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        <title>Site de Poesias</title>
        <link>https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura</link>
        <description>O Site de Poesias é um centro de poemas, de alguma forma, significativos; seja pelo conteúdo, pela métrica, pelas rimas... Mas principalmente pelos sentimentos que a boa poesia evoca na alma: tristeza, alegria, saudade, felicidade, amor, Deus. Porque escrever é uma arte: é traduzir o intraduzível!</description>
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        <title>Site de Poesias</title>
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        <link>https://sitedepoesias.com.br/</link>
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          <title>Purê de Sardinha</title>
          <pubDate>21/10/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/23328-pure-de-sardinha</link>
          <description><h4>Purê de Sardinha</h4><p><![CDATA[Sai para trabalhar.<br />Um p&eacute; ficou no caminho,<br />com o outro, dei de pular.<br />No coletivo das sete,<br />meio homem, meio saci,<br />o perer&ecirc; se repete.<br />O aperto &eacute; imoral,<br />n&atilde;o h&aacute; como se livrar.<br />Chuva, janelas fechadas, <br />sudorese, falta de ar<br />e o nariz queimando no suvaco.<br />Que dizer de tanta gente assim,<br />reduzida a pur&ecirc; de sardinha?<br />Ei-me tamb&eacute;m aqui, digerido,<br />metabolizado e expelido pelo transporte!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />21/10/2007</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Difícil</title>
          <pubDate>01/08/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/21499-dificil</link>
          <description><h4>Difícil</h4><p><![CDATA[<br />Dif&iacute;cil &eacute; demandar a letra<br />ante ao tempo de dias t&atilde;o curtos,<br />quando a pressa soa seus clarins<br />e as batalhas nunca findam.<br />As m&atilde;os presas, ocupadas,<br />d&atilde;o-se a um movimento repetido,<br />retil&iacute;neo e gasto.<br />Dos p&eacute;s, os passos se repisam,<br />se afundam num mesmo caminho.<br />Arde-me esse verbo aos olhos<br />de quase nenhum sono.</p><p>Dif&iacute;cil &eacute; demandar a letra,<br />lan&ccedil;&aacute;-la ao v&ocirc;o atemporal<br />sob a ru&iacute;na do papel,<br />dar-lhe a imortalidade e juventude<br />na infinitude dos s&eacute;culos.<br />A idade far&aacute; dores<br />pelo corpo da poesia<br />agrisalhando suas formas<br />quando as normas forem outras.<br />Nada ser&aacute; moderno<br />face &agrave;s mudan&ccedil;as do pensamento.</p><p>Dif&iacute;cil &eacute; demandar a letra<br />que n&atilde;o seja narcisa de si,<br />de alento certeiro e preciso<br />traduzida em frente ao espelho.<br />No sangue que entinta a pena,<br />tal musa-poema revela-se<br />no punho de puro tra&ccedil;o,<br />tomando o bra&ccedil;o do escritor.<br />Finalmente!<br />A frase solta de amor<br />exala um odor sempiterno.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />01/08/2007</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
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          <title>Olhares (de pura beleza)</title>
          <pubDate>27/06/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/20755-olhares-de-pura-beleza</link>
          <description><h4>Olhares (de pura beleza)</h4><p><![CDATA[Curto e t&atilde;o curto o tempo<br />rimou os olhares,<br />investigou-nos a alma.<br />Sinto que a calma se foi.<br />Tinha apenas a imagem<br />impressa e distante,<br />agora tenho a palavra.<br />Novas frases, novos verbos<br />ondulam os pensamentos.</p><p>Venta tanto aqui<br />e n&atilde;o sabes que sou folha<br />levitando nos teus ares.<br />Olhares, esses olhares...<br />Saber viv&ecirc;-los seria<br />outra beleza, pura beleza.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />27/06/2007</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
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          <title>E depois da boca</title>
          <pubDate>27/06/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/20739-e-depois-da-boca</link>
          <description><h4>E depois da boca</h4><p><![CDATA[<br />E depois da boca<br />um dia todo se abriu,<br />existiu em toda cor.<br />Alaranjado esplendor<br />rajou o azul-crescente<br />na paz inocente da manh&atilde;.<br />Vejo-te a floresta dos olhos<br />e as serras bordadas em verde.<br />Vejo-te o passaredo, a matilha<br />e a verde trilha a vicejar.<br />De tudo quero mais<br />e t&atilde;o capaz serei<br />de tudo outra vez.</p><p>E depois da boca,<br />da pouca chance de escape,<br />o embate, a vit&oacute;ria.<br />Uma hist&oacute;ria reescrita<br />na gl&oacute;ria dos sentidos.<br />Tal maresia silente<br />a t&atilde;o quente temperatura,<br />fez-nos suster a brasa,<br />extrem&aacute;-la ao inc&ecirc;ndio.<br />Cobi&ccedil;o-te assim, pura chama.<br />De tudo quero mais<br />e t&atilde;o capaz serei<br />de tudo outra vez.</p><p>E depois da boca,<br />vou contigo a recantos,<br />nos entretantos de mim.<br />Reflito o c&eacute;u, imito a cor,<br />remonto o vapor das nuvens.<br />Por que sou rio<br />de correnteza mansa,<br />sopro de vento, arrepio.<br />Por que sou rio<br />sorrindo ao mar,<br />nova chance de amar. <br />De tudo quero mais.<br />De tudo outra vez.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />27/06/2007</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Mágica do coelho</title>
          <pubDate>03/04/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/18435-magica-do-coelho</link>
          <description><h4>Mágica do coelho</h4><p><![CDATA[A orelha foi cortada<br />na afiada faca do dizer<br />e sangra quieta, amputada.<br />Ao modo da boa inten&ccedil;&atilde;o,<br />fez-se um mal s&uacute;bito,<br />dec&uacute;bito, dilacera&ccedil;&atilde;o.<br />Esse malfazejo bem que corre<br />al&eacute;m do limite de velocidade,<br />salta pela boca em verbo,<br />colide contra o poste,<br />agoniza entre as ferragens.</p><p>Para o socorro, sorriso de esmola!<br />Moeda na cartola, m&aacute;gica do coelho.</p><p>Enche-se o pulm&atilde;o indigno<br />com um signo de ar puro,<br />incompat&iacute;vel.<br />Agora, as desculpas.</p><p>(tosse)</p><p>Engasgo, expectora&ccedil;&atilde;o.<br />E o cora&ccedil;&atilde;o falha<br />e eu falho<br />e n&oacute;s falhamos.</p><p>Que <br />&nbsp;outras<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp; orelhas<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; flores&ccedil;am<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;em<br />&nbsp;&nbsp;&nbsp; nossas <br />cabe&ccedil;as.<br />]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />03/04/2007</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
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          <item>
          <title>Ticundum (Mama Brazilis)</title>
          <pubDate>17/02/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/17164-ticundum-mama-brazilis</link>
          <description><h4>Ticundum (Mama Brazilis)</h4><p><![CDATA[Ei, ei.</p><p>Estou falando com voc&ecirc;.<br />Onde voc&ecirc; vai?<br />Sair &agrave; noite, madrugada?</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>N&atilde;o ouviu o notici&aacute;rio?<br />Arrastaram um menino at&eacute; a morte,<br />eu sei, &eacute; verdade, prenderam os assassinos.<br />A justi&ccedil;a foi feita.<br />Devo ficar calma.</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>N&atilde;o est&aacute; com fome?<br />Olha, leve alguma coisa para comer,<br />espere, vou ali pegar... hummmmmm...<br />Melhor voc&ecirc; comer na rua,<br />pe&ccedil;a uns trocados por a&iacute;,<br />eu disse: pe&ccedil;a!</p><p>(pipip&iacute;&iacute;&iacute;, pipip&iacute;&iacute;&iacute;, pipip&iacute;&iacute;&iacute;)</p><p>Por favor, tirem meu filho da&iacute;.<br />Eu avisei, agora fica a&iacute; me olhando.<br />N&atilde;o, n&atilde;o vou pagar nada, n&atilde;o tenho.<br />T&aacute; vendo, vai ter que ficar a&iacute;...<br />Qual &eacute; o hor&aacute;rio de visita?<br />O que voc&ecirc; quer que eu traga?<br />N&atilde;o, isso n&atilde;o, nunca!</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>Mo&ccedil;o, me d&aacute; uma dose?<br />Isso, da pior cacha&ccedil;a.<br />Mais uma, mais uma...<br />Eu disse que estou bem.</p><p>EU ESTOU BEM E POSSO IR SOZINHA!</p><p>Tire as suas m&atilde;os de mim,<br />n&atilde;o, assim n&atilde;o, para, para...<br />Mo&ccedil;o, onde eu estou?<br />Eu n&atilde;o estou doente, tenho que ir,<br />nem roupa eu trouxe.<br />Rem&eacute;dio? N&atilde;o obrigada.</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>Quem ser&aacute;, n&atilde;o conhe&ccedil;o esse n&uacute;mero?<br />O qu&ecirc;, meu marido? Meu marido o qu&ecirc;?<br />Voc&ecirc; deve estar enganado sim.<br />&Eacute;, ele trabalha perto do metr&ocirc;.<br />O qu&ecirc;? Sim, ele dirige caminh&atilde;o sim.<br />O caminh&atilde;o o qu&ecirc;? caiu no buraco?</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>N&atilde;o tenho dinheiro, vai do mais simples,<br />isso, s&oacute; as flores sem a coroa.<br />Obrigada, eu sei que ele est&aacute; em paz.<br />Esteja em paz querido.<br />Sim, tamb&eacute;m vou para l&aacute;. Me d&aacute; uma carona?<br />Pode me deixar aqui, quero ficar aqui.</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>Sou eu mesma, mulher do Man&eacute;,<br />posso entrar? quanta bondade...</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>Mo&ccedil;o, me paga uma cerveja,<br />eu quero desfilar com aquela fantasia.</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>Tem que ter leque de penas de ganso<br />e um costeiro bem armado.</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>Hoje a bateria est&aacute; muito boa.<br />Mo&ccedil;o, mais uma cerveja?</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)</p><p>Mais uma.</p><p>(ticundum, ticundum, ticundum)]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />17/02/2007</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
