dando-me a ra&ccedil;&atilde;o e a &aacute;gua fresca servidas, al&eacute;m de medicamentos para cuidarem de minha sa&uacute;de e da vivacidade de minhas penas...Apraz a eles, ao deleite de suas vis&otilde;es, que esteja vistoso e saud&aacute;vel.Concluiu o can&aacute;rio.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Que mais queres da vida, &oacute; avezinha insatisfeita ? &nbsp;A beleza e a gra&ccedil;a lhe foram pr&oacute;digas, com bela voz &nbsp;fostes aben&ccedil;oado... Quisera ter a sua gra&ccedil;a e canto !</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Lastimou o pequeno p&aacute;ssaro: o que traduzem de meu cantar, os ouvidos humanos ? Mal sabem se estou feliz ou lastimo a liberdade negada... Cantilena enfadonha, pranto feito canto, confundem minha revolta e tristeza em seus ouvidos ego&iacute;stas... Sorriem para mim em satisfa&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias, enalte&ccedil;o a eles com a minha voz n&atilde;o traduzida, seja um pipilar comedido ou um choro externado, para eles tudo &eacute; gra&ccedil;a e beleza.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Encucado o grandalh&atilde;o replicou: estranho, quem te v&ecirc;, balan&ccedil;as de l&aacute; para c&aacute;, alegrias e vivacidade demonstras ter...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Amigo, queria ter livre ir e vir, que adianta nascer para voar e ser aprisionado desde nascen&ccedil;a? Nada vislumbrar al&eacute;m dos limites de minha vis&atilde;o, no aperto deste espa&ccedil;o, nesta pris&atilde;o enfeitada e perp&eacute;tua... N&atilde;o &eacute;s desejado como adorno, mas como necess&aacute;rio n&atilde;o te perseguem...N&atilde;o haver&atilde;o de t&ecirc;-lo cativo, &eacute;s livre...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>&nbsp;Resignado, respondeu a ave escura de bico grande : para enfeite n&atilde;o sirvo, livro-os dos animais mortos, meu alimento; nisso poupam-me o viver... Temos o olfato apurado, sentimos o odor no ar, e chegamos para nos banquetearmos do que querem se livrar. &Eacute; como se fosse uma troca, servimos, e nos respeitam.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>A triste avezinha, confidenciou: a mim que dizem amar, sou para eles um objeto bonito, um bibel&ocirc; que se move e canta, alegro-os com o meu cantar, raz&otilde;es de minha sina e algemas, a mim e a meus irm&atilde;os engaiolados. Belos mas restritos em suas celas, distantes de sua voca&ccedil;&atilde;o de voarem livremente.&nbsp;</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>O pre&ccedil;o da liberdade... Filosofou a ave grande: Devoro carni&ccedil;as que os incomodam, sou mau press&aacute;gio para muitos, ave agourenta. Jamais me perseguem, nisso n&atilde;o posso reclamar, sou de utilidade p&uacute;blica. Um faxineiro de asas, n&atilde;o tenho voz bonita, nem penas vistosas, e belezas...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Suspirou o pequeno engaiolado: Mas &eacute;s livre, podes ir aonde quiseres, nada te det&eacute;m... Nascestes na natureza e nela morrer&aacute;s. Quanto a mim, envelhecerei nestes limites, at&eacute; perecer um dia, na minha solid&atilde;o, sem jamais ter experimentado a destreza de minhas asas al&ccedil;ando voos, buscando o c&eacute;u...Ali&aacute;s, cativo de nascen&ccedil;a, nem sei se saberia voar se me permitissem... Cobi&ccedil;as a minha ra&ccedil;&atilde;o, a &aacute;gua fresca servida, nesta formosa gaiola, n&atilde;o desejes esta pris&atilde;o ! N&atilde;o tenho o prazer da conquista de meu pr&oacute;prio alimento, como tu que o procuras ao sabor dos ventos. O desafio dos dias que justificam o valor das conquistas, dando tempero aos objetivos, fazendo sentido o viver.</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Condo&iacute;do, e j&aacute; conformado com a sua pr&oacute;pria situa&ccedil;&atilde;o, entendendo o prisioneiro, suspirando: Triste destino o vosso, avezinha admirada. Nada como nos querer como somos, n&atilde;o me querem de enfeite e isso &eacute; minha liberdade, nem me perseguem por ser &uacute;til... Enojoo a eles, bem sei, mas que interessa? &nbsp;Hoje estou aqui, logo mais acol&aacute;...Posso ter a minha fam&iacute;lia, buscar o meu abrigo nas intemp&eacute;ries, cuidar de meus filhotes. Olha, falar contigo me foi muito proveitoso, fez-me ver o valor que tenho, a liberdade que desfruto, as vantagens que pareciam sina ruim... Quanto &agrave; beleza, interessa-me ser aceito pelo meus iguais, e na companheira de mesma esp&eacute;cime ser amado. Em aceno de despedida, satisfeito consigo mesmo.. E,vendo a tristeza do amiguinho, o animou:</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>O seu canto e beleza, n&atilde;o s&atilde;o in&uacute;teis, ajudam a adornar a vida, lenitivo para todas as dores, tens a sua import&acirc;ncia, despertando ternura em quem te olha e escuta... Adeus !</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>Um sonoro canto, ou seria pranto, da avezinha prisioneira ? A avistar o decolar do desengon&ccedil;ado visitante...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"><em><strong>*Somos todos importantes, cada qual na sua condi&ccedil;&atilde;o...</strong></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #333300;"></span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />28/10/2016</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2016-10-16T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CARTA A UM IMAGINÁRIO DESTINATÁRIO...(conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>Olha, eu quero me confidenciar contigo, falar de coisas que as pessoas em suas pressas n&atilde;o me ouvem... mas j&aacute; que &eacute;s fic&ccedil;&atilde;o, tens todo o tempo do mundo e a paci&ecirc;ncia que s&oacute; mesmos os pacientes teriam comigo... Da tribuna &agrave; plateia ausente, meus ecos retumbam indiferentes, irados brados, lamentos... Discursos pusil&acirc;nimes, desencantos...a este mudo p&uacute;blico desfolho as l&aacute;grimas de meus enganos... </em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>...Apraz-me descrever imagens, algo ins&oacute;lito e dif&iacute;cil, s&oacute; mesmo em met&aacute;foras, ou seja, compara&ccedil;&otilde;es, me fa&ccedil;o entender... &eacute; que a linguagem escasseia do universo que quero apreender no restrito alfabeto de que disponho... ilus&otilde;es saciando os anseios de ser ouvido al&eacute;m das paredes, ou destas letras, lim&iacute;trofes de sentidos... Gritos espalhados em m&uacute;ltiplas dire&ccedil;&otilde;es, alcan&ccedil;ando alhures almas afins em seus del&iacute;rios, num coral de lamentos semelhantes...Un&iacute;ssonas vozes no deserto de suas afli&ccedil;&otilde;es e incompreens&otilde;es, chorando em sil&ecirc;ncio.</em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>Terra, meu lar e pris&atilde;o, s&iacute;tio de desatinos e crueldades, e de belezas &iacute;mpares ! Seus filhos equivocados, duelam, se rebelam, se alvoro&ccedil;am, presos a falsos conceitos sem ideais. Rastejam sobre teu solo, perdidos e carentes de sentidos, mortos vivos desenganados, constroem e se destroem em sucessivos erros, malogros e desdouros para sua pr&oacute;pria ra&ccedil;a; recha&ccedil;am a Natureza e te desrespeitam, m&atilde;e Terra ! Habitantes errantes, perdul&aacute;rios, se aprisionam atr&aacute;s de mitos, seus gritos e sussurros amortecidos, reprimidos, da parte obscura planet&aacute;ria,  s&atilde;o os seus fantasmas...Assassinos em nome da honra e da moral, acintes travestidos de comportamentos civilizat&oacute;rios. Seus filhos, oh M&atilde;e Terra, n&atilde;o te honram, n&atilde;o se veem, n&atilde;o se entendem, est&atilde;o moribundos, cegos em labirintos, descrentes de valores reais...  Nestes ermos padecemos nossas inc&uacute;rias, purgamos as loucuras e vagamos alheios, erguendo fortalezas e acalentando os inimigos...t&atilde;o &iacute;ntimos !</em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>...Feliz &eacute; a possibilidade da escrita, pelo menos fugimos aos esc&aacute;rnios de insanos, os que falam sozinhos por falta de interlocutores... Quem haveria de ouvir relatos sem p&eacute;s e nem cabe&ccedil;as, entrecortados por pausas e retic&ecirc;ncias, num retalho/mosaico de desconexos assuntos ?... Lembremos que para n&oacute;s, racionais, o que sai do ritmo, do aparente normal, n&atilde;o &eacute; levado a s&eacute;rio. Folga-me sab&ecirc;-lo atento, meu imagin&aacute;rio amigo, ao meu dispor, e indispor. Ao sabor de meus humores, nem sempre hil&aacute;rios, alegres, por vezes ao inverso, iracundo e desalentado...&Eacute; mais barato do que pagar profissionais, aqueles que fingem nos ouvir, e que pagamos, parecendo que estamos diante a um tax&iacute;metro correndo e nos preocupando com a despesa, nos avisando que o tempo acabou, de onde sa&iacute;mos com a sensa&ccedil;&atilde;o de vazio, nos bolsos. Tentam nos enriquecer o esp&iacute;rito empobrecendo-nos a mat&eacute;ria.</em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>...Cansa-me as tardes, melancolias, salva-me os dias pelas manh&atilde;s promissoras e me rendem as noites no torpor do sono ou na inquietude das ins&ocirc;nias... Dias h&aacute;, de sol e luz, noutros tempos escuros, eu ainda me procuro, aonde me perdi, em que esquina ou beco ? Ainda a crian&ccedil;a assustada com o correr dos dias, fruto verde sujeito ao farfalhar das folhas sob os &iacute;mpetos das ventanias... Abismado com o suceder dos fatos, como se alheio ao burburinho ao redor, solit&aacute;rio em plena multid&atilde;o.  Somos ambulantes, carregamos sonhos, fantasias e utopias. Colecionamos fetiches e alegorias, mercadejamos ilus&otilde;es para nos sentirmos s&atilde;os...Sanidade periclitante, hesitante, d&uacute;bia, angustiante... Fugimos da raia, do fio da navalha de nossas duvidosas certezas e ang&uacute;stias. Preferimos a fuga nas lutas renhidas de um eterno amanh&atilde;, carregando o fardo hoje presente.. </em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>...N&atilde;o quero somar l&aacute;grimas ao mar melanc&oacute;lico e est&eacute;ril dos tristes e deprimidos, creio que nesse sentido seja at&eacute; otimista, o que me angustia &eacute; esta rebeldia de n&atilde;o ceder aos fatos, tampouco saborear as frases feitas de eternos incentivos: viver &eacute; remar, indiscut&iacute;vel, rememos, rememos... Como em um p&ecirc;ndulo bin&aacute;rio, diria bipolar, num vaiv&eacute;m, no dizer dos especialistas, ora nas nuvens, ora no ch&atilde;o . N&atilde;o se assuste, por isso voc&ecirc; foi imaginado, n&atilde;o tens a op&ccedil;&atilde;o de me deletar e nem de virar a p&aacute;gina, resta me aturar, prometo ser breve, pois tamb&eacute;m me entedia falar com a imagina&ccedil;&atilde;o, sem retornos. Pena n&atilde;o poder criar uma companheira, uma f&ecirc;mea para meus pensamentos e atos. profanos e impudicos, n&atilde;o bastaria imaginar coisas, haveria a necessidade do tato, do cheiro, da carne perfumada, dos l&aacute;bios, e de tudo o mais, seria uma frustrante compensa&ccedil;&atilde;o solit&aacute;ria... </em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>....Algo h&aacute; a mais que nos distinga da animal condi&ccedil;&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia, nos alimentarmos, procriarmos, defecarmos e esperarmos as coisas em calmarias, ou ainda, amontoarmos moedas na esperan&ccedil;a de mansa velhice...Mas me entontece tanta certeza, tantos manuais e filosofias, tantas crendices, resta-me, para ser ouvido, tentar ser lido, em sint&eacute;ticas palavras, sem me ater ou preocupar-me com a audi&ecirc;ncia...A cria&ccedil;&atilde;o concebida tem  vida pr&oacute;pria, apartada de seu criador, abstra&iacute;da da origem.