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        <title>Site de Poesias</title>
        <link>https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel</link>
        <description>O Site de Poesias é um centro de poemas, de alguma forma, significativos; seja pelo conteúdo, pela métrica, pelas rimas... Mas principalmente pelos sentimentos que a boa poesia evoca na alma: tristeza, alegria, saudade, felicidade, amor, Deus. Porque escrever é uma arte: é traduzir o intraduzível!</description>
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        <title>Site de Poesias</title>
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        <link>https://sitedepoesias.com.br/</link>
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          <title>Reticência</title>
          <pubDate>28/02/2021</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/119760-reticencia</link>
          <description><h4>Reticência</h4><p><![CDATA[<strong>O</strong>s que pouco, ou nada</p><p>Tem a dizer</p><p>Escolhem no v&aacute;cuo a semente</p><p>Do que fazer</p><p>&nbsp;</p><p>Pretendem com isso tomar</p><p>Em feito mais que assertivo</p><p>O vazio, assim como ele &eacute;</p><p>No todo que lhe traz vivo</p><p>Secreto, silente e ativo</p><p>&nbsp;</p><p>Na falta, na aus&ecirc;ncia</p><p>De algo a preencher</p><p>Sobra em retici&ecirc;ncia</p><p>O que se quer dizer]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />28/02/2021</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
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          <title>Engano</title>
          <pubDate>28/02/2021</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/119759-engano</link>
          <description><h4>Engano</h4><p><![CDATA[<strong>Q</strong>uando o dia da noite se veste</p><p>Seu vestido de estrelas acende</p><p>At&eacute; que do sol nada mais reste</p><p>Tape&ccedil;aria onde se extende</p><p>Na escurid&atilde;o, sua gl&oacute;ria celeste</p><p>Nela, o sonho vem e pretende</p><p>Que &agrave; vida sua loucura empreste</p><p>Quando &eacute; dela que muito depende</p><p>&nbsp;</p><p>Sendo assim, loucura ou teste</p><p>Para olhos de quem nada entende</p><p>O sonho torna, feito uma peste</p><p>E na noite, que nada mais prende &nbsp;</p><p>Em copas, traz seu fantasma agreste</p><p>Que vem e ao meu chamado atende]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />28/02/2021</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Plantas</title>
          <pubDate>29/12/2016</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/112302-plantas</link>
          <description><h4>Plantas</h4><p><![CDATA[Aprendi a apreciar<br />A paci&ecirc;ncia das plantas<br />Suas alongadas retic&ecirc;ncias<br />Pausas maiores de um mon&oacute;logo<br />Mudo, interior</p><p>Vejo seus anos espichados<br />O tempo cadenciado das esta&ccedil;&otilde;es<br />Pulso de um mundo inferior<br />Na obstinada busca<br />Irreprim&iacute;vel sede<br />Pela medida mais justa<br />A quantidade correta<br />De luz e calor</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />29/12/2016</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Filha</title>
          <pubDate>07/10/2016</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/111718-filha</link>
          <description><h4>Filha</h4><p><![CDATA[ <br />M</span></strong>enina-mulher,</span><br />Meu tesouro escondido,</span><br />Quem ir&aacute; te encontrar?</span><br />Quem far&aacute; poesias</span><br />Para teus olhos castanhos?</span><br />Quem cantar&aacute; as m&uacute;sicas</span><br />Que te far&atilde;o sonhar?</span><br />Quem saber&aacute; te amar?</span><br />&nbsp;</span><br />Quem velar&aacute; teu sono como eu, um dia?</span><br />&nbsp;</span><br />Como ser&atilde;o tuas manh&atilde;s quando acordares</span><br />E veres o dia como ele &eacute;?</span><br />Que ser&atilde;o de teus sonhos,</span><br />Quando o Anjo, que vela teus passos,</span><br />Abrir-te a porta &agrave; Realidade?</span><br />Como passar&aacute;s os anos</span><br />Quando eu n&atilde;o estiver mais aqui?</span><br />&nbsp;</span><br />Quando tua Flor, enfim, desabrochar,</span><br />E a mar&eacute; dos teus dias atingir a cheia,</span><br />Encare a noite sem assombro.</span><br />De olhos abertos enfrente</span><br />O que a vida preparou,</span><br />E que Deus te permita</span><br />Navegar tua onda at&eacute; o fim,</span><br />At&eacute; a praia aonde vamos todos</span></p><p>Um dia nos encontrar. </span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />07/10/2016</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Recomeçar</title>
          <pubDate>07/10/2016</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/111717-recomecar</link>
          <description><h4>Recomeçar</h4><p><![CDATA[ <br />A</span></strong> figura antecede &agrave; palavra</span><br />Suas linhas, fr&aacute;gil postulado</span><br />Evocam as primeiras s&iacute;labas</span><br />&nbsp;</span><br />Ela constr&oacute;i, com s&oacute;lidas retas</span><br />O arcabou&ccedil;o das frases futuras</span><br />Suas curvas, mel&iacute;fluas e sinuosas</span><br />Cont&eacute;m o ritmo primordial </span><br />Das estrofes inacabadas</span><br />&nbsp;</span><br />Arqu&eacute;tipo</span><br />&nbsp;</span><br />Para redescobrir-se a linguagem perdida</span><br />&Eacute; preciso redesenhar os voc&aacute;bulos</span><br />Estilizando-os aos poucos</span><br />&nbsp;</span><br />Das garatujas, ent&atilde;o </span><br />Nascer&atilde;o os sentidos </span><br />As vozes e os murm&uacute;rios</span><br />Que transcender&atilde;o os tra&ccedil;os</span><br />E em perp&eacute;tuo discurso</span><br />Se elevar&atilde;o</span><br />&nbsp;</span><br />E o poeta, redimido afinal</span><br />Recuperar&aacute; o fio da meada</span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />07/10/2016</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Janus Inconsciente</title>
          <pubDate>04/11/1976</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/111716-janus-inconsciente</link>
          <description><h4>Janus Inconsciente</h4><p><![CDATA[ <br />5 de novembro de 1976</span><br />&nbsp;</span><br /><span style="text-decoration: underline;">Janus Inconsciente</span></span><br />&nbsp;</span><br />N</span></strong>ascem em ti</span><br />Os ramos dessa &aacute;rvore,</span><br />D&uacute;plice, mulher.</span><br />J&aacute; pressinto,</span><br />Vindas de n&atilde;o sei onde, </span><br />Essas flores,</span><br />Suas duas cores t&atilde;o claras,</span><br />Teus dois perfumes.</span><br />&nbsp;</span><br />Amb&iacute;gua, cresce em mim</span><br />A sensa&ccedil;&atilde;o de ter-te visto e ver-te.</span><br />Imagens diferentes,</span><br />N&atilde;o coincidentes no espa&ccedil;o,</span><br />Mas no tempo.</span><br />&nbsp;</span><br />Sim, vejo-te.</span><br />Meus olhos trespassam</span><br />Tua carne v&aacute;ria e t&eacute;pida,</span><br />E sob tua pele, gravado,</span><br />Encontro meu nome.</span><br />Reconhecer-me-&aacute;?</span><br />&nbsp;</span><br />Surpreso, descubro</span><br />O segredo dissimulado em teus olhos,</span><br />A velada amea&ccedil;a,</span><br />Ou ser&aacute; uma frase, a senha,</span><br />Para um c&oacute;digo que desconhe&ccedil;o?</span><br />&nbsp;</span><br />A consecu&ccedil;&atilde;o suspensa de uma senten&ccedil;a</span><br />Moldada no contorno movente da tua boca,</span><br />Faz-me supor que, de algum modo,</span><br />Sabes mais</span><br />Do que pretendes insinuar.</span><br />&nbsp;</span><br />Estar&aacute; meu futuro,</span><br />Minha sorte,</span><br />Desde h&aacute; muito tra&ccedil;ado</span><br />Nas caprichosas linhas</span><br />Da tua m&atilde;o?</span><br />&nbsp;</span><br />Hesito.</span><br />&nbsp;</span><br />Ceder agora ser-me-ia fatal.</span><br />Saltar dos teus penedos,</span><br />Num &uacute;ltimo v&ocirc;o,</span><br />Et&eacute;reo arco de elipse,</span><br />Seria a minha morte </span><br />Em teu cont&iacute;nuo esquecimento,</span><br />Meu grande medo.</span><br />&nbsp;</span><br />M&uacute;ltipla, tua imagem,</span><br />A menina, a mulher,</span><br />O amor e a trai&ccedil;&atilde;o,</span><br />De contornos indefinidos e mutantes</span><br />Confundem-me.</span><br />&nbsp;</span><br />Erro, semi-consciente e</span><br />Tr&acirc;nsido de frio</span><br />Pelas tuas cordilheiras.</span><br />Encontro-me,</span><br />Exangue e morto de sede,</span><br />Em teus escaldantes desertos.</span><br />Perco-me.</span><br />&nbsp;</span><br />D&uacute;vidas assaltam-me</span><br />A todo momento,</span><br />E pergunto-me,</span><br />Se j&aacute; n&atilde;o te move o desejo</span><br />De jogar-me vencido,</span><br />Bipartido,</span><br />&Agrave;s tuas incongru&ecirc;ncias.</span><br />&nbsp;</span><br />Joguete.</span><br />&nbsp;</span><br />No c&eacute;u sem nuvens</span><br />Eleva-se alta agora a lua.</span><br />Serena, nasce em ti a noite</span><br />Sob o signo da dicotomia.</span><br />&nbsp;</span><br />Em mim,</span><br />Vinda de n&atilde;o sei onde,</span><br />Sinto a surda agulhada do desespero.</span><br />Desconhe&ccedil;o-te.</span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />04/11/1976</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
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          <title>O que o mar esconde dos homens</title>
          <pubDate>06/01/2016</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/109716-o-que-o-mar-esconde-dos-homens</link>
