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        <title>Site de Poesias</title>
        <link>https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel</link>
        <description>O Site de Poesias é um centro de poemas, de alguma forma, significativos; seja pelo conteúdo, pela métrica, pelas rimas... Mas principalmente pelos sentimentos que a boa poesia evoca na alma: tristeza, alegria, saudade, felicidade, amor, Deus. Porque escrever é uma arte: é traduzir o intraduzível!</description>
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        <title>Site de Poesias</title>
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        <link>https://sitedepoesias.com.br/</link>
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          <item>
          <title>Pignatari</title>
          <pubDate>04/12/2012</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/89497-pignatari</link>
          <description><h4>Pignatari</h4><p><![CDATA[&nbsp;No campo santo:</p><p>D</p><p>&nbsp; &nbsp; &nbsp;E</p><p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;S</p><p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;C</p><p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;E</p><p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O Pignatari...]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />04/12/2012</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>Manifesto das mulheres nuas de Santarém</title>
          <pubDate>29/06/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/73995-manifesto-das-mulheres-nuas-de-santarem</link>
          <description><h4>Manifesto das mulheres nuas de Santarém</h4><p><![CDATA[<br />&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; As mulheres nuas de Santar&eacute;m lutam pelo direito de permanecerem vivas e pelo direito de gozarem desta vida. Sabem que o futuro a elas pertence e que &eacute; um exerc&iacute;cio l&uacute;dico o ato de pensar.</span><br />As mulheres nuas de Santar&eacute;m pertencem a uma fina casta de pessoas jovens, despreconceituadas e cativantes.Querem tomar o poder n&atilde;o pela for&ccedil;a e nem pelo voto. As mulheres nuas de Santar&eacute;m sabem que o &uacute;nico jeito de dominar &eacute; entrando e permanecendo nas mentes de todos os jovens e velhos, homens e mulheres, bichos e gente.</span><br />As mulheres nuas de Santar&eacute;m acreditam que governo e popula&ccedil;&atilde;o juntos podem lutar mais pelo engrandecimento cada vez maior de sua nudez. Acreditam na artificialidade coerente das propostas dos cirurgi&otilde;es pl&aacute;sticos, mas ojerizam os softwares que escondem os defeitos celul&iacute;ticos de uma ou outra pretendente &agrave; mulher nua.Essas s&atilde;o chamadas por elas de falsas mulheres nuas e recebem a cada nova reuni&atilde;o da Liga das Mulheres Nuas de Santar&eacute;m uma dose cada vez maior do puro esc&aacute;rnio.</span><br />As mulheres nuas de Santar&eacute;m fazem doa&ccedil;&otilde;es, mas odeiam o paternalismo.</span><br />Fazem caridade, mas escondem da direita o que faz a esquerda.</span><br />Fazem amor pelo amor.</span><br />Fazem amor pelo sexo.</span><br />Fazem amor pela grana.</span><br />&ldquo;As mulheres nuas de Santar&eacute;m est&atilde;o para o mundo como a alma est&aacute; para o corpo&rdquo;. Esse &eacute; o lema maior da Liga das Mulheres Nuas de Santar&eacute;m.</span><br />V&atilde;o a exposi&ccedil;&otilde;es, freq&uuml;entam museus, se engajam em quest&otilde;es pol&iacute;ticas, sociais e filos&oacute;ficas, e est&atilde;o sempre procurando algu&eacute;m para ajudar.</span><br />Trocam muito de mesa.</span><br />Trocam muito de cama.</span><br />Experimentam todos os gostos do mundo e optam sempre pelo mais extremo.</span><br />Fazem verdadeiras viagens diplom&aacute;ticas pregando aos quatro cantos do mundo a ideologia da Liga das Mulheres Nuas de Santar&eacute;m.</span><br />Lutam pela total liberdade e por fim querem o direito pleno sobre vida e morte de qualquer ser vivo.</span><br />As mulheres nuas de Santar&eacute;m querem matar as mulheres vestidas de Santar&eacute;m.</span><br />[Este texto est&aacute; em meu livro de contos &quot;A divina tragicom&eacute;dia humana&quot;]<br /></span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />29/06/2011</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>Oração</title>
