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        <title>Site de Poesias</title>
        <link>https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano</link>
        <description>O Site de Poesias é um centro de poemas, de alguma forma, significativos; seja pelo conteúdo, pela métrica, pelas rimas... Mas principalmente pelos sentimentos que a boa poesia evoca na alma: tristeza, alegria, saudade, felicidade, amor, Deus. Porque escrever é uma arte: é traduzir o intraduzível!</description>
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        <title>Site de Poesias</title>
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          <title>Riscos do Caminho (I)</title>
          <pubDate>22/02/2014</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/99786-riscos-do-caminho-i</link>
          <description><h4>Riscos do Caminho (I)</h4><p><![CDATA[Perdi um trem b&atilde;o, veio um trem v&eacute;io (um trem veio? veio o v&eacute;io? na veia? h&aacute; veia? a v&eacute;ia via a aveia, via o v&eacute;io que veio na via, mas n&atilde;o havia a ave que a v&eacute;ia, viva, via: ave Maria!)<br />Preciso dormir.<br /><span style="font-size: smaller;">(23h39)</span><br />&nbsp;<br /><strong>-----</strong><br />&nbsp;<br />E eu, sujeito abstrato, me desliguei do verbo concreto: &eacute; um barato (de gra&ccedil;a, de fato) predicativar o adjunto abjeto...<br />- Voc&ecirc; vem sempre aqui, objeto?<br />- Direeeeeto...<br /><span style="font-size: smaller;">(23h58)</span><br />&nbsp;<br /><strong>-----</strong><br />&nbsp;<br />O &ocirc;nibus parado esgar&ccedil;a o Tempo: &eacute; incr&iacute;vel! No rel&oacute;gio ele nem passa (disfar&ccedil;a, passivo), mas a sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; de que ele t&aacute; vivo, faz gra&ccedil;a, e simula um mil&ecirc;nio, e &eacute; farsa: &eacute; um segundo cativo do la&ccedil;o do Tempo, que la&ccedil;a o momento, e abra&ccedil;a o imposs&iacute;vel, e emba&ccedil;a... e emba&ccedil;a... e emba&ccedil;a...<br />Relativo!<br /><span style="font-size: smaller;">(0h17)</span><br />&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />22/02/2014</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
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          <title>Desclassificados</title>
          <pubDate>09/08/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/75484-desclassificados</link>
          <description><h4>Desclassificados</h4><p><![CDATA[&nbsp;Tudo que o poeta via era an&uacute;ncios absurdos, den&uacute;ncias da patologia de quem &eacute; surdo &agrave; poesia, regados a hipocrisia e ego&iacute;smo (n&atilde;o se engane: poesia &eacute; altru&iacute;smo e verdade; se n&atilde;o for, entra em pane, perde a cor, n&atilde;o dura, e mergulha no abismo da falsidade, da amargura, da falta de integridade).<br />&nbsp;<br />E tudo era cora&ccedil;&otilde;es desesperados, pendurando milh&otilde;es de classificados sem chance de sucesso nos jornais n&atilde;o-impressos das nuances imateriais:<br />&nbsp;<br /><em>&quot;-Procuro um amor do jeito que eu quero.&quot;</em><br />&nbsp;<br />Espero que desista a tempo - eu juro - porque esse &quot;amor-perfeito&quot;, sem surpresa, entedia: n&atilde;o &eacute; amor, &eacute; atendimento das Casas Bahia. (Quer se doar quanto?) Amor surpreende, &eacute; espanto, &eacute; expans&atilde;o; n&atilde;o se compreende, n&atilde;o tem previs&atilde;o.<br />&nbsp;<br /><em>&quot;-Procuro um amor que me torne completo.&quot;</em><br />&nbsp;<br />Vou dar uma pista e voc&ecirc; raciocina: isso &eacute; amor ou um frentista de posto de gasolina?<br />&nbsp;<br /><em>&quot;-Procuro um amor que fa&ccedil;a tudo por mim.&quot;</em><br />&nbsp;<br />Amiga, simples assim: quem compraria essa briga doentia? Voc&ecirc; compraria? Com que fim? Confia em mim: seu umbigo n&atilde;o &eacute; o centro do mundo (am&eacute;m! ainda bem!); e essa idolatria n&atilde;o se sustentaria sem perigo, sem dano profundo ao valor humano de algu&eacute;m.<br />&nbsp;<br />...<br />&nbsp;<br />E o poeta percebeu o porqu&ecirc; da repeti&ccedil;&atilde;o: s&oacute; anuncia assim quem n&atilde;o v&ecirc; sequer um clar&atilde;o de poesia, quem n&atilde;o leu uma linha do que &eacute; doa&ccedil;&atilde;o de verdade: da uni&atilde;o que respeita a individualidade, do amor que s&oacute; d&aacute; quem entende seu valor inerente. S&oacute; precisa de classificado quem tal tratado n&atilde;o assimila; os outros n&atilde;o ficam parados na fila.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />09/08/2011</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Castelo dos Medos</title>
          <pubDate>07/02/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/67824-castelo-dos-medos</link>
          <description><h4>Castelo dos Medos</h4><p><![CDATA[Voltei do Castelo dos Medos. T&atilde;o belos segredos se me escancararam na busca, que o singelo torpor que ganhei nem me assusta: trombei com tanto tremor que me frustra e incapacita, que uma certa anestesia de compor era prevista e at&eacute; bem-vinda, bonita, bem-quista. O duelo foi bruto (luta injusta!): cada golpe de martelo que eu dava num medo astuto, vinha doer era meu dedo inocente em vez do fuj&atilde;o oponente. (Ele se oculta na execu&ccedil;&atilde;o do ato! E a martelada direta, de fato, acerta s&oacute; meu cora&ccedil;&atilde;o indefeso: revira as mesas, derruba os retratos, quebra os pratos, risca o ch&atilde;o no peso da pancada. No fim das contas, &eacute; cora&ccedil;&atilde;o que se desmonta pra todo lado dentro de mim - tanta ru&iacute;na carmesim! t&atilde;o pouca monta! tanto desprezo! - e jaz o medo fugaz, refugiado no centro do interior mais remoto, roubando-me a paz l&aacute; de onde se esconde e eu nem noto.)<br />&nbsp;<br />Mas tudo se refez, como sempre se refaz no meu cora&ccedil;&atilde;o - Castelo dos Medos - cada vez que eu abro m&atilde;o do anelo-utopia de desvendar-me todos os segredos. Contemplei a imensid&atilde;o do que me afligia o peito, com solene respeito, e finalmente entendi a poesia iminente do que me limita: &eacute; perfeito, simplesmente! O poema j&aacute; est&aacute; feito, a rima escrita em cada receio recorrente, obras-primas de todo conflito que me habita, de todo dilema, de tudo o que creio e omito e confio e resisto e desafio e admito...<br />&nbsp;<br />Voltei do Castelo abandonando o flagelo da super-explica&ccedil;&atilde;o: deixa haver o temor que proteja o cora&ccedil;&atilde;o; pois o que quer que seja o amor, carrega a maldi&ccedil;&atilde;o de ser capaz de destru&iacute;-lo, mas o medo tranq&uuml;ilo inibe a entrega contumaz e inoportuna de afei&ccedil;&atilde;o que traz o sofrer, e embora limite a paz, acredite: o medo costuma saber o que faz.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />07/02/2011</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Pra ti, Cidade</title>
          <pubDate>10/03/2009</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/39782-pra-ti-cidade</link>
          <description><h4>Pra ti, Cidade</h4><p><![CDATA[Eu n&atilde;o sei em que curva nas estradas da cidade da vida minha paci&ecirc;ncia ficou perdida; mas quando escuto essas historinhas turvas, mal-contadas, fingidas, luto contra a rea&ccedil;&atilde;o primal por excel&ecirc;ncia: a indiferen&ccedil;a (deslavada, estendida, desentendida, escavada e esculpida, escarrada e cuspida, recalcada e sacudida). D&aacute; vontade de ignorar essa gente dessa cidade perdida, doente: &eacute; preciso respirar e voltar ao s&atilde;o ju&iacute;zo pra n&atilde;o largar de m&atilde;o, sem sobreaviso...</p><p>Mas aqui na cidade da difama&ccedil;&atilde;o ainda deve ter algu&eacute;m de cora&ccedil;&atilde;o sadio, que n&atilde;o viva t&atilde;o vazio a ponto de encontrar satisfa&ccedil;&atilde;o falando de outrem; que prefira o bem da cidade a inventar um conto de atrocidade s&oacute; pela ilus&atilde;o da popularidade (que vai e vem); que escolha, enfim, a verdade (am&eacute;m!). N&atilde;o por mim, mas por receio do que esse algu&eacute;m colha aqui na planta&ccedil;&atilde;o de abrolhos, &eacute; que fico nesse meio: escolho estar por perto, mas de olho bem aberto...</p><p>N&atilde;o que me tire o sono: deixo as palavras que eles me atiram ca&iacute;rem no abandono, na desconfian&ccedil;a... (Eu ainda confio na esperan&ccedil;a! O fofoqueiro, sem precisar da minha vingan&ccedil;a, vai se queimar primeiro...) O meu interesse &eacute; s&oacute; que a cidade cres&ccedil;a sozinha, sem n&oacute;, sem estresse; e que quem me conhe&ccedil;a nunca se esque&ccedil;a que <em>&quot;fofoquinha, ningu&eacute;m merece!&quot;...</em>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />10/03/2009</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