          <description><h4>O que o mar esconde dos homens</h4><p><![CDATA[A quem honramos ao visitar <br />Os cemit&eacute;rios do passado?</p><p>Podemos sequer come&ccedil;ar a comprender<br />Em seu intricado detalhe<br />As paix&otilde;es e os del&iacute;rios<br />Os acontecimentos que um dia moveram<br />Os mortos de hoje?<br /> <br />Apesar da eterna recorr&ecirc;ncia<br />Dos temas e das tramas <br />A delicada filigrana de cada assunto<br />Sempre foi e ser&aacute;, v&aacute;ria, &uacute;nica<br />O que ontem fazia cora&ccedil;&otilde;es vibrarem<br />Hoje, se n&atilde;o j&aacute; largamente esquecido<br />Parecer&aacute; um tanto deslocado, frente<br />&Agrave; luz nua e crua da presente realidade<br /> <br />O tempo, n&atilde;o contente<br />Em agredir corpos e mentes<br />Com sua infinita paci&ecirc;ncia, corr&oacute;i<br />Enferruja, destr&oacute;i as id&eacute;ias de outrora<br />E a linguagem dos mortos parece, ent&atilde;o<br />Deslocada, estranha<br />Sua beleza, um tanto ex&oacute;tica<br />Suas imagens, distorcidas vis&otilde;es<br />Descoloridas e embara&ccedil;osas<br /> <br />E, no entanto, os mortos falam<br />Em multid&otilde;es, eles falam de seus t&uacute;mulos<br />Seus livros, fotografias e objetos<br />Indiretamente impingem sua voz<br />Corrente marinha profunda<br />Caudalosa a princ&iacute;pio, para depois<br />Tornar-se murm&uacute;rio morrente e disperso<br />Ao atingir as profundezas do mar aberto<br /> <br />O mar, abismo do esquecimento<br />Vasto deposit&aacute;rio do inconsciente<br />Ressoa com seu coletivo de sussurros<br />Aos vivos cabendo alternadamente<br />Auscultar e ignorar o seu bramido<br /> <br />E, ao final, a identidade dissolve-se<br />Nas &aacute;guas corrosivas deste oceano infindo<br />Um ber&ccedil;o, uma vala coletiva<br />Um abandono sem nome<br />Contraponto &agrave; vida<br />Em seu triunfo da individualidade<br />Momento breve do eu e do &uacute;nico<br />Do identific&aacute;vel e do concreto<br />Suprema ilus&atilde;o<br />De que a praia e suas ondas ser&atilde;o mais<br />Que um cen&aacute;rio movente<br />Onde as &aacute;guas exploram as rochas<br />Onde, por&eacute;m, a areia<br />Com seus dentes polidos, recolhe<br />Para o remanso das profundezas<br />O gosto acerbo do que &eacute; ter sido<br />Terra e montanha</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;</p><p>   </span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />06/01/2016</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Palavras</title>
          <pubDate>10/03/2014</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/100090-palavras</link>
          <description><h4>Palavras</h4><p><![CDATA[Palavras s&atilde;o ilhas,<br />Emersas do fundo da escurid&atilde;o, <br />Suas matas pujantes de significados. <br />Juntas, formam arquip&eacute;lago, <br />Uma constela&ccedil;&atilde;o a brilhar <br />Contra a noite escura.</p><p>Trazem em seu bojo <br />Arcanos de outras eras, <br />Sobras de cantos ancestrais, <br />Soprados outrora <br />&Agrave; beira de inumer&aacute;veis fogos.</p><p>Carregadas por arcas <br />Abarrotadas de seus sentidos, <br />Crescentes e mutantes, <br />Seguem rio abaixo <br />Pela mem&oacute;ria das gera&ccedil;&otilde;es.</p><p>Minhas palavras s&atilde;o-me de empr&eacute;stimo, fugazes e temporais. Posso mastig&aacute;-las &agrave; vontade, regurgitar suas geometrias de som, como um escultor com a boca cheia de projetos. Mas uma vez soltas, pairam no ar, obras sonoras livres da minha tutela. S&atilde;o compartilhadas em coletivo, v&iacute;rus, infec&ccedil;&atilde;o que recebo e repasso descuidadamente.</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />10/03/2014</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Despertar</title>
          <pubDate>14/01/2013</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/90509-despertar</link>
          <description><h4>Despertar</h4><p><![CDATA[ <br /><strong>Q</span></strong>uando te vi</span><br />Pela primeira vez</span><br />Nada enxerguei</span><br />Cego, aturdido que estava</span><br />Em outras buscas</span><br />Olhando</span><br />Em todos os lugares errados</span><br />&nbsp;</span><br />E demorou para que eu soubesse</span><br />Demorou demais para que eu percebesse</span><br />Qu&atilde;o perdido eu andava</span><br />Sozinho e adoentado</span><br />&nbsp;</span><br />E ent&atilde;o</span><br />Foi como um amanhecer de ver&atilde;o</span><br />Uma luz que nasce, cresce, e invade o dia</span><br />Num despertar gradual</span><br />Meus olhos abertos estarrecidos</span><br />Sim, cheios de estrelas</span><br />Que te acompanham aonde vais</span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />14/01/2013</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Penitência</title>
          <pubDate>12/01/2013</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/90450-penitencia</link>
          <description><h4>Penitência</h4><p><![CDATA[ <br /><strong>A</span></strong>s portas escancaradas </span><br />Remetem, desde espa&ccedil;os </span><br />Confinados, constritos,</span><br />A outros ainda mais.</span><br />Compartimentos seriados </span><br />De perdas e desilus&atilde;o; </span><br />Sequelas, dores mal curadas</span><br />Sobem, sufocam com sua afli&ccedil;&atilde;o. </span><br />&nbsp;</span><br />Variegadas s&atilde;o as l&aacute;stimas</span><br />De quem, limitado, </span><br />N&atilde;o pode mais, porque n&atilde;o vive, </span><br />Morre de medo, ou n&atilde;o quer.</span><br />Liberdade, esta janela cega</span><br />Ao nada, ao outro lado; </span><br />Aberta a tudo,</span><br />Repele a mera no&ccedil;&atilde;o, </span><br />O constrangimento insano</span><br />Da eterna pris&atilde;o.</span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />12/01/2013</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Gume</title>
          <pubDate>11/03/2012</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/82172-gume</link>
          <description><h4>Gume</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small;"><strong>A</strong>o homem e animal</span></p><p><span style="font-size: small;">A realidade &eacute; raza</span></p><p><span style="font-size: small;">Raz&atilde;o a faz complexa</span></p><p><span style="font-size: small;">Seu intricado bordado</span></p><p><span style="font-size: small;">Recorrentes temas</span></p><p><span style="font-size: small;">Fractais em ponto cruz</span></p><p><span style="font-size: small;"><br /></span></p><p><span style="font-size: small;">O gume desta faca</span></p><p><span style="font-size: small;">Sobreviv&ecirc;ncia</span></p><p><span style="font-size: small;">Abarca mais</span></p><p><span style="font-size: small;">Que&nbsp; morte e vida</span></p><p><span style="font-size: small;">Muito mais que sangue</span></p><p><span style="font-size: small;">Muito mais que a fome</span></p><p><span style="font-size: small;">Deixa-nos transparecer</span></p><p><span style="font-size: small;"><br /></span></p><p><span style="font-size: small;">Crescer, &eacute; transpor</span></p><p><span style="font-size: small;">Barreiras</span></p><p><span style="font-size: small;">Atravessar umbrais</span></p><p><span style="font-size: small;">Enxergar para l&aacute;</span></p><p><span style="font-size: small;">Do desejo</span></p><p><span style="font-size: small;">Transmutada paix&atilde;o</span></p><p><span style="font-size: small;">Em parca, preciosa</span></p><p><span style="font-size: small;">Introspec&ccedil;&atilde;o</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />11/03/2012</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Adeus!</title>
          <pubDate>20/01/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/67012-adeus</link>
          <description><h4>Adeus!</h4><p><![CDATA[<br />N&atilde;o quisestes o meu amor<br />Me deixastes na solid&atilde;o<br />Agora, fa&ccedil;as-me o favor<br />Outra j&aacute; me estendeu a m&atilde;o</p><p>Ela ama-me com ardor<br />D&aacute;-me carinho e paix&atilde;o<br />Vivo feliz com seu calor<br />N&atilde;o quero mais ingratid&atilde;o</p><p>Segue tua vida perdida<br />Vai  como alma penada<br />Sofri por demais querida<br />Por ti j&aacute; n&atilde;o sinto nada<br />J&aacute; curei esta ferida<br />Encontrei a minha amada</p><p>&nbsp;</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />20/01/2011</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
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          <title>O Anjo (Fragmentos de Prosa Poética)</title>
          <pubDate>20/01/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/67010-o-anjo-fragmentos-de-prosa-poetica</link>
          <description><h4>O Anjo (Fragmentos de Prosa Poética)</h4><p><![CDATA[       O Anjo abriu suas asas e voou por sobre o círculo de terra e areia. Sentado na arquibancada do circo, sob seu toldo colorido, Luciano contemplou a cena ao lado de seu filho. Apenas uma luz iluminava o centro do picadeiro. Lá em cima, o Anjo pairava. Suas asas ruflavam silenciosamente. "--- Jamais chegarei até ele", pensou Luciano consigo mesmo, observando atentamente a figura luminosa a flutuar. "---- Por mais que eu tente ---- e Deus sabe que tenho tentado ---- nunca poderei chegar-lhe perto", lamentou Luciano, quase que com um gemido.</p><p>       Luciano e seu filho, sentados assim, juntos, pareciam-se em muito. Fisicamente, um era a versão mais nova do outro. Altos, magros e altivos, acentuavam a semelhança trajando jeans, tênis e camiseta. A calvície incipiente de um sublinhava a do outro como um contraponto visual. A similitude era óbvia mesmo ao observador mais desatento. Internamente, porem, Luciano havia perdido há muito os sonhos que ainda faiscavam como brasas no fundo dos olhos do jovem. A morte já havia olhado Luciano de frente uma vez e seu halo gelado havia-lhe contaminado a alma. Ao contrário do filho, Luciano havia aprendido que era mortal.</p><p>       O Anjo mergulhou em um vôo rasante e soltou guincho. Pássaro assombrado,  ele voejou sob a luz do holofote. Luciano estremeceu. Ao mesmo tempo em que ansiava unir-se ao Anjo, temia esta possibilidade. Um secreto terror consumia-lhe por dentro. Ele sabia que a hipotética união com a figura alada ser-lhe-ia o fim. A conjunção do Homem com o Anjo aniquila-lo-ía.</p><p>       Havendo chegado aos cinqüenta, Luciano ansiava por mudanças. Ele já não mais se conformava com o presente roteiro em que sua vida havia-se tornado. Repeti-lo diariamente tornara-se um fardo. Contudo, sua existência era tranqüila e relativamente segura. Como trocar o certo pelo duvidoso? Como reformar-se por dentro e ser uma pessoa totalmente nova? A possibilidade de um salto rumo ao desconhecido aterrorizava-lhe. A inércia do presente consumia-lhe o futuro. Suas opções eram poucas. Após os quarenta, num país tão jovem como o Brasil, Luciano já era um velho. Somente com muita dificuldade é que conseguiria recolocar-se para algum outro lugar. Faltavam-lhe os contatos. Faltavam-lhe os padrinhos. Faltava, também, a vontade de mudar-se daqui; começar vida nova em outro lugar, com todos os riscos e desapontamentos que isto seguramente acarretaria. Melhor conservar o que tinha, ainda que isso corroesse-lhe a alma.</p><p>       O Anjo, agora silencioso, havia pousado em uma travessa no alto do picadeiro. Soturna figura na penumbra, concentrava-se em afagar as penas, alvas e brilhantes, de suas imensas asas. Alheio às pessoas lá embaixo, prosseguia em sua rotina há muito automatizada. Esperava, alheio e resignado, o dia em que a porta da gaiola se abrisse. Jamais havia-lhe ocorrido furar a cobertura de lona e escapar.<br /> ]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />20/01/2011</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>“Eu Sou Neguinha”  Revisitada/ Revisited – Caetano Veloso</title>