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          <title>Revolta</title>
          <pubDate>22/11/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/15638-revolta</link>
          <description><h4>Revolta</h4><p><![CDATA[Revolta,<br />não solta a boca um grito,<br />prende, amarra<br />na lama fervida dos pântanos<br />por onde deitam os jacarés.<br />Coração pura sujismundice,<br />antes visse a cor, mas não vê.<br />Jamais crê sem os olhos<br />no dito oco e muito dito<br />daquele livro de ler,<br />porque os livros caducam<br />e a loucura da letra<br />é a doença da idéia.<br />Vacina não há para isso.</p><p>Revolta,<br />é tanto musgo e lodo no cenho,<br />nessas rugas todas avivadas.<br />Umidade, infiltrações,<br />as emoções estão todas mofadas.<br />No assoalho, um coalho<br />de bolor povoa a madeira.<br />Reclina-se à poltrona o pó,<br />dorme só, sonha céu nublado.<br />Vazando da pia, água turva<br />se esgueira, me espia a sede<br />que não pode lograr fim.<br />Remédio não há para isso.</p><p>Revolta<br />vai de correnteza no rosto,<br />sente-se o gosto de sal,<br />um funeral se guarda nos lábios,<br />na pouca palavra afogada<br />e morta na limpidez do choro.<br />Que o dolo de ferir se esqueça!<br />Aconteceu antes, aconteça depois<br />uma chance de reparação.<br />Joelho contra o chão,<br />não faz perdão de pronto<br />e para florir é preciso esperar.<br />Jeito não há para isso.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />22/11/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
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          <title>Pessoas</title>
          <pubDate>17/11/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/15513-pessoas</link>
          <description><h4>Pessoas</h4><p><![CDATA[Pessoas não são cores,<br />mas as cores das pessoas<br />são heranças, dogmas.<br />Pessoas coloridas,<br />maculadas, impolutas,<br />de cores misturadas,<br />ainda assim, não são cores.</p><p>Pessoas são pessoas<br />e cores, pretextos.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />17/11/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
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          <title>O corpo do vento</title>
          <pubDate>15/10/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/14859-o-corpo-do-vento</link>
          <description><h4>O corpo do vento</h4><p><![CDATA[O corpo do vento<br />não está para a velhice.<br />E sua pele invisível,<br />por mais se que gaste<br />nas tormentas, falésias,<br />se renova, se basta.<br />Essa silhueta indizível<br />se constrói pelo que toca.<br />Brinca nos cabelos das árvores,<br />na sombra fria e dançante<br />das roupas do varal.<br />É possível ser intenso,<br />suspendendo os telhados,<br />descompondo as casas<br />que por azar não sabem voar.<br />É provável que derrube <br />os ninhos mal-acabados<br />de amores de asas curtas.<br />Para isso, <br />há de bem valer a reza.</p><p>Santa Bárbara abrandai!</p><p>Pela rogativa, serenou<br />e voltou a mover moinhos.<br />Pelo destempero, propôs-se<br />varrer o chão de folhas.<br />Iria a igreja confessar,<br />livrar-se do julgo imaturo,<br />mas no caminho, o desvio,<br />apanhou uma corrente de ar!<br />Foi ao sul das terras<br />onde guerras fervilham<br />e sentiu-se furar pelas balas.<br />Nos braços, poeira de estrondo<br />pairava alvacenta, temerosa.<br />Era preciso voltar.<br />Migrar com os dias e as aves.<br />É certo, todos os dias são<br />aves de migração<br />e o tempo, exímio caçador,<br />as alveja por prazer.<br />Uma ave solfeja dor, cai,<br />mais um dia vai no horizonte<br />e o corpo do vento fica!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />15/10/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
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          <title>Olho torto e a carraspana</title>
          <pubDate>04/10/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/14644-olho-torto-e-a-carraspana</link>
          <description><h4>Olho torto e a carraspana</h4><p><![CDATA[Há de ter o olho torto<br />para bem olhar a vida.<br />Um bem vivo e outro morto<br />para disfarçar a ferida.</p><p>Olho cego casou,<br />esposando a felicidade,<br />de tão feliz enxergou,<br />enviuvando em tenra idade.</p><p>Olho são é doutor,<br />sabe tudo do mundo<br />mas não sabe do amor,<br />tal dor de vale profundo.</p><p>Olho torto faz biscate<br />conserta fogão, faca, alicate.<br />De noite que fogo, carraspana!<br />A mulher esfria, o marido ronca semana.</p><p>Olho torto dormia.<br />Acordou olho são.<br />Olho cego queria,<br />requentar aquele pão.</p><p>Olho torto saia.<br />Olho são chegava.<br />Olho cego escondia.<br />até cegueira passava.</p><p>Olho torto chegava<br />Escondia olho são.<br />Olho cego saia<br />firulando de alegria.</p><p>Olho torto, de fogo,<br />era carta fora do jogo.<br />Carraspana todo dia?<br />A mulher vivia, o marido morre semana.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />04/10/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
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          <title>No declive de agora</title>
          <pubDate>26/09/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/14471-no-declive-de-agora</link>
          <description><h4>No declive de agora</h4><p><![CDATA[Perpassa-me o tempo<br />na vagareza do pensar.<br />O vento que me corre<br />pela casa das idéias,<br />desusou minhas pernas,<br />evadiu-me a direção.<br />Chão de ir, não tenho.<br />Vou e venho ao nada.<br />Na estrada que não vejo,<br />almejo apenas querer.<br />Em face a isso,<br />cobiço novo rosto,<br />nova cara de bater.<br />Como saber de amanhã<br />se hoje já é tarde?<br />Corvarde sol poente<br />que não arde, nem sente.<br />No declive de agora,<br />se demora a noite<br />que me deita no peito,<br />soma-se aos negros olhos,<br />à pele de negra tintura.<br />Tanta rasura de sombra<br />me assalta, me assombra.<br />Estreitada reza dizia,<br />chiava em canto de boca,<br />percebia pouca fé.<br />Até que amanhecia,<br />mas do dia, morria a vontade.<br />A caridade não vinha,<br />vinha lá mais idade.<br />E os anos todos sabiam<br />que mais anos viriam,<br />tão logo pudessem chegar.<br />Sim.<br />Perpassa-me o tempo<br />na vagareza do pensar.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />26/09/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Entre mil amores</title>
          <pubDate>21/09/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/14380-entre-mil-amores</link>
          <description><h4>Entre mil amores</h4><p><![CDATA["Entre uma flor, entre os beija-flores,<br />está um amor entre mil amores."</p><p>Raro encanto quer cantar,<br />conquanto,<br />deflorar recanto ermo de mim.<br />E assim, decanto-te toda,<br />enquanto<br />miro a lua que te espia.</p><p>Caro é o manto da noite<br />enquanto<br />usares para que eu tanto goste.<br />E assim, aposte, declamo-te toda<br />conquanto<br />fiques negra para além de amanhã.</p><p>Paro até que ordenes<br />conquanto<br />serenes tal braseiro incontido.<br />E assim, pé de ouvido, sussuro-te toda<br />enquanto<br />mãos revoam soltas as tuas ladeiras.</p><p>"Entre uma flor, entre os beija-flores,<br />está um amor entre mil amores."]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />21/09/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Objeto</title>
          <pubDate>14/09/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/14225-objeto</link>
          <description><h4>Objeto</h4><p><![CDATA[Quem?<br />Alguém me saberá mais que ti?<br />Confesso, não sei.</p><p>Nesses pedaços de homem,<br />não há parte de mim<br />que parta livre, sem fim.<br />Eis o objeto que sou.</p><p><br />Objeto indireto e reto.<br />Sujeito zé-ninguém.<br />Objeto transitivo direto.<br />Sujeito sem vintém.</p><p><br />Objeto calado na voz<br />Sujeito só na oração.<br />Objeto de sorte atroz.<br />Sujeito a conformação.</p><p>Não esqueço de fato, não sei.<br />Saberei um dia ser diferente<br />na igualdade d´outros dias.</p><p>Mil fraquezas me dobram<br />onde sobram os pecados.<br />Confesso, mas não sai.</p><p>De fato não sai a lembrança<br />onde sobram os pecados <br />e fraquezas d´outros dias.</p><p>Quem?<br />Alguém me saberá mais que ti?<br />Confesso, não sei.</p><p>Nesses pedaços de homem,<br />não há parte de mim<br />que parta livre, sem fim.<br />Eis o objeto que sou.</p><p>Objeto arlerquim, alegórico.<br />Sujeito sem rumo.<br />Objeto curumim, folclórico.<br />Sujeito sem prumo.</p><p>Objeto aluado, parabólico.<br />Sujeito ultra-leve.<br />Objeto barato, simbólico.<br />Sujeito de até breve.</p><p>Quem?<br />Confesso fingir.<br />Ninguém me saberá mais que ti.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />14/09/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Água para toda sede</title>