</em></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium; color: #800000;"><em>...N&atilde;o lhe tomei o seu tempo, aturdido como todos, nas az&aacute;famas de suas rotinas, como c&atilde;es correndo atr&aacute;s do pr&oacute;prio rabo, elencando motivos para dar rumo e sentido...&Eacute;s apenas uma ilus&oacute;ria companhia, da qual, inclusive, sem querer mago&aacute;-lo,( n&atilde;o sou ingrato !), posso desistir como se de fato nem tivesse existido em meus pensamentos. N&atilde;o fique triste, por ora continuaremos nossa conversa, digo neste mon&oacute;logo, onde eu falo e voc&ecirc; ouve... &Eacute; prazeroso n&atilde;o ser contraditado, na vida real somos interrompidos a todo momento, a car&ecirc;ncia de ser ouvido &eacute; geral, por vezes nos aturamos como regra inevit&aacute;vel da civiliza&ccedil;&atilde;o, mesmo se desligando do momento, fingindo interesse. Mas a nossa rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o d&aacute; espa&ccedil;o para essa hip&oacute;crita aten&ccedil;&atilde;o, autoritariamente eu me expresso sem ter contesta&ccedil;&otilde;es. Basta as regras da boa conduta, o bom comportamento, a educa&ccedil;&atilde;o de monitorar as pr&oacute;prias falas sem exacerbar nos gestos e nos sentimentos...   Afinal, voc&ecirc; &eacute; apenas um pretexto para n&atilde;o me chamarem de louco que fala sozinho...</em></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />16/10/2016</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2016-10-03T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">AURORAS LEMBRADAS... (conto)</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>AURORAS LEMBRADAS... (conto)</h4><p><![CDATA[<span style="color: #993300; font-size: small;"><strong>Ao se olhar no espelho, sua express&atilde;o de nostalgia, uma certa decep&ccedil;&atilde;o com o passar do tempo, t&atilde;o inclemente, assinalando na mat&eacute;ria o envelhecimento inevit&aacute;vel. Possivelmente em sua tela de reminisc&ecirc;ncias buscava a jovem linda, impetuosa, exigente com seu guarda roupas, em seu trajar aprumado, t&atilde;o diferente da dona de casa em panos simples; exigia da m&atilde;e os melhores sapatos e trajes, n&atilde;o importando as condi&ccedil;&otilde;es, sempre obtendo o que desejava, como sempre dizia, entre arrependida e saudosa...&nbsp;</strong></span></p><p><span style="color: #993300; font-size: small;"><strong>De minha av&oacute; materna, mulher da lida com a cria&ccedil;&atilde;o de animais e planta&ccedil;&otilde;es, propriet&aacute;ria de seu s&iacute;tio, heran&ccedil;a do esposo falecido, narrava de que era uma mulher forte, destemida, e que teria perecido ainda jovem, aos quarenta e cinco anos, vitimada por um derrame cerebral, ap&oacute;s a labuta em um dia muito ensolarado em sua propriedade. Naquele tempo, o socorro veio atrav&eacute;s de um caminh&atilde;o que a transportou, corpo ainda quente, na carroceria, at&eacute; o hospital mais pr&oacute;ximo, sendo infrut&iacute;feras as tentativas de reanim&aacute;-la. Minha fam&iacute;lia, da parte materna, curiosamente confundiu-se com a paterna. Minha av&oacute;, ainda jovem e j&aacute; vi&uacute;va (casara-se for&ccedil;ada pela conveni&ecirc;ncia dos pais, aos quatorze anos, e falecido o marido pouco tempo depois, deixando-a com tr&ecirc;s filhos) conheceu o meu bisav&ocirc; paterno, italiano de G&ecirc;nova, engenheiro agrimensor, separado de minha bisav&oacute;, tamb&eacute;m italiana, que foi m&eacute;dica. O cora&ccedil;&atilde;o do genov&ecirc;s encantou-se pela jovem mulata e derivou-se novo ramo familiar, com tr&ecirc;s filhos homens da uni&atilde;o. Homem culto, fez fortuna e deixou extens&otilde;es em terras, raz&otilde;es de lit&iacute;gios posteriores entre irm&atilde;os das duas uni&otilde;es. &nbsp;Acontece que minha m&atilde;e acabou ficando como tia do meu pai por considera&ccedil;&atilde;o. Jamais ela poderia imaginar que aquele rapazote estivesse predestinado a ser seu par pela vida inteira, entre tapas e beijos.</strong></span></p><p><span style="color: #993300; font-size: small;"><strong>Testemunhei muitas de suas lembran&ccedil;as juvenis, a ironia do destino que previu em uma consulta com um cartomante asi&aacute;tico, a lhe render risos de incredulidade, vaticinando que sofreria muito, e que teria, em contrapartida, tr&ecirc;s filhos que seriam a raz&atilde;o de seu lar... Teve-nos, e tamb&eacute;m a sina tempestuosa prevista em um enlace conflituoso, com certa responsabilidade dela, ciumenta, possessiva, e n&atilde;o dada a contemporiza&ccedil;&otilde;es. G&ecirc;nio forte, ariana, n&atilde;o encontrou muita paz no cons&oacute;rcio com sagit&aacute;rio, leviano e mulherengo, al&eacute;m de mais de uma d&eacute;cada mais jovem; amaram-se a seu modo, e permaneceram juntos, at&eacute; a despedida final. Assim estava escrito, no dizer do japon&ecirc;s ao ler as cartas, assim foi...</strong></span></p><p><span style="color: #993300; font-size: small;"><strong>Com ela aprendi muitas coisas, como a gostar de ouvir &ldquo;causos&rdquo; ao lembrar-se das hist&oacute;rias, ou seriam est&oacute;rias?, contadas por seu av&ocirc; Fid&eacute;lis, matuto caboclo sertanejo do interior paulista, que lhe contava coisas de arrepiar os pelos de medo, sob a lua cheia e a fraca luminosidade de lamparinas a querosene, &nbsp; em narra&ccedil;&otilde;es saborosas, repassando os temores vivenciados de sua inf&acirc;ncia. Uma delas, a de um homem que teria levado a amante para viver dentro da pr&oacute;pria casa, convivendo junto &agrave; esposa, sem se importar com o inc&ocirc;modo causado &agrave; companheira . Passados alguns anos, o b&iacute;gamo morreu e aparecia &agrave; mulher ultrajada num corpo de um bode com uma sineta no pesco&ccedil;o, fazendo barulho, e xingando-a por n&atilde;o t&ecirc;-lo impedido do mal feito, o que teria contribu&iacute;do para sua pena eterna... E, ao sabor da imagina&ccedil;&atilde;o, as fa&ccedil;anhas ganhavam vida e cores