          <pubDate>20/01/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/66997-eu-sou-neguinha-revisitada-revisited-caetano-veloso</link>
          <description><h4>“Eu Sou Neguinha”  Revisitada/ Revisited – Caetano Veloso</h4><p><![CDATA[E &eacute; o que parecia<br />Que as coisas conversam,  coisas surpreendentes<br />Fatalmente erram, acham solu&ccedil;&atilde;o</p><p>(Eu Sou Neguinha, por Caetano Veloso)</p><p>&nbsp;</p><p>So it seemed that<br />Things talk among themselves<br />Surprising things<br />Inevitably, make mistakes<br />Find a solution</p><p>&nbsp;</p><p>So it seemed that<br />Things interact<br />In a surprising way<br />Inevitably miss<br />Strike a compromise</p><p>&nbsp;</p><p>So it seems, that<br />Things interact<br />In a surprising way<br />Oh, they're so wise<br />Inevitably, miss and sway<br />But strike a compromise<br />And keep it moving<br />On and away</p><p><br />So it seems that, driven to<br />More probable configurations<br />Particles interact<br />In a surprising way<br />They play the odds<br />Of their wave functions<br />So the next state emerges<br />And time is made</p><p>&nbsp;</p><p>&Eacute; o que parece<br />Pressionadas por<br />Configura&ccedil;&otilde;es mais est&aacute;veis<br />As part&iacute;culas interagem<br />De maneiras surpreendentes<br />Jogam com a probabilidades<br />De suas fun&ccedil;&otilde;es de onda<br />E, assim, o pr&oacute;ximo estado emerge<br />E com ele, o tempo</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />20/01/2011</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Verdades (texto poético)</title>
          <pubDate>24/09/2010</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/62402-verdades-texto-poetico</link>
          <description><h4>Verdades (texto poético)</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium;">Os sentidos</span></p><p><span style="font-size: medium;">O que procuramos nas coisas</span></p><p><span style="font-size: medium;">N&atilde;o transparecem. </span></p><p><span style="font-size: medium;">Voam, soltos pelo espa&ccedil;o </span></p><p><span style="font-size: medium;">S&atilde;o p&aacute;ssaros e borboletas </span></p><p><span style="font-size: medium;">Esvoa&ccedil;antes, fugazes. </span></p><p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p><p><span style="font-size: medium;">E, se nesta n&eacute;voa mutante </span></p><p><span style="font-size: medium;">Espessa camada informe </span></p><p><span style="font-size: medium;">Achamos algo, &eacute; transit&oacute;rio. </span></p><p><span style="font-size: medium;">O que &eacute;, n&atilde;o se d&aacute; &agrave; luz</span></p><p><span style="font-size: medium;">De nossos olhos. </span></p><p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p><p><span style="font-size: medium;">Tanto quanto a raz&atilde;o, em v&atilde;o</span></p><p><span style="font-size: medium;">Busca a verdade</span></p><p><span style="font-size: medium;">Que haveria de endurecer as pedras </span></p><p><span style="font-size: medium;">(mas elas est&atilde;o vazias).</span></p><p><span style="font-size: medium;"><br /></span></p><p><span style="font-size: medium;">Viver &eacute; o constante vasculhar</span></p><p><span style="font-size: medium;">Por certezas</span></p><p><span style="font-size: medium;">Que habitam as nuvens</span></p><p><span style="font-size: medium;">Vol&aacute;teis, a criar verdades</span></p><p><span style="font-size: medium;">Do v&aacute;cuo, t&atilde;o prontas</span></p><p><span style="font-size: medium;">Quanto ef&ecirc;meras.</span></p><p>&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium;">O que sabemos hoje</span></p><p><span style="font-size: medium;">J&aacute; &eacute; passado.</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />24/09/2010</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Ferida</title>
          <pubDate>29/07/2010</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/60167-ferida</link>
          <description><h4>Ferida</h4><p><![CDATA[<br />&Eacute; preciso ter coragem<br />Para por o dedo na ferida<br />Tocar sua parte mais funda<br />A mais dolorida</p><p>&Eacute; preciso mais<br />Saber enxergar, querida<br />Aonde bate o cora&ccedil;&atilde;o<br />At&eacute; onde vai a vida<br />O t&ecirc;nue fio da pulsa&ccedil;&atilde;o</p><p>E muito mais ainda<br />&Eacute; preciso ter coragem<br />Para pensar e secar<br />Esta ferida<br />Inda que doa mais<br />Que a pr&oacute;pria vida<br />Ainda que seja <br />Para dela extrair<br />O &acirc;mago, o suco<br />A coisa mais ardida</p><p>Que inflama por dentro<br />E, queimando no peito<br />Sangra, abre-se em flor <br />E, florida, brota do ch&atilde;o <br />Da pele, da voz, <br />Do grito e no olhar<br />Aberta</p><p>Ferida aberta<br />E no entanto encoberta<br />Vergonha, &ecirc;xtase noturno <br />Medo <br />Amor proibido</p><p>04/12/1977</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />29/07/2010</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Agreste</title>
          <pubDate>25/07/2010</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/59978-agreste</link>
          <description><h4>Agreste</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small;"><strong>M</strong>inha poesia s&atilde;o pedras<br />Que, distra&iacute;do,  recolho ao ch&atilde;o<br />A esmo, em plena cidade<br />Com seus &acirc;ngulos agudos, gr&atilde;o</span></p><p><span style="font-size: small;">Sempre &aacute;speras e agrestes <br />Em sua parca simplicidade<br />Deca&iacute;das obras celestes<br />De escura fuligem, carv&atilde;o</span></p><p><span style="font-size: small;">Panorama cinza, tristonho<br />Como os dias solit&aacute;rios s&atilde;o<br />Para muito al&eacute;m do sonho<br />Da inescrut&aacute;vel verdade<br />E do meu pobre desejo v&atilde;o<br /></span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />25/07/2010</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Primavera em Watertown, NY</title>
          <pubDate>26/04/2010</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/56956-primavera-em-watertown-ny</link>
          <description><h4>Primavera em Watertown, NY</h4><p><![CDATA[O dia passa sem novidades<br />Como um grande r&eacute;ptil estacionado<br />Por sobre uma laje quente.<br />Mais abaixo, no rio,<br />Suas &aacute;guas sempre t&atilde;o calmas,<br />Esconde-se um segredo:<br />A superf&iacute;cie n&atilde;o fala do fundo,<br />Do escondido e do obscuro;<br />Nele, s&oacute; os peixes sabem<br />Onde encontrar as respostas<br />Entre os seixos e as  pedras da escurid&atilde;o.</p><p>Acima, o sol deste dia claro<br />Esquenta os rebentos de uma primavera precoce<br />Suas flores, t&atilde;o coloridas quanto fr&aacute;geis<br />Sup&otilde;em, j&aacute; adivinham um ver&atilde;o<br />Ainda em gesta&ccedil;&atilde;o no c&eacute;u impregnado<br />De um azul p&aacute;lido e luminoso; entumescido<br />Pelos esp&iacute;ritos da esta&ccedil;&atilde;o.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />26/04/2010</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Vitral Particular</title>
          <pubDate>08/01/2010</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/52918-vitral-particular</link>
          <description><h4>Vitral Particular</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><strong>T</strong>oque de leve o seu vizinho,<br />Cristalino,<br />Toque de novo e<br />Procure pensar,<br />Se ele existe<br />Ou &eacute; apenas forma,<br />Peso, preso, &agrave; nossa gente,<br />Roda feita a girar.</p><p>Pense bem e n&atilde;o recorde<br />Que voc&ecirc; tamb&eacute;m o &eacute;<br />Pe&ccedil;a, gente e uma pessoa<br />Todas juntas a se formar<br />Quadr&iacute;culas, pedras,<br />Pontes, estruturas,<br />Figurinhas de armar.</p><p>Arma, ama e reconstr&oacute;i,<br />Levanta, pede e suplica.<br />&Agrave; sua volta o p&oacute; recolhe,<br />Verte a vida revoltada.<br />Pombinhas brancas, sorridentes,<br />Batendo asas, de domingo,<br />Pedidos, t&eacute;dios mil perdidos,<br />Chorando a voz amada.<br />Pap&eacute;is picados em prociss&atilde;o,<br />E florzinhas, mios&oacute;tis,<br />Recolhendo a ora&ccedil;&atilde;o.</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />08/01/2010</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Ira</title>
          <pubDate>02/01/2010</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/52681-ira</link>
          <description><h4>Ira</h4><p><![CDATA[<strong>G</strong>ota a gota, <br />Destilo a raiva<br />Que me acomete.<br />O mundo,<br />Imagem agora transformada,<br />Jaz contaminado<br />&Agrave; minha volta.</p><p>Objeto e sujeito,<br />Vadeio confuso<br />Pelo p&acirc;ntano<br />Que minha c&oacute;lera criou.<br />Estagnados meus dias,<br />&Agrave; deriva dispersam-se<br />Na neblina de uma m&aacute;goa<br />Solit&aacute;ria e amarga;<br />N&atilde;o h&aacute; sentido poss&iacute;vel,<br />Nem dire&ccedil;&atilde;o,<br />Nada escapa &agrave; esta teia<br />De escurid&atilde;o.</p><p>Corro&iacute;do por dentro,<br />Meu &aacute;cido, <br />Veneno &iacute;ntimo desfaz,<br />Borrando as lentes<br />Do meu pensamento.<br />Vivo, assim,<br />O inverno dos meus dias,<br />Crepuscular agonia<br />De que sou v&iacute;tima<br />E algoz.</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />02/01/2010</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Bipolar</title>
          <pubDate>28/12/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/52536-bipolar</link>
