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A Flor Cotidiana do Amor

A flor do amor floresce onde bem quer:
Os ventos que semeiam poesia
Não têm padrão; não têm burocracia;
Variam mais que o humor de uma mulher.

A flor do amor murcha quando calhar:
Sem previsão; sem rota e itinerário;
Surpreendente tal qual meu salário
Que se evapora antes do mês findar.

A flor do amor, mutante e imprevisível,
Oscila aos poucos, feito os decimais
Do preço do litro de combustível.

A flor do amor sempre renasce, então,
Tão certo como os roncos pontuais
Do estômago implorando a refeição.


Ederson Peka
14/11/2006
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