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          <title>Agonismos</title>
          <pubDate>22/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30902-agonismos</link>
          <description><h4>Agonismos</h4><p><![CDATA[<em>Ando</em> meio <em>parado</em> ultimamente, que a corrente do verso sagrado n&atilde;o se prev&ecirc; - &eacute; intermitente; e a seu bel-prazer nos banha ou desvia da gente: ora poesia tamanha, ora sil&ecirc;ncio insolente...</p><p><em>Vivo morrendo</em> de pressa, correndo &agrave; be&ccedil;a, entregue &agrave;s pe&ccedil;as que o tempo me prega (como quem renega seus objetivos e se entrega a um carrasco imagin&aacute;vel, invis&iacute;vel; que seria intrat&aacute;vel, cheio de ira, tem&iacute;vel - se n&atilde;o fosse mentira...)</p><p><em>Me entendo incompreens&iacute;vel;</em> e, <em>simplesmente complexo,</em> me rendo &agrave; inadmiss&iacute;vel l&oacute;gica do sem-nexo: se eu fosse t&atilde;o simples que pudesse ser entendido, seria t&atilde;o parvo que teria desistido...</p><p><em>Me encontro perdido,</em> de quando em quando, perambulando deprimido no labirinto escondido dentro de mim. <em>(Me vejo cego,</em> assim...) Procurando a esmo seu fim, sinto que em cada porta que abro reencontro a mim mesmo, macabro, me olhando...</p><p>E <em>acabo recome&ccedil;ando.</em>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />22/07/2008</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
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          <title>Papo-Furado</title>
          <pubDate>05/05/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/28634-papo-furado</link>
          <description><h4>Papo-Furado</h4><p><![CDATA[Diz-que-me-diz que nunca me diz nada, que fala de boca cheia da alma esvaziada, que fala da vida alheia sem freio, e a l&iacute;ngua afiada mente como se fosse fato, de verdade, de propriedade auto-proclamada. Mas certamente, se n&atilde;o de imediato, cedo ou tarde a audi&ecirc;ncia se cansa e evade, na evid&ecirc;ncia da inefici&ecirc;ncia de quem palestra, de quem se debate enquanto mestra o discurso por impulso, sem ci&ecirc;ncia e sem arte. Mesmo quem n&atilde;o parte tem consci&ecirc;ncia do desperd&iacute;cio de tempo e of&iacute;cio, e o morma&ccedil;o do inexerc&iacute;cio incomoda a quem pensa, ao passo que a massa de manobra s&oacute; escuta o que se passa, e nada cobra, e nada pergunta, e acha gra&ccedil;a, e presta rever&ecirc;ncia a quem diz que sabe sem fato, sem prova. Vendo isto, eu n&atilde;o resisto e n&atilde;o deixo barato:<br />-Sabe uma ova!...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />05/05/2008</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>O Ponto de Mutação</title>
          <pubDate>01/04/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/27617-o-ponto-de-mutacao</link>
          <description><h4>O Ponto de Mutação</h4><p><![CDATA[Da vida a gente s&oacute; espera surpresa...</p><p>Mas ela se supera - atrevida! - cada vez numa esfera de grandeza diferente: quanto mais a gente vive, tanto mais fica previs&iacute;vel que ela seja surpreendente; a verdade que hoje &eacute; t&atilde;o ver&iacute;dica, amanh&atilde; parece que mente. E a vida mutante te invade: se outrora tua mudan&ccedil;a era t&atilde;o hesitante, agora ela avan&ccedil;a t&atilde;o galopante que nem tu te reconheces. Me parece que a muta&ccedil;&atilde;o &eacute; a constante da natureza: a transforma&ccedil;&atilde;o &eacute; uma surpresa predita - as coisas, na realidade, n&atilde;o existem: s&oacute; o que persiste &eacute; a const&acirc;ncia infinita da tend&ecirc;ncia de suas disposi&ccedil;&otilde;es; e a isto chamamos de exist&ecirc;ncia. A relev&acirc;ncia das varia&ccedil;&otilde;es nunca ultrapassa a perman&ecirc;ncia destes padr&otilde;es; e se tanta mudan&ccedil;a &agrave;s vezes ilude, eu at&eacute; acho gra&ccedil;a nesta transi&ccedil;&atilde;o...</p><p>(Ou n&atilde;o... Quem sabe amanh&atilde; eu n&atilde;o mude de opini&atilde;o...)]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />01/04/2008</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Negação</title>
          <pubDate>03/03/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/26867-negacao</link>
          <description><h4>Negação</h4><p><![CDATA[Voc&ecirc; vai na corrida maluca, ansiando meu corpo e beijando outras bocas, outras nucas, e nunca na vida alcan&ccedil;ando a plenitude da satisfa&ccedil;&atilde;o: &eacute; sempre pouca, sempre ilus&atilde;o (como ilude!), sempre louca utopia, enfim, quase sim e sempre n&atilde;o. Procura sintonia na loucura de uma fantasia rude, uma falsa paix&atilde;o, e abra&ccedil;a quem passa, no impulso, na &acirc;nsia, na esperan&ccedil;a de que lhe fa&ccedil;a sossegar o cora&ccedil;&atilde;o (ou ao menos cegar-lhe a vis&atilde;o); mas n&atilde;o tem gra&ccedil;a, &eacute; tudo em v&atilde;o, tudo fal&aacute;cia e alucina&ccedil;&atilde;o. E s&atilde;o sempre a escurid&atilde;o, a lua e a solid&atilde;o que trazem a verdade nua e crua: n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil procurar meu abra&ccedil;o em outros bra&ccedil;os, outra face, outro algu&eacute;m - &eacute; fracasso tamb&eacute;m!, e desfaz-se o desejo na amarga decep&ccedil;&atilde;o que &eacute; o que resta do outro beijo, da outra festa, de outra inconseq&uuml;&ecirc;ncia, e outra manh&atilde; de consci&ecirc;ncia entrando pela fresta da janela pra desmascarar o af&atilde;, a car&ecirc;ncia, as bobagens e a dor de quem se perdeu entre imagens borradas de um amor que nunca se calou, que brada em voz alta o tanto que sente minha falta, o quanto n&atilde;o superou o encanto que n&atilde;o finda, que n&atilde;o esqueceu... Invente e tente o quanto puder; mas &eacute; evidente, mulher: o que voc&ecirc; quer ainda sou eu.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />03/03/2008</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Precipitação</title>
          <pubDate>15/01/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/25399-precipitacao</link>
          <description><h4>Precipitação</h4><p><![CDATA[Choveu a chuva de todas as eras, e da minha janela notei que o c&eacute;u enegreceu &agrave; vista dela: <em>escurec&eacute;u!</em> Tive que parar pra v&ecirc;-la, que a Natureza p&aacute;ra, (que a Natureza vela,) e de tudo o que vive n&atilde;o mais se ouve um pio, pois seu som n&atilde;o se compara ao ronco grave e sombrio da voz das nuvens. Contive, a s&oacute;s, minha indigna&ccedil;&atilde;o, calada pelo trov&atilde;o feroz; e assisti passivo ao aguaceiro que passava... (Passageiro aqui, no alto do morro... Na favela, no c&oacute;rrego, socorro! que ele n&atilde;o passa t&atilde;o breve, sem que leve a janela, a casa, e a alegria: chover l&aacute; n&atilde;o tem gra&ccedil;a, n&atilde;o vira poesia...)</p><p>O azul vem rasgando o cinza; a brisa de fim de tarde vai limpando o norte e o sul, deixando o c&eacute;u nu de nuvens; e um restinho de sol que abre seu caminho quer confirmar que a chuva cessou: j&aacute; <em>passol!</em> Mas o sol pra ingl&ecirc;s ver n&atilde;o anima quem se molhou, quem navegou e naufragou na onda pluvial, sem saber se o barraco ag&uuml;entou, ou se encharcou a roupa no varal, ou se o menino, fraco do pulm&atilde;o, vai ter que voltar pro hospital... (Tomara que n&atilde;o, porque a luz acabou, e a prioridade do gerador &eacute; a UTI neo-natal...)</p><p>E a cidade, que j&aacute; se banhou, volta a ter cor e ru&iacute;do de vida: t&aacute; acostumada a ser (des)lavada, sacudida, enxaguada e estendida; o povo sofrido - sobrevivido - j&aacute; superou o flagelo adverso: j&aacute; <em>esquec&eacute;u;</em> e sobrei s&oacute; eu insistindo num verso que a chuva lavou, o vento levou, j&aacute; evaporou, j&aacute; se perdeu...</p><p><em>Evanesc&eacute;u.</em>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />15/01/2008</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Parto</title>