revivendo personagens de nosso folclore, como as estripulias do negrinho saci perer&ecirc; amarrando as crinas dos cavalos, o lobisomem uivando nas madrugadas, a mula sem cabe&ccedil;a... Assim se perpetuava a tradi&ccedil;&atilde;o, no contar de gera&ccedil;&atilde;o a gera&ccedil;&atilde;o. &nbsp;Outro fato que parecia tenebroso &eacute; que nas &eacute;pocas narradas n&atilde;o se faziam os enterros em caix&otilde;es propriamente; enrolava-se o cad&aacute;ver em panos, e era transportado em rede, sustentada por um pau onde se prendia as extremidades, sob os ombros de dois carregadores, at&eacute; &agrave; cova; no trajeto, anunciava-se, em tons de lam&uacute;rias: As Almas ! As Almas! rendendo o devido respeito dos que assistiam de passagem o pequeno s&eacute;quito... &nbsp;A crendice dela talvez viesse desse passado de suas viv&ecirc;ncias. Em dias de trovoadas sentia-se inquieta, temerosa, acendendo vela para Santa B&aacute;rbara, protetora dos raios e trov&otilde;es. Em sua meninice sertaneja os brinquedos eram confeccionados com o que se tinha a m&atilde;o, como espigas de milho, bonecas com enchimento de trapos, bolas de meias velhas, carrinhos improvisados de latas usadas; no mais imperava o imagin&aacute;rio do qual as mentes infantis s&atilde;o f&eacute;rteis. Talvez essa heran&ccedil;a a alimentava ocupando-se de mim e de meu irm&atilde;o, sempre procurando nos fazer mimos, mandando fazer carrinhos de madeiras que enchia com sacos pequenos de areia, costurados em sua m&aacute;quina de costura privada. E tamb&eacute;m nos acompanhava aos ermos para nos assistir no levantamento de pipas, encomendadas a meninos mais crescidos. Naqueles momentos ela era antes uma companheira de brincadeiras do que exatamente uma adulta na figura materna. Minha irm&atilde; passava a maior parte do tempo em outra cidade, na casa de nossos av&oacute;s paternos, para estudar.</strong></span></p><p><span style="color: #993300; font-size: small;"><strong>Ficou-me particularmente marcado um pesadelo que a acometera, ao acordar, aos gritos, dizendo ver um homem enforcado pendurado na soleira da porta do quarto...</strong></span></p><p><span style="color: #993300; font-size: small;"><strong>Em sua incredulidade, ao ouvir-me falar de minhas convic&ccedil;&otilde;es esp&iacute;ritas, de vida al&eacute;m da mat&eacute;ria, j&aacute; adulto, fazia uma express&atilde;o de descr&eacute;dito, respondendo num desalento: - Ser&aacute; ? &nbsp;Na velhice entregou-se a um estado m&oacute;rbido e depressivo, n&atilde;o vendo mais interesse em continuar vivendo, eu e meus irm&atilde;os, j&aacute; casados, ficaram ela e meu pai. Permanecia o dia todo s&oacute;, a sua &uacute;nica irm&atilde; havia mudado para o interior, ent&atilde;o se estabelecia apenas o sil&ecirc;ncio dela com ela mesma, sem grandes motiva&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias. Com o tempo sequer assistia a televis&atilde;o, desinteressada de tudo. &nbsp;Em uma de minhas visitas, ao v&ecirc;-la distante e pessimista, insisti para que tentasse ver a vida de um prisma mais otimista, afinal est&aacute;vamos todos bem, ela inclusive. Em seu desalento permanente, respondeu-me, com uma pergunta: por que Deus n&atilde;o a levava ? &nbsp; Foi-se dias depois, em um noite quente de agosto, meu pai estava na sala, assistindo tv, quando a encontrou agonizante no quarto. Cheguei a tempo de v&ecirc;-la em seus estertores finais...Deu entrada no hospital para os procedimentos de praxe, j&aacute; falecida.</strong></span></p><p><span style="color: #993300; font-size: small;"><strong>No &iacute;ntimo minha m&atilde;e manteve-se a crian&ccedil;a saudosa de seu av&ocirc; que lhe contava os causos, encerrada em si mesma, num sofrimento pessoal misterioso, de raras alegrias...Dela herdei a introspec&ccedil;&atilde;o que tento combater por abeirar-se dos inc&ocirc;modos abismos de cada um de n&oacute;s...</strong></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />03/10/2016</p></p></div>
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	    <issued>2016-09-21T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CENAS DE VIDAS  ( conto)</h4><p><![CDATA[<span><span style="font-size: medium; color: #0000ff;">O martelar naquela parede, removendo o cimento, tarefa rotineira daquele profissional, j&aacute; acostumado ao oficio. Apenas aos olhos dela, a m&atilde;e, as cenas se sucediam com uma atualidade dolorida, inesquec&iacute;vel. &nbsp;Era a exuma&ccedil;&atilde;o do corpo do filho, passados j&aacute; mais de tr&ecirc;s anos do sepultamento, vest&iacute;gios do que fora seu menino, ido naquele dia fat&iacute;dico... Cemit&eacute;rio p&uacute;blico, retirar os restos mortais fazia-se necess&aacute;rio para dar vaga a outros. Ainda o viu inteiro, a pele cobrindo o esqueleto a desfazer-se em contato com o ar, por um instante o vislumbrou novamente, at&eacute; enrugar a pele e s&oacute; restar os ossos, colocados em um saco de pl&aacute;stico preto.<br /> - Escuta, vou entregar essas roupas, n&atilde;o demoro. Fique em casa, n&atilde;o sa&iacute;a...<br /> Bastou que um amigo passasse e o convidasse para um mergulho no riozinho que ficava pr&oacute;ximo, entre a obedi&ecirc;ncia maternal e o divertimento, fraquejou o pequeno, n&atilde;o vendo nada de impr&oacute;prio em banhar-se, voltaria logo. N&atilde;o voltou vivo, v&iacute;tima de uma congest&atilde;o assim que mergulhou na lagoa, fazia pouco tempo que almo&ccedil;ara.<br /> Assim que ela retornou, avistou estranha aglomera&ccedil;&atilde;o em frente de sua resid&ecirc;ncia, uma casa de c&ocirc;modos, conhecido como corti&ccedil;o, habita&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e barata. Um tremor a visitou, um pressentimento ruim a enregelar seus nervos, um pesadelo do qual queria acordar e livrar-se como a um sonho pesado, indesejado.