          <description><h4>Bipolar</h4><p><![CDATA[<strong>C</strong>ircunavego s&oacute;is<br />De grande intensidade<br />Vastid&atilde;o de paisagens<br />Humores, que sou<br />E percorro<br />Em minha ocupada tarefa<br />De oscilar<br />Cometa sem cauda, ser multipolar</p><p>&Eacute; a minha sina<br />Complexa, minunciosa<br />A de cambiar de estados<br />Explorador itinerante <br />Vou-me a visitar<br />Campos distantes<br />Infernos de dor e agonia<br />Ou ainda lugares <br />Onde todo amor<br />&Eacute; eterno &ecirc;xtase, paix&atilde;o sem fim</p><p>Longa &eacute; a minha trajet&oacute;ria<br />E eu n&atilde;o posso parar</p><p>Ao nascer, um anjo me disse:<br />Vai, enfrenta o mundo<br />E n&atilde;o desiste<br />Procura os altos e os baixos<br />Destes confins<br />Experimenta a &acirc;nsia que &eacute; viver<br />Aproveita a curta eternidade<br />Que possuis</p><p>As trajet&oacute;rias<br />No espa&ccedil;o de estados <br />Que percorremos<br />S&atilde;o m&uacute;ltiplas e variadaas <br />Ainda que recorrentes</p><p><em>Muitos s&atilde;o os p&oacute;los de atra&ccedil;&atilde;o <br />A governar<br />Nossas vidas e emo&ccedil;&otilde;es</em></p><p><em>Como estrelas, orbitamos<br />Uns aos outros, a mec&acirc;nica<br />Celestial governando-nos<br />Como aos astros</em></p><p><em>E se n&atilde;o reconhecemos<br />Esse moto-cont&iacute;nuo<br />&Eacute; porque estamos todos<br />Demasiadamente centrados<br />Nas pequenas distra&ccedil;&otilde;es<br />Que s&atilde;o nossas vidas<br />T&atilde;o ocupadas quanto solit&aacute;rias</em></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />28/12/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Noite de Inverno</title>
          <pubDate>29/10/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/50338-noite-de-inverno</link>
          <description><h4>Noite de Inverno</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><span style="font-size: small;">As vozes na minha cabe&ccedil;a<br />Elas n&atilde;o param.<br />O constante di&aacute;logo,<br />O explorar de coisas novas,<br />Os sentimentos<br />Muitas vezes avassaladores,<br />Os altos e baixos da depress&atilde;o.</span></p><p><span style="font-size: small;">Brilha alta na neve a lua agora,<br />Delicados peda&ccedil;os de gelo<br />Pendem dos galhos vazios.<br />Um sono pesado toma as &aacute;rvores,<br />Como a convidar-me a dormir tamb&eacute;m,<br />Mas n&atilde;o posso,<br />Minha natureza &eacute; outra.</span></p><p><span style="font-size: small;">Dias e dias vazios,<br />A vida, qual assombra&ccedil;&atilde;o me assola.<br />Praga ben&eacute;vola, ela me arrasta<br />De um dia para outro.<br />Vivo esse sonho amargo,<br />E n&atilde;o sei mais se vou acordar.<br />Tudo &eacute; t&atilde;o sem sentido e prop&oacute;sito,<br />E, se l&aacute; no fundo j&aacute; sei<br />As respostas para o Mist&eacute;rio,<br />Elas pouco me ajudam.<br />O saber n&atilde;o conjura, <br />&Eacute; pequeno o cobertor.</span></p><p><span style="font-size: small;">O gelo destes dias fixa<br />Uma imagem est&aacute;tica em minha mente:<br />Um fotografia borrada e tremida<br />De uma noite invernal.<br />Estranho &eacute; o desprazer do ex&iacute;lio;<br />Assustadora, a l&oacute;gica do abandono.</span></p><p><span style="font-size: small;">Se minha tarde passou,<br />E a noite j&aacute; me espreita,<br />Como ficar aqui sentado<br />&Agrave; beira da escurid&atilde;o,<br />Com medo de resvalar e <br />Cair neste abismo profundo,<br />Nesta boca aberta e s&ocirc;frega,<br />Da qual me aproximo<br />Relutantemente cada vez mais?</span></p><p><span style="font-size: small;">Vida, aonde foram<br />Aquelas tardes claras?<br />Aonde as esperan&ccedil;as infundadas,<br />Os vagos sonhos de outrora?<br />Meus enganos, minhas derrotas,<br />B&oacute;iam &agrave; deriva no passado.</span></p><p><span style="font-size: small;">Nada vai alterar as vozes antigas,<br />Perp&eacute;tuo discurso que evito escutar.<br />Olho futuro adentro e ele me encara,<br />&Eacute; minha pr&oacute;pria face que encontro<br />Neste espelho abismal.<br />Saber&aacute; responder as perguntas <br />Que ainda n&atilde;o tenho?<br />Saber&aacute; esconjurar meus fantasmas,<br />Principalmente este, <br />Vestido de morte e solid&atilde;o?</span></p><p><span style="font-size: small;">Ah! Se eu pudesse agarrar a vida pelo pesco&ccedil;o,<br />Faria dela uma cativa melhor.<br />Rebobinar esta fita,<br />Passear pelos meus melhores momentos,<br />Nostalgia de ser novamente eu,<br />Eu quero.</span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />29/10/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Os Extraterrestres</title>
          <pubDate>26/10/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/50191-os-extraterrestres</link>
          <description><h4>Os Extraterrestres</h4><p><![CDATA[(Em colabora&ccedil;&atilde;o com Mariana R., 9 anos)</p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Os extraterrestres<br />Chegaram<br />E eu n&atilde;o sabia!<br />Fizeram sua casa<br />Na minha; pensaram<br />Que estava vazia...</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Como adivinharam<br />Que eu n&atilde;o estaria?<br />Como souberam<br />Que eu os queria?</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Inicialmente, vieram,<br />Passaram o dia<br />E sentiram-se bem.<br />Ent&atilde;o, passaram a semana<br />E o m&ecirc;s inteiro ficaram <br />Tamb&eacute;m.</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Fizeram comigo <br />A sua moradia.<br />Em minha cabe&ccedil;a<br />Aonde os escuto.<br />Conversam de tudo<br />De noite e de dia </span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Os extraterrestres, <br />E mais outros,<br />Eu sei, ainda vem.<br />Eles s&atilde;o verdes,   <br />Tem duas antenas,<br />E que fome eles tem!<br />Comeram o cachorro,<br />O meu papagaio,<br />E a minha sogra, <br />A Dona Nen&eacute;m!</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Vou sentir falta da velha<br />E do papagaio tamb&eacute;m,<br />Mas sem meu cachorro,<br />Isso eu n&atilde;o passo sem!</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Como s&atilde;o feios<br />Os extraterrestres!<br />A principio, at&eacute; me assustei,<br />Mas bem l&aacute; no fundo<br />Sei, s&atilde;o apenas crian&ccedil;as, <br />Isto eu agora eu j&aacute; sei.<br />Vieram atr&aacute;s <br />Dos meus brinquedos,<br />E de tudo o mais <br />Que tenho e guardei.</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Por isso mesmo,<br />Escondi os meus discos.<br />Tranquei minhas coisas<br />E j&aacute; n&atilde;o confio mais <br />Em ningu&eacute;m!<br /></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />26/10/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Palavra e Emoção</title>
          <pubDate>17/10/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/49832-palavra-e-emocao</link>
          <description><h4>Palavra e Emoção</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">A palavra<br />Por mais torturada<br />Marcada que for<br />Pela emo&ccedil;&atilde;o<br />Ser&aacute;, uma vez e sempre <br />Mera escrava da raz&atilde;o</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">N&atilde;o h&aacute; como denotar <br />De uma maneira absoluta e pura <br />Os circunl&oacute;quios <br />As desmesuradas &acirc;nsias <br />Do sentir</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Sofrer, vibrar <br />Como que solto pelo ar <br />Asas abertas em v&ocirc;o<br />Improvisado e s&ocirc;frego <br />N&atilde;o encontra abrigo<br />No ninho &aacute;spero do escrito </span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Pois haver&aacute; sempre <br />Uma estrutura<br />Necess&aacute;ria, vital <br />Para a correta express&atilde;o <br />Do dito</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Emo&ccedil;&atilde;o canalizada <br />M&eacute;trica <br />De herm&eacute;ticas dimens&otilde;es <br />Hermen&ecirc;utica<br />O vocabul&aacute;rio agride <br />O mais incongruente <br />O vol&aacute;til <br />Voejar da paix&atilde;o<br /></span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />17/10/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Elogio ao Creacionismo</title>
          <pubDate>30/06/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/45071-elogio-ao-creacionismo</link>
          <description><h4>Elogio ao Creacionismo</h4><p><![CDATA[O que Te passou pela cabe&ccedil;a<br />Quando decidistes montar <br />Este quebra-cabe&ccedil;a, <br />Armar toda essa confus&atilde;o?<br />N&atilde;o bastaria, apenas, laborar<br />Por sete dias e noites<br />E entregar-nos algo mais simples,<br />Um pouco mais ch&atilde;o?</p><p>Bilh&otilde;es de anos de misturas, <br />Para que a complica&ccedil;&atilde;o?<br />Gestando planetas invi&aacute;veis,<br />Gal&aacute;xias aos borbot&otilde;es,<br />Mat&eacute;ria escura, para dar e vender, <br />E sabe-se l&aacute; o que mais, ou n&atilde;o?<br />Confundir o jogo assim desse jeito,<br />Querias impressionar a quem,<br />Ou era somente Teu ego <br />Em espetacular explos&atilde;o?</p><p>Que aconteceu com aquela receita simples<br />Que soprastes aos cr&eacute;us em Tua B&iacute;blia?<br />Nada de dinossauros ou esta besta evolu&ccedil;&atilde;o,<br />Mec&acirc;nica qu&acirc;ntica que, definitavamente, <br />Digamos, n&atilde;o &eacute; a solu&ccedil;&atilde;o<br />Para essas almas pequeninas, <br />Perplexas e confusas,<br />Que aqui jogastes em v&atilde;o.</p><p>Fa&ccedil;a-nos todos<br />Um grande favor,<br />Abandona o circo e volta <br />Ao script original.<br />Ao velho esquema de culpa,<br />Pecado e salva&ccedil;&atilde;o.</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />30/06/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Amor Efêmero</title>
          <pubDate>19/04/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/41686-amor-efemero</link>