          <pubDate>07/11/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/23759-parto</link>
          <description><h4>Parto</h4><p><![CDATA[...que o poema que gesto j&aacute; n&atilde;o me cabe, e eu n&atilde;o me presto a tudo o que ele sabe, que ele trama: a natureza o chama, e eu me limito, e na grandeza do infinito brilho ele ganha vida e se anuncia minha cria rec&eacute;m-nascida - meu filho-poesia...</p><p><strong>Parto</strong><br />...e reparto a tinta que pinta os cacos desse meu reflexo: fragmentos fracos dum espelho convexo; pequenos lamentos com que me assemelho na insufici&ecirc;ncia, no fazer cada vez menos diferen&ccedil;a (minha pequenez tanto faz como tanto fez). Nem espanto traz mais a multid&atilde;o dos meus peda&ccedil;os: a arte que falta em cada tra&ccedil;o, o compasso que perco a cada parte, fazem cair no sil&ecirc;ncio a minha desintegra&ccedil;&atilde;o em verso pretenso...</p><p><strong>Parto</strong><br />...pra outro Universo, viver outra amplid&atilde;o. Me esque&ccedil;o dessa dimens&atilde;o, me despe&ccedil;o do que conhe&ccedil;o, e abro m&atilde;o do que mere&ccedil;o pela ousadia da renova&ccedil;&atilde;o. Minha poesia vai provar a rejei&ccedil;&atilde;o de outra freguesia, vai representar a heresia em outra situa&ccedil;&atilde;o. A viagem n&atilde;o &eacute; s&oacute; de ida, n&atilde;o: trarei em seguida novas paisagens, comporei imagens de outras vidas (duvidas?!); e da minha partida para outro mundo voltarei fecundo, repartindo em retalhos e retratos e versos (gastos e dispersos), novos trabalhos de parto...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />07/11/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Espantalho</title>
          <pubDate>27/09/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/22863-espantalho</link>
          <description><h4>Espantalho</h4><p><![CDATA[Sou o espantalho bizarro do meu pr&oacute;prio terreno: eu mesmo me amarro num pequeno poste e esvoa&ccedil;o meus retalhos no espa&ccedil;o, no vento, pra espantar as hostes de predadores violentos com os horrores da minha figura, da minha fei&uacute;ra, minha estranhez. Perdura minha ocupa&ccedil;&atilde;o, m&ecirc;s ap&oacute;s m&ecirc;s, vez ap&oacute;s vez, nessa contempla&ccedil;&atilde;o est&aacute;tica do desenvolvimento natural, sem questionar se a t&aacute;tica &eacute; funcional...<br />(Pra que saber se funciona? Espantalho n&atilde;o questiona! Espantalho espanta!)</p><p>E cada semente que se planta eu vigio reverente, e anuncio mudo que vir&aacute; ao mundo um fruto da minha dedica&ccedil;&atilde;o!<br />(No vazio, s&oacute; eu escuto ecoar minha anuncia&ccedil;&atilde;o... E o que eu queria? Espantalho n&atilde;o anuncia! Espantalho espanta!)</p><p>Quando se levanta a amea&ccedil;a, embora eu fa&ccedil;a tudo que possa, o fato &eacute; que eu n&atilde;o posso nada. Nem me debato, nem fa&ccedil;o gra&ccedil;a: s&oacute; espero a hora em que o tempo passe (sempre passa!), e os p&aacute;ssaros v&atilde;o embora. Na verdade, em sil&ecirc;ncio, &agrave;s vezes penso que n&atilde;o tenho utilidade...<br />(Faz diferen&ccedil;a? Espantalho n&atilde;o pensa! Espantalho espanta!)</p><p>&Eacute; tanta ansiedade que eu choraria em profus&atilde;o (ah! se eu tivesse um cora&ccedil;&atilde;o...) Mas - crueldade - n&atilde;o tenho pranto, nem fonte, s&oacute; solid&atilde;o. Da minha fronte escorreria tanto choro profundo que inundaria os vales, os montes, os cantos do mundo; e correria a hist&oacute;ria dessa l&aacute;grima quente, e ingl&oacute;ria, e santa...<br />(Mas n&atilde;o h&aacute; corrente... Espantalho n&atilde;o sente! Espantalho espanta!)</p><p>Ao menos acalanta a planta&ccedil;&atilde;o deste terreno uma can&ccedil;&atilde;o que eu mesmo compus. Ela traz luz e motiva&ccedil;&atilde;o pra quem quer que a ou&ccedil;a; ela comunica for&ccedil;a at&eacute; ficar rouca... Mas nunca fica, j&aacute; que eu n&atilde;o tenho garganta pra alcan&ccedil;ar os d&oacute;s (ou qualquer outro tom): em alto e bom som, me falta voz...<br />(De que adianta? Espantalho n&atilde;o canta! Espantalho espanta...)]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />27/09/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Teimoesia</title>
          <pubDate>17/09/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/22615-teimoesia</link>
          <description><h4>Teimoesia</h4><p><![CDATA[Juntei tudo na ponta do verbo pra ver no que dava; e, no que juntava, percebia que a conta do verso n&atilde;o fechava, e eu sempre devia no final (porque calculo mal), e a poesia com que eu sonhava era bem mais do que a real; minguava na hora de encarnar. Vangl&oacute;ria! Ao juntar, eu ca&iacute;a do cavalo; mas no embalo em que eu descia a pr&oacute;pria descida me enganava, e no galo que se me nascia na testa eu enxergava uma festa de poesia gerando vida! fumo! lava! melancia! e minha mente danava por outros rumos, afetada e sem prumo... Da minha loucura surgia a ilus&atilde;o, a suposi&ccedil;&atilde;o e a expectativa sem cura (pura e simplesmente imaginativa) do &ecirc;xtase, sem base, numa fase delirante, demente, irracional...</p><p>E diante do fracasso, esse mau poeta n&atilde;o torcia o bra&ccedil;o e se iludia numa nova meta, um novo tra&ccedil;o, uma nova rima surreal. De tanto mentir pro cansa&ccedil;o, acabou acreditando no clima que criara, entrou num la&ccedil;o, num c&iacute;rculo vicioso, e at&eacute; hoje o verso mentiroso que ele prepara convence o Universo e as gera&ccedil;&otilde;es futuras de que isso &eacute; que &eacute; poesia: essa teimosia sem raz&otilde;es e sem cura.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />17/09/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Anseio</title>
          <pubDate>22/08/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/22014-anseio</link>
          <description><h4>Anseio</h4><p><![CDATA[Pranteio uma saudade estranha, de nascen&ccedil;a; de entranha, de aus&ecirc;ncia, de verdade. Tamanha a necessidade do indefinido, indeterminado, que baqueio travado, deprimido, triste, em bloqueio. Parece uma saudade do que n&atilde;o existe, um vazio que aparece e invade e subjuga; mas &eacute; uma tristeza boa, que convida &agrave; fuga, que n&atilde;o aniquila, que ecoa a certeza tranq&uuml;ila da esperan&ccedil;a irracional numa evolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-garantida, n&atilde;o-prevista (n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o que resista a essa confian&ccedil;a gutural). E por alta que seja a ambi&ccedil;&atilde;o, ningu&eacute;m na terra alcan&ccedil;a o bem que supra essa falta no cora&ccedil;&atilde;o; e nada ocupa com perfei&ccedil;&atilde;o o v&atilde;o que encerra a aus&ecirc;ncia natural, n&atilde;o-premeditada, sem solu&ccedil;&atilde;o. Afinal, toda evolu&ccedil;&atilde;o se baseia na cruzada que visa o que o ser anseia; e se a realiza completamente, o ente suaviza a pr&oacute;pria lapida&ccedil;&atilde;o e se regozija na estagna&ccedil;&atilde;o; mas se sobra um anseio, ele acha um meio de pedir mais, e se cobra, e n&atilde;o se deixa em paz, e se queixa, e melhora, e se refaz.</p><p>E se &eacute; poeta, aflora do peito essa meta intang&iacute;vel, e um poema imperfeito nasce, sofr&iacute;vel; e a rima sem jeito canta o destino imposs&iacute;vel. Mas a beleza, o fasc&iacute;nio da obra-prima, &eacute; justamente sua natureza incompleta, que afirma o anseio da mente do poeta. Quanto mais se aproxima do verso perfeito, menos satisfeito ele se considera; e mais ele espera; e menos descansa; e quanto mais se atreve, menos alcan&ccedil;a...</p><p>E ainda mais ele escreve!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />22/08/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Reuniversos</title>
          <pubDate>25/07/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/21306-reuniversos</link>
