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AQUARELA DE UM SONHO

 
 
Aquarela de mulher excêntrica e vaidosa,
Como é estranho este teu lângüido pensar!
Esta cisma persistente e assaz desastrosa,
No meu caminho, jamais deixarei passar!
 
Satírica maneira que te faz tão escabrosa,
Vendavais rumorosos arranjas por gostar,
Sou teu alvo certeiro, ó arqueira ardilosa!
Por que tanto me queres a vida desgraçar?!
 
Não és ninfa de desejo, mas... fastidiosa,
Ser monturo, desejando a todos enganar;
Tu és frívola e tens a honraria desditosa,
Amor em verbo ainda não sabes conjugar.
 
Ausentas-te do delírio em ser carinhosa,
Que tanto te preocupas em querer mostrar,
Tens n’alma a drofa de mulher inditosa,
Ignota e doidivanas és, no sentido de amar.
 
Centúria de mulheres lindas e formosas,
Tem no escaparate do mundo a sobrar,
Teu amor que dás são chagas dolorosas,
Por isto não quero e nem posso aceitar.
 
Fiteiro de princesa não te faz div’airosa,
Nesta vida soturna nada tens a acrescentar,
Lembras-te que nunca foste a espirituosa,
Tampouco virtude a ti não foi dado portar.
 
Amas com palavras, colcheta astrosa!
Esposas o mal, querendo a mim ceifar.
Com lirismo d’alma  ingênua e afetuosa,
Canto versos de amor para a vida rimar.
 

Rivadávia Leite
28/02/2007