          <pubDate>24/08/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/13759-agua-para-toda-sede</link>
          <description><h4>Água para toda sede</h4><p><![CDATA[O amor é mesmo mundo todo novo<br />e a novidade,  <br />sala escura a espera da luz do sol.</p><p>O sol é mesmo estrela toda amarela<br />e a novidade,<br />dança e desmudança de dias desiguais.</p><p>O desigual é mesmo verdade toda  total<br />e a novidade,<br />gravidez indesejada de utopias gêmeas.</p><p>O gêmeo é mesmo um ser todo a mais<br />e a novidade,<br />vaidade dobrada no espelho.</p><p>O espelho é mesmo divã todo olhos<br />e a novidade,<br />imagem impressa e ilusória.</p><p>A ilusão é mesmo água para toda sede.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />24/08/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Matemática da voz</title>
          <pubDate>16/08/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/13604-matematica-da-voz</link>
          <description><h4>Matemática da voz</h4><p><![CDATA[E a voz sem palavra<br />está na boca das coisas.<br />Sinos, sirenes, sanfonas.<br />Mas a palavra sem voz<br />anda a sós com os gestos,<br />em manifestos mudos de amor.</p><p>Na matemática da voz<br />é que se faz o som.<br />E quem de nós saberia<br />tal geografia do dom?</p><p>Sei sim das janelas,<br />sei do gemido delas,<br />sei que panelas apitam<br />no fogo que as excitam.</p><p>Ronca sim motor cansado<br />no desmaio proletário.<br />Perdulário o pernilongo<br />gasta todo o zumbizado.</p><p>E a voz sem ouvido<br />está no perigo da morte.<br />Penhasco, palanque, presídio.<br />Mas o ouvido sem voz<br />dorme algoz de si mesmo,<br />ermo, enfermo de silêncio.</p><p>Na história da voz<br />é que se faz história<br />e quem de nós saberia<br />tal filosofia assim finória?</p><p>Sei sim dos mártires<br />sei do grito libertário,<br />sei que a idade dos livros<br />só contenta o antiquário.</p><p>Tomba sim corpo falido<br />na alcova de redenção.<br />Quem virá te buscar pelo pé<br />ou irá te levar pela mão?</p><p>E a voz sem ela também é pó.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />16/08/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Ainda que seja dor</title>
          <pubDate>15/08/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/13590-ainda-que-seja-dor</link>
          <description><h4>Ainda que seja dor</h4><p><![CDATA[Meu braço de nuvem<br />Buscou-te lá no confim.<br />Meu braço cinza de nuvem,<br />Te trouxe bem perto de mim.</p><p>Tenho olhos de garoa,<br />para umedecer-te a brasa.<br />Tenho jeito de quem voa<br />na vã ausência da asa.</p><p>Nessa pedra que pulsa,<br />expulsa a dureza daqui,<br />garimpo-te tanto a cor,<br />como a de vermelho rubi.</p><p>Para letra, frase.<br />Para o verbo, amor.<br />Quase que seja ainda,<br />ainda que seja dor.</p><p>Minha perna de mar<br />andou cá por suas águas.<br />Minha perna azul de mar<br />prescindiu das mágoas todas.</p><p>Tenho boca de universo<br />para dizer-te o que sei.<br />Tenho jeito meio inverso<br />no reverso de um rei.</p><p>Nessa rocha que sofre<br />da valentia das ondas.<br />Declamo-te essa estrofe <br />vagueando em minhas rondas.</p><p>Para letra, frase.<br />Para o verbo, amor.<br />Quase que seja ainda,<br />ainda que seja dor.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />15/08/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>O pequeno tratado dos sabores</title>
          <pubDate>02/08/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/13347-o-pequeno-tratado-dos-sabores</link>
          <description><h4>O pequeno tratado dos sabores</h4><p><![CDATA[Todo o lugar aqui é doce<br />como se fosse melado.<br />Rosado por demais da conta<br />como bochecha de vedete.</p><p>- Cuidado com o diabete!</p><p>Muito chá com bolachas,<br />baba-de-moça, rabanada,<br />por demais água-com-açúcar,<br />café-com-leite, marmelada.</p><p>- Tanta letra confeitada...</p><p>Tanto bom bocado com rimas<br />e beijinhos e suspiros.<br />Olhos-de-sogra, irmãs e primas,<br />puxa-puxa, lambe ouvido.</p><p>- Ô abre alas para o ardido!</p><p>Que é para mover a trama,<br />incendiar a cama e os amantes.<br />Coloque um pouco por semana<br />dessas trovas soltas, picantes!</p><p>- E nada será como antes.</p><p>Pimenta do reino ou malagueta,<br />quem experimenta faz careta.<br />Quem faz marra e tem gastura<br />que quebre os dentes na rapadura.</p><p>- É sabor que dá calor, tontura!</p><p>Frescura é não provar,<br />criar combinações, maliciar.<br />Mas não há espaço para invenções<br />se não forem açucaradas...</p><p>- Ô abre alas para as salgadas!</p><p>Aquelas de paladar humano,<br />destemperadas do divino.<br />Algum mocotó, algum tutano,<br />varie o cardápio ao longo do ano.</p><p>- A lira só pega gosto ensalmorando.</p><p>Um pouco de carne de sol,<br />um pouco de bacalhau.<br />Não faz mal descombinar,<br />apertar o verbo com sal.</p><p>- E para o frio, sopa. Que tal?</p><p>Espetinho de soneto.<br />Redondilha com ervilha.<br />É maravilha o poemeto<br />refogado com lentilha.</p><p>- Lembre-se. Azeite bem o cedilha!</p><p>Que apetite tem o papel<br />quando o traçado sai ledo?<br />Não, não ponha tanto mel<br />besuntando todo o enredo.</p><p>- Ô abre alas para o azedo!</p><p>Avinagra o pronome,<br />põe salsão pra dar um cheiro.<br />Vai agradar quem está com fome,<br />não é preciso exagero.</p><p>- Comeu tudo menino inzoneiro?</p><p>Aproveite o mau humor do leite<br />em seu azedume, faça coalhada.<br />Pedacenta e esbranquiçada,<br />consagrada ao teor flácido.</p><p>- Ô abre alas para o ácido!</p><p>Dulçor de morango não é rubor, <br />tão pouco laranja o esbanja.<br />Saberia o abacaxi ser doce<br />se o limão também o fosse?</p><p>- Meu chapa, veja o que eu trouxe.</p><p>Acerolas mais que fresquinhas<br />cor de amarelo-sem-embargo.<br />Não zombe dessas frutinhas<br />senão vai ter com vô aspargo.</p><p>- O abre alas para o amargo!</p><p>É o menos sociável.<br />É o menos popular.<br />O amargo é assim,<br />não veio pra mimar.</p><p>- O que faço pra ressaca passar?</p><p>Chá, mas de carqueja, boldo, losna.<br />É só ferver e dar um gole.<br />Sem demora vem a gosma.<br />Depois, limpe isso e não me amole.</p><p>- Vida de boêmio não é mole!</p><p>Nem de poeta.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />02/08/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Parábola do tanque de roupa</title>
          <pubDate>24/07/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/13169-parabola-do-tanque-de-roupa</link>
          <description><h4>Parábola do tanque de roupa</h4><p><![CDATA[E tenho dito:</p><p>- Tanque de roupa é terapia sim!</p><p>Elixir revigorante para distúrbios do ócio,<br />negócio para exercitar bíceps e tríceps.<br />A barriga fica fresca e molhada no verão,<br />esfregando o calção do filho ou o próprio.</p><p>O ópio das domésticas não é droga!</p><p>Deveria estar em voga entre as madames,<br />seres de enfartos e derrames imaginários,<br />mas homens abastados não devem se privar.<br />Passar férias na Alemanha?<br />Nada disso.<br />A solução está ali,<br />no divã desfaz enguiço.<br />De pedra, mármore ou plástico<br />tanto faz, o design é fantástico<br />e as benesses, imediatas.<br />Lava bem as gravatas<br />e também o seu terno, afinal,<br />és ou não homem moderno?<br />Mas a modernidade não quer saber de tanque,<br />há quem banque empregada, lavanderia...<br />Mas saiba, se bancar, <br />o tratamento vai por água abaixo.</p><p>- Acho melhor yoga, pilates...</p><p>Não tem problema,<br />maltrate o bolso, vale apena!<br />Tudo é muito devagar,<br />requer esforço e tal.</p><p>- Acho melhor voltar<br />(para junto do tanque ancestral)</p><p>E o tanque agradece a preferência.</p><p>Sem contra indicação, censura 12 anos,<br />livra insanos de girar discos ao contrário<br />para ouvir mensagens ocultas, do demo.</p><p>- Gente, assim não... por telefone!</p><p>- Até chamada em conferência nóis temo, certo?</p><p>Certo!</p><p>- Glória?</p><p>Glória!</p><p>Ela sim é que era mulher de verdade...<br />Batia um bolão no tanque, só vendo.<br />Entendo agora o motivo da adoração.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />24/07/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>São Paulo (que pesa mais de pecados)</title>
          <pubDate>16/07/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/12951-sao-paulo-que-pesa-mais-de-pecados</link>
          <description><h4>São Paulo (que pesa mais de pecados)</h4><p><![CDATA[S&atilde;o Paulo,<br />ali no cora&ccedil;&atilde;o do Iraque<br />pulsa, explode, incendeia.<br />S&atilde;o Paulo,<br />ali divisa com Beirute,<br />n&atilde;o precisa de tanques.<br />S&atilde;o Paulo,<br />ali na mira dos palanques,<br />n&atilde;o precisa de inimigos.</p><p>S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Bento,<br />S&atilde;o Judas, S&atilde;o Bernardo.<br />Da onde vem o milagre?</p><p>S&atilde;o Paulo, <br />ali baleado na cal&ccedil;ada,<br />emboscada de pol&iacute;cia e ladr&atilde;o.<br />S&atilde;o Paulo,<br />ali &agrave; beira da morte,<br />&agrave; sorte de quem o socorra.<br />S&atilde;o Paulo, <br />ali na gangorra com o dem&ocirc;nio,<br />que pesa mais de pecados.</p><p>S&atilde;o Paulo que tudo pode<br />est&aacute; &nbsp;impotente.<br />Mas santo n&atilde;o toma viagra?</p><p>S&atilde;o Paulo, <br />ali condoido pelo chute na santa<br />que o pastor deu por engano.<br />S&atilde;o Paulo,<br />ali esperava a voz do Vaticano,<br />mas a santa n&atilde;o tinha pedigree.<br />S&atilde;o Paulo,<br />ali sem her&oacute;is, nem m&aacute;rtires.<br />S&atilde;o Silvestre &eacute; membro honor&aacute;rio.</p><p>S&atilde;o Paulo, s&atilde;o torres,<br />s&atilde;o casas, s&atilde;o gentes.<br />De repente, &eacute; nada.</p><p>S&atilde;o Paulo, <br />ali de rios p&uacute;tridos<br />e marginais fedorentas, como s&atilde;o.<br />S&atilde;o Paulo,<br />ali de jovens anjos deca&iacute;dos<br />e marginais bravos, retumbantes.<br />S&atilde;o Paulo,<br />ali de saia justa<br />fazendo programa na Augusta.</p><p>S&atilde;o Paulo, s&atilde;o olhos,<br />s&atilde;o bocas, s&atilde;o m&atilde;os.<br />Todas presas, sequestradas.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />16/07/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Valdete revirada</title>