          <description><h4>Reuniversos</h4><p><![CDATA[O tempo todo tudo se divide em possibilidades infinitas, paralelas, e a verdade do mundo assim colide com ela mesma dita de outra forma, mas ainda bela, ainda vera, ainda cr&iacute;vel; e na delibera&ccedil;&atilde;o do poss&iacute;vel a realidade se transforma na intersec&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es mais tang&iacute;veis, mais plaus&iacute;veis aos cora&ccedil;&otilde;es. Da&iacute; vem nossa sensa&ccedil;&atilde;o de real, nossa impress&atilde;o unilateral, esquecendo que tudo o que podia ser pode ser que seja, pode ser que esteja em algum lugar, algum universo, e que um de n&oacute;s, bifurcado, diverso, opositor, o veja (inverso e alterado) como verdade maior.</p><p>E se incont&aacute;veis poetas de mim se originam a cada instante, suas prov&aacute;veis inst&acirc;ncias imaginam seus versos mutantes em minhas mentes cada vez mais distantes (de v&aacute;rias dist&acirc;ncias!), embora congruentes. Por aqui afora a rima se multiplica sem fim, o que implica que assim como h&aacute; chances in&uacute;meras de escolhas, h&aacute; tamb&eacute;m nuances de poema em diferentes mesmas folhas, afins...</p><p>Mas tenho pra mim um teorema absurdo de que s&oacute; quando em todos os mundos colaterais a id&eacute;ia converge, somam-se os sinais de amplitudes multidimensionais e em todos os eus o poema eclode, e nasce sendo a plenitude de tudo aquilo que pode (de tudo o que eu pude): de fantasia; de belo; dicotomia; diverso; do elo!</p><p>&Eacute; assim que a poesia une versos paralelos...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />25/07/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Molecagem</title>
          <pubDate>28/06/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/20826-molecagem</link>
          <description><h4>Molecagem</h4><p><![CDATA[Toda a beleza do simples &eacute; o destino da senil nostalgia comum: todos se lembram de quando pequeninos... N&atilde;o nutriam motivo nenhum para o desespero, para o desatino, para a correria e o zumzumzum; tudo aquilo que importava era o fasc&iacute;nio dos milagres di&aacute;rios, comuns, e o redescobrimento sempre cont&iacute;nuo do amor refletido em cada um...</p><p>Cantigas de roda, coisas de menino, bolinhas de gude, dois ou um, e as can&ccedil;&otilde;es da inf&acirc;ncia v&atilde;o me perseguindo a mem&oacute;ria... <em>(Recordo ego sum.)</em></p><p>-"P&eacute;tala de rosa, orvalho matutino, pulo de formiga, r&aacute;-tim-bum!"]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />28/06/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                      <media:content url="jpg20260224232444" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Regência Verbal</title>
          <pubDate>13/06/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/20448-regencia-verbal</link>
          <description><h4>Regência Verbal</h4><p><![CDATA[Maestro de uma orquestra que s&oacute; ele ouvia, sentou-se pra escrever poesia: era uma festa de harmonia desenhada no ritmo da sua baqueta, da sua caneta; cada verso um acorde, e uma tr&iacute;ade perfeita, e um crescendo, e uma pausa; e uma rima sem causa era uma s&iacute;ncope semifusa, uma linha confusa, um desvio na m&eacute;trica, um in&iacute;cio anacrusa, uma harmonia t&eacute;trica em tom menor, uma redondilha maior falando da dor, um soneto bom que a cada terceto sobe de tom; enfim, tudo era melodia e poesia e sinfonia sem fim... sem som... sem sombra de d&uacute;vida, a m&uacute;sica l&iacute;vida se escuta em todo poema: can&ccedil;&atilde;o tema da muita emo&ccedil;&atilde;o v&iacute;vida que a pena carrega, embebida de dom, &agrave;s vezes absurda, &agrave;s vezes cega, mas nunca surda nem fora de tom...</p><p>Embora sem partitura e sem teoria, quem leu a escritura tamb&eacute;m ouviu a poesia-cantiga, e deixou-se embalar na tecitura amiga e gentil. E o maestro sorriu ao dedicar-lhe um &uacute;ltimo tra&ccedil;o, como encerrasse o gran-finale acertando no alvo a &uacute;ltima nota do &uacute;ltimo compasso...<br />da &uacute;ltima poesia...<br />&quot;Bravo! Bravo!&quot;, o sil&ecirc;ncio aplaudia.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />13/06/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Ignorãça</title>
          <pubDate>24/05/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/19917-ignoraca</link>
          <description><h4>Ignorãça</h4><p><![CDATA[Minha desrima &eacute; pau de dar em doido (li Manoel de Barros e achei &oacute;bvio... um g&ecirc;nio do &oacute;bvio, claro). As coisas mais simples ficam escondidas debaixo da vaidade (simplificar &eacute; que &eacute; complicado), por isso eu queria s&oacute; um canto de andorinha: &eacute; um ou dois pios e muita asa pra que te quero. Te quero, c&eacute;u de andorinha (pode ser qualquer bicho que voe, vai; menos morcego que me cheira pol&iacute;tica). Bastava um c&eacute;u e dois pios que eu largava o papel e ia de escrever poesia de pena nas nuvens. J&aacute; pensou, eu l&aacute; de cima mirando meu verso na careca de um poeta horizontal? Mas eu me rastejo &eacute; aqui embaixo, no c&eacute;u ca&iacute;do dos &oacute;bvios, desviando dos g&ecirc;nios que o ch&atilde;o de cima precipita... E quando eu come&ccedil;o a escrever, essa coisa de cima e baixo perde um pouco a raz&atilde;o de ser, e eu me vejo andorinha, e me sinto ilus&atilde;o, e de cada ci&ecirc;ncia no mundo que existe pra ser sabida eu ignoro um punhado (quanto mais s&aacute;bio, mais coisa tem pra voc&ecirc; n&atilde;o saber...)</p><p>Mas meu tra&ccedil;o ainda &eacute; esperto demais pra pouca gra&ccedil;a (muito caix&atilde;o pra pouco defunto). J&aacute; esse Manoel, andorinha matreira, &eacute; que sabe mesmo n&atilde;o saber dos assuntos...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />24/05/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Sentido Aranha</title>
          <pubDate>14/05/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/19644-sentido-aranha</link>
          <description><h4>Sentido Aranha</h4><p><![CDATA[Quando o menino se descobre her&oacute;i, toda a fantasia se reconstr&oacute;i e se recobre de poesia e acrobacia; e se n&atilde;o alivia tudo o que d&oacute;i, se alimenta do que a corr&oacute;i pra fazer nascer lenta e silenciosamente uma figura estranha: pura e simplesmente um Homem-Aranha! Lan&ccedil;a sua teia pelos ares, e dos lugares que ela alcan&ccedil;a ele n&atilde;o titubeia e se balan&ccedil;a sem medo, e avan&ccedil;a fiando seu brinquedo-arma com calma e precis&atilde;o, honrando sua miss&atilde;o de fazer justi&ccedil;a com as pr&oacute;prias m&atilde;os.<br />Mas se a premissa da boa inten&ccedil;&atilde;o esconde a vingan&ccedil;a, a vida ensina &agrave; crian&ccedil;a o hero&iacute;smo do perd&atilde;o e da esperan&ccedil;a. Se o ego&iacute;smo mostra sua face, o Aranha renasce em abnega&ccedil;&atilde;o tamanha que at&eacute; o vil&atilde;o desfaz-se em altru&iacute;smo e amizade e sacrif&iacute;cio.<br />Mas depois, pendurado nos edif&iacute;cios, chorando a perda do amigo, o her&oacute;i entende que leva consigo a semente do perigo e da intemp&eacute;rie (pois h&aacute; sempre vil&otilde;es, e sempre a doce Mary, e sempre cora&ccedil;&otilde;es amea&ccedil;ados por quem os fere).<br />Mas com essas li&ccedil;&otilde;es que a vida tece o her&oacute;i-menino n&atilde;o esmorece: se recomp&otilde;e e segue seu destino vencedor, sua natureza, seu amor, seu cora&ccedil;&atilde;o, captando no sentido aranha uma certeza estranha:<br />Sempre existir&atilde;o falanges de seres mutantes e entidades... e com grandes poderes, grandes responsabilidades...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />14/05/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                      <media:content url="jpg20260224232444" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Manda</title>
          <pubDate>24/04/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/19020-manda</link>