          <pubDate>05/02/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/67710-oracao</link>
          <description><h4>Oração</h4><p><![CDATA[<br />minha cabe&ccedil;a &eacute; uma teia</span><br />um calabou&ccedil;o imundo</span><br />onde minha mente semeia</span><br />toda a desgra&ccedil;a do mundo</span><br />&nbsp;</span><br />todo dia de manh&atilde;</span><br />dou meu toque de midas:</span><br />desperto,</span><br />seguro o choro</span><br />e saio pra vida</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />05/02/2011</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>A poesia gratuita</title>
          <pubDate>04/02/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/67666-a-poesia-gratuita</link>
          <description><h4>A poesia gratuita</h4><p><![CDATA[<br />&nbsp;&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A poesia gratuita tem o intuito de engolir o leitor</span><br />morder seu esp&iacute;rito</span><br />devorar sua alma.</span><br />&nbsp;</span><br />A poesia gratuita n&atilde;o quer estar em todos os lugares.</span><br />A poesia gratuita &eacute; o lugar em que est&aacute;.</span><br />&nbsp;</span><br />H&aacute; pessoas que morrem por amor</span><br />e morrem de amor.</span><br />&nbsp;</span><br />H&aacute; pessoas que morrem</span><br />pessoas que matam</span><br />pessoas que matam e morrem.</span><br />&nbsp;</span><br />A poesia gratuita n&atilde;o &eacute; feita de amor.</span><br />Por amor &eacute; feita e quer reinventar as pessoas.</span><br />Por amor se entrega e quer desmontar as certezas.</span><br />&nbsp;</span><br />&Eacute; bela e feia a poesia gratuita</span><br />(estamos livres nos espa&ccedil;os vazios entre os versos</span><br />no auge da fugacidade</span><br />no meio do caos escorrem-me l&aacute;grimas).</span><br />&nbsp;</span><br />A poesia gratuita &eacute; gratuita e arbitr&aacute;ria.</span><br />Sou eu do avesso.</span><br />S&atilde;o as veias do mundo expostas.</span><br />&nbsp;</span><br />&Eacute; tempo de amar o que o mar traz &agrave; praia</span><br />amar o medo, o asco, o leito pleno de estrelas, a f&uacute;ria, os rastros.</span><br />Gente da minha laia &ndash; que n&atilde;o temem a poesia.</span><br />Gente que foge dos argumentos dos poetas.</span><br />Gente que n&atilde;o &eacute; gente &ndash; mas tenta.</span><br />&nbsp;</span><br />Toda poesia &eacute; feita por loucos e entregue a insanos.</span><br />A poesia gratuita nos persegue, nos tortura, nos adensa.</span><br />Mostra-nos a vida sendo composta em seu gene.</span><br />&nbsp;</span><br />Passam-se os anos</span><br />A poesia est&aacute; viva</span><br />Nem que os poemas queimem.</span><br />Nem que a raz&atilde;o nos destrua.</span><br />Nem que o caos em n&oacute;s reine.</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />04/02/2011</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>Era Ela</title>
          <pubDate>02/02/2011</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/67584-era-ela</link>
          <description><h4>Era Ela</h4><p><![CDATA[Era ela. O sonho dela. O sono dela, o riso cada vez mais n&iacute;tido o riso dela.<br />Era ela.<br />O tr&aacute;fego era ela. O caminho era ela. O desejo por uma nova solu&ccedil;&atilde;o, a solu&ccedil;&atilde;o dela. A inf&acirc;ncia dela.<br />Todos queriam um beijo e a boca pertencia a ela.<br />Um pensamento n&atilde;o pensado, uma estrela a iluminar o caminho dela. Tudo ela.<br />E foi ela e ele. No princ&iacute;pio ele por ela. Ela por ele. Um par perfeito, um dueto invejado, plagiado, amantes, sorrisos e abra&ccedil;os. O bra&ccedil;o dele nela e o bra&ccedil;o dela nele.<br />Eram eles. Os sonhos deles. Deles o sono. O sorriso grandioso, grandioso riso deles.<br />E cada vez mais ele que ela e ela cansando dele. O medo de perd&ecirc;-lo. O medo de n&atilde;o t&ecirc;-lo sem saber que a ele j&aacute; n&atilde;o tinha.<br />J&aacute; n&atilde;o era nem ela nem ele.<br />O dia dela?<br />O dia dele?<br />A m&atilde;e dela? O pai dele.<br />O dinheiro dele separado do dinheiro dela. A fam&iacute;lia dele no natal deles e a dela numa eventual celebra&ccedil;&atilde;o sem ela.<br />Cada vez menos eles. Ela esquecia-se dos sonhos. Os sonhos dela. Ele ignorando o que vinha daquela boca, o beijo dela, os risos, a voz suave e rouca, de seu cora&ccedil;&atilde;o os sonhos que antes tinha &ldquo;os sonhos que ora eram ela e ele, dela e dele&rdquo;.<br />E foi ela pela rua. E foi o tr&acirc;nsito. Foi a curva. Foi o carro. Foi bolsa de um lado. Foi ela de outro. Foram graves feridas e foi muito triste a morte dela.<br />O sonho dela?<br />Onde est&aacute; ele?<br />O riso dela: parca lembran&ccedil;a no passado dele.&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />02/02/2011</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>A capital paulista</title>