          <pubDate>06/07/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/12790-valdete-revirada</link>
          <description><h4>Valdete revirada</h4><p><![CDATA[Pela morte, o choro.</p><p>* * *</p><p>Segue o coro de uivos,<br />segue o corpo e o cortejo.<br />A defunta de cabelos ruivos,<br />vai balan&ccedil;ada em sacolejo.</p><p>De um lado, sete tias<br />de outro, mais sete,<br />j&aacute; pensando benfeitorias<br />com o esp&oacute;lio de Valdete.</p><p>A cova aberta chama.<br />O caix&atilde;o tomba na terra.<br />Nem bem plantaram a grama<br />foi proclamada a guerra.</p><p>N&atilde;o venceram sete dias<br />e a missa nem foi rezada,<br />mas j&aacute; brigam catorze tias<br />pela heran&ccedil;a da finada.</p><p>No caix&atilde;o revirada,<br />Valdete fez de ressuscitar<br />queria ter com a cambada<br />que enriquecera de pernoitar.</p><p>Engasgou com uma flor e morreu,<br />n&atilde;o precisava enterrar.<br />Ao purgat&oacute;rio foi de elevador e desceu,<br />mas ali n&atilde;o quis ficar. </p><p>O que fazer, voltar?<br />O elevador n&atilde;o sobe mais.<br />Bondade na vida foi pouca,<br />deu esmola a um rapaz.</p><p>Voltou, inspecionou a sepultura,<br />nem pedra tinha, nem sua figura,<br />mas &eacute; que ainda estava fresquinha<br />a protocolar semeadura.</p><p>Veio a vizinha confortar,<br />disse para ler os dizeres da coroa<br />- Saudades de suas catorze tias - <br />&Ocirc; frasinha mais &agrave; toa...</p><p>Que jeito tinha sen&atilde;o assombrar,<br />assust&aacute;-las com hora e senha.<br />Tomou o &ocirc;nibus sem pagar<br />com destino Lapa-Penha.</p><p>Foi no banco dos velhinhos<br />e o motorista nem a viu<br />olhou s&oacute; a mulherada<br />do decote at&eacute; o quadril.</p><p>Mas se visse... aposte,<br />entraria com o &ocirc;nibus no poste!<br />Mesmo sem ver, distraiu-se, bateu!<br />Valdete de novo morreu.</p><p>Na cama revirada,<br />Valdete fez de acordar<br />queria &aacute;gua filtrada,<br />rem&eacute;dio para febre baixar.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />06/07/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Antes, agora é tarde demais</title>
          <pubDate>06/07/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/12783-antes-agora-e-tarde-demais</link>
          <description><h4>Antes, agora é tarde demais</h4><p><![CDATA[Antes era tão perto de agora.<br />Antes arrumou as malas e foi embora.<br />Antes desceu em uma estação qualquer.<br />Antes casou-se com outra mulher.</p><p>Agora sozinha, sabe que não é mais como antes.<br />Agora foi a luta e abriu uma fábrica de refrigerantes.<br />Agora subiu na vida e está com todo gás.<br />Agora se deu bem e arrumou outro rapaz.</p><p>Atrás do sabido feiticeiro veio o antes.<br />Atrás traz o amor de volta em sete dias.<br />Atrás disse querer o marfim dos elefantes.<br />Atrás pediu que rezasse dez Ave-Marias.</p><p>Antes era tudo tão mais simples.<br />Antes já não sabe mais o que fazer agora!<br />Antes já nem parece mais homem.<br />Antes só toma anti-depressivos e chora.</p><p>Agora está bem e viajou para os states.<br />Agora seu marido vai trabalhar para o Bill Gates<br />Agora tem até mãe-de-santo particular.<br />Agora fez trabalho pra mandinga voltar.</p><p>Atrás do feiticeiro antes voltou.<br />Atrás se espantou ao ver o seu estado.<br />Atrás lamentou o destino malfadado e disse:<br />- Antes, agora é tarde demais.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />06/07/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Tenho vivido</title>
          <pubDate>23/06/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/12573-tenho-vivido</link>
          <description><h4>Tenho vivido</h4><p><![CDATA[Pudera adormecer a dor<br />à sombra do amor morrido.<br />Quisera do sono acordar<br />em céu azul garrido.</p><p>Tenho vivido apenas.</p><p>Fizera a rua arruaça,<br />na noite enquanto noite.<br />Houvera um dia mais graça,<br />sem furor de açoite.</p><p>Tenho vivido apenas.</p><p>Trouxera brilho pungente<br />e a gente toda via<br />Seguira brio indecente,<br />bem sabendo, me perdia.</p><p>Tenho vivido apenas.</p><p>Sentira teu desvario<br />no baixo relevo da pele.<br />Soubera um arrepio<br />no corpo do rio de ti.</p><p>Tenho vivido à penas.</p><p>Apenas.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />23/06/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Um piolho</title>
          <pubDate>09/06/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/12298-um-piolho</link>
          <description><h4>Um piolho</h4><p><![CDATA[O que requer a dor<br />senão colher de chá,<br />ou remédio qualquer<br />para a desmemória<br />que a mulher da farmácia disse:</p><p>- Acabou.</p><p>E sair assim de coração torcido,<br />queixo quebrado, faltando um ouvido<br />é deveras injusto.<br />Um espelho, um susto!<br />Custo a crer na imagem.<br />Vi-me bicho-homem,<br />bicho-grilo, bicho-bicho.<br />Capim crescido com cabelos<br />e daninhas enroscando as barbas.<br />Um piolho!<br />Um piolho peregrino de cabeças<br />aninhou-se por aqui.<br />Um piolho inquilino<br />deu de ser vizinho do que penso.<br />Um piolho sensitivo!<br />Sentiu-me o peito murcho<br />no luxo frouxo do andar.<br />Previu tempestade nos olhos,<br />chiadeira, falta de ar.<br />Eis que me tem valido<br />a pequena praga milenar.<br />Pequena obra pontilhista,<br />mas de nada quero sua descendência<br />pontilhada.<br />Jamais daria conta<br />de tantos adivinhos.<br />Jamais seria uma favela,<br />cortiço de lendias videntes...<br />Sim, o piolho...<br />ele se foi sem deixar rebentos.<br />Foi curar outros tormentos,<br />clinicar outras cabeças.<br />Essa, em solteirismo de ilha,<br />ficou despovoada, filha ao relento.</p><p>O que requer a dor<br />senão remédio na colher de chá?<br />Acho que o tal desamor<br />jeito não tem que não remediar.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />09/06/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Poema sangrado</title>
          <pubDate>30/05/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/12044-poema-sangrado</link>
          <description><h4>Poema sangrado</h4><p><![CDATA[N&atilde;o era para ser assim <br />fechado.<br />Muito denso, sufocado.<br />Pesado de correntes,<br />nem arrastado como fardo.<br />Que diria de ti,<br />em falsa asa disfar&ccedil;ado,<br />na rima errante mantido,<br />concebido poema quadrado<br />lan&ccedil;ado no vento, esquecido.</p><p>N&atilde;o era para ser assim<br />ingrato.<br />Ingl&oacute;rio momento insensato<br />de certeza partindo sem adeus,<br />em dedos sacudidos e meus,<br />misturados ao sal de l&aacute;grima.<br />Sabido era o barranco<br />de coisas descidas, afundadas,<br />borradas nos olhos de terra,<br />na guerra travada e perdida.</p><p>N&atilde;o era para ser assim<br />sangrando.<br />Raspando a garganta.<br />Toda essa ventania,<br />escangalhando a madrugada<br />era tanta e n&atilde;o sabia<br />devastando a enseada.<br />Foi-se toda a ventura<br />porta afora de mim<br />sem dizer do fim, o fim.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />30/05/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Camarada de pinga</title>
          <pubDate>26/05/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/11943-camarada-de-pinga</link>
          <description><h4>Camarada de pinga</h4><p><![CDATA[O mundo tão cheio de nada<br />é meu camarada de pinga no bar,<br />no copo tão cheio de nada<br />deita mais a cachaça até transbordar.<br />O mundo tão cheio de nada<br />não tem namorada, tão pouco mulher,<br />no peito tão cheio de nada<br />a certeza farpada de ser um qualquer.</p><p>Mundo mundo...<br />Antes fosse Raimundo...<br />para ver o fundo do poço,<br />essa pele e osso que és.</p><p>O mundo tão cheio de nada<br />tombou na calçada em desmaio,<br />no sonho tão cheio de nada<br />sonhava com nada demais, nada.<br />O mundo tão cheio de nada<br />despertava às margens da avenida<br />na vista tão cheia de nada<br />apenas o duro concreto da vida.</p><p>Mundo mundo...<br />Antes fosse Raimundo...<br />para ver o fundo do poço,<br />essa pele e osso que és.</p><p>O mundo tão cheio de nada<br />só percebeu que era nada<br />na pessoa tão cheia de mundo<br />que a gente de nada habita.<br />O mundo tão cheio de nada<br />gastou as pernas no mundo,<br />no passo tão cheio de nada<br />sem destino, sem parada. </p><p>Mundo mundo...<br />tão escuro e imundo...<br />tão cheio de nada<br />em pele e osso.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />26/05/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Naturezas</title>