          <description><h4>Manda</h4><p><![CDATA[Ah! manda do c&eacute;u vir a chuva envolver como luva a menina que canta; chuva que leva o que contamina e que espanta a superficialidade, pra deixar s&oacute; o que encanta e fascina: a verdade do verso preciso, na medida certa da menina poeta sem ju&iacute;zo...</p><p>Ah! manda rios de inspira&ccedil;&atilde;o pra embalar a can&ccedil;&atilde;o em que a menina navega, cega &agrave;s impossibilidades, focalizando a profundidade cristalina da poesia fluvial: &quot;marinheira, marinheira, quem te ensinou um verso tal?&quot;, e flutua ligeira a sua canoa, &agrave; toa, longe das margens, recolhendo as imagens que s&oacute; com ousadia tamanha se percebe l&aacute; na entranha do rio da poesia...</p><p>Ah! manda neves coloridas (s&atilde;o muitos tons de branco!) pra menina brincar: caindo de leve os flocos pelos flancos, cobrindo as esquinas, os barrancos, a vida; pintando tudo de uma pregui&ccedil;a branca; porque se o mundo engui&ccedil;a e descansa, a p&aacute; pequenina do verso dela arranca das neves um poema profundo e breve, uma rima bela e serena (branca? amarela? morena? depende...), e a menina se rende &agrave;s neves e escreve...</p><p>Ah! manda dos versos fluir a torrente incessante que seu tra&ccedil;o comovente inspira. Manda a lira devolver o abra&ccedil;o confortante que o poema dela comunica. E se me fica na pena ainda uma gota da chuva, dos rios, das neves, possa minha rota can&ccedil;&atilde;o enxaguar-lhe o cora&ccedil;&atilde;o, exaltar-lhe a maestria, e, quem sabe, dar-lhe sede de poesia...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />24/04/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>João do Violão</title>
          <pubDate>17/04/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/18839-joao-do-violao</link>
          <description><h4>João do Violão</h4><p><![CDATA[Ontem eu vi um poeta fazendo um viol&atilde;o falar: um profeta da can&ccedil;&atilde;o, semeando a rima no ar; um artista de verdade (raridade hoje em dia), um alquimista da poesia e da melodia e da disson&acirc;ncia e da harmonia. Ele falou de esperan&ccedil;a, mas eu me desesperei na dan&ccedil;a sem lei dos seus dedos m&aacute;gicos, m&uacute;sicos, silenciof&aacute;gicos. O pr&oacute;prio ambiente ficou diferente pra ouvir o dedilhar: ficou mais perene, mais reverente, mais solene; e sem vacilar e sem queixa ele preenchia aquela deixa com sua arte e fantasia, empregando com maestria cada parte do instrumento, abusando da voz, do dedilhado violento e veloz, do acompanhamento, de tudo; e n&oacute;s ali, mudos, sem respirar (nossa respira&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era de ar: era de can&ccedil;&atilde;o, era de inspirar), sem rea&ccedil;&atilde;o (pra que reagir?), querendo ficar, tendo que partir. Armado de um poema perfeito e de uma m&uacute;sica sublime, o sujeito mudava de tema, mudava de rima, mudava de filme, mudava de clima; mudou o mundo, e emudeceu, e eu mudo, captando tudo, achei aquilo absurdo, inconceb&iacute;vel; perdi a calma; bati palmas gritando: &quot;BRAVO! INCR&Iacute;VEL!&quot;, e desfaleci, escravo daquele talento imposs&iacute;vel, imprevis&iacute;vel. Passou s&oacute; um momento e ele foi embora com seu instrumento falante, e eu impotente, delirante, repeti por a&iacute; afora com firmeza, endoidecido:</p><p>-Exibir tal destreza devia ser proibido!...</p><p>Foi lindo.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />17/04/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Lições do Tempo</title>
          <pubDate>01/04/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/18592-licoes-do-tempo</link>
          <description><h4>Lições do Tempo</h4><p><![CDATA[Ela encostou sua sabedoria no banco reservado...</p><p>O ac&uacute;mulo da pureza da poesia em seu cabelo grisalho, o c&uacute;mulo da paci&ecirc;ncia adquirida em seu andar compassado. Ela assistira muitas mais vezes ao milagre da vida, a cada dia, a cada vinda e cada ida. E pra ela, que por tanto tempo inquirira os mist&eacute;rios da vida, nada parecia ser menos et&eacute;reo, menos segredo, menos magia; e com tudo se encantava e se surpreendia, e pra toda crian&ccedil;a sapeca ou beb&ecirc; dengoso ela sorria gostoso...</p><p>Recostada no banco do idoso...</p><p>Os anos lhe ensinaram os atalhos da alma, e quanto mais complexa a vida se mostrava, com tanto mais calma ela gerenciava e simplificava os dilemas. No seu olhar sereno transpassando o rosto enrugado, de vez em quando se projetava o contorno de um anjo ministrador, falando um poema de amor sem dizer nada; e qualquer que n&atilde;o fosse insens&iacute;vel julgaria imposs&iacute;vel n&atilde;o simpatizar com aquele olhar experiente de outra dimens&atilde;o...</p><p>No banco diferente, um mesmo cora&ccedil;&atilde;o...</p><p>E eu quis mais daquela compreens&atilde;o real que s&oacute; o tempo traz; mas era o ponto final, e a vozinha se foi sem pressa, no passo d&uacute;bio que a incerteza da vida ensina. Por um minuto, a natureza me lecionou; ent&atilde;o eu me levantei e segui meu destino, ainda incerto de quem sou, mas com uma pista de quem quero ser um dia. Lancei um &uacute;ltimo olhar e vislumbrei uma poesia esculpida com carinho...</p><p>No banco dos velhinhos...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />01/04/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>(Com)Passo Final</title>
          <pubDate>25/03/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/18110-com-passo-final</link>
          <description><h4>(Com)Passo Final</h4><p><![CDATA[Ela dan&ccedil;ava, louca, sob a luz da lua.</p><p>Se balan&ccedil;ava, nua, brincando no passeio: a voz rouca, o devaneio, a dan&ccedil;a profana, a m&atilde;o no seio, no c&eacute;u, no sexo, no (uni)verso, e o bailado sem nexo, reverso, pinel, incongruente... Sozinha na madrugada confidente, era rainha e bruxa da libido incontinente, encantada; era a f&uacute;ria de uma lasc&iacute;via casta e inofensiva. Mulher feita, mulher gasta, meio menina, meio <em>miss,</em> e a dan&ccedil;a (im)perfeita da infeliz compunha sua pr&oacute;pria trilha sonora: &quot;o (des)amor est&aacute; no ar.&quot; Est&aacute; l&aacute; fora, em quem passar e observar; mas ningu&eacute;m passava &agrave;quela hora, e ela aproveitava no passo torto, na dan&ccedil;a insana, no olhar absorto, na noite s&oacute;lida que emana a sedu&ccedil;&atilde;o buc&oacute;lica, a fascina&ccedil;&atilde;o. Tudo era palco e can&ccedil;&atilde;o, e ela dan&ccedil;ava sem regra a batida do seu cora&ccedil;&atilde;o. Perdida no seu rebolado firme, cometia todos os crimes na impunidade do pensamento, e a (feli)cidade dormia, e s&oacute; o cimento e o concreto liam a poesia da mo&ccedil;a fora de si. Perto dali, por certo, logo o sol sorriria; mas por ora quem brilhava com for&ccedil;a era a luz invis&iacute;vel da paix&atilde;o que virava dan&ccedil;a incans&aacute;vel, invenc&iacute;vel, insaci&aacute;vel. Ela dan&ccedil;ou a (des)esperan&ccedil;a a noite toda, e riu e chorou feito crian&ccedil;a. Deu um suspiro (pro)fundo de encher o peito, mais dois passinhos pelo caminho; depois, achou um pano imundo, se meteu nele e foi deitando, e convulsionou, e foi apagando, e estremeceu desenhando um fatal sintoma melanc&oacute;lico...</p><p>E morreu em coma alco&oacute;lico.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />25/03/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Porta da Catedral</title>
          <pubDate>17/03/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/17830-porta-da-catedral</link>