          <pubDate>07/02/2010</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/54038-a-capital-paulista</link>
          <description><h4>A capital paulista</h4><p><![CDATA[Enquanto meu grito explode</span><br />milhares de bombas caem na capital paulista</span><br />enquanto meu grito explode.</span><br />&nbsp;</span><br />Enquanto meu grito explode</span><br />dezenas de milhares de milh&otilde;es de n&atilde;o sei quantas crian&ccedil;as explodem</span><br />enquanto meu grito explode na capital paulista.</span><br />&nbsp;</span><br />Enquanto meu grito explode na capital paulista</span><br />e em v&aacute;rios outros lugares que n&atilde;o s&atilde;o a capital paulista</span><br />tantos e tantas l&aacute;grimas secas,</span><br />sacos de lixo abertos,</span><br />mentes cruzadas,</span><br />pernas acesas,</span><br />le&otilde;es soltos,</span><br />combust&iacute;vel,</span><br />fuma&ccedil;a</span><br />na capital paulista enquanto meu grito explode.</span><br />&nbsp;</span><br />Meus pulsos s&atilde;o meus pulsos</span><br />e embora o mundo exploda</span><br />meu grito explode</span><br />e que n&atilde;o morra o que &eacute; de morte</span><br />n&atilde;o hei de cortar meus pulsos na capital paulista.</span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />07/02/2010</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>A divina tragicomédia humana</title>
          <pubDate>07/02/2010</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/54037-a-divina-tragicomedia-humana</link>
          <description><h4>A divina tragicomédia humana</h4><p><![CDATA[O que fazer depois das leituras obrigat&oacute;rias?</span><br />Depois de discutir filosofia e escutar todas as m&uacute;sicas?</span><br />&nbsp;</span><br />Foi &agrave;s festas</span><br />Compareceu &agrave;s reuni&otilde;es sociais</span><br />Alegrou-se ao p&ocirc;r-do-sol</span><br />E embebedou-se de todas as formas de felicidade.</span></p><p><br /></span>O que voc&ecirc; faz depois que o para&iacute;so resulta in&uacute;til?</span><br />&nbsp;</span><br />Quando n&atilde;o h&aacute; mais lugares in&eacute;ditos</span><br />Pessoas in&eacute;ditas</span><br />Poemas e poetas. </span><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span></span><br />Quando os navios naufragam sem partir</span><br />E n&atilde;o precisa mais voltar ou se iludir.</span><br />&nbsp;</span><br />O que fazer quando o amor n&atilde;o &eacute; mais Amor?</span><br />Sua cidade n&atilde;o &eacute; a mesma?</span><br />Sua casa n&atilde;o &eacute; a mesma,</span><br />Voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; o mesmo.</span><br />&nbsp;</span><br />O que voc&ecirc; faz quando todos os lados da cama s&atilde;o o mesmo lado</span><br />E todas as camas a mesma cama.</span><br />O que fazer depois que a calma e a pressa resultam in&uacute;teis?</span><br />&nbsp;</span><br />Como agir quando os &iacute;dolos se quebram,</span><br />Os mitos descobrem-se mitos,</span><br />E n&atilde;o h&aacute; religi&atilde;o alguma em que confiar?</span><br />&nbsp;</span><br />O que voc&ecirc; faz quando a ci&ecirc;ncia n&atilde;o abre mais horizontes?</span><br />Quando a arte n&atilde;o os abre mais.</span><br />&nbsp;</span><br />Quando tudo &eacute; &oacute;pio ou dor,</span><br />Quando nem se &eacute; espinho nem flor.</span><br />Quando &eacute; tempo de pedras, musgo, atrofia&ccedil;&atilde;o.</span></p><p><br /></span>O que voc&ecirc; faz depois de tudo isso?</span><br />&nbsp;</span><br />Depois de olhar no espelho e descobrir outra pessoa.</span><br />De ir ao jardim e n&atilde;o ver flores.</span><br />Ler seus poemas e n&atilde;o ver poesia.</span><br />Encarar sua vida e n&atilde;o ver vida.