          <description><h4>Amor Efêmero</h4><p><![CDATA[<span style="text-decoration: underline;">I. O Momento:</span></p><p>Transiente &eacute; o momento,<br />Magro, o aprender.<br />Breve lapso, o instante,<br />Muito d&aacute;-se ao perder.</p><p><br />Nada passa mais r&aacute;pido,<br />Que a acolhida da amante.<br />Pouco se faz o dia,<br />Em seus bra&ccedil;os macios.<br />Lassid&atilde;o e aconchego,<br />De beijos e abra&ccedil;os,<br />A vida &eacute; boa, inda que breve.</p><p>&nbsp;</p><p><span style="text-decoration: underline;">II. O Distanciamento: </span></p><p>Enquanto transitas<br />Por teu tempo e circunst&acirc;ncias,<br />Eu, daqui observo atentamente<br />Tuas circunvolu&ccedil;&otilde;es:<br />Caminhos que fazes em torno do dia,<br />Que pareces pouco perceber.<br />Gastas teu tempo sendo <br />Compenetradamente ocupada.<br />Nada h&aacute; que distraia<br />Tua rotina absorta e eficaz.</p><p>Pouco te d&aacute; se os planos,<br />Que descuidadamente tra&ccedil;as,<br />Excluam minha presen&ccedil;a.<br />H&aacute; muito o que fazer com o futuro,<br />Nele cabem vidas e sonhos,<br />Distantes certezas,<br />Que tuas m&atilde;os atarefadas<br />J&aacute; tecem entre teus dedos <br />Delicados e ocupados.</p><p>E se j&aacute; segues teu caminho,<br />Eu, daqui sentado<br />&Agrave; beira da estrada<br />Sorrio ao te ver passar.<br />Resoluta, j&aacute; sabes<br />O que ainda busco,<br />Porque dentro de ti pulsa<br />A certeza da antiga for&ccedil;a,<br />Que te impele e move.</p><p>&Eacute; o que devemos fazer,<br />E mesmo assim, n&atilde;o o fa&ccedil;o.<br />Resisto em v&atilde;o como uma rocha<br />&Eacute; contra o tempo,<br />Rebeldia in&uacute;til e triunfal,<br />Alegria recolhida no fracasso;<br />Fazendo o jogo das impossibilidades.<br />Obscuro &eacute; o dia do descontentamento.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />19/04/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Amor Ausente</title>
          <pubDate>09/04/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/41180-amor-ausente</link>
          <description><h4>Amor Ausente</h4><p><![CDATA[Passageiro da noite<br />Saio a te procurar<br />Viajando incerto<br />Pelos t&uacute;neis da escurid&atilde;o</p><p>Junto aos jazigos silenciosos<br />Da mem&oacute;ria<br />Busco tua imagem<br />Perdido em solid&atilde;o</p><p>N&aacute;ufrago do meu destino<br />Sou eu quem te olha &agrave; dist&acirc;ncia<br />Sou eu quem te chama em sil&ecirc;ncio</p><p>Fantasma da noite<br />Vigio teu sono<br />Sou a presen&ccedil;a oculta<br />Que vem apascentar<br />Teus pesadelos<br />Teus insones desejos<br />Esta &acirc;nsia secreta<br />Que te agita por dentro<br />Informe e revolta<br />Como um mar em f&uacute;ria<br />Tempestade sem fim<br />Calmaria distante que estou</p><p>Porque sofres em minha aus&ecirc;ncia<br />Se estou sempre a teu lado?<br />Por acaso, n&atilde;o me v&ecirc;s?<br />Porque esta saudade <br />Se habito contigo em pensamento?</p><p>Abre a porta e a janela do teu cora&ccedil;&atilde;o<br />Deixa-me entrar, pois vim de longe<br />E, passageiro da noite, contigo quero estar</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />09/04/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Visão</title>
          <pubDate>01/04/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/40778-visao</link>
          <description><h4>Visão</h4><p><![CDATA[Abrir as portas da frente,<br />E deixar entrar os ventos da esta&ccedil;&atilde;o.<br />Divisar os horizontes,<br />Busc&aacute;-los nas linhas de uma m&atilde;o.</p><p>Captar o secreto sentido das coisas,<br />Compartilhar vida e solid&atilde;o.<br />Olhar as coisas de um novo &acirc;ngulo<br />Recuperar a perdida paix&atilde;o.</p><p>Ter o futuro como tido,<br />Numa luminosa vis&atilde;o.<br />Amar a face dura do povo,<br />E trair sua divina miss&atilde;o.<br />Achar alguma for&ccedil;a nos fracos,<br />E, neles, a salva&ccedil;&atilde;o.</p><p>Sonhar com dias melhores,<br />Viver uma doce ilus&atilde;o.<br />Reencontrar os anos perdidos<br />E o consolo da religi&atilde;o.</p><p>Buscar naquela mulher o gosto da vida<br />E o sabor da perdi&ccedil;&atilde;o.<br />Tomar, enfim, a decis&atilde;o,<br />Abrir as portas da frente<br />E sentar esperando o ver&atilde;o.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />01/04/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Aconteceu</title>
          <pubDate>28/03/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/40590-aconteceu</link>
          <description><h4>Aconteceu</h4><p><![CDATA[Aconteceu que<br />Quando eu quis ser Deus<br />Minha humanidade brotou ainda mais forte<br />Procurei voar e n&atilde;o pude<br />Quis salvar o mundo<br />E o mundo salvou-se sozinho<br />Indiferente aos meus esfor&ccedil;os</p><p>Nada do que fiz deu certo<br />Minha manh&atilde; perdida em conjecturas<br />Como extrair o suco do Tudo?<br />Como sorver o Mist&eacute;rio<br />E dele tirar a m&aacute;gica dos super-homens?</p><p>Desmesuradamente comum me achei<br />Divindade perdida e consumida<br />Nada havendo a al&ccedil;ar-me al&eacute;m<br />Dos outros deuses-em-projeto<br />Com quem ando dividindo<br />Este mundo miser&aacute;vel</p><p>Vejo, assim, minha aspira&ccedil;&atilde;o<br />Fraudada pela rasa realidade<br />J&aacute; n&atilde;o posso mais desejar<br />Ser o her&oacute;i dos meus dias futuros<br />Nem almejar a fortuna<br />De alforriar-me do &oacute;bvio<br />Senhor das minhas necessidades</p><p>Sonho, ficas para mais depois<br />Para o rec&ocirc;ndito, onde tudo<br />Ainda &eacute; promessa: Fantasia<br />Este envergonhado<br />E impotente dem&ocirc;nio<br />Que ainda cultivo<br />E do qual continuo a ser<br />Inepto e obediente cativo<br />Permanece, obtuso, a embalar <br />A crian&ccedil;a imposs&iacute;vel</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />28/03/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Educando a Solidão</title>
          <pubDate>19/03/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/40175-educando-a-solidao</link>
          <description><h4>Educando a Solidão</h4><p><![CDATA[Educando a solid&atilde;o<br />Espero finalmente poder encontrar<br />Um pouco de paz.<br />Dormir enfim, descansar,<br />Insone e sofrido. </p><p>Se j&aacute; n&atilde;o posso mais<br />Encontrar amor em teus bra&ccedil;os,<br />Nada me resta sen&atilde;o, <br />Esperar poder fazer da solid&atilde;o,<br />Minha insistente companheira,<br />D&oacute;cil e obediente criatura.</p><p>Do canto escuro do quarto<br />Ela me observa,<br />Com olhos de quem me quer mais;<br />Ronda, procura sua ca&ccedil;a.<br />Bicho selvagem, alimenta-se<br />Dos sonhos, das vis&otilde;es que tenho de ti.</p><p>Toda noite ela volta,<br />Fiel e amarga assombra&ccedil;&atilde;o.<br />Toda noite, ela me pergunta<br />Se j&aacute; desisti,<br />Se ainda procuro tua imagem,<br />V&iacute;vida lembran&ccedil;a, &uacute;ltima d&aacute;diva,<br />Que ainda guardo de n&oacute;s.</p><p>Educando a solid&atilde;o aprenderei<br />A ser mais paciente,<br />A saber apagar tua imagem<br />Que vejo entre a folhas do jardim.<br />Aprenderei ainda mais,<br />A ignorar tua voz, <br />No vento e nos ru&iacute;dos <br />Que a casa faz.</p><p>Aluna e professor, sabemos,<br />Que as aulas ser&atilde;o longas,<br />Exaustivas;<br />Que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel<br />Apagar tua marca<br />Das coisas que toco<br />E me cercam;<br />Coral de sinais, sussurros,<br />Que ecoam teu nome.</p><p>Professora e aprendiz,<br />Ela tamb&eacute;m me ensina:<br />Que devo eliminar a lembran&ccedil;a,<br />Borrar teu nome,<br />E te esquecer, menina.</p><p>Mas eu hesito, e me pergunto,<br />Como perder um sentimento<br />Que me assoma e me domina?</p><p>&Aacute;rdua escola a vida &eacute;.<br />O que mais temo<br />&Eacute; o dia da gradua&ccedil;&atilde;o.<br />Eterno escolar, procuro<br />Disfar&ccedil;ar meus erros<br />Como quem corrige versos<br />Escritos nos dias,<br />P&aacute;ginas de uma li&ccedil;&atilde;o,<br />Que teimo em n&atilde;o aprender.</p><p>Pois insisto em fazer<br />De voc&ecirc; o meu melhor engano.<br />Secreto mimo<br />De quem n&atilde;o deve,<br />N&atilde;o pode,<br />E deveria saber melhor,<br />Mas que sabendo deixa, <br />Inconsum&iacute;vel paix&atilde;o<br />Tomar conta.</p><p>Educar a solid&atilde;o<br />&Eacute; buscar a disciplina<br />De amar a frio e &agrave; dist&acirc;ncia.<br />Imagin&aacute;ria dan&ccedil;a,<br />Em que passamos um por outro<br />Sem tocarmo-nos.<br />Impass&iacute;veis,<br />Em nossas rotas divergentes.</p><p>Ausentes, tu e eu<br />Fazemos um do outro<br />Uma li&ccedil;&atilde;o de abandono.<br />O que n&atilde;o houve<br />E n&atilde;o haver&aacute;<br />Define nossa rela&ccedil;&atilde;o,<br />Imut&aacute;vel, distante.</p><p>Teatro de est&aacute;tuas<br />Vemos os dias a escoar.<br />Nada far&aacute;,<br />Barcos que passam<br />Um pelo outro na escurid&atilde;o,<br />Com que toquemo-nos<br />Um ao outro, como amantes<br />Que buscam consolo<br />Ao desterro de nossos corpos.</p><p>Vai, trilha tua estrada.<br />Aonde ela leva eu n&atilde;o sei.<br />O que aprendi contigo<br />N&atilde;o esquecerei,<br />Muito embora j&aacute; minha professora<br />L&aacute; do seu canto balance a cabe&ccedil;a<br />Em desaprova&ccedil;&atilde;o.</p><p>Educando a solid&atilde;o,<br />Ela me educa.<br />Saberei deixar tua imagem<br />Sumir no horizonte<br />Como quem v&ecirc;<br />Seu &uacute;ltimo por de sol.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />19/03/2009</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>A Física do Transcorrer</title>
          <pubDate>29/11/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/35861-a-fisica-do-transcorrer</link>