          <pubDate>19/05/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/11787-naturezas</link>
          <description><h4>Naturezas</h4><p><![CDATA[Natureza bela.<br />Natureza oca.<br />Natureza pouca.<br />Natureza ela.</p><p>Natureza morta.<br />Natureza torta.<br />Natureza fria.<br />Natureza ia.</p><p>Ia morta.<br />Quase pouca e muito torta.<br />Ela bela.<br />Quase fria e muito oca.</p><p>Bela morta.<br />Quase oca e muito pouca.<br />Ela ia.<br />Quase torta e muito fria.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />19/05/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Cidade só</title>
          <pubDate>16/05/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/11728-cidade-so</link>
          <description><h4>Cidade só</h4><p><![CDATA[A cidade estava só<br />e os pássaros não lhe quiseram<br />os galhos das árvores.<br />A cidade estava só<br />em rua e caminho<br />e olhos guardados nas janelas.<br />No semáforo sem autoridade,<br />sanidade atravessa fora da faixa.<br />Cidade.<br />Minha cidade só e sem pai.<br />O Deus que aqui olhava<br />ocupa-se agora de baixa filosofia,<br />pensa na hierarquia dos anjos de pedra<br />estacionados nas fachadas das igrejas,<br />pensa que amoleceram, esconderam as asas.<br />E desses que caíram e andam por aí<br />armando nós nas gargantas,<br />não quer mais a imagem, semelhança.<br />Cidade.<br />Minha cidade só e sem mãe.<br />Nossas senhoras escondidas<br />porta adentro dos altares das casas<br />queimando velas e palavras de ladainha,<br />desejosas de seus filhos no lar,<br />não na cidade, que há de ficar só.<br />Essa cidade é medo que anda a pé.<br />Cidade.<br />Minha cidade só e sem mim.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />16/05/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>O confidente de quadros</title>
          <pubDate>12/05/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/11642-o-confidente-de-quadros</link>
          <description><h4>O confidente de quadros</h4><p><![CDATA[De ti mulher, nunca verei o rosto.<br />Sei que tens um desgosto<br />porque olhas o canto escuro do quarto.<br />Dá-me as costas sem motivo aparente,<br />indiferente aos argumentos meus<br />que passam lisos sobre tinta a óleo.<br />Sim, eu sei...<br />Esse acastanhado cabelo que lhe corre os ombros<br />encobre assombros de outros tantos dias.<br />Sim, eu sei...<br />Traz o fardo de Marias<br />e alegrias mortas no declive do tempo.<br />Esse vento que lhe apraz as costas nuas,<br />vem de luas imaginárias, indulto de tuas lutas.<br />Pende os braços ao chão,<br />como se em oração ao solo<br />buscasse extrair o fruto já maduro<br />de um futuro cerceado a paredes.<br />Vedes, a claridade está ao lado.<br />No aladeirado de tuas curvas,<br />cetim grená repousa à região dos pudores<br />que se vistos, calores, quantos calores.<br />Sobre amores reflete<br />e em sua matemática soma, sete.<br />Um pecado para cada capital.<br />Sente-se mal, deseja comungar,<br />limpar-se da sorte atroz.<br />Tua voz não me pode alcançar,<br />mas sei de ti apenas quando pensas.<br />Nessas palavras supensas,<br />decifro tuas injúrias, tuas manias e fúrias.<br />Prevejo tuas tempestades<br />e tardes ensolaradas.<br />Pudesse desencantar essa moldura<br />e findar o outono de tuas cores,<br />desceríamos nesse rio de dulçores   <br />para bater às portas do mar.<br />Sim, lançaria-te àquelas águas,<br />para que com elas reaprendesse a amar.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />12/05/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Matim</title>
          <pubDate>10/05/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/11599-matim</link>
          <description><h4>Matim</h4><p><![CDATA[Atrás do matim, jasmin se escondeu,<br />veio curumim olhar, de nada entendeu.<br />Noite. Jasmin adormeceu a espera do dia.<br />O dia abriu de súbito,<br />mas babava ainda o pobre coitado.<br />Matim era bom e não o quis acordar.<br />Veio pertubar o macaco,<br />atirou um naco de banana.<br />Despertou, abriu os olhos<br />e viu um par de pernas magrelas,<br />alvacentas pernas de dona ema<br />que se arredou pasto afora<br />levando o resto da manhã embora.<br />Jasmin tentou desabrochar mas era tarde,<br />o mato já se vestia para dormir<br />Matim, aos modos de bom filho,<br />também se deu ao luxo da pestana.<br />Noite. Jasmin adormeceu a espera do dia<br />e dormiu mais uma semana.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />10/05/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Psiquiatria de urubu</title>
          <pubDate>10/05/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/11573-psiquiatria-de-urubu</link>
          <description><h4>Psiquiatria de urubu</h4><p><![CDATA[Pedra gritou um lamento,<br />antúrio estranhou.<br />Pedra grita lamento?<br />Antúrio pensou.<br />Andorinha telepata<br />sondava lhe o pensamento,<br />pedra estranhou.<br />Andorinha lê pensamento?<br />Pedra pensou.<br />Antúrio lamentava o grito,<br />andorinha estranhou.<br />Antúrio lamenta grito?<br />Andorinha pensou.</p><p>Anta cantou na funda floresta:<br />- Parem a seresta, quero dormir,<br />mandarei psiquiatra urubu intervir.</p><p>Pedra calou.<br />Antúrio desanuviou.<br />Andorinha pousou.<br />Urubu estranhou</p><p>e ficou estudado.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />10/05/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Deslumbre mudo</title>
          <pubDate>14/04/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/10994-deslumbre-mudo</link>
          <description><h4>Deslumbre mudo</h4><p><![CDATA[Sem a primazia dos arquitetos,<br />escrevo apenas&nbsp;versos retos,<br />um deslumbre mudo aos livros<br />de poeira premida, vestida nas capas.<br />Meus ledos e tristes dizeres<br />traduzem entardeceres de &acirc;nimo<br />a beira da janela, na cadeira.<br />Daqui o que vejo &eacute; reto,<br />horizonte, teto, ponte.<br />Nem &aacute;gua da fonte quer erguer-se,<br />nem terra mover, amontoar-se.<br />Queria virar, n&atilde;o posso.<br />Ei-me em mais um dia de retid&atilde;o.<br />Quanta can&ccedil;&atilde;o no pingar da torneira.<br />Uma bobeira resmunga a dobradi&ccedil;a.<br />Madeira mesti&ccedil;a, range o assoalhado, <br />soa arrastado o peso do passo.<br />Abra&ccedil;o de vento morto toca-me,<br />absorto, penso em dire&ccedil;&otilde;es outras.<br />Descomposta est&aacute; a vida<br />em mal resolvida tela cubista,<br />desafiando o perfeccionista<br />no tra&ccedil;o sem esquadros, sem r&eacute;guas.<br />N&atilde;o h&aacute; tr&eacute;guas quando regras sobram.<br />N&atilde;o h&aacute; perd&atilde;o nos vales do n&atilde;o.<br />N&atilde;o h&aacute; c&eacute;u para o r&eacute;u.<br />E a reta minha se perdeu,<br />declinou em cor e virtude,<br />no trauma da carne plantou-se,<br />consagrou-se &agrave; incompletude.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />14/04/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Assexuado, sinfônico</title>
          <pubDate>03/04/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/10813-assexuado-sinfonico</link>
          <description><h4>Assexuado, sinfônico</h4><p><![CDATA[Cortei o cordão umbilical, nasceu!<br />Deu-se de parto natural, gemeu.<br />Berrou para anunciar-se viva,<br />num quarto de hora e meia da madrugada,<br />és tú, rediviva poesia inesperada.<br />Carne viva, viva alma,<br />examino-te a palma das mãos,<br />pequenamente sagradas.<br />Na perícia do exame,<br />ícterícia veio amarelar,<br />sacramentar o mal recém-nascido.<br />Providência. Banho de luz,<br />para fazer jus à restauração.<br />Comprei-te macacão, não serve.<br />Vestido também não.<br />Cresceu um pouquinho, falou mamãe,<br />não quis carrinho por mais que apanhe.<br />Eureca! Dar-lhe-ei boneca.<br />Para espanto, desencantou-se, não quis.<br />Já não sei como chamar-te, despudorado,<br />proclamarei-te então, poema inominado.<br />Entre tuas pernas o nexo enloqueceu,<br />esqueceu de segredar o sexo.<br />Que és então?<br />Crônica hermafrodita?<br />Deifica-se e safa-se da curiosidade humana.<br />És poesia, és poema, és crônica.<br />És maravilha assexuadamente sinfônica.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />03/04/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Ao desgoverno do mundo</title>
          <pubDate>30/03/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/10769-ao-desgoverno-do-mundo</link>
          <description><h4>Ao desgoverno do mundo</h4><p><![CDATA[Saberei um dia viver<br />longe das guerras da rima,<br />daquilo que me aproxima o gosto<br />em sobreposto a tantas dores.<br />Hei de saber um dia viver<br />sem pintar o rosto,<br />posto ao desgoverno do mundo.<br />Preciso &eacute; saber sorrir s&oacute;.<br />Saberia, num dia desses de viver,<br />tirar o p&oacute; e a solid&atilde;o,<br />polir o assoalho-cora&ccedil;&atilde;o<br />de emo&ccedil;&atilde;o nova, trova velha.<br />Soubesse um dia viver um dia,<br />alegria sempiterna e fria<br />de olhos abrindo em mar<br />e n&atilde;o mais represar essas &aacute;guas,<br />saberia n&atilde;o morrer, n&atilde;o me afogar.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />30/03/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Língua dura</title>
          <pubDate>29/03/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/10746-lingua-dura</link>