</span><br />&nbsp;</span><br />&nbsp;</span><br />&nbsp;</span><br />Depois de pular e n&atilde;o encontrar o teto.</span><br />Procurar e n&atilde;o ter ningu&eacute;m por perto.</span><br />Fazer o errado sabendo o que &eacute; certo.</span><br />Depois de ir torto num caminho reto.</span><br />&nbsp;</span><br />Todas as janelas est&atilde;o fechadas</span><br />E n&atilde;o h&aacute; portas por onde passar.</span><br />Voc&ecirc; procura a claustrofobia, mas ela o abandonou.</span><br />Voc&ecirc; jogou e perdeu</span><br />Perdeu, mas jogou.</span><br />&nbsp;</span><br />O que fazer depois do desespero?</span><br />Da esperan&ccedil;a &ndash; que &eacute; o desespero sem nenhuma esperan&ccedil;a.</span><br />O que voc&ecirc; faz depois do parto?</span><br />Depois de estar farto de falsas lembran&ccedil;as.</span><br />&nbsp;</span><br />Depois de beber os artificiais</span><br />Provar dos corantes, no seu paladar os acidulantes</span><br />Esvaziar os instantes.</span><br />Decorar sua casa com duendes,</span><br />Bruxos, pir&acirc;mides.</span><br />Queimar velas, incensos,</span><br />Untar-se com unguentos,</span><br />Beber &aacute;gua benta.</span></p><p></span>E ainda ser o mesmo</span><br />Depois de descobrir as mentiras das verdades</span><br />As verdades nas mentiras</span><br />E de desistir de entender o mundo nessas condi&ccedil;&otilde;es.</span><br />&nbsp;</span><br />Depois de ver discos voadores falsificados</span><br />O Walt Disney congelado</span><br />Tocar em sangue alheio coagulado</span><br />Ouvir tiros no quarto ao lado</span><br />Um filho abortado</span><br />Ser abduzido</span><br />E logo ap&oacute;s esquecido</span><br />Ser lembrado.</span><br />&nbsp;</span><br />O que voc&ecirc; faz depois de cessarem os abra&ccedil;os?</span><br />Romperem-se os la&ccedil;os</span><br />Secarem os lagos,</span><br />E naufragarem os barcos?</span><br />&nbsp;</span><br />Voc&ecirc; leu Goethe</span><br />E entre Fausto e Mefist&oacute;feles se viu neste.</span></p><p><br /></span>Em Shakespeare foi Iago.</span><br />&nbsp;</span><br />&nbsp;</span><br />&nbsp;</span><br />Em J&oacute; o Diabo.</span><br />&nbsp;</span><br />Suas asas est&atilde;o mortas para a vida</span><br />Como voar&aacute; agora?</span><br />Com os dentes espalhados j&aacute; n&atilde;o pode morder</span><br />Seu dedo amputado j&aacute; n&atilde;o acusa.</span><br />&nbsp;</span><br />&iquest;O cora&ccedil;&atilde;o ainda pulsa?</span><br />&nbsp;</span><br />O que fazer depois de beijar vi&uacute;vas?</span><br />Constituir fam&iacute;lia</span><br />Educar os filhos</span><br />Resumir-se</span><br />Prostituir-se.</span><br />&nbsp;</span><br />Agora que sabe ser </span><br />O resumo do resumo do resumo de uma frase.</span><br />&nbsp;</span><br />O que fazer depois daquele porre?</span><br />Sempre estar&aacute; vivo?</span><br />Um dia morre?</span><br />&nbsp;</span><br />V&ecirc; a chuva cair</span><br />O avi&atilde;o passar</span><br />O filme entreter</span><br />&nbsp;</span><br />E ainda &eacute; voc&ecirc;.</span></p><p><br /></span>Acreditando em anjos</span><br />Entrevistando esp&iacute;ritos</span><br />E sem casa s&oacute; quer onde encostar.</span><br />&nbsp;</span><br />Depois de dormir...</span><br />Sonha?</span><br />Acorda?</span><br />Desperta.</span><br />&nbsp;</span><br />E ainda &eacute; o mesmo.</span><br />Morrendo pelas ruas em um dia chuvoso</span><br />Marcando o tempo no pulso.</span><br />&nbsp;</span><br />No seu cora&ccedil;&atilde;o bate o mundo</span><br />Aos olhos: tudo.</span><br />&nbsp;</span><br />O que fazer agora que sabe e &eacute; imposs&iacute;vel esquecer?</span><br />Agora que conhece a verdade e ela n&atilde;o o libertou.</span><br />&nbsp;</span><br />&nbsp;</span><br />&nbsp;</span><br />Busca um sentido</span><br />Um amigo</span><br />Num peito aberto em flor.</span><br />&nbsp;</span><br />Procura um mundo em tudo</span><br />E em tudo o encontro com a dor.</span><br />&nbsp;</span></p><p>&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />07/02/2010</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>A cicatriz (parte II)</title>
          <pubDate>09/08/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31439-a-cicatriz-parte-ii</link>