          <description><h4>A Física do Transcorrer</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><strong>T</strong>rago meus olhos</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Cheios de estrelas,</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Pois ruge o futuro j&aacute;<br /></span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Em minhas veias.</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Vento furioso</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">E, no entanto, submisso</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Aos caprichos do caos</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">E ao jogo das probabilidades</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><br /></span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Cristaliza-se no agora e no que</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Continuamente transformo-me:</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Eu mesmo em minhas mem&oacute;rias;</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Desolado cemit&eacute;rio a guardar-nos</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">E sobre o qual constru&iacute;mos</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Nossas v&atilde;s realidades.</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><br /></span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Transito meu tempo a cavaleiro</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Equilibrado precariamente</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Neste muro; presente</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">A separar d&uacute;vida e certeza.</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">E, se mais na ordem habito,</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">N&atilde;o &eacute; por minha vontade.</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Anseio pelo mar aberto</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">A expandir-se mais al&eacute;m,</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">No horizonte, onde tudo</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Ainda &eacute; porvir, &eacute; possibilidade,</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Aonde os dados s&atilde;o jogados</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">A cada momento,</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">E todas as pequeninas coisas</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">J&aacute; negociam</span></p><p><span style="font-size: small; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">O dia de amanh&atilde;.</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />29/11/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Mestra e Aprendiz</title>
          <pubDate>20/11/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/35457-mestra-e-aprendiz</link>
          <description><h4>Mestra e Aprendiz</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Gl&oacute;ria da beleza feminina</p><p>Da mais alta sensibilidade</p><p>Tua sabedoria n&atilde;o tem idade</p><p>Esposa, m&atilde;e, mulher e menina</p><p>&nbsp;</p><p>Desejo-te em meus bra&ccedil;os acolher</p><p>Para sempre viver ao teu lado</p><p>Apagar as m&aacute;goas do passado</p><p>Amar-te sob a luz do alvorecer</p><p>&nbsp;</p><p>Hoje, traga-me a paz do teu amor</p><p>Para que eu possa, enfim, ser feliz</p><p>Vem, silente, e deita comigo</p><p>&nbsp;</p><p>Contigo descobrirei o sabor</p><p>Do &ecirc;xtase, como teu aprendiz</p><p>No calor do teu peito amigo]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />20/11/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Anjo Amado</title>
          <pubDate>07/11/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/34879-anjo-amado</link>
          <description><h4>Anjo Amado</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Princesa de imortal beleza<br />Da noite vestida de cetim<br />Enche-me os sonhos de amor sem fim<br />Conduz-me ao c&eacute;u com sua leveza</p><p>Desperta a perene certeza<br />De que o sol brilhar&aacute; sobre mim<br />Perdido em seus len&ccedil;&oacute;is carmesim<br />Afastada a cruel tristeza</p><p>Quero fundir-me &agrave; melodia<br />Que j&aacute; ou&ccedil;o quando lhe vejo<br />Meu peito em s&ocirc;frega agita&ccedil;&atilde;o</p><p>Faz da paix&atilde;o, o novo dia<br />Soberana do meu desejo<br />Anjo que pousou em minha m&atilde;o</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />07/11/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Carta a Sylvia Plath</title>
          <pubDate>05/11/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/34786-carta-a-sylvia-plath</link>
          <description><h4>Carta a Sylvia Plath</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Querida Sylvia,<br />Quando ainda passeavas <br />Por aqui, o mundo, <br />Certamente o mesmo,<br />Banal, louco e brutal,<br />Pareceu-te um tanto mais cruel.<br />Pesada era a carga <br />Que recebias<br />Sobre ombros t&atilde;o fr&aacute;geis;<br />Sentimentos &agrave; flor da pele.</p><p>Enquanto a maioria<br />Das pessoas contenta-se <br />Com o profano, com o cotidiano,<br />As lentes com que vestias o mundo<br />Captavam incandescentes, vozes,<br />As cores desta tecedura <br />Que jaz mais abaixo, <br />Mais embaixo de nossa rasa<br />E emba&ccedil;ada vis&atilde;o.</p><p>Alma inquieta e passageira,<br />Tua visita nos foi breve.<br />N&atilde;o gostastes do que vistes,<br />Sofrimento &eacute; o que sentistes,<br />Mas fizestes quest&atilde;o<br />De relatar tuas desventuras <br />A um mundo ap&aacute;tico<br />&Agrave;s tuas alegrias e tristezas.</p><p>Bondade tua, irm&atilde; generosa,<br />Em abrir esta janela<br />E expor tua alma <br />Nua, crua e dessangrada.<br />Ressonam ainda em meu peito<br />Tuas palavras ind&oacute;ceis,<br />Teus sonetos de morte.</p><p>De um certo modo,<br />Que n&atilde;o sei como provar,<br />Teu fim pressagia come&ccedil;os.<br />Traz em si a mesma esperan&ccedil;a,<br />Que perdestes descuidada<br />Num canto escuro da tua cozinha.</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />05/11/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Colagem Em Dois Tempos</title>
          <pubDate>07/10/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/33615-colagem-em-dois-tempos</link>
          <description><h4>Colagem Em Dois Tempos</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>A mo&ccedil;a traz consigo uma express&atilde;o delicada e vazia<br />Meu veloc&iacute;pede esquecido na pra&ccedil;a<br />Rubor e paix&atilde;o, m&atilde;o recolhida e fria, sen&atilde;o<br />Tr&ecirc;s voltas pela pra&ccedil;a ser&atilde;o tr&ecirc;s anos perdidos?<br />Amor casto e dispon&iacute;vel, pouco h&aacute; o que buscar<br />Onde procurar? Atr&aacute;s do cinema e sua tela vazia<br />Fotografias percorrem meus olhos, um filme<br />Pele clara e perfumada, l&aacute;bio entreaberto<br />&Eacute; uma &acirc;nsia incontrolada, &eacute; t&atilde;o leve o teu arfar<br />No t&uacute;nel do tempo h&aacute; um lugar para o que sobrou de mim<br />Cinderela e Branca de Neve p&otilde;em-me a chorar<br />Brinquedo delicado, meu carinho onde est&aacute;?<br />Olhos claros, o que buscas &eacute; mais al&eacute;m<br />Do meu quarto escuro, da cama onde pulamos<br />Meu irm&atilde;o e eu, embaixo do sof&aacute; procuro<br />Recuso teu convite, n&atilde;o quero, n&atilde;o vou aceitar<br />Meu passado n&atilde;o inclui, teu futuro me exclui<br />Na floresta, meu av&ocirc; usa uma boina e d&aacute;-me &aacute;gua<br />Nas cidades me perdi, inc&uacute;ria e desilus&atilde;o<br />A quem d&aacute;s este amor, se j&aacute; te vais e eu n&atilde;o sou?<br />Quem vai quebrar os discos de outrora?<br />Setenta e oito rota&ccedil;&otilde;es, meu cora&ccedil;&atilde;o d&aacute; voltas<br />Alva e alva e alva, pele com que ro&ccedil;as em c&oacute;cegas desnuda<br />Permuta, vivi a vida assim, dos outros era eu aos poucos<br />Arrancar-te de mim, o jogo de porcelana carmim<br />O caf&eacute; das quatro esquenta no bule, &eacute; tarde na serra<br />Minha m&atilde;e parte o bolo e sorri, e tu j&aacute; partes e ris<br />H&aacute; um po&ccedil;o a escavar, o que procuro &eacute; t&atilde;o profundo!<br />O mo&ccedil;o tem uma forquilha e &aacute;gua vai achar<br />Na igreja, teus futuros filhos, aves atentas, j&aacute; olham-me interrogativos<br />Um Cristo desnudo agora vagueia, impr&oacute;prio, desorientado<br />Escapou da B&iacute;blia, tua correta identidade, a minha idade<br />Meu pai jaz doente, tenho medo do que n&atilde;o sei<br />Mais pavor ainda do que j&aacute; antecipei, tu e o teu rei<br />Queres o que queres e n&atilde;o me queres, me queres<br />Abajur, bibel&ocirc;, complemento e acess&oacute;rio, decora&ccedil;&atilde;o.<br />Vai embora o avi&atilde;o, solto pelo aeroporto sou crian&ccedil;a<br />A tarde cai e a orquestra toca Chopin, <br />Minha m&atilde;e, ao piano, sorri. Parecia feliz. N&atilde;o durou.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />07/10/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Percepção</title>
          <pubDate>18/09/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/32787-percepcao</link>
          <description><h4>Percepção</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Ainda que n&atilde;o saiba<br />Das coisas<br />Seu verdadeiro teor,<br />Delas guardo mais,<br />Reminisc&ecirc;ncia,<br />Apurado, ingente,<br />E derradeiro sabor.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />18/09/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Distâncias</title>
          <pubDate>01/09/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/32156-distancias</link>
          <description><h4>Distâncias</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Sobe na rampa o foguete.<br />Mensageiro do abismo,<br />Traz consigo a solid&atilde;o<br />De um mundo novo<br />E desde sempre agressivo.<br />Vai, a toda velocidade,<br />Em dire&ccedil;&atilde;o ao nada,<br />Ao grande vazio que engole<br />Gal&aacute;xias prenhes e suas proles.</p><p>Pulsa forte e descontrolado<br />Meu cora&ccedil;&atilde;o aflito.<br />Ouvir tua voz ao telefone<br />Ainda me agita.<br />Corta por dentro a saudade,<br />Faca fina e pontiaguda,<br />A cega e absurda l&acirc;mina<br />Da tua aus&ecirc;ncia.</p><p>L&aacute; em cima, no c&eacute;u, <br />&Agrave; dist&acirc;ncia e no passado,<br />Brilham imensos s&oacute;is.<br />Vorazes, que infernos<br />Estar&atilde;o a consumi-los?<br />Que sil&ecirc;ncios milenares,<br />Da profunda escurid&atilde;o do nada<br />Torturam, trituram,<br />Com suas for&ccedil;as de esmagar,<br />De queimar por dentro?</p><p>Tua voz, agora solene e s&eacute;ria, <br />Ainda repercute<br />Em meu peito compungido.<br />Inst&acirc;ncias formais da separa&ccedil;&atilde;o,<br />Com suas cortinas de tristeza,<br />Seus v&eacute;us de desesperan&ccedil;a,<br />A marcar o compasso<br />E o  ritmo desta rela&ccedil;&atilde;o.</p><p>Como compreender, <br />Tanto amor e desperd&iacute;cio?<br />Para que toda esta imensid&atilde;o?<br />Que plano divino &eacute; esse, <br />Que isola estrelas, <br />Brilhando tristes, almas, <br />Na vasta desola&ccedil;&atilde;o?</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />01/09/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Pais e Filhos</title>
          <pubDate>29/08/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/32000-pais-e-filhos</link>