          <description><h4>Porta da Catedral</h4><p><![CDATA[Na porta da catedral, preguei meu memorial...</p><p>Quem se importa? Quem atenta pra biografia trabalhada em poesia de um jo&atilde;o-ningu&eacute;m? &quot;N&atilde;o inventa&quot;, disse algu&eacute;m que assistia com desd&eacute;m, &quot;nesse mundo o que mais tem &eacute; leitor de parecer: cara de conte&uacute;do, alfabetizado, sem saber ler!&quot; Mas o grito mudo j&aacute; estava dito e pregado, afinal...<br />Na porta da catedral...</p><p>Passou um cego de alma, e enxergou seu pr&oacute;prio trauma: a folha em branco, intocada. Deu um solavanco na porta, e bradou com viol&ecirc;ncia: &quot;Que poesia que nada! Isso &eacute; sil&ecirc;ncio!&quot; E seguiu sem cad&ecirc;ncia, aos trope&ccedil;os, achando que via (e que lia)... O protesto continuava igual...<br />Na porta da catedral...</p><p>&quot;Detesto perda de tempo&quot;, falou o apressado. &quot;Estou atrasado prum evento (n&atilde;o me pergunte do que): voc&ecirc; acha que eu vou ler?&quot; Algu&eacute;m ia at&eacute; responder, mas ele tinha ido embora, preocupado com a hora, com o agora... (Ele n&atilde;o sabia que o tempo p&aacute;ra e o cora&ccedil;&atilde;o dispara quando voc&ecirc; l&ecirc; poesia! N&atilde;o eram s&oacute; versos: era outro universo; era um portal dimensional!)<br />Na porta da catedral...</p><p>Parou um distra&iacute;do, olhando alheio, sem aten&ccedil;&atilde;o. Tendo lido um peda&ccedil;o l&aacute; do meio, julgou aquela por&ccedil;&atilde;o &quot;um cansa&ccedil;o tremendo sem p&eacute; nem cabe&ccedil;a&quot;, e seguiu seu passo sem receio, sem botar f&eacute; que o poema mere&ccedil;a sequer ser lido at&eacute; o final. Julgamento imperfeito e parcial, mas um seu direito legal...<br />Na porta da catedral...</p><p>Uma crian&ccedil;a espoleta achou gra&ccedil;a na jun&ccedil;&atilde;o de letras sem raz&atilde;o. Foi rindo gostoso daquela dan&ccedil;a de sinais, em ignor&acirc;ncia de qualquer que seja o sentido que fa&ccedil;am tais inscri&ccedil;&otilde;es intelectuais. E correu a inf&acirc;ncia, sem preocupa&ccedil;&otilde;es, sem interpreta&ccedil;&otilde;es, na pureza natural...<br />Na porta da catedral...</p><p>Vossa Realeza, altiva, parou a comitiva real, desceu da carruagem, leu a imagem ignorando a mensagem, aumentou um real (ou dois) na verba cultural (miragem? lavagem?), depois deu um grito selvagem, bonito, com gosto: &quot;&Eacute; carnavaaaaaaal! (Mas continuem pagando o imposto real...)&quot;<br />Na porta da catedral...</p><p>Muitos ver&otilde;es se passaram, e as multid&otilde;es ignoraram aquela poesia na porta do templo. Um dia, contudo, perdido no tempo, o profeta a encontrou. Mudo, cessou sua peregrina&ccedil;&atilde;o, sentou-se no ch&atilde;o e contemplou a obra completa, sem sobra nem falta, nem baixa nem alta, certeira! &quot;Tudo se encaixa!&quot;, comentou. De maneira direta, se aproximou da igreja, segurou a folha, murmurando: &quot;Assim seja, n&atilde;o h&aacute; escolha...&quot; E a despeda&ccedil;ou, num gesto brutal. Balan&ccedil;ando sozinha, restou ali a linha inicial, versando, surreal:<br />&quot;Na porta da catedral&quot;...</p><p>&quot;Porque o resto era trivial&quot;, riu-se o profeta, &quot;mas aqui h&aacute; verdade total: cada qual comp&otilde;e seu final; nossa &uacute;nica certeza atual &eacute; a grandeza sobrenatural desse local:<br />A porta da catedral!&quot;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />17/03/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Foi-se o Tempo</title>
          <pubDate>08/03/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/17671-foi-se-o-tempo</link>
          <description><h4>Foi-se o Tempo</h4><p><![CDATA[Quando dei por mim, já estava preso... A cadeia sem fim de compromissos exerceu seu peso, e eu que pensava que ia sair ileso fui pego no feitiço lendário do "só mais um" (coração otário = alma escrava = descanso nenhum). A obrigação, o horário, a agenda me atordoaram e só deixaram ecoando um zunzunzum que não há quem entenda, uma correria tremenda que não leva a lugar algum.<br />-Lugar comum.</p><p>Sem tempo de olhar as horas, fui-me embora com atraso e com pressa; e aí tudo demora, tudo se embola, criando caso, atravancando o processo, o progresso; e no fim eu regresso até mim, me encontro, me desconheço e me pergunto:<br />-Valeu o preço?</p><p>Caçando assunto com esse estranho que me habita, e junto dele idealizando tamanho absurdo: corro tanto a corrida infinita que morro mas não me alcanço, me canso em contrapartida na pressa de não saber pra onde vou, de mudar o mundo sem saber quem sou, de descobrir que o tempo voou, e eu perdi tempo aqui sonhando com um tempo que eu não vivi, com uma vida de correria.<br />-Sem poesia...</p><p>E se eu tento escrever, o dever me chama, o relógio reclama, e é tanto problema, tanto rodeio (meu e alheio) que o poema fica pelo meio, manco, meio escrito, meio em branco, meio infinito, meio nulo. E eu perambulo na madrugada, sonâmbulo, implorando quase nada (tão pouco! que pra mim é muito!)... Como um louco em acesso, mais cinco minutos é tudo que eu peço.<br />-E mais um verso...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />08/03/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Milagres</title>
          <pubDate>06/03/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/17571-milagres</link>
          <description><h4>Milagres</h4><p><![CDATA[Sente a iminência solene, pairando imensa e perene na dimensão poética, rufando tambores irreverentes no coração de quem sintoniza a paixão e as dores e os amores e a desilusão e a brisa e o furacão (quem sabe ler a emoção):</p><p>-Todo poema está prestes a acontecer!</p><p>Seja qual for o tema de que se reveste, o amor está sempre pra nascer; está por um triz: basta um poeta feliz, agraciado por sei-lá-quem, achar debaixo do seu nariz, refugiado, o verso neném, recém chegado, sem ambiente, e o poeta parturiente lhe abraçar, lhe conduzir, lhe pôr nos trilhos, lhe polir, lhe dar um brilho, lhe adotar, lhe chamar de filho, e pronto: nasce a poesia, revive o conto, está entre nós! Todo dia é dia de dar-lhe voz, moldar-lhe a forma: lento, veloz, contido, sem norma, sangrento, sofrido; o vate o transforma em arte de verso diverso; o poeta une os versos e fecunda a poesia profunda e completa.</p><p>-Acontece em toda parte, a todo instante!</p><p>Emocionante como seja o nascimento de uma criança, também o poema carrega a esperança e o alento de uma nova chance, um novo começo; quem mede seu alcance? quem calcula seu preço? quem impede seu avanço? ou estimula seu descanso? seu silêncio?</p><p>-A poesia é uma força da natureza!</p><p>Em sua beleza e monotonia, reina suprema e sem rival: todo poema é natural e simplesmente miraculoso, comovente, espantoso, surreal. A dimensão superior usa a poesia pra falar de amor; e o escritor é o canal, é a via; e, acredite! (quem diria?): o limite é o Universo!</p><p>-E a poesia é um milagre a cada verso!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />06/03/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                </item>
          <item>
          <title>Nós Dois</title>
          <pubDate>28/02/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/17396-nos-dois</link>
          <description><h4>Nós Dois</h4><p><![CDATA[Bateu um vento meridional que me arrepiou mais do que o normal, dizendo: escreve! o povo pede, voc&ecirc; deve... Peguei a pena de leve, molhei de novo na minha cicatriz pequena e derramei um poema feliz, que diz obrigado a todos que acompanham meu fado intermin&aacute;vel: o que fiz e o que ignorei, o que contei e o inenarr&aacute;vel.</p><p>H&aacute; quem l&ecirc; e se lisonjeia; quem se ofende; quem se defende; mas contanto que leia, se entende ou se devaneia j&aacute; n&atilde;o importa: se &eacute; rima direita ou se &eacute; linha torta, tudo depende, tudo varia, tudo se aproveita na poesia. Porque a gra&ccedil;a, me dizia o vento, &eacute; que ela se refa&ccedil;a dentro do leitor/co-autor, de quem a abra&ccedil;a e interioriza seu valor, de quem se atreve e reescreve o amor.</p><p>O vento propagou meu brado, dizendo obrigado aos quatro cantos; e ventou tanto que moveu a vida em todas as dimens&otilde;es. Minha gratid&atilde;o foi ouvida em manifesta&ccedil;&otilde;es plurais, assistida de fato pelos meus iguais, companheiros leais no ato da poesia. Bem lida, ela repetia:<br />-Grato pela parceria.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />28/02/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
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                </item>
          <item>
          <title>Inspiração</title>
          <pubDate>13/02/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/17086-inspiracao</link>