          <description><h4>A cicatriz (parte II)</h4><p><![CDATA[&nbsp;<br />Ela acordou finalmente, n&atilde;o sabia dizer por quanto tempo dormiu, mas quando acordou somente pensou em olhar para seu corpo e procurar nele onde fora se alojar o golfinho provocador de uma noite t&atilde;o m&aacute;gica: nos seios, nas pernas, bra&ccedil;os, costas, m&atilde;os, p&eacute;s e nada. Nada de encontrar o desenho.<br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Achou que n&atilde;o havia procurado com exatid&atilde;o e tornou a mexer e esmiu&ccedil;ar o pr&oacute;prio corpo a procura do desenho e nada de ach&aacute;-lo.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O pensamento de que tudo fora apenas um sonho passara por sua cabe&ccedil;a, mas a percep&ccedil;&atilde;o de realidade ainda se encontrava intacta em si, sabia que vivera tudo, lembrava-se do seu cheiro, do seu calor, dos seus mergulhos. Lembrava da primeira vez que a tatuagem se movera, da segunda e de cada parte de seu corpo visitada por sua escolhida cicatriz. N&atilde;o seria com facilidade que entregaria sua experi&ecirc;ncia mais maravilhosa e realizadora ao campo do abstrato. Vivera algo concreto, algo real. Algo surpreendentemente real.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi at&eacute; o tatuador e nele exp&ocirc;s o sucedido, n&atilde;o teve os cr&eacute;ditos deste e pediu ent&atilde;o uma nova tatuagem, um novo desenho, o mesmo; um outro. Queria sentir tudo novamente, a mesma intensidade, a mesma sensa&ccedil;&atilde;o epif&atilde;nica, o mesmo poder e vol&uacute;pia.. Tudo com a mesma for&ccedil;a e car&aacute;ter m&iacute;stico...</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O tatuador se assustou com toda aquela hist&oacute;ria e recusou-se fazer um novo desenho. Sem coragem de procurar outro desenhista rumou para casa e foi ainda no caminho que sentiu algo bater de maneira estranha em seu peito, um qu&ecirc; de for&ccedil;a e dor que reconheceu no mesmo instante. Correu desesperadamente para casa com a dor a aumentar, entrou sentindo algo tomar conta de si e controlar seus movimentos, arrancou todas as roupas e nua percebeu um emaranhado de golfinhos a nadar por todo seu corpo e toma-la de assalto, fazendo dela seu oceano. Era infinita a dor que sentia, seu corpo povoado por centenas, milhares, milh&otilde;es de tatuagens, bilh&otilde;es talvez. Todas as formas de vida marinha: golfinhos, tubar&otilde;es, baleias, peixes simples, peixes ornamentais, peixes com formato de espinhos que lhe furavam o corpo, peixes com formato de cavalos cavalgavam por ela, um maremoto se formou em seu baixo ventre, uma tormenta matou dois surfistas que buscavam domar as ondas de seus seios, em suas sobrancelhas oito barcos naufragaram, em seus olhos um arquip&eacute;lago inexplorado, havia em seu sexo todo um ecossistema revelador da cria&ccedil;&atilde;o do universo, sereias hipnotizavam marinheiros nas curvas de suas n&aacute;degas, um suicida se atirava em uma das ba&iacute;as de seu bra&ccedil;o, um n&aacute;ufrago numa jangada alcan&ccedil;ava as portas de seu cora&ccedil;&atilde;o. Caminhava por seu c&eacute;rebro o primeiro dos golfinhos: originador de toda aquela hist&oacute;ria, navegava feliz por todo seu corpo: dos cabelos &agrave; raiz dos p&eacute;s, dos dedos das m&atilde;os ao gosto de sua l&iacute;ngua.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp; &nbsp;Foi ent&atilde;o que sentiu um poder maior que os outros subir por sua espinha, tomar conta de seu cora&ccedil;&atilde;o, pulm&atilde;o, ventre, &uacute;tero e de modo totalmente desorganizado pressiona-la de dentro para fora e fazer cada vez mais for&ccedil;a, cada vez mais for&ccedil;a, cada vez mais for&ccedil;a, at&eacute; que num grito ela explodiu e seus peda&ccedil;os se espalharam por todo o infinito transformando a mo&ccedil;a num novo e rico oceano. (<b>Marcel</b>, Mauro. <b>&ldquo;A divina tragicom&eacute;dia humana&rdquo;</b> 2007, p&aacute;g. 100 &ndash; 103; Ed. Scortecci, S&atilde;o Paulo.)</span><br />&nbsp;]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />09/08/2008</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>A cicatriz (parte I)</title>
          <pubDate>09/08/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31438-a-cicatriz-parte-i</link>