          <description><h4>Língua dura</h4><p><![CDATA[Minha l&iacute;ngua dura<br />n&atilde;o augura entendimento,<br />consagra-se quieta, em sil&ecirc;ncio.<br />H&aacute; cimento aqui em meus verbos.</p><p>Minha l&iacute;ngua dura,<br />em descompostura muscular,<br />afogar-se na saliva,<br />&agrave; deriva, dentro da pr&oacute;pria boca.</p><p>Minha l&iacute;ngua dura,<br />contemplou o c&eacute;u que podia,<br />mas em noites de azia<br />recolhia-se, em profundo azedume.</p><p>Minha l&iacute;ngua dura<br />delinq&uuml;iu em seq&uuml;estros,<br />em manifestos de expl&iacute;cita fei&uacute;ra.<br />Para&nbsp;que normas, Marias, Normas?</p><p>Minha l&iacute;ngua dura<br />rendeu-se &agrave; anestesia do dentista,<br />sob a amea&ccedil;a do dente podre.<br />Foi-se o dito cujo, marujo infeliz!</p><p>Minha l&iacute;ngua dura,<br />embebida na lux&uacute;ria do champanhe,<br />requer sim caviar que acompanhe<br />para amolecer, apurar o paladar.</p><p>Minha l&iacute;ngua dura<br />bem que tentou a loucura do beijo,<br />desejo e s&oacute;. N&oacute;-cego, borra-botas, pato.<br />Est&aacute; no contrato. Celibato, celibato.</p><p>Minha l&iacute;ngua dura<br />passeou por gruta escura, quente.<br />&Eacute; evidente, n&atilde;o julguem indec&ecirc;ncia,<br />restos de comida s&atilde;o pura inconveni&ecirc;ncia!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />29/03/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Ofício da espera</title>
          <pubDate>27/02/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/10166-oficio-da-espera</link>
          <description><h4>Ofício da espera</h4><p><![CDATA[Venta-me triste a tua imagem<br />nas altas terras do pensamento,<br />quando nem mesmo sei onde estás.<br />Apenas creio que teus passos são estes<br />e se não forem, apenas penso que são.<br />Na dúvida que seqüestra o coração,<br />estrangulada razão raia-me o juízo.<br />Evidente prejuízo de comoção<br />traz a imprecisão do sabor,<br />desgosto na distância que degusto.<br />O temor me espia pela fresta<br />nesta noite, sempre noite,<br />enquanto reviro esperanças<br />no desespero da espera.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />27/02/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Luas muitas (salve Iemanjá e Janaína)</title>
          <pubDate>01/02/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/9705-luas-muitas-salve-iemanja-e-janaina</link>
          <description><h4>Luas muitas (salve Iemanjá e Janaína)</h4><p><![CDATA[Das águas que são suas, <br />luas muitas se repetem,<br />refletem no sal de prata do mar.<br />Salve o dois de fevereiro.<br />Odoiá minha mãe, salve rainha Iemanjá!</p><p>Das estrelas caídas do céu,<br />no véu salobro do oceano,<br />pano azul vai-se bordando,<br />vai-se cantando lendas,<br />nas formosas sendas dos terreiros.</p><p>Das conchas enviesadas na areia,<br />deixa-nos ouvir o som das ondas.<br />Sondas com teu olhar o justo,<br />dai-lhe o pão e o peixe<br />para que o riso não o deixe.</p><p>Das ondas que surram rochedos,<br />abrandai os nossos medos, ó mãe,<br />livrai as pedras do castigo infindo.<br />Bem-vindo é todo aquele que abraças<br />no frescor espumante de um brinde de taças.</p><p>Das sereias de canto encantado,<br />fazei da melodia um doce chamado,<br />antes fosse verdade tanta beleza,<br />ao som da voz adentrar à profundeza<br />seduzido pelo olhar de menina, salve Ynaê Janaína!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />01/02/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Escombro</title>
          <pubDate>13/01/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/9400-escombro</link>
          <description><h4>Escombro</h4><p><![CDATA[Que sou agora senão<br />escombro vivo, ambulante.<br />Itinerante face do cansaço.<br />E o aço do peito liquefez<br />em escassez de riacho amargo. <br />Descompensado coração<br />entrincheirado no medo,<br />nem tarde, nem cedo dorme.<br />Quando dormir, não seja tarde,<br />o refúgio covarde na sonolência.<br />Não é desejável acordar<br />para escutar a cadência, a batida.<br />Necessária é a morte temporária<br />na alcova solitária de refazimento.<br />Nessas terras de esquecimento,<br />no sonho, talvez haja um momento de paz<br />longe das tormentas, lembranças.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />13/01/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Pretérito mais-que-perfeito</title>
          <pubDate>12/01/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/9386-preterito-mais-que-perfeito</link>
          <description><h4>Pretérito mais-que-perfeito</h4><p><![CDATA[Visita-me educadamente a dor, <br />recita em pretérito mais-que-perfeito <br />as saudações, os cumprimentos. <br />Trouxe-me um presente, <br />retalhos e agulha de costura <br />para remendar, recobrir <br />com nova estampa o coração. <br />Vai perambular mulambo! <br />Sorrindo, chorando, celebrando o farrapo, <br />como tantas vezes foi e tantas mais será.<br />Se a loucura do mundo fosse a minha<br />viveria bem, dormiria melhor.<br />Saberia decor como reconstruir-me,<br />mas não sei, talvez, nunca saiba.<br />Mesmo que não caiba nesse peito<br />o direito de explodir em cacos,<br />a sobrevida e o desejo agora estão fracos.</p><p>No dia partido ao meio,<br />Na noite que parte a lua<br />Faz parte a sua falta<br />na cama, nos olhos, na rua.</p><p>Visita-me educadamente a dor,<br />reclama o fino trato de hospedagem<br />pagara caro a passagem até seu destino.<br />Trouxe-me um presente,<br />baralho de cigana vidente<br />para prever, antever<br />os auspícios futuros.<br />Vai à sessão o consulente.<br />Sonhando, ansiando, imaginando a previsão,<br />como tantas vezes foi e tantas mais será.<br />Se a certeza permeasse certos dizeres,<br />viveria bem, dormiria melhor,<br />saberia decor prevenir essas feridas,<br />mas não sei, talvez, nunca saiba.<br />Mesmo que não caiba nesse peito<br />a esperança do efetivo e claro porvir<br />hei de mentir felicidade para existir.</p><p>No dia partido ao meio,<br />Na noite que parte a lua<br />Faz parte a sua falta<br />na cama, nos olhos, na rua.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />12/01/2006</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Natal feliz? Novo ano?</title>
          <pubDate>21/12/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/8988-natal-feliz-novo-ano</link>
          <description><h4>Natal feliz? Novo ano?</h4><p><![CDATA[Feliz Natal!</p><p>Velho Natal de ano velho,<br />de fim de ano se arrastando,<br />de forno cheirando assado<br />e de gente se esbarrando.</p><p>Não é vinte e cinco de março? Não! É de dezembro!</p><p>Para as brancas barbas do velho, tintura.<br />Aparelho de ginástica para afinar a cintura.<br />Por favor, um boné vermelho, gorro é démodé.<br />Já disse, não quero botas, havaianas!<br />Um quilo de uvas italianas<br />Tâmaras, nozes e avelãs.<br />Isso, maçãs argentinas. Não, não... esquece.<br />Panetone e CD da Simone.<br />Perú esperto e CD do Roberto.<br />Parentes desembarcando no Tietê, Barra Funda.<br />José, Maria, João, Raimunda!<br />Abraço, ceia, missa do galo.<br />Almoço, churrasco, cerveja no gargalo.<br />Coversa mole, engole logo o comprimido e vá dormir!</p><p>Natal feliz? Novo ano?</p><p>Colesterol na conta de telefone, interurbano!<br />só malhando pra pagar e não é na academia.<br />Carro no mecânico, correria, tem que viajar!<br />Biquini, bronzeador, repelente...<br />...gente, tô esquecendo alguma coisa?</p><p>Claro, meu CD do Kitaro para relaxar no trânsito.</p><p>Pare ali na esquina, quero comprar um cigarro.<br />Minha filha passou mal, estômago frágil, <br />separe o dinheiro, quanto é mesmo o pedágio?<br />Será mesmo que é nessa direção?<br />Acho que perdemos a entrada para São Sebastião.<br />Logo agora, essa não, o pneu estourou...</p><p>Tá brincando, é 31 de fevereiro? Não! É de dezembro!</p><p>Demorou uma eternidade pra trocar,<br />mas a paciência... essa não demora a acabar.<br />Chegou! Um banho. Aaargh, o chuveiro não esquenta!<br />Vá na cidade buscar outro e não volte sem nenhum.<br />Roda, roda, roda e acha um pelo preço da hora da morte!<br />Não reclame, foi sorte, foi sorte.<br />Agora sim, banho para todos.<br />Prepara o vestido branco. Prepara a camisa branca.<br />Três, dois, um...<br />Não se acanhe amor, estoure a champanhe!<br />Fogos, cheiro de pólvora, um bando de gente gritando.<br />Por todo lugar, bebe-se, bebe-se, bebe-se.<br />Amanhece, dor de cabeça, ressaca.<br />Não quis maneirar, agora aguenta ô panaca!</p><p>Feliz Ano Novo!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />21/12/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>As nubentes</title>
          <pubDate>07/12/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/8767-as-nubentes</link>