          <description><h4>Inspiração</h4><p><![CDATA[Um poema passa assobiando sob meu cabelo, como numa estranha possess&atilde;o zombeteira. N&atilde;o consigo ret&ecirc;-lo, n&atilde;o fica comigo: ele se multiplica e ganha a amplid&atilde;o trai&ccedil;oeira e silenciosamente; e deixa s&oacute; na minha mente, fluindo, fugindo, flutuando no vento, sua risada maldita; e se eu tento contar, ningu&eacute;m acredita.</p><p>&Eacute; assim todo instante, n&atilde;o &eacute; justo!</p><p>&Agrave;s vezes eu pego o poema no susto, e carrego o meliante pelo &uacute;ltimo verso, e impe&ccedil;o a evas&atilde;o colando o fanfarr&atilde;o no papel-pris&atilde;o. Mas o bicho &eacute; astuto (muito! muito!), e num feiti&ccedil;o de transmuta&ccedil;&atilde;o se apresenta diverso, mesti&ccedil;o, sem-gra&ccedil;a (daquele que n&atilde;o alimenta nem tra&ccedil;a); e eu olho pra ele, vertendo ironia, e n&atilde;o entendo: isso l&aacute; &eacute; poesia que se fa&ccedil;a?</p><p>Mais uma folha que amasso e ponho fora, que sina!</p><p>E j&aacute; vou-me embora (tenho escolha?), quando a risada ferina volta a ecoar pelo espa&ccedil;o, petulante, inconsequente, em revolta assassina, delinquente. Eu persigo o poema recalcitrante, abro os bra&ccedil;os, saltito, dan&ccedil;o, reflito, me canso (ah, cansa&ccedil;o inimigo!), fa&ccedil;o, desfa&ccedil;o, refa&ccedil;o, desisto: sossego.</p><p>(Um dia eu ainda o pego desprevenido e transcrevo...)</p><p>E caso consiga vencer essa intriga a que me atrevo, voc&ecirc; h&aacute; de ver: o poema perseguido faz a briga valer...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />13/02/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
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                </item>
          <item>
          <title>Loop</title>
          <pubDate>12/02/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/17068-loop</link>
          <description><h4>Loop</h4><p><![CDATA[Fui buscar no passado a chave do porvir e, que horror!, vi repetir-se o enfado do temor ancestral no desenrolar da hist&oacute;ria natural, sem cessar. A mem&oacute;ria humana faz desencadear de novo a vergonha e a gl&oacute;ria, o &oacute;pio do povo e a apatia medonha; e at&eacute; a poesia perde a f&eacute; no novo e se repete, sombria, dizendo da agonia do confinamento &agrave; pr&oacute;pria monotonia.</p><p>Em atrevimento ergui a voz e combati os males de todos n&oacute;s. Vales, montanhas, luzes e trevas tamanhas, o mundo ouviu meu canto frio e profundo, e cantei tanto que fiquei rouco, mas foi t&atilde;o pouco! e n&atilde;o disse nada! e a atmosfera, cansada, me chamou de louco (sincera!) e adormeceu calada.</p><p>Perscrutando o infinito inteiro, refletindo, chegou a mim o grito verdadeiro e infindo, esquisito, repetindo assim:<br />-Em cada verso que repito, o Universo est&aacute; muito dito!... E tudo o que &eacute; imenso, e bendito, e intenso, e bonito, ou gera sil&ecirc;ncio, ou causa conflito...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />12/02/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                      <media:content url="jpg20260608101108" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Duplicidade</title>
          <pubDate>07/02/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/16970-duplicidade</link>
          <description><h4>Duplicidade</h4><p><![CDATA[Mulher...<br />Nela habita duplamente a plenitude da aus&ecirc;ncia e presen&ccedil;a. Cogita em sua mente a suave evanesc&ecirc;ncia e a rude continuidade, o grave compromisso e a sorridente liberdade. E tudo isso &eacute; t&atilde;o dual e antagonicamente absurdo que o consenso mundial se abst&eacute;m de pronuncia&ccedil;&atilde;o, respeitando a indecis&atilde;o que mant&eacute;m a esperan&ccedil;a e a afli&ccedil;&atilde;o de qualquer pretenso algu&eacute;m, co'uma pretens&atilde;o qualquer...</p><p>Mulher...<br />No passo firme ela esconde um tra&ccedil;o sublime do indefinido. Onde espalha seu perfume, cria libido e ci&uacute;me; afia a navalha de sua presen&ccedil;a na paradoxal indiferen&ccedil;a; e tempera a transubst&acirc;ncia com proverbial inconst&acirc;ncia: espera, esperan&ccedil;a, pressa, tardan&ccedil;a. Sempre est&aacute; em outro lugar, esteja onde estiver; sempre &eacute; tempo de esperar, haja o que houver...</p><p>Mulher...<br />Ela destr&oacute;i e reconstr&oacute;i (parece que &eacute; bom... parece que d&oacute;i...) E qualquer som que emita sua garganta infinita levanta a d&uacute;vida (quem n&atilde;o duvida?): o que ela quis dizer? o que diz? o que quer da vida? ser feliz? ser ouvida? E o que disser ainda &eacute; pouco (e deixa cicatriz), e deixa louco quem ouvir. (Que h&aacute; de ser? que h&aacute; de vir? se vier... se partir... Bem-me-quer? Permanecer? Mal-me-quer? Evadir?)</p><p>Mulher...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />07/02/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                      <media:content url="jpg20260415204353" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Consistência</title>
          <pubDate>04/02/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/16951-consistencia</link>
          <description><h4>Consistência</h4><p><![CDATA[Provou do amor o sabor mais agridoce; surpreso com o que n&atilde;o pensou que fosse; preso ao esplendor do que sabia que seria. Provou da poesia o n&eacute;ctar v&aacute;rio (e como varia!); e chorou o pranto arbitr&aacute;rio do desencanto de quem queria por querer o que sabia n&atilde;o poder; mas sorveu tamb&eacute;m a fantasia em que o amor disfar&ccedil;a o rancor e encanta o viver. Perfume que fica e que passa, azedume que pica e vicia, espalhou sua poesia gota a gota, ta&ccedil;a a ta&ccedil;a, sobre a mar&eacute; (que vai e vem, que era e &eacute;), e soube do verso a frente e o reverso e a face oculta (a frase que fala e a frase que escuta, a rima que cala e a rima que exulta).</p><p>Viu tr&ecirc;s lados da moeda; e ascens&atilde;o; e queda; e supera&ccedil;&atilde;o. Pescou na atmosfera cardumes de prata; transp&ocirc;s seus lumes em pressa, espera, barulho e paz; e seus mergulhos geraram sempre mais poesia e prosa, cravo e rosa, antes e depois, frente e tr&aacute;s. Sugou dos cora&ccedil;&otilde;es dilemas remotos, e tudo virou poemas mortos e rea&ccedil;&otilde;es fleum&aacute;ticas, rimas semi-autom&aacute;ticas, peda&ccedil;os de universo, marca-passo, sobreviverso*.</p><p>E quanto mais se sobrescrevia, tanto menos poeta se via, que nunca atingia sua meta de captar nas entrelinhas de tanta poesia que ia e vinha a secreta mat&eacute;ria (ilus&atilde;o) de que sua et&eacute;rea composi&ccedil;&atilde;o consistia...<br />Absolutopia.]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />04/02/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                      <media:content url="jpg20260415204137" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Existência?</title>
          <pubDate>01/02/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/16909-existencia</link>
          <description><h4>Existência?</h4><p><![CDATA[De que incontida id&eacute;ia absurda brota essa tua certeza inabal&aacute;vel da exist&ecirc;ncia? Por que rota tua vida errou o alvo da beleza do questionamento, e se perdeu na auto-sufici&ecirc;ncia do indubit&aacute;vel? Em que elemento se ap&oacute;ia tua garantia, tua paran&oacute;ia de sapi&ecirc;ncia, se tudo &eacute; vento de poesia, se o mundo &eacute; inenarr&aacute;vel, e cada momento &eacute; a evanesc&ecirc;ncia sombria do inescrut&aacute;vel?</p><p>V&ecirc; que n&atilde;o h&aacute; bases para tuas frases contundentes, prepotentes, teus achismos, crentes que existes em ti mesmo. Tal fanatismo persiste um tempo, e erra a esmo, no eco surdo do natural; e se permite o v&ocirc;o final pra terra do absurdo incomprov&aacute;vel. Logo as palavras se tornam conscientes da pr&oacute;pria entropia, porque toda poesia, alegre ou triste, tem a louv&aacute;vel sabedoria de saber que n&atilde;o existe.</p><p>P&otilde;e tua m&atilde;o inexistente na consci&ecirc;ncia universal e reconhece simplesmente que ningu&eacute;m garante que realmente haja o que chamam de real. Mas segue adiante, ignorante igual aos que amam sua pr&oacute;pria linda mentira; e se ainda tens coragem, bate no peito selvagem e atira no ar rarefeito e impuro a mesma mensagem de inconsci&ecirc;ncia:<br />-Estou seguro de minha exist&ecirc;ncia!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />01/02/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                      <media:content url="jpg20260415203847" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Solicitação de Desistência</title>
          <pubDate>28/01/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/16806-solicitacao-de-desistencia</link>