          <description><h4>A cicatriz (parte I)</h4><p><![CDATA[&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ela subiu as escadas pouco confiante, pediu para olhar algumas figuras assim que chegou, um pouco insegura escolheu a figura de um golfinho e n&atilde;o sem seguran&ccedil;a escolheu o lugar do corpo onde ficaria cravada aquela marca de sua juventude, de sua personalidade: a sua tatuagem. H&aacute; tanto aguardada, mas nunca com a coragem da realiza&ccedil;&atilde;o.<span> Dor, medo, preconceito, inseguran&ccedil;a.</span><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </span></p><p><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hoje nada disso a molestava. Tinha em si a seguran&ccedil;a dos generais, a coragem dos capit&atilde;es e a convic&ccedil;&atilde;o que s&oacute; ela possu&iacute;a.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Seria um golfinho e seria no seio. No direito. Somente ela e quem ela escolhesse poderia ver ou tocar se desenho, sua imagem, sua tatuagem. Tinha uma desculpa um pouco rom&acirc;ntica em tal escolha, ela de fato queria ser surpreendente: olhos de recato, cora&ccedil;&atilde;o aos pulos, prenhe de vontade e vol&uacute;pia, um oceano a ser navegado por outro corpo.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ag&uuml;entou a dor sem reclamar e reclamando. Doeu, mas estava definitivamente em seu seio a cicatriz volunt&aacute;ria que faria dela um ser mais feliz, talvez um pouco mais realizado. N&atilde;o saberia explicar e nem eu t&atilde;o pouco pensar sobre o que fizera. Sabia que estava feliz com o desenho, e plena de alegria foi pra casa aproveitar o restante da noite dormindo.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acordou, sorriu para o teto e passou a m&atilde;o pelo corpo. N&atilde;o sentiu no seio dor alguma, n&atilde;o sentiu no lugar da tatuagem a tatuagem, de fato o golfinho sumiu do seio direito e ap&oacute;s algumas investiga&ccedil;&otilde;es pormenorizadas foi descoberta em sua perna esquerda. O modo como a tatuagem do golfinho caminhou de seu seio para sua perna &eacute; que seria um mist&eacute;rio.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a n&atilde;o deu muita import&acirc;ncia ao sucedido, foi para seu emprego e trabalhou durante todo o dia sem pensar no assunto, quando voltou para casa lembrou-se da tatuagem e verificou no seio, a tatuagem se encontrava na perna. N&atilde;o pensou ainda assim no assunto e ap&oacute;s um banho, alguns telefonemas, um filme na televis&atilde;o, foi dormir. Ao acordar sentiu um comich&atilde;o nas costas, a tatuagem estava l&aacute;. Nas costas.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Percebeu ent&atilde;o, como que num momento epif&acirc;nico, o que se sucedia em seu corpo: tinha uma tatuagem viva. Era uma tatuagem que escolhia o lugar onde acordaria. Estava hoje em suas costas, mas acordou no dia seguinte em seu bra&ccedil;o canhoto. Acordou em sua nuca certa feita, acordou em seu rosto numa quinta-feira, neste dia faltou ao trabalho, n&atilde;o teria como explicar um desenho de um golfinho na face, preferiu o recolhimento e neste dia ficou sozinha em casa e foi a&iacute; que ocorreu algo sublime e m&aacute;gico, a tatuagem moveu-se &aacute; luz dos seus olhos.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foi de frente para o espelho que viu o golfinho dar um pulo e se alojar entre seus seios, bem no meio do peito. Teve algum medo, mas sem nada entender continuou sem entender nada. Nua estava e nua come&ccedil;o a dan&ccedil;ar pela casa. Ligou a m&uacute;sica em seu m&aacute;ximo volume e num transe solit&aacute;rio e sensual passou a seguir alguns passos regidos pelo seu instinto de mulher puramente f&ecirc;mea.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mexia-se com uma exatid&atilde;o cambaleante, parecia cair num jogar e mover de bra&ccedil;os, mas n&atilde;o era o que acontecia, quando se esperava um passo para a esquerda era para o lado oposto que havia o movimento e foi isso e vice versa at&eacute; que come&ccedil;ou a brilhar em seu peito, algo parecido com uma luz, uma estrela, um c&aacute;lice, um golfinho.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O animal saltou e come&ccedil;ou a fazer parte daquela sensual dan&ccedil;a. Virava e vibrava como que alado. Saltava para fora e para dentro de seu corpo. Mergulhava e sorria como um verdadeiro habitante dos mares.</span><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aquele momento durou muitos anos e apenas alguns segundos, um s&eacute;culo talvez. Nenhum dos dois se cansava do bal&eacute; que os tornava algo &uacute;nico e apartado. Eram ambos, uma forma de vida ainda n&atilde;o catalogada, uma forma de vida que precisava um do outro para continuar existindo.</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />09/08/2008</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>O canto da cigarra</title>