<br /> O policial fora curto e grosso, como se fosse natural informar algu&eacute;m da trag&eacute;dia com um ente querido, carregando nas palavras, insultuosas, acusadoras, como se relapsa em cuidar do filho. Assim se sucedeu naquela data fat&iacute;dica, que queria esquecer e voltava, ami&uacute;de, com as dores pulsantes, feridas n&atilde;o cicatrizadas... Viu-se pequena, desamparada, tristemente s&oacute;.<br /> <br /> Deixara o pai dos tr&ecirc;s filhos, uma menina, a mais velha, e os dois garotos, buscando uma vida menos incerta, tendo uma resid&ecirc;ncia fixa e n&atilde;o viver como n&ocirc;made, armando barraca em circo mambembe, na vida errante. Precisava ter um local determinado para as crian&ccedil;as frequentarem uma escola, coisa imposs&iacute;vel se continuasse na troupe. Deixava o companheiro, homem de circo, em favor dos filhos. Apaixonaram-se na juventude, sob os protestos in&uacute;teis da sua m&atilde;e e do padrasto, alertando-a sob os press&aacute;gios da m&aacute; sorte ensejados em uma caminhada insegura e de preconceitos contra os circenses, mas ela seguiu os &iacute;mpetos de sua juventude sem divisar riscos. &nbsp;Com o tempo passou a atuar nos palcos, como atriz improvisada, fazendo pap&eacute;is curtos em pe&ccedil;as teatrais, fazendo pirulitos para serem vendidos nas arquibancadas. Havia dias bons de bilheteria, faturamento melhor, ent&atilde;o todos se alegravam e comemoravam, como se o sucesso fosse cont&iacute;nuo, o que n&atilde;o era. Passou necessidades, teve os filhos, e tinha que tomar a decis&atilde;o definitiva. O parceiro n&atilde;o sabia fazer nada al&eacute;m de ser artista, exatamente o palha&ccedil;o, sua voca&ccedil;&atilde;o, e nisso n&atilde;o parecia ter d&uacute;vidas do caminho a seguir, mesmo que sem a fam&iacute;lia.<br /> <br /> Mudara-se para S&atilde;o Paulo, em bairro n&atilde;o distante do centro. Passou a costurar roupas, of&iacute;cio ent&atilde;o requisitado, assim varava madrugadas minorando as necessidades financeiras da fam&iacute;lia. A filha foi morar na casa de um irm&atilde;o, em outra cidade, menina ainda, e j&aacute; atuando como empregada disfar&ccedil;ada de sobrinha, sentindo as dificuldades da dist&acirc;ncia dos seus e de se sentir uma estranha em casa alheia, explorada e sem sal&aacute;rio, sob o pretexto de estudar e tendo roupas usadas de outros para uso pr&oacute;prio.<br /> Ao tempo em que rememorava suas mem&oacute;rias sofridas, aquela mulher de porte pequeno, valente em suas atitudes, contava seus percal&ccedil;os n&atilde;o com amargura mas como barreiras vencidas, sempre cheia de esperan&ccedil;as e coragem. Os filhos, j&aacute; adultos, trabalhando, j&aacute; eram tr&ecirc;s para suportarem as despesas, a casa de c&ocirc;modos do corti&ccedil;o tamb&eacute;m ficou no passado, j&aacute; morava em apartamento de dois dormit&oacute;rios, no 15&ordm; andar de um edif&iacute;cio classe m&eacute;dia, bem localizado. O aluguel era dividido, tinha uma pensionista, e dava almo&ccedil;os em casa para alguns funcion&aacute;rios de um escrit&oacute;rio. N&atilde;o mais costurava, daquele per&iacute;odo ficou um leve calombo no cangote, fazendo-a mais baixa na estatura. Se o dinheiro era contado, n&atilde;o havia as car&ecirc;ncias j&aacute; vivenciadas, usufru&iacute;a at&eacute; de algum conforto com eletrodom&eacute;sticos modernos, um televisor em cores, m&aacute;quina de lavar, at&eacute; uma m&aacute;quina de escrever port&aacute;til, paga a presta&ccedil;&otilde;es e dada de presente &agrave; filha. O mimo foi resultado do pagamento de um carn&ecirc;, com direito a sorteios dominicais em programa de audit&oacute;rio na televis&atilde;o, durante um ano todo, para, ao final, retirar uma compra. Na correria do dia a dia, entre cuidar da casa e de servir as refei&ccedil;&otilde;es na sala pequena, ainda tinha a companhia de uma cadelinha branca, fiel escudeira.<br /> As conquistas, sempre atrav&eacute;s da labuta, vinham com o sucesso dos filhos, o primeiro carro adquirido pela filha bem empregada, e que, depois de muitos anos, tamb&eacute;m conseguia a conclus&atilde;o do estudo universit&aacute;rio. O rapaz n&atilde;o quis seguir estudando e tinha um bom emprego como representante comercial de um laborat&oacute;rio farmac&ecirc;utico.<br /> <br /> Na parede, uma tela tamanho m&eacute;dio, a &oacute;leo, presente do ex marido fantasiado de palha&ccedil;o...Reminisc&ecirc;ncias de um tempo de desafios, descobertas e agruras...</span></span><br />&nbsp;<br /><strong>(em mem&oacute;ria de Odete Siqueira Cavalcanti, minha tia materna)</strong></p><p>&nbsp;<br />&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />21/09/2016</p></p></div>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CHORA, BRASIL !!!</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><br /><span style="font-size: large; color: #800000;"><em><strong>Fat&iacute;dicos tempos<br />aziago agosto<br />morte de Juscelino<br />Suic&iacute;dio de Get&uacute;lio,<br />Impeachment de Dilma</span></strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #800000;"><strong><em>Chora a na&ccedil;&atilde;o<br />conscientes ou alheios<br />submetem-se ao relho<br />rebanho ind&oacute;cil ou manso<br />no arremedo da Constitui&ccedil;&atilde;o</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #800000;"><em><strong>vinda das profundezas<br />a nos dar a emancipa&ccedil;&atilde;o<br />surrupiam nossas riquezas<br />marionetes paus mandados<br />sentenciam a nossa servid&atilde;o...</strong></em></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />25/08/2016</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>O SAPO & A LUA ( conto)</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: medium;"><em><strong>Desde girino se diferenciava dos irm&atilde;os, dado a medita&ccedil;&otilde;es, a fitar o aparente nada; nada para quem o observava, n&atilde;o penetrando seu &iacute;ntimo inquisidor em solil&oacute;quios.