Se são trapos
as roupas que visto
é porque não insisto
em me vestir pra você.
Deixo nu o que a vista alcança,
abro o que ela não atinge,
Faço-me visível
deixo-me transparecer...
O que pareceu farrapo,
hoje se costura
aos remendos...
cerzindo o que esta rasgado.
Renovando a postura,
ao fluir, surpreendo...
Apenas peças do que fui
eram vistas
por entre o que me tornei.
Peças já sem uso,
provindas de todo e qualquer abuso
por isso eu chorei!...
E tantas foram as lágrimas
que encharcaram os panos
que quando em vez me cobriam.
Panos que eu não mais quis,
que me faziam infeliz
não me ofereciam...
Hoje não sei se
trapo, ou farrapo,
se pano de prato,
ou de chão...
eu só sei,
que um dia eu fui útil
e me envolvi na tua mão...
Vejo que minha baixa estima,
foi fruto da cisma
de não ser pra você
nem o milésimo