          <description><h4>As nubentes</h4><p><![CDATA[Cai desmaiada tarde nos bra&ccedil;os do ocaso,<br />a noite ser&aacute; bem vinda, ainda que escura.<br />Tendo as estrelas nascido do breu,<br />imagem, sonho pontilhando o apogeu,<br />as nubentes valsam num brilho novo.</p><p>Lua crescente crescendo o c&eacute;u de profecia,<br />um &ecirc;xtase, uma estesia, haveria de ser assim e ser&aacute;.<br />Cintila o olhar de tanto desejar o momento,<br />irrompe, sopra o castelo de areia, permeia o sentimento.<br />Anda, corre que agora j&aacute; &eacute; hora,<br />navega, embarca na arca hoje e sempre,<br />almeja que a calma seja porto do conforto d'alma.</p><p>Por tantas vezes de n&atilde;o saber ao certo,<br />espera, delonga, mas n&atilde;o &eacute; mera sorte<br />romper, vencer o crasso costume.<br />E a todos basta saber que lume o amor<br />inc&oacute;lume nas floreiras das janelas.<br />Regadas por elas, flores doces,<br />ambaradas, despertar&atilde;o dia-a-dia.</p><p>Eterna</p><p>Mora a vontade de pousar, repousar ao lado,<br />alado vai o que nem mesmo precisa voar,<br />rasante no fundo do oco, pouco medo, pouco.<br />Tanta altura que se augura estar,<br />hesitar, medir latitudes bem &eacute; divagar.<br />Aparta os p&eacute;s do ch&atilde;o e o cora&ccedil;&atilde;o elevar&aacute;!</p><p>Entre cachos de ip&ecirc;s, luz amarela quer entrar,<br />variar velhas cores, entintar os cabelos.<br />Enaltece a face uma brisa de contento,<br />lento vento corre a orla do pensamento.<br />Y ha de correr sin parar, sin parar.</p><p>Tomara aquilo tudo perfumar,<br />houvera aquilo tudo acontecer<br />e se o percal&ccedil;o aparecer,<br />ou&ccedil;a apenas o necess&aacute;rio.<br />Faz brando o fogo imagin&aacute;rio,<br />imaginando nele proteger-se do frio.<br />Leva leve o p&atilde;o e a palavra,<br />ouro de entendimento que o tempo lavra.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />07/12/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Panetone</title>
          <pubDate>22/11/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/8384-panetone</link>
          <description><h4>Panetone</h4><p><![CDATA[Frutas fajutas, mascaradas<br />dão o ar da graça, cristalizadas.<br />Uva passa na massa do pão,<br />tradição que nunca passa.<br />Assa no forno morno durante o ano <br />e só tira em dezembro,<br />isso há tanto tempo, nem me lembro mais.<br />E quando nem mais puder me lembrar,<br />quando nem mais lembrarem de mim,<br />penso haver mais eternidade neste bolo chinfrim.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />22/11/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Cafundó do Judas</title>
          <pubDate>17/11/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/8290-cafundo-do-judas</link>
          <description><h4>Cafundó do Judas</h4><p><![CDATA[Não moro perto,<br />é certo, se vier, vai se cansar.<br />Tem que voar, contar carneiros,<br />pegar carona nos jangadeiros.<br />Tomar a benção dos pardais da manhã<br />e beijar as mãos de cura da cunhã.<br />Se quiseres vir, terá de gastar as pernas,<br />adentrar às fundas cavernas da floresta,<br />ouvir a seresta do negro saci.<br />Para refrescar, um afago do aracati<br />na face suada, minada de cansaço,<br />um banho no açude para recobrar a saúde.<br />Terás de ir ainda à casa de Assunta<br />dar os pêsames, pela defunta senhora sua mãe.<br />Anda, anda e não se demore,<br />decore o caminho de volta jogando sementes,<br />que as sementes já serão árvores quando voltares.<br />Passa e enfeita os altares com flores,<br />acende uma vela e leva contigo a tela da santa.<br />Adianta sim ajoelhar, rezar pela chuva<br />que a água rega a uva e a uva vira vinho.<br />Na sombra do caminho das pitombeiras<br />as fiandeiras tecem alguns tapetes<br />que venderão nas feiras do Bonfim,<br />quando vier, não esqueça, traga um para mim!<br />Segue na beira do rio, conta os passos um a um,<br />canta o ponto de proteção para mamãe Oxum.<br />Se a estrada ainda não mostrar o fim,<br />colhe aqui e lá umas mudas de alecrim,<br />leve para Dora, agora, deitada no roncó.<br />Não se distraia com a panela de Deolinda,<br />a cabidela ainda está quente,<br />toda aquela gente mal pode esperar e você que não espere.<br />Não pense em voltar, falta pouco,<br />um pouco de coragem para marchar avante,<br />Adiante, está o reino das matas,<br />uma criança, um curumim vai te saudar,<br />avisar que finalmente chegaste.<br />Levará ele um presente, botas!<br />Vamos, não faça corpo mole traste,<br />calce logo se não quiser virar cambalhotas.<br />Desça pelo barranco, agarre o cipó,<br />que o lugar para onde vai é mesmo Cafundó.<br />Às portas da cidade toparás com a Teúda,<br />cortesã repolhuda das noites sem fim,<br />se achegue por lá depois venha até mim.<br />Disse que era longe, agora levante,<br />devolva as botas e chega de bulir as Manteúdas.<br />Já que viestes às minhas terras, vou te contar quem sou,<br />coronel Agripino Celestino, vulgo Judas sim senhor!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />17/11/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Sazonais</title>
          <pubDate>16/11/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/8262-sazonais</link>
          <description><h4>Sazonais</h4><p><![CDATA[Flor que &eacute; sempre flor<br />desabrocha cor de pele,<br />no balan&ccedil;o da cabrocha,<br />no gingado que debocha.</p><p>Sol que &eacute; sempre sol<br />ateia fogo ao paiol,<br />no ch&atilde;o ressequido,<br />no vestido estampado.</p><p>Folha que &eacute; sempre folha<br />nasce da rama, sem escolha,<br />no campo que derrama o verde<br />em verde quase morto. Absorto.</p><p>Neve que &eacute; sempre neve<br />estende tapete alvacento<br />no frio das moradas de abandono,<br />no peito estreito, sil&ecirc;ncio. Desmorono.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />16/11/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Outra beleza</title>
          <pubDate>16/11/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/8252-outra-beleza</link>
          <description><h4>Outra beleza</h4><p><![CDATA[Minha beleza não é perfeita,<br />nem é pouca, nem muito exata.<br />Tem cara de gente amanhecendo,<br />correndo pelo sustento.</p><p>Minha beleza inspira, expira,<br />por vezes perde a validade<br />prestando contas à verdade do espelho.<br />Vejo não ser aquilo que vejo.</p><p>Minha beleza escorre dos dedos<br />segredos não ditos aos olhos nús,<br />Quisera eu uma cruz mais bela<br />que aquela que carrego escondida.</p><p>Minha beleza foi de sacola à feira<br />e nada comprou, roubaram-lhe a carteira.<br />Voltou faminta, fazia tempo não comia,<br />roubou lá uns farelos para não cair em anemia.</p><p>Minha beleza, outra beleza,<br />passou por baixo da catraca,<br />sentou-se à janela do ônibus,<br />conformou-se com o trânsito, adormeceu.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />16/11/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>A bruxa e a semi-donzela gorda cubista</title>
          <pubDate>04/10/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/7306-a-bruxa-e-a-semi-donzela-gorda-cubista</link>
          <description><h4>A bruxa e a semi-donzela gorda cubista</h4><p><![CDATA[Rapunzel não é mais aquela,<br />já foi magra e muito bela<br />mas a semi-donzela agora <br />é gorda cubista de Bela Vista.</p><p>De quanta janela as tranças caíram<br />e pelas mesmas tranças os monstros subiram<br />para ver lhe a feiura que a iluminura dos livros não dizia.<br />Subia também a tal da bruxa naquela torre,<br />de tão escultural e perfeita,<br />pelo príncipe foi eleita para o matrimônio, <br />viveriam felizes para sempre na Chácara Santo Antônio.<br />Para a pobre moça, sobrava mesmo a louça da pia,<br />do almoço dos comensais que logo após,<br />ouviam seus preciosos recitais.<br />Cacarejo pseudo-erudito, coisa dura, de doer o ouvido,<br />praticado com afinco para sublimar a falta de marido.<br />Até os quadros de Botero na parede pareciam se aborrecer,<br />pois os Picassos não aguentaram o suplício,<br />foram parar no hospício!<br />Sacrifício era subir a ladeira com a sacola de feira.<br />Tantos quilos desafiando as leis da gravidade<br />eram na verdade, observados pelo pantaneiro Madureira,<br />seu único admirador, escudeiro e fiel cortejador.<br />Não era nada bonito, com semblante rococó-esquisito<br />no estilo anjo de pé de santa,<br />só que fermentado, uma jamanta!<br />Chegava para a janta e só saía por decreto.<br />Pois um dia desses, deu de ficar até mais tarde<br />só para ouvir a cantoria, fina peça, rara elegia.<br />Fora essa, especialmente separada para ele,<br />executada com inflamada maestria,<br />mal sabia o que a gorda, em verdade, pretendia.<br />Iria acabar o mito da puritana desconsolada,<br />e se ele assim quisesse fazê-la mulher,<br />haveria de levar o lençol como prova à vizinha Estér.<br />O ranger da cama e a respiração dificultosa,<br />deixou em polvorosa a imaginação alheia.<br />Teria o pantaneiro caído na teia da gorda?<br />Mal o dia amanheceu, correu boato sobre o fato.<br />O assunto enchera o prato das carolas<br />que por horas ficaram a vigiar sua porta.<br />Estér, a mais ansiosa, fez de ir ter prosa,<br />hesitou, desistiu, não era tempo, deduziu.<br />Teria o pantaneiro caído na teia da gorda?<br />De olhos apostos viram o abrir da janela<br />todas ficaram espantadas e diziam:</p><p>- Não é ela, não é ela!</p><p>A bruxa voltara da Chácara Santo Antônio<br />de matrimônio desfeito, divorciada!<br />Pegou sua melhor vassoura, banhou-se de salmoura<br />e aterrisou na ainda madrugada de Bela Vista.<br />Seu encanto de "felizes para sempre" se quebrou,<br />pois a gorda finalmente desencantou.<br />De ato inacabado, na mira da ira da bruxa,<br />o feitiço lançara enguiço no prazer do coito.<br />Aprisionara o casal em um quadro,<br />em retórica um tanto quanto fora de esquadro.<br />Abriu um ateliê, construiu clientela, fez fama,<br />com a pintura da semi-donzela gorda cubista na cama.</p><p>Rapunzel não é mais aquela, não é mais aquela.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />04/10/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>A grande avó Humanidade</title>