          <pubDate>27/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/31056-o-canto-da-cigarra</link>
          <description><h4>O canto da cigarra</h4><p><![CDATA[&nbsp;<br />Tinha uma m&uacute;sica tocando ao fundo e pessoas cantando outra can&ccedil;&atilde;o. Nada estava acontecendo que chamasse a aten&ccedil;&atilde;o de algum desavisado, apenas uma cigarra do outro lado da &aacute;rvore exalava seu cantar singular, dando a todos a impress&atilde;o de que a vida teria algum significado oculto.</span><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A can&ccedil;&atilde;o prosseguiu durante toda a tarde e sem saber imit&aacute;vamos o vento em nossa cantilena. F&aacute;cil. Estranho. A cigarra parou de cantar por um instante. N&oacute;s paramos de sorrir durante toda a nossa vida. Algu&eacute;m trouxe um instrumento musical, um instrumento qualquer, n&atilde;o estava afinado, ningu&eacute;m sabia toc&aacute;-lo corretamente, mas ficamos felizes com sua presen&ccedil;a, era algo de relativamente novo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vida, um pouco de profissionalismo &agrave; nossa arte. A cigarra em seu lado da &aacute;rvore continuava seu canto, n&oacute;s, pelo nosso lado, invent&aacute;vamos poesias e estrat&eacute;gias para compor outras can&ccedil;&otilde;es. Morr&iacute;amos de medo de pararmos pra pensar no que estava acontecendo naquele momento, se algu&eacute;m pensasse sobre o conte&uacute;do de nossa felicidade, com certeza a perder&iacute;amos.</span><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Foram necess&aacute;rias v&aacute;rias passagens para que nosso poema coletivo se transformasse em m&uacute;sica, a cigarra refletida num instante, sem cantar cantava e encantava o sil&ecirc;ncio. Olh&aacute;vamos para as meninas que compunham nosso grupo com certo ar de mist&eacute;rio. Seria poss&iacute;vel uma orgia naquele lugar? Seria poss&iacute;vel um amor verdadeiro? Estar&iacute;amos vivos e felizes como a cigarra quando o poema acabasse?</span><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vamos para Holywood, vamos para Feira de Santana, vamos pra qualquer lugar, viajemos em qualquer dire&ccedil;&atilde;o, desde que saibamos que a felicidade em uma tarde de poesia &eacute; t&atilde;o fr&iacute;vola quanto a verdadeira e eterna felicidade. Deixemos de acreditar que h&aacute; pessoas felizes neste mundo, deixemos tudo pra tr&aacute;s. Tudo. Da mesma forma como o tempo deixa os seres humanos pra hist&oacute;ria e como deixaremos o canto da cigarra extinto em nossa mem&oacute;ria. Tudo ser&aacute; extinto como seu canto, e a vida &eacute; t&atilde;o alta e grave. Tudo deixar&aacute; tudo penando.</span><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A &aacute;rvore balan&ccedil;ou com o vento e pensamos que o clima transformaria o ar em &aacute;gua, o tempo em vento e n&oacute;s em aus&ecirc;ncia. Mas o seco resistiu ao &uacute;mido naquela tarde e prosseguimos na tarefa de compor a can&ccedil;&atilde;o de nossas vidas.</span><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o houve l&aacute;grimas e o primeiro verso nasceu no intervalo entre o que foi e que jamais seremos. Estava tudo pronto e preparado para nossa vida.</span><br />&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ent&atilde;o nascemos. Conseguimos resistir &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o da ren&uacute;ncia. Estamos cada vez mais verdadeiros e longe estamos da felicidade e do canto daquela cigarra que amanheceu extinta e completa aos p&eacute;s daquela &aacute;rvore.</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />27/07/2008</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>(re) produção</title>
          <pubDate>24/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30974-re-producao</link>