          <description><h4>Pais e Filhos</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Os deuses, se os h&aacute;, <br />Est&atilde;o confusos.<br />Como adivinhar <br />Por onde vamos?<br />Apreensivos, <br />Ficam a observar<br />O tortuoso caminho<br />Que tomamos.</p><p>Entristecidos se v&atilde;o, <br />Porque partimos,<br />A dist&acirc;ncia aumenta<br />E n&atilde;o voltamos.<br />Pais sequiosos que s&atilde;o<br />Indagam, sofrem:<br />-Que ser&aacute; dos filhos<br />Que amamos?</p><p>N&atilde;o h&aacute; mais volta, agora que sa&iacute;mos,<br />Adolescente humanidade que tateia.<br />Ignoramos o que vemos e ouvimos,<br />Enredados neste mundo, nossa teia.<br />Brincamos desatentos e seguimos<br />Por tardes que a Noite j&aacute; margeia.</p><p>E os deuses p&otilde;em-se a pensar<br />Que ser&aacute; do porvir, do amanh&atilde;?<br />Ter&atilde;o coragem para sonhar<br />Uma nova alegria, ainda que v&atilde;?<br />Que &eacute; a de ter filhos e os amar<br />Para perde-los &agrave; vida e ao seu af&atilde;?</p><p>Deuses h&aacute; ou deuses houve,<br />Porque freq&uuml;entemente deles precisamos,<br />Seja do obsequioso pai que nos ouve,<br />Seja da compadecida m&atilde;e que amamos,<br />Dada a oportunidade que nos aprouve.</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />29/08/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Peixes</title>
          <pubDate>19/08/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31719-peixes</link>
          <description><h4>Peixes</h4><p><![CDATA[Quando descrevo<br />E n&atilde;o entendes<br />As vis&otilde;es que tenho<br />Deixas-me a contemplar, sozinho<br />Os estranhos pensamentos <br />As miragens que me assombram<br />E me apavoram<br />Diuturnamente</p><p>Fantasmas furtivos, estes <br />S&oacute; entrevistos, sentidos <br />Por fra&ccedil;&otilde;es de segundo<br />Trazendo em seu bojo um oceano <br />De significados, coisas <br />Que num momento s&atilde;o claras<br />No instante seguinte obscuras</p><p>Como peixes que saltam <br />Para fora da imensid&atilde;o do mar<br />Brilhando ao sol por um momento <br />Iridescentes  <br />E que depois somem, tornam <br />&Agrave;s profundezas de onde vieram<br />Irresgat&aacute;veis para sempre<br />Deixando para tr&aacute;s por&eacute;m um gosto <br />Um sentido do impenetr&aacute;vel <br />De que toquei algo mais fundo<br />Que n&atilde;o se exp&otilde;e, mas est&aacute; l&aacute;<br />Esperando na escurid&atilde;o<br />Inescrut&aacute;vel</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />19/08/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                      <media:content url="jpg20260224232453" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Desolação</title>
          <pubDate>15/08/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31579-desolacao</link>
          <description><h4>Desolação</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Na minha casa<br />J&aacute; n&atilde;o batem mais &agrave; porta<br />At&eacute; mesmo as janelas <br />Cujas cortinas brancas<br />A brisa costumava embalar<br />Quedam-se agora mudas<br />Cegas, para o desmazelo<br />Do jardim l&aacute; fora</p><p>N&atilde;o h&aacute; gra&ccedil;a nenhuma no capim<br />Que ora medra impune<br />Aonde roseiras um dia floriram<br />Descontrolado<br />Verdeja para o sol a pino<br />Faz companhia<br />Para as sombras quentes<br />Para os beirais recortados<br />No ch&atilde;o de cimento do p&aacute;tio</p><p>Vento, agora<br />J&aacute; n&atilde;o sobra quase algum<br />Somente um bafo<br />Agonizante e &uacute;mido<br />Soturnamente, ele<br />Penetra casa adentro<br />Feito uma onda surda<br />Fazendo-a ainda mais<br />Abafada e sufocante</p><p>A tarde de ver&atilde;o inspira desesperos<br />Como esconder-se<br />Deste fulgor que a tudo abrasa? <br />Como fugir<br />Deste clar&atilde;o que a tudo acende?<br />Nada resta<br />Sen&atilde;o ansiar pelo entardecer<br />Que nunca chega<br />Pela chuva que pouco far&aacute;<br />Noite adentro<br />Al&eacute;m de trazer<br />Ainda mais umidade<br />Para o ar j&aacute; saturado e viscoso</p><p>Dorme o dia de olho aberto<br />C&atilde;o sarnento e ofegante<br />Nada atrevendo-se a enfrent&aacute;-lo<br />Somente as &aacute;rvores, com seu verde<br />Com sua sede de encarar o sol de frente<br />Aproveitam-se desta infus&atilde;o de luz<br />Para quietamente engendrar<br />Sua qu&iacute;mica de planta<br />Seus rebentos de claridade</p><p>Abandonados estamos<br />Minha casa e eu<br />E vivemos um tempo de estranhezas<br />Passado e presente<br />J&aacute; n&atilde;o conjugam<br />A soma dos dias n&atilde;o fecha<br />E um let&aacute;rgico torpor assoma<br />O que restou de nossos dias</p><p>Alienados que fomos<br />Por uma realidade<br />In&oacute;spita e alheia<br />Transformados<br />Em fantasmas antecipados<br />De uma morte langorosa<br />Largamente postergada<br />Pelo lento decair<br />De corpos e mente<br />Instala&ccedil;&otilde;es e mob&iacute;lia</p><p>Paralizados pelo inesperado<br />Assola-nos uma profunda confus&atilde;o<br />Nada mais faz sentido<br />Como um rio e seu curso<br />S&uacute;bitamente alterados<br />Vagamos inermes <br />Por territ&oacute;rio desconhecido</p><p>A morte<br />Esta amiga estrangeira<br />Ora em prolongada visita<br />Trouxe-nos por presente<br />Uma pequena amostra da Desola&ccedil;&atilde;o <br />Subtraiu-nos daquilo<br />Que fazia sentido</p><p>E j&aacute; n&atilde;o podemos mais<br />Participar do mundo<br />A vida esvaiu-se destes quartos<br />Como um grande ralo<br />Um v&aacute;cuo engoliu o presente<br />Sugou suas mem&oacute;rias, nomes e faces<br />Pesadas demais para carregar adiante</p><p>Vazios, dessangrados de nossa ess&ecirc;ncia<br />N&atilde;o nos &eacute; mais poss&iacute;vel prosseguir<br />Resta agora apenas esperar<br />Pela longa noite e a chuva<br />Que nunca chega</p><p>O nosso tempo acabou</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />15/08/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Compulsão</title>
          <pubDate>12/08/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31513-compulsao</link>
          <description><h4>Compulsão</h4><p><![CDATA[(Elogio ao Verso Livre)</p><p>Como metrificar esta &acirc;nsia<br />Fantasma descontrolado, feroz<br />Turbilh&atilde;o, desmedida inst&acirc;ncia<br />Da palavra e da frase veloz?</p><p>Que s&uacute;bito vem, e me acomete<br />Tal qual febre insalubre e mals&atilde;<br />E que a mais pesadelos remete<br />&Agrave; luz morti&ccedil;a da fria manh&atilde;?</p><p>Enxurrada, torrente furiosa<br />&Eacute; como chuvarada de ver&atilde;o<br />D'alma em tresloucada agita&ccedil;&atilde;o</p><p>Toma tudo pela frente, ciosa<br />Em meu breve e louco impulso<br />Reabrindo a cicatriz no pulso]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />12/08/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Desejo</title>
          <pubDate>08/08/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31432-desejo</link>
          <description><h4>Desejo</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Na c&uacute;spide de todo objeto<br />Habita um fio, um gume<br />Gosto apurado e ingente<br />O perigo de todo o dia<br />Um viver agu&ccedil;ado entre pontas<br />Desejo n&uacute;, desperto, aceso<br />Pela vis&atilde;o do teu corpo<br />Na cama, repousado e quente]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />08/08/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Amanhã é 23</title>
          <pubDate>01/08/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31227-amanha-e-23</link>
          <description><h4>Amanhã é 23</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p>Nasce uma estrela. Amanh&atilde; &eacute; 23. <br />O tempo empilha mem&oacute;rias em uma gaveta desarrumada. <br />O caos, a realidade, entram e saem de foco. <br />Uma neblina une eventos, objetos. <br />Pessoas formam uma grande massa disforme e colorida.<br />Vida, como discernir algum sentido dessa est&oacute;ria?<br />Como arrancar um objetivo &agrave; depress&atilde;o?<br />M&uacute;sica e isolamento parecem ser as poucas coisas a mitigar esta sensa&ccedil;&atilde;o de profunda decep&ccedil;&atilde;o. <br />Jovens morrem todos os dias sem saber deste mar da meia-idade, vasto e desolado. <br />Um navio desarvorado navega com dificuldade e sem rumo.<br />O porto da mem&oacute;ria &eacute; uma miragem montada em torno &agrave; fraude.<br />O passado mente. <br />Poucas coisas sobrevivem ao teste do tempo e a verdade n&atilde;o est&aacute; entre elas.</p><p>No jornal, o caderno de domingo traz not&iacute;cias de mundos distantes. <br />&Eacute; tudo um grande Carnaval. <br />Em algum lugar, algu&eacute;m esfor&ccedil;a-se e finge divertir-se. <br />Nada mais parece certo. <br />A localidade das percep&ccedil;&otilde;es confirma Einstein. <br />Al&eacute;m daqui est&aacute; o passado e o agora &eacute; carregado &agrave;s costas como um caramujo e sua concha. <br />Ligado &agrave; sua teia come&ccedil;a o homem, e ele fala a l&iacute;ngua das multid&otilde;es.</p><p>Boiando no rio passa lentamente a vida. <br />Onde ela come&ccedil;ou, ningu&eacute;m sabe, <br />Mas no grande oceano, onde tudo des&aacute;gua, <br />Decomp&otilde;em-se lentamente milh&otilde;es de corpos. <br />S&atilde;o gera&ccedil;&otilde;es de navegantes. <br />N&atilde;o h&aacute; peixes nem moluscos para tanta podrid&atilde;o. <br />No delta do rio, onde come&ccedil;a a morte? <br />Onde acaba a vida? <br />No &uacute;ltimo suspiro, ou quando a mortalidade &eacute; percebida pela primeira vez? <br />No final, o rio entope o mar.</p><p>Uma flor expande-se como o horizonte e exp&otilde;e o tempo em sua delicada beleza.<br />Crescemos sem o perceber? <br />O espa&ccedil;o, m&atilde;e ciosa e discreta, amamenta estrelas. <br />Quantas cordas fazem um super-violino? <br />Quantos orgasmos fazem uma mulher? <br />No centro de toda gal&aacute;xia h&aacute; um buraco negro. <br />Ele suga o homem que o suga, at&eacute; nada mais sobrar. <br />Da fruta chupada sobra somente o caro&ccedil;o ca&iacute;do no ch&atilde;o. <br />Na paisagem do mangue, onde come&ccedil;a o homem? <br />Onde acaba o homem naquela mulher? <br />Mulher capaz de sangrar na pra&ccedil;a, <br />Capaz de dissolver os ossos daquele homem. <br />Como a m&atilde;e dissolveu os dias de seu pai. <br />Os leitos dos rios e dos casais s&atilde;o lugares profundos e trai&ccedil;oeiros. <br />Quantos n&aacute;ufragos e quantos afogados!</p><p>Confiante, a nau do otimismo mergulha no v&oacute;rtice que a tragar&aacute;.<br />Todos os dias surgem novas possibilidades. <br />Multiplicam-se as promessas.<br />A todo momento brotam oportunidades,<br />Oscila&ccedil;&otilde;es qu&acirc;nticas do vasto espa&ccedil;o vazio.<br />Quando, por&eacute;m, exaurida do sol a sua for&ccedil;a, chegar a noite, <br />Virgens est&eacute;reis ir&atilde;o dormir as boas inten&ccedil;&otilde;es. <br />Pois o dia j&aacute; traz embutida a sua pr&oacute;pria ru&iacute;na. <br />A rotina, como o rato, r&oacute;i, erode a vontade.<br />A topologia do progresso, como as estradas do Brasil, &eacute; cheia de buracos.</p><p>Gritam, hoje, as bocas que j&aacute; foram amigas;<br />Todos os l&aacute;bios sedentos j&aacute; foram um dia saciados.<br />Lasso, o redentor jaz agora morto.<br />Traz por mortalha um len&ccedil;ol manchado.<br />Quantas Madalenas por-se-&atilde;o a chorar?<br />Lamenta&ccedil;&otilde;es e desesperan&ccedil;a cobrem suas faces.<br />Espera! Porque te vais? <br />Quem acolher&aacute; o escolhido?<br />Ressuscitado, ele voltar&aacute; transfigurado, <br />Sob a luz de uma nova estrela.<br />Acende a chama, supernova maravilhosa!<br />Resgata as ilus&otilde;es, as eras passadas e mortas.<br />Empresta teus anos, para que a vida,<br />Uma vez mais, pulse com o sabor de antigamente.</p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />01/08/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Manhã na Serra</title>