</strong></em></span><br />&nbsp;<br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Pouco se interessava para os h&aacute;bitos costumeiros e pr&oacute;prios aos de sua faixa et&aacute;ria e esp&eacute;cie. Mantinha-se em atitude solit&aacute;ria, mostrando-se antissocial e pouco comunicativo, a preocupar a m&atilde;e sapa. O que haveria de ser daquele pequeno, t&atilde;o jovem e j&aacute; aparentando seriedade, distanciando-se dos demais ?</strong></em></span><br />&nbsp;<br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Nada sabia da vida, de seus perigos, a conviv&ecirc;ncia em grupo era atitude de autodefesa, em qualquer amea&ccedil;a seriam todos alertados, o isolamento um risco preocupante, presa f&aacute;cil para os predadores a espreitarem o p&acirc;ntano em que habitavam. Para os anf&iacute;bios atingir a fase adulta era uma conquista, desde de seu nascimento como ovo, at&eacute; a fase intermedi&aacute;ria em que se encontrava, havia de se ter cuidados com os inimigos, v&aacute;rios, a sondarem seu habitat em busca de ca&ccedil;as.&nbsp; Assim cresceu e foi se transformando em um animal adulto, apesar de arredio ao conv&iacute;vio social, considerado um chato pelos demais, parecendo fechado em si mesmo, observando tudo, mas alheio aparentemente.</strong></em></span><br />&nbsp;<br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Em suas incurs&otilde;es pessoais percorria com a mente outros mundos, dando asas a sua vertiginosa imagina&ccedil;&atilde;o. Admirava os p&aacute;ssaros a pousarem sobre as plantas para saciarem a sede e descansarem, entoando seus cantos sonoros, como deveria ser bom ter asas e poder ascender aos c&eacute;us ! &ndash; suspirava olhando para si mesmo, atado ao solo &uacute;mido, com seu coaxar sempre igual, e sem melodia digna de registros. </strong></em></span><br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Observava as outras esp&eacute;cies comparando as qualidades de cada qual, inconformado com as limita&ccedil;&otilde;es de sua fam&iacute;lia,rotina aborrecida aquela !&nbsp; Um viver limitado, as passadas, em saltos, a esticar a l&iacute;ngua para capturar insetos a servirem de alimento, a viver oculto entre os arbustos &agrave; beira do rio.</strong></em></span><br />&nbsp;<br /><span style="font-size: medium;"><strong><em>Um mundo deslumbrante se descortinava em suas opacas retinas, a observar, atento, os movimentos ao redor. Acompanhou a lagarta num galho seco de &aacute;rvore, aos poucos&nbsp; envolta&nbsp; em um casulo, at&eacute; o desabrochar de uma falena, com suas asas coloridas... Um rastejante Ser transformando-se em elegante borboleta a enfeitar a natureza. Estaria ele sujeito a viver no brejo e a contemplar em sua tristeza as&nbsp; estrelas ?</em></strong></span></span><br /><span style="font-size: medium;"><strong></strong></span><br /><span style="font-size: medium;"><strong><em>At&eacute; mesmo o apetitoso grilo era mais &aacute;gil que ele, movimentava-se r&aacute;pido, at&eacute; ensaiava pequenos voos, e mesmo seu cri-cri tinha seu charme, diferente do dele, que coaxava e rouquejava em mesma e repetida nota.</em></strong></span></span><br /><span style="font-size: medium;"><em><strong><strong><em>Cedo percebeu que cada um nasce como veio ao mundo, n&atilde;o havendo recursos, ou a quem recorrer disso... Era, pois, um sapo e deveria saber conviver com isso, e explorar suas aptid&otilde;es pr&oacute;prias inerentes aos anuros. </em></strong></strong></em></span><br />&nbsp;<br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Quando escurecia a dor parecia maior, infinita, demorava-se fitando o c&eacute;u, com suas reverbera&ccedil;&otilde;es estrelares, e o envolvia os raios lunares, parecendo que aquela majestosa claridade o banhava em especial. </strong></em></span><br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Aquela noite parecia ter o cora&ccedil;&atilde;o lancetado, avultavam suas dores, restando a lua por companhia. Acompanhava, apaixonado, as nuances daquela distante luz que ora vinha na forma de um delicado meio anel, uma meia fase, ou cheia, inteira, como naquele momento se apresentava, deslumbrante em sua luz intensa e pr&oacute;diga...</strong></em></span><br />&nbsp;<br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Naqueles momentos, desconhecia-se na sua forma de nascen&ccedil;a, parecia ser um cavalheiro a cortejar sua dama, a namor&aacute;-la de seu brejo, na di&aacute;fana luz que emerge suave, dentre as folhagens que rodeia seu meio. Hipnotizado pela sua grandeza, brilhando intensa, ab&oacute;boda reluzente a encant&aacute;-lo&ndash; ele, reles Ser!&nbsp; Encantando&nbsp; na muda candura, que o enla&ccedil;ava e o emoldurava em outra paisagem, a ilumin&aacute;-lo, terna e clara ,junto &agrave;s obscuras criaturas, em seus ref&uacute;gios de pobres ocultos, real&ccedil;ados no fasc&iacute;nio de sua beleza &ndash; d&aacute;diva dos deuses, uma deusa !</strong></em></span><br />&nbsp;<br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Instantes de &ecirc;xtases, eleito dos c&eacute;us, inenarr&aacute;vel felicidade, mesmo a rouquid&atilde;o de seus sons pareciam lindas can&ccedil;&otilde;es, e sua apar&ecirc;ncia acanhada cedia &agrave; m&aacute;gica de uma roupagem real. Metamorfose a lev&aacute;-lo &agrave;s alturas, alado como p&aacute;ssaro, ao encontro daquela fascinante claridade... Um batr&aacute;quio ent&atilde;o se permitia, na sua insignific&acirc;ncia, deleitar-se com os raios luminosos da amada, viajar a terras long&iacute;nquas, beijar em sonhos sua princesa...</strong></em></span></p><p>&nbsp;<br /><span style="font-size: medium;"><em><strong>Foi ap&oacute;s uma dessas vig&iacute;lias noturnas, de verdadeira venera&ccedil;&atilde;o &agrave; sua musa, encontrado inerte a fitar o c&eacute;u. Na madrugada de uma ensolarada manh&atilde;, libertou-se do seu ambiente triste, na sutileza de uma borboleta, na canora manifesta&ccedil;&atilde;o de um can&aacute;rio, na alacridade festiva de um grilo,&nbsp; debandou-se de si mesmo, al&ccedil;ando outros voos...