          <pubDate>26/09/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/7158-a-grande-avo-humanidade</link>
          <description><h4>A grande avó Humanidade</h4><p><![CDATA[Dessa anciã lenta e morosa<br />carente de cálcio, fósforo e memória,<br />ouve-se apenas o milenar resmungo.<br />Diariamente, um passo,<br />um rabisco nos livros de história.<br />Seja glória ou derrota<br />é no grito, é com morte,<br />mas com sorte se escapa.<br />Vai a velha a embalar os gênios,<br />dar-lhes a elevação do pensar<br />mas não raro, há de puxar o tapete,<br />muito cedo há de fazer-lhes voar.<br />É sabido que outros netos seus<br />se nutriram de longevidade indesejada<br />e preferiram delinquir em barbaridades,<br />esses, vão até a idade avançada!<br />E depois da idade avançada, para onde avançam?<br />O semáforo enguiçou no vermelho, <br />justo a caminho do céu,<br />mas vão eles pelo atalho sedutor<br />a sentir um súbito calor.<br />Praia, cerveja, garotas?<br />A descida pela serra está congestionada,<br />o feriadão atraiu muita gente.<br />A vó preocupada acende velas,<br />reza e tenta um contato mediúnico.<br />Tremor de corpo, voz alterada, conseguimos!<br />Um pedido de socorro:</p><p>- Queremos praia, cerveja, garotas.</p><p>Pedido indeferido, próximo!<br />Volta a velha desconsolada<br />a cuidar dos outros tantos.<br />Pensa ela em pedir ajuda aos cientistas espaciais,<br />pois de tantos, já nem cabem mais na casa.<br />É preciso mandar um pouco pro espaço<br />para dar cansaço também às avós marcianas.<br />Elas é que são espertas,<br />deixaram as portas e janelas abertas<br />mas nada nas panelas, nem água, nem ar!<br />Se grande é o coração de mãe, <br />o da avó está prestes a estourar.<br />Um enfarte! Uma ambulância!<br />Sem plano de saúde demora mesmo...<br />uma massagem cardíaca, três pulinhos, chegou!<br />Não tem quarto, nem remédio<br />e o médico está dormindo por ter dois empregos.<br />A consulta dura dois minutos.<br />Volta a vó para casa sequelada,<br />ela que já não andava direito,<br />agora precisa de ajuda para levantar.<br />Os netos correm indiferentes pela casa,<br />sujam os canteiros, destroem as hortas,<br />perdem os escrúpulos, o senso, as balas!<br />A velha convalesce na cama,<br />mas ainda não vai morrer,<br />tem muito ainda por fazer<br />no amor que é típico das avós.<br />Ela insiste, persiste, mesmo na vagareza.<br />Um dia há de ter forças, um dia ela levanta<br />e varre de sua casa toda a tristeza.<br />Toda essa tristeza.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />26/09/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Alvo: coração</title>
          <pubDate>25/09/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/7131-alvo-coracao</link>
          <description><h4>Alvo: coração</h4><p><![CDATA[Mão.<br />Pedra.<br />Alvo.<br />Coração.<br />Hemorragia.<br />Desilusão.<br />Morte.<br />Depressão.<br />Purgatório.<br />Depuração.<br />Consciência.<br />Vontade.<br />Ressurreição.<br />Riso.<br />Luar.<br />Busca.<br />Olhar.<br />Encanto.<br />Toque.<br />Mão.<br />Flor.<br />Alvo.<br />Coração.<br />Novidade.<br />Possibilidade.<br />Tentativa.<br />Paixão.<br />Febre.<br />Medicação.<br />Tempo.<br />Tédio.<br />Rotina.<br />Desgaste.<br />Esforço.<br />Ferrugem.<br />Sucata.<br />Reciclagem.<br />Terapia.<br />Melhora.<br />Descuido.<br />Recaída.<br />Piora.<br />Desvio.<br />Intenção.<br />Aventura.<br />Erro.<br />Mão.<br />Pedra.<br />Alvo.<br />Coração.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />25/09/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Torcicolo</title>
          <pubDate>22/09/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/7080-torcicolo</link>
          <description><h4>Torcicolo</h4><p><![CDATA[Nasci de pescoço torcido,<br />antes mesmo de ter escolhido<br />o que pensar, vestir, comer.<br />Antes mesmo de nascer<br />já torciam para que fosse um menino<br />e a torcida deu resultado,<br />o festejado primogênito nasceu!<br />Tinha olho verde e cabelos poucos,<br />entreolhavam-se, perguntavam-se:</p><p>- A quem puxou?</p><p>Talvez o bisavô, tataravô,<br />avestruz, rinoceronte, pterodátilo.<br />A curiosidade ia além.<br />Que nome falaria primeiro?<br />Papai, mamãe, dinheiro?<br />Nenhum desses.<br />Apenas o monossílabo preferido dos bebês,<br />decodificado somente por Et's.<br />Torciam para que eu fosse inteligente<br />e as notas altas vieram.<br />Torciam pela namorada, pela medalha, pela taça.<br />Na adolescência foi que torceram o nariz<br />ao perceberem que o controle-remoto quebrou<br />e que o "televisor" já tinha vontade própria.<br />E por falar em vontade, o primeiro beijo<br />foi aos 15 com a namorada do colégio,<br />tarde, eu sei, mas o fato é que ela se foi.<br />Esperei a segunda, não veio.<br />Já não havia vaga para a terceira<br />e a vida seguiu sem enumerações.<br />No despertar de mais um dia<br />um voraz torcicolo acometia os sentimentos.<br />Nas distrações da juventude,<br />uma inquietude pautava os pensamentos,<br />mas a vida seguia sem enumerações.<br />Torcia o cachorro para que algo acontecesse,<br />mas a ração do dia era a mesma, posta e imposta.<br />De repente, um raio, descarga de 22 mil volts.<br />Silêncio na torcida,<br />entreolhavam-se, perguntavam-se:</p><p>- A quem puxou?</p><p>Talvez o bisavô, tataravô,<br />avestruz, rinoceronte, pterodátilo.<br />A curiosidade estava morta, enterrada.<br />E a vida reaprendeu a contar.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />22/09/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Valsa do precipício</title>
          <pubDate>21/09/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/7071-valsa-do-precipicio</link>
          <description><h4>Valsa do precipício</h4><p><![CDATA[Canto do fundo dos vales<br />os males da baixa estima<br />para que a rima, de mim se compadeça.</p><p>Sigo em três por quatro<br />enquanto trato de saber-me só.<br />Sigo em três por quatro<br />para que o compasso não seja de consolo e pó.</p><p>Canto do fundo do peito<br />os males de leito seco<br />para que o beco não seja o fim.</p><p>Sigo em três por quatro<br />pela foto livre do formato.<br />Sigo em três por quatro<br />para que seja clara de fato a revelação.</p><p>Canto do fundo do inferno<br />os males de Dante<br />para que levante as almas decaídas.</p><p>Sigo em três por quatro<br />enquanto armo a clave em bemóis.<br />Sigo em três por quatro<br />para o florescer dos girassóis.</p><p>Canto do fundo da garganta<br />os males estrangulados da voz<br />para que o silêncio atroz desapareça.</p><p>Sigo em três por quatro<br />enquanto beiro o precipício<br />Sigo em três por quatro<br />enquanto sigo, persigo o vício.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />21/09/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
          <item>
          <title>Não adianta reclamar</title>
          <pubDate>15/09/2005</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/6981-nao-adianta-reclamar</link>
          <description><h4>Não adianta reclamar</h4><p><![CDATA[Suburbano, subalterno,<br />veste o terno e obedece.<br />Desce escadas, vai embora<br />e n&atilde;o demora a voltar.<br />Desafrocha o n&oacute; da gravata,<br />mas n&atilde;o o da garganta,<br />n&atilde;o adianta reclamar.<br />Cal&ccedil;a o sapato<br />e pisa com tato para n&atilde;o machucar.<br />Levante homem e vai trabalhar!<br />Senta e calcula o preju&iacute;zo<br />do desaju&iacute;zo das palavras do chefe<br />cravadas no peito, na falta de jeito <br />e trato n&atilde;o prevista em contrato.<br />Desce as escadas, vai embora<br />e n&atilde;o demora a voltar.<br />Pondo de ponta cabe&ccedil;a,<br />anoite&ccedil;a, mere&ccedil;a agora o inverso.<br />Veste a saia e vai embora.<br />Lava a roupa e faz a janta,<br />n&atilde;o adianta reclamar.<br />Deita, finge, geme, grita<br />para algu&eacute;m te escutar<br />e quem vir&aacute; te salvar<br />sen&atilde;o o sono, sem sonho, s&oacute; sono.<br />Cal&ccedil;a o sapato<br />e pisa com tato pra n&atilde;o machucar.<br />D&aacute;-se um jeito de ir adiante.<br />Levante mulher e vai trabalhar!<br />Senta e descasca batatas,<br />prepara as atas da reuni&atilde;o,<br />limpa as manchas de pata do c&atilde;o<br />nas paredes&nbsp;da casa do patr&atilde;o.<br />Desce escadas, vai embora<br />e n&atilde;o demora a voltar.<br />Pondo de ponta cabe&ccedil;a,<br />amanhe&ccedil;a, mere&ccedil;a agora o reverso.<br />Veste o uniforme e vai embora.<br />Decora toda a taboada<br />e recita para sempre, decor e salteada.<br />N&atilde;o suje a roupa nova brincando.<br />N&atilde;o brinque com a velha autoridade<br />das senhoras, doutores e semi-deuses.<br />Mastigue a pimenta e ajoelhe no milho,<br />&eacute;s apenas filho desses v&aacute;rios temores.<br />Levante menino, cal&ccedil;a o sapato<br />e pisa com tato para n&atilde;o machucar!<br />Veste o uniforme, vai embora<br />e n&atilde;o demora a voltar.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/FelixVentura' title='Biografia do Poeta: Felix Ventura'><b>Felix Ventura</b></a><br />15/09/2005</p></description>
          <author>Felix Ventura</author>
                </item>
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