          <description><h4>Solicitação de Desistência</h4><p><![CDATA[Recolhe-te ao teu sil&ecirc;ncio, Profeta das Almas! que o privil&eacute;gio do teu intenso sortil&eacute;gio revelador a ningu&eacute;m acalma. E se revela dor, n&atilde;o espere palmas ou aclama&ccedil;&otilde;es: a indiferen&ccedil;a das multid&otilde;es &eacute; o teu quinh&atilde;o. Leva a certeza da tua exatid&atilde;o, por gentileza, silente em teu cora&ccedil;&atilde;o, que os mundos s&atilde;o indiferentes, e sempre ser&atilde;o; e o povo seguir&aacute; adiante reafirmando a predile&ccedil;&atilde;o pela ignor&acirc;ncia confortante de viver em v&atilde;o.</p><p>Descansa, Homem da Pena! amansa tua voz, t&atilde;o serena que envenena e avan&ccedil;a sem pudor; abranda o furor da tua rima; apequena teu verso-obra-prima, submerso na impopularidade da pr&oacute;pria verdade. N&atilde;o fala do amor que te entala a garganta; s&oacute; canta a can&ccedil;&atilde;o que embala a multid&atilde;o, pra que o teu cantar garanta a divers&atilde;o de quem n&atilde;o quer acordar.</p><p>Abandona o posto, Emiss&aacute;rio do Amor! da tua dor se rir&aacute; com gosto o destinat&aacute;rio dessa emo&ccedil;&atilde;o; a dona do teu cora&ccedil;&atilde;o far&aacute; pouco da tua miss&atilde;o, qual perdul&aacute;rio administrador, louco, rasgando o sal&aacute;rio que foi seu sem merecimento. Joga as cinzas do teu poema no vento, na brisa, na amplid&atilde;o, e finaliza tua participa&ccedil;&atilde;o sem mais dilema ou discuss&atilde;o, sem sofrimento, sem problema.</p><p>Poetiza pra dentro, Doido Varrido! que ningu&eacute;m saiba do verso do&iacute;do, sangrento, que contou com arte a tua lida. Torna esquecido teu lamento ensurdecedor e a tua vida, e parte, moribundo, pra outra parte, pra qualquer ponto; que o mundo n&atilde;o est&aacute; pronto pra te ouvir falar de amor.</p><p>Trata de ir, por favor...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />28/01/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                      <media:content url="jpg20260415203316" medium="image" />
                </item>
          <item>
          <title>Periquito Morto</title>
          <pubDate>25/01/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/16746-periquito-morto</link>
          <description><h4>Periquito Morto</h4><p><![CDATA[Eu vi um periquito morto, a cabe&ccedil;a esmagada no asfalto...</p><p>Dava desgosto o finado: o miolo esparramado, sem dolo, cad&aacute;ver alado estampado no ch&atilde;o; triste imagem. Quem sabe se era de estima&ccedil;&atilde;o ou selvagem? Quem sabe ainda existe em outra dimens&atilde;o? em viagem? transfigura&ccedil;&atilde;o?</p><p>Eu vi um periquito morto, sem nome, sem canto...</p><p>Era de dar pena, tanta pena, t&atilde;o pouca voz. Era rouca? Era veloz? Era pequena ou monumental? Tanto faz: jaz o resto mortal, sem registro do cantor natural, falando a n&oacute;s num sil&ecirc;ncio inc&ocirc;modo, imenso, da const&acirc;ncia de tudo o que esvai afinal.</p><p>Eu vi um periquito morto, borrando o passeio, sem rosto, meio decomposto...</p><p>Quem passou tamb&eacute;m ouviu um pio de lamento ecoando no pranto do seu atropelamento. Canto e sil&ecirc;ncio, som e cimento, ave e asfalto, grave, agudo, baixo, alto, m&eacute;dio, est&eacute;reo, t&eacute;dio et&eacute;reo, sem rem&eacute;dio, fun&eacute;reo. Quem passou tamb&eacute;m cantou a saudade e o fim, e a cidade se juntou a mim para honrar o defunto; todos se olhando sem assunto; sem saber quando, mas morrendo junto; sem futuro e sem fruto; passando...</p><p>Eu vi um periquito morto, ave ingrata; que um tanto que morre, outro tanto me mata...<br />Psicopata!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />25/01/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
                      <media:content url="jpg20260415203112" medium="image" />
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          <title>Irracional</title>
          <pubDate>20/01/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/16681-irracional</link>
          <description><h4>Irracional</h4><p><![CDATA[-Sou o amor!</p><p>O furor constante da paix&atilde;o, suave voz, certa confus&atilde;o; confiante, varonil, relutante, vil; de mil maneiras:<br />-Amor!</p><p>Chuvas de versos crus, sem luz, urgentes; rio de can&ccedil;&otilde;es pungentes, vivas, correnteza de quimeras emotivas:<br />-Amor!</p><p>O acalmante furac&atilde;o, a rea&ccedil;&atilde;o calculada com propor&ccedil;&atilde;o inacurada, sem n&uacute;meros reais. A matem&aacute;tica louca, clemente, de irracional quociente, absurdo pior!</p><p>Resumindo: nada! tudo! pouco! abundante!<br />-S&oacute;!]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />20/01/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
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          <title>Canção Noturna</title>
          <pubDate>04/01/2007</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/16385-cancao-noturna</link>
          <description><h4>Canção Noturna</h4><p><![CDATA[Dependurei meu coração na treva da lua nova, e ele flutuou de leve, neve, que a brisa leva... Leve! E nevou, e inovou, e o vento levou meu coração alado, e elevou-o de cada lado dos astros, breves, graves, e sobrou só um rastro acinzentado estampado no pergaminho da noite, onde as aves fantasmas gravaram acentos graves despropositados, elementos de entrave à mesmice da leitura. Meu coração finado deixou de legado um silêncio desafinado.</p><p>No buraco que era seu posto, com desgosto, sem pasto e sem rosto, ressoa um pio rouco e fraco da ave que lhe cedeu as asas. Se deu inteira na derradeira manifestação de nobreza, e agora com tristeza entoa o canto do pássaro sem casa, sem ninho, seguindo na Natureza um caminho que não era seu. A voz do passarinho ressoa com liberdade no meu vazio, e quem ouve meu pranto não sabe que o que ecoa é, na verdade, o desencanto que causa um coração que partiu.</p><p>Deus espalhou um boato que diz que posso de fato ser feliz sem o coração que não me quis; mas desde então tudo o que fiz foi olhar o retrato fixo no espelho do quarto, transluzindo minha cicatriz. Nem de tristeza me mato, pois com que coração ficar triste se no buraco do meu peito a desilusão do amor perfeito é tudo que existe?</p><p>Se alguém encontrar meu coração flutuando no espaço, sabe-se lá quando, não conte que me desfaço, chorando, sem ação. Invente que sigo adiante, passo a passo, sintonizando a canção; e já não faço questão...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />04/01/2007</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
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          <title>Em Finitude</title>
          <pubDate>21/12/2006</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/16190-em-finitude</link>
          <description><h4>Em Finitude</h4><p><![CDATA[Multid&otilde;es, multid&otilde;es, na corrida do ouro, dos tolos, do vento. Qual teu destino, homem moderno? O caos vindouro? Qual &eacute; teu cais, teu ancoradouro? O ouro? Que mais? Matadouro? A que ofereces teu isolamento? Ao lamento? Preces ao decaimento?</p><p>Agarras com tua alma a poeira, o nada; e nada acalma, e nada adia o tormento; outra segunda-feira, outro dia, outra dose, outro sentimento. Nem mais um corpo, nem mais um gole, nem mais um <em>cent</em>; &quot;n&atilde;o me importo, n&atilde;o me amole, n&atilde;o invente&quot;; mas tu sentes; tu te sentas e t&atilde;o s&oacute; te sentes que n&atilde;o ag&uuml;entas: tu mentes...<br />Tu te atormentas...<br />Tu automentes...</p><p>Entrementes, a vida cobra, cidad&atilde;o, seu pre&ccedil;o; das obras das tuas m&atilde;os colher&aacute;s teu pranto, teu desapre&ccedil;o, o desencanto do esfor&ccedil;o v&atilde;o, passando batido, vencido, abatido, perdido, sem retrocesso, sem recome&ccedil;o.</p><p>Multid&otilde;es, multid&otilde;es... Tu &eacute;s mais um... Perdendo as chances do incomum, as nuances da poesia, na fantasia de lugar nenhum...</p><p>Triste not&iacute;cia, vai por mim (embora tu saibas):<br />-O que tem come&ccedil;o tamb&eacute;m tem fim...<br />A vida acaba...<br />Acaba, sim...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/engenheiroitaliano' title='Biografia do Poeta: Engenheiro Italiano'><b>Engenheiro Italiano</b></a><br />21/12/2006</p></description>
          <author>Engenheiro Italiano</author>
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