</strong></em></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />03/08/2016</p></p></div>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>VOLTA, DEMOCRACIA !!!</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p><br />&nbsp;</p><p><br /><span style="font-size: large; color: #008000;"><em>Magna seja a Carta<br />( n&atilde;o fic&ccedil;&atilde;o),<br />O Povo sua marca<br />Lindo lema, n&atilde;o trai&ccedil;&atilde;o</span></em></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #808000;"><strong><em>O l&aacute;baro desfraldado<br />Pend&atilde;o da esperan&ccedil;a<br />Em renovado brado<br />A democracia afian&ccedil;a</em></strong></span></p><p><span style="font-size: medium; color: #008000;"><em><strong>Todo Poder aos povos<br />Na Justi&ccedil;a imparcial<br />Os anseios renovos<br />Na reden&ccedil;&atilde;o afinal</strong></em></span></p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />03/07/2016</p></p></div>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">CRIANÇAS...</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>CRIANÇAS...</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><br /><span style="font-size: large; color: #808000; background-color: #ffffff;"><em><strong>Que o seu olhar me transporte</strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000; background-color: #ffffff;"><em><strong>Ao tempo que era tamb&eacute;m uma<br /></strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000; background-color: #ffffff;"><em><strong>E me convide para as brincadeiras<br /></span></strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000; background-color: #ffffff;"><em><strong>Permita-me penetrar e me encontrar</strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000; background-color: #ffffff;"><em><strong>Em seu universo fantasioso</strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000;"><em><strong>E brincarmos sem hora de acabar<br /></strong></em></span></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000;"><em><strong>Onde tudo seja poss&iacute;vel<br /></strong></em></span></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000;"><em><strong>Nas cores das ilus&otilde;es, nos risos soltos,<br /></strong></em></span></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000;"><em><strong>E tenha a companhia da luz de seus olhos<br /></strong></em></span></span></p><p><span style="font-size: large; color: #808000;"><em><strong>Felizes, despreocupados, estabanados e livres...</strong></em></span></span></p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />28/06/2016</p></p></div>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>SOBRESSALTOS...</h4><p><![CDATA[<br /><span style="font-size: medium; color: #ff0000;">Ah, mente desvairada,<br />soterrada, assustada,<br />aprisionada de sonhar !</span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;">Ah, olhos secos, sedentos,<br />mirrados, m&iacute;opes, aspirante<br />ao o&aacute;sis no deserto das desilus&otilde;es !</span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;">Ah, cidad&atilde;os vilipendiados,<br />injuriados, destratados,<br />nas cores de sua bandeira !</span></p><p><span style="font-size: medium; color: #ff0000;">Ah, amanh&atilde; de sobressaltos<br />de infaustos acontecimentos<br />a minar a cidadania ultrajada...</span></p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />02/06/2016</p></p></div>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>ARES...</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p><span><strong><em><br /><span style="font-size: large; color: #99cc00;">Amena brisa<br />Encanta, fascina<br />Can&ccedil;&atilde;o silenciosa<br />T&ecirc;nues sensa&ccedil;&otilde;es...</span></span></p><p><br /><span style="font-size: large; color: #99cc00;">H&aacute;litos doces<br />Ver&otilde;es primaveris<br />Acalentos, sussurros<br />&Uacute;midos murm&uacute;rios...</span></p><p><br /><span style="font-size: large; color: #99cc00;">Bafejos de beijos<br />Paz d&acute; alma<br />Insinuada gratid&atilde;o<br />Devo&ccedil;&atilde;o, ora&ccedil;&atilde;o...</span></p><p></em></strong></span><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />28/01/2016</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2016-01-20T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">ÁGUA  BENDITA</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>ÁGUA  BENDITA</h4><p><![CDATA[<br /><strong><em><span style="font-size: large; color: #008000;">Invada todos os espa&ccedil;os<br />Rega&ccedil;os secos exauridos<br />Saudosos de suas cheias</span></em></strong></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>Molhe inunde alague<br />Engula expanda agrida<br />Ran&ccedil;os galhos secos</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>Feito tetas bem fornidas<br />Em por&ccedil;&otilde;es generosas<br />Leve para longe a secura</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>E nos leitos cheios retomados<br />Fresca brisa abunda a pesca<br />Pescadores e canoas</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>Can&ccedil;&otilde;es da prosperidade<br />Esperan&ccedil;as renascidas<br />Bem faz a &aacute;gua &agrave; vida...</em></strong></span></p><p><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />20/01/2016</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2016-01-11T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">AOS SÓS...</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>AOS SÓS...