          <description><h4>(re) produção</h4><p><![CDATA[o c&atilde;o, o gato, o rato produzem<br />s&oacute; o homem produz<br />&nbsp;<br />logo<br />o que diferencia o ser humano dos animais &eacute; que o homem reproduz e produz</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />24/07/2008</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>O desterrado</title>
          <pubDate>24/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30973-o-desterrado</link>
          <description><h4>O desterrado</h4><p><![CDATA[&nbsp;<br /><b>O desterrado</b><br /><span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (a Carlos Drummond)</span><br />&nbsp;<br />&Eacute; nunca no meu nunca o meu prazer<br />&Eacute; nunca no passado o meu lembrar<br />&Eacute; nunca no que vem minha coragem<br />&nbsp;<br />&Eacute; nunca no ausente a minha fibra<br />&Eacute; nunca em teu aceno a reposta certa<br />&Eacute; nunca em teus bra&ccedil;os o que gostas<br />&nbsp;<br />Nunca no meu pl&aacute;gio a descoberta<br />&Eacute; nunca na entrelinha a resposta certa<br />&Eacute; nunca no sorriso o olhar conciso<br />&nbsp;<br />Nunca nos meus pulsos aqueles cortes<br />Nunca neste jogo aquela sorte<br />Nunca no sil&ecirc;ncio a completa cren&ccedil;a<br />&nbsp;<br />Nunca na trag&eacute;dia ou na fal&ecirc;ncia<br />E nunca um beijo teu foi t&atilde;o sentido<br />E nunca no meu nunca o olhar amigo]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />24/07/2008</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
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          <title>Um mundo como o nosso</title>
          <pubDate>06/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30474-um-mundo-como-o-nosso</link>
          <description><h4>Um mundo como o nosso</h4><p><![CDATA[Foi num mundo como o nosso</span><br />Com pessoas como as nossas</span><br />De h&aacute;bitos como os nossos</span><br />De v&iacute;cios e jeitos como os nossos</span><br />&nbsp;</span><br />Que certa feita conseguiram dar a determinados animais</span><br />A consci&ecirc;ncia da morte.</span><br />&nbsp;</span><br />Em pouco constru&iacute;ram totens e fundaram uma religi&atilde;o.</span><br />&nbsp;</span><br />&Eacute; que a primeira coisa que o ser faz</span><br />Quando descobre que vai morrer</span><br />&Eacute; matar a morte.</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />06/07/2008</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>O labirinto dos teus lábios</title>
          <pubDate>02/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30362-o-labirinto-dos-teus-labios</link>
          <description><h4>O labirinto dos teus lábios</h4><p><![CDATA[quando olho teus l&aacute;bios</span><br />teus l&aacute;bios labirinto</span><br />labirinto</span><br />teus l&aacute;bios</span><br />quando olho</span><br />&nbsp;</span><br />quando minha l&iacute;ngua</span><br />toca teus l&aacute;bios</span><br />perdido me apavoro</span><br />&nbsp;</span><br />se teus l&aacute;bios</span><br />meus olhos tocam</span><br />percebo o frio da vida</span><br />o frio da morte</span><br />&nbsp;</span><br />o frio de estar</span><br />nu</span><br />estar em tu</span><br />&nbsp;</span><br />perdido na imensid&atilde;o</span><br />do labirinto dos teus l&aacute;bios</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />02/07/2008</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
                </item>
          <item>
          <title>A pétala</title>
          <pubDate>01/07/2008</pubDate>
          <link>https://sitedepoesias.com.br/poesias/30330-a-petala</link>
          <description><h4>A pétala</h4><p><![CDATA[a p&eacute;tala cai na gota</span><br />a gota cai no gr&atilde;o de areia</span><br />o gr&atilde;o de areia cai na estrela</span><br />a estrela cai no mar</span><br />o mar cai na praia </span><br />a praia cai na terra</span><br />a terra cai aos p&eacute;s</span><br />os p&eacute;s caem no homem </span><br />o homem cai na mulher</span><br />a mulher cai na moda</span><br />a moda sempre cai</span>]]></p><p><a href='https://sitedepoesias.com.br/poetas/mauromarcel' title='Biografia do Poeta: Mauro Marcel'><b>Mauro Marcel</b></a><br />01/07/2008</p></description>
          <author>Mauro Marcel</author>
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