          <pubDate>27/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31059-manha-na-serra</link>
          <description><h4>Manhã na Serra</h4><p><![CDATA[&nbsp;</p><p><span style="font-size: medium;"><strong>D</strong></span><span style="font-size: small;">esce &agrave; terra, solene como um bal&atilde;o, o dia<br />J&aacute; luz a manh&atilde;, claridade penetrante e fria<br />Cobre o vale, incendeia o campo seco<br />Afugenta a escurid&atilde;o e a neblina<br />Sua capa de len&ccedil;&oacute;is, a cambraia mais fina<br />Manto que a noite, silente e descuidada <br />Deixou para tr&aacute;s</span></p><p><span style="font-size: small;">Escura e esmeralda, desperta a mata<br />Sob o calor, luz amarela que agora avoca<br />Sons e cheiros h&aacute; pouco adormecidos <br />De musgos, de plantas e &aacute;rvores<br />A gotejar o &uacute;ltimo suor da madrugada<br />Na encosta iluminada e &iacute;ngreme</span></p><p><span style="font-size: small;">Flores abertas a encarar o sol: um ip&ecirc; revela<br />Do que &eacute; feito o inverno e a serra</span></p><p><span style="font-size: small;">Pela vereda, morro acima, ladeira abaixo<br />Um homem caminha semi-adormecido<br />Vai, meio &iacute;ndio, meio cidad&atilde;o de um pa&iacute;s amarrotado<br />Buscar n&atilde;o sabe bem aonde o sustento<br />Algo que possa aplacar esta fome<br />Antiga e essencial, de muitas outras gera&ccedil;&otilde;es<br />Fome retrasada e verminosa<br />Que arrefeceu as esperan&ccedil;as dos seus filhos<br />E deixou seu cachorro ainda mais magro</span></p><p><span style="font-size: small;">Voam alto, agora, os urub&uacute;s onipresentes<br />Velhos s&aacute;bios a reciclar a natureza, <br />Inspecionam a paisagem, circunspectos<br />E, da delicada flora&ccedil;&atilde;o que &eacute; o dia ainda incipiente<br />Nos rec&ocirc;nditos da esquecida Am&eacute;rica do Sul <br />Brota a mis&eacute;ria mais triste, o contraste mais forte<br />Para as orqu&iacute;deas e as samambaias<br />E os beija-flores no jasmim-manga</span></p><p><span style="font-size: small;">O roxo, fr&aacute;gil postulado de beleza dos jacarand&aacute;s<br />Anuncia a primavera iminente e eternamente postergada<br />Para o homem sem passado e sem futuro.<br /></span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />27/07/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                      <media:content url="jpg20260224232452" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Tarde de Chuva</title>
          <pubDate>24/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30966-tarde-de-chuva</link>
          <description><h4>Tarde de Chuva</h4><p><![CDATA[<span style="font-size: small;"><strong><span style="font-size: medium;">A</span></strong> morte<br />&Eacute; mais do que uma tarde fria<br />N&atilde;o &eacute; esta chuva fina<br />Que cai, amolecendo<br />Plantas e ossos</span></p><p><span style="font-size: small;">N&atilde;o<br />A morte &eacute; mais</span></p><p><span style="font-size: small;">&Eacute; mais<br />Um grande esquecimento<br />Um sono antigo e pesado<br />Que arrebata nossas mem&oacute;rias<br />Apagando lentamente<br />As sombras do que j&aacute; fomos<br /></span></p><p><span style="font-size: small;">Num adormecer gostoso<br />Um quase aconchego<br />Para aqueles que j&aacute; n&atilde;o podem<br />Dos que j&aacute; n&atilde;o querem mais<br />Prosseguir</span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />24/07/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                      <media:content url="jpg20260224232452" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Noturno</title>
          <pubDate>20/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30865-noturno</link>
          <description><h4>Noturno</h4><p><![CDATA[&nbsp;&nbsp;&nbsp; <br />Teus olhos s&atilde;o como florestas.<br />Crescem &agrave; noite<br />Sob o reflexo negro dos espelhos,<br />E tem espinhos<br />&nbsp;<br />Vidros, tuas pupilas,<br />S&atilde;o dois espectros.<br />Vagam incertos pelos quartos<br />Desertos da espessa presen&ccedil;a humana.<br />&nbsp;<br />Na escurid&atilde;o,<br />O sabor das coisas intensifica-se.<br />Morder teu l&aacute;bio<br />&Eacute; uma &acirc;nsia incontrolada.<br />Despido do pudor pela luz ausente,<br />Ouso novamente saber<br />Ser teu amante.<br />&nbsp;<br />Da noite,<br />Vestido de obscuridade,<br />Por teu corpo a esmo perambulo.<br />Meu tato agu&ccedil;ado<br />Pelo sentido da tua pele,<br />Suave, sedosa, concreta.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />20/07/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                      <media:content url="jpg20260224232452" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Anoitecer na Avenida</title>
          <pubDate>16/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30776-anoitecer-na-avenida</link>
          <description><h4>Anoitecer na Avenida</h4><p><![CDATA[&nbsp; <br />Como descrever a avenida e seus vultos?<br />Teu cheiro &eacute; um fr&ecirc;mito s&oacute;.<br />Os &ocirc;nibus s&atilde;o tantos, formam uma fila sem fim,<br />E o l&oacute;bulo da tua orelha exuda um sabor,<br />Procuro por entre os carros e o caos do entardecer,<br />An&ocirc;nimo, silente, querendo ser teu amante,<br />Al&eacute;m dos passantes adivinho teu rosto,<br />Desde h&aacute; muito come&ccedil;amos esta viagem,<br />Tocar tua nuca &eacute; sentir este arfar ansioso,<br />Convergimos lentamente sob a luz cambiante dos luminosos,<br />&nbsp;<br />M&atilde;os entrela&ccedil;adas transmitindo uma eletricidade,<br />O calor macio da tua pele faz-me estremecer,<br />Por um momento, esque&ccedil;o quem sou,<br />E a ouvir tua respira&ccedil;&atilde;o ritmada, em teus bra&ccedil;os, <br />Exausto, fecho os olhos e adorme&ccedil;o.<br />&nbsp;<br />Jaz o mundo l&aacute; fora, e dele j&aacute; n&atilde;o sou mais,<br />Toda ansiedade dissolve-se aos poucos,<br />Os ru&iacute;dos &agrave; dist&acirc;ncia, e mais nada.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />16/07/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
          <item>
          <title>Toque</title>
          <pubDate>14/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30703-toque</link>
          <description><h4>Toque</h4><p><![CDATA[&nbsp;&nbsp; <br />Toca de leve tua m&atilde;o na minha,<br />Toca<br />Toca que eu quero sentir<br />O gosto de saber quem &eacute;s<br />Real para al&eacute;m do sonho<br />De saber-me tocado e sentindo<br />Sabendo, assim, que tocado tendo<br />Eu tenho<br />A v&iacute;vida chama em meu peito<br />E a certeza de saber que &eacute;s<br />Bem-vinda.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />14/07/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
                </item>
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          <title>Dia Novo</title>
          <pubDate>08/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30509-dia-novo</link>
          <description><h4>Dia Novo</h4><p><![CDATA[No ar luminoso da manh&atilde;, <br /> Sob o sol que ainda mal aparece,<br /> Por sobre casas e apartamentos,<br /> Paira teu nome, segredo. Esse,<br /> Signo indel&eacute;vel, que ora ascende, brilha <br /> Envolto na luz clara desse dia frio.<br /> &nbsp;<br /> Tua presen&ccedil;a &eacute; <br /> A discreta origem dos sonhos, <br /> Dos campos e espa&ccedil;os por onde ando,<br /> Me acho e me perco pensando, imaginado<br />Que sei as respostas a perguntas imposs&iacute;veis,<br />D&uacute;vidas atrozes que me consomem, <br /> Constantemente.<br /> &nbsp;<br /> Tua vinda, no entanto, sempre &eacute;<br /> Bem-vinda, ansiosamente esperada,<br /> Como o sol em cada manh&atilde;, <br /> Dia t&atilde;o novo e t&atilde;o claro, <br /> &Eacute; algo que n&atilde;o tem explica&ccedil;&atilde;o, <br /> Mas tem sentido. <br /> &nbsp;<br />Tem o sentido das coisas secretas, <br /> Dos desejos irrespondidos, <br /> Das obscuras e nem sempre congruentes<br /> Inten&ccedil;&otilde;es da vida. <br /> &nbsp;<br /> Que trazes &agrave; luz, que desconhe&ccedil;o? <br /> Que for&ccedil;a &eacute; esta que trago, urgente e feroz, <br /> Que a tudo &agrave; minha volta transforma? <br /> Realidade, j&aacute; n&atilde;o me parece mais<br /> A mesma; sua mat&eacute;ria, sonhos<br /> J&aacute; tomam outra dire&ccedil;&atilde;o, outro sentido.</p><p>E no espa&ccedil;o acima desta cidade</p><p>Linda, em eterna evolu&ccedil;&atilde;o, nasce</p><p>Cresce, pulsa com o ritmo</p><p>Do teu cora&ccedil;&atilde;o, luminoso e belo.</p><p>Um sentimento, um segredo:</p><p>Sedu&ccedil;&atilde;o, um sereno sentido novo,</p><p>Um delicado ser, meu amor ainda crian&ccedil;a.&nbsp;&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/Uriel' title='Biografia do Poeta: Uriel da Mata'><b>Uriel da Mata</b></a><br />08/07/2008</p></description>
          <author>Uriel da Mata</author>
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