</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: large; color: #800080;"><em><strong><em><span style="font-size: medium;">aos que marcham</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">no solo &iacute;ngreme</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">dos desencantos</span></em><span>&nbsp;</span><br /></strong></em></span><br /><span style="font-size: large; color: #800080;"><strong><em><em><span style="font-size: medium;">murmuram risos</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">n&atilde;o sorriem</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">farejam sem sentir</span></em><span>&nbsp;</span><br /></em></strong></span><br /><span style="font-size: large; color: #800080;"><strong><em><em><span style="font-size: medium;">ocultos nos desv&atilde;os</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">desvios dos caminhos</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">errantes e sozinhos</span></em><span>&nbsp;</span><br /></em></strong></span><br /><span style="font-size: large; color: #800080;"><strong><em><em><span style="font-size: medium;">os que vagam na estrada</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">desviados na caminhada</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">que lamentam e sofrem</span></em><span>&nbsp;</span><br /></em></strong></span><br /><span style="font-size: large; color: #800080;"><strong><em><em><span style="font-size: medium;">oferto uma seresta</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">um hino de amor</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">um canto uma flor</span></em><span>&nbsp;</span><br /></em></strong></span><br /><span style="font-size: large; color: #800080;"><strong><em><em><span style="font-size: medium;">para florir seus ch&atilde;os</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">de espinhos e solid&atilde;o</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">alvoradas de luzes</span></em><span>&nbsp;</span></p><p><em><span style="font-size: medium;">terra de irm&atilde;os...</span></em></em></strong></span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: large; color: #800080;"><strong><em><span>(13/09/09)&nbsp;</span></em></strong></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />11/01/2016</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2015-12-29T00:00:00-03:00</issued>
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	    <title mode="escaped" type="text/html">AMANHÃ...</title>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>AMANHÃ...</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>Ser&aacute; um outro tempo, velho/novo<br />Folhinha descartada do calend&aacute;rio<br />Ilus&otilde;es e esperan&ccedil;as renovadas</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>Importa &eacute; crermos nesta fantasia<br />E dela fazermos nossa for&ccedil;a<br />a nos blindar da in&eacute;rcia e tristeza</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><em><strong>Cultivemos a utopia como a uma flor<br />Desde que nos remoce,&nbsp;<br />Nos devolva os &acirc;nimos, crian&ccedil;as</strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>Mesmo que tudo sejam quimeras<br />Delas fa&ccedil;amos as nossas alegrias<br />Removendo o ran&ccedil;o que nos impregna</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>Quando nada existir que nos anime<br />Diante ao vagaroso passar da vida<br />Sejamos alados,al&eacute;m das monotonias...</em></strong></span><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />29/12/2015</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
	    <issued>2015-12-06T00:00:00-03:00</issued>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>NÃO NOS ESQUEÇAMOS...</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: large; color: #008000;"><em><strong>De n&oacute;s,<br />da voz<br />dos sonhos<br />da magia<br />e da fantasia</span></strong></em></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>dos ideais<br />e das certezas<br />ainda que incertas<br />e controversas</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>da crian&ccedil;a&nbsp;<br />do sorriso<br />da l&aacute;grima<br />e da emo&ccedil;&atilde;o</em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #008000;"><strong><em>N&atilde;o nos apartemos de n&oacute;s...</em></strong></span><br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />06/12/2015</p></p></div>
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	    <author><name>EDILOY A C FERRARO</name></author>
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	    <div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"><p><h4>DIÁRIO</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: large; color: #800000;"><em><strong><em><span style="font-size: medium;">relatos</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">sucintos</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">fracionados</span></em></strong></em></span><span>&nbsp;</span></p><p><span style="font-size: large; color: #800000;"><strong><em><em><span style="font-size: medium;">di&aacute;rio&nbsp;</span></em><br /><em><span style="font-size: medium;">fragmentos</span></em><span>&nbsp;</span><br /></em></strong></span><span><span style="font-size: large; color: #800000;"><strong><em>registrados</em></strong></span>&nbsp;</span></p><p><span style="font-size: large; color: #800000;"><strong><em><em><span style="font-size: medium;">imagin&aacute;rios</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">enviesados</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">ou diretos</span></em><span>&nbsp;</span></em></strong></span></p><p><span style="font-size: large; color: #800000;"><strong><em>percep&ccedil;&otilde;es<br /><em><span style="font-size: medium;">sonhos</span></em><span>&nbsp;</span><br /><em><span style="font-size: medium;">enredos...</span></em></em></strong></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Ediloy' title='Biografia do Poeta: EDILOY A C FERRARO'><b>EDILOY A C FERRARO</b></a><br />29/11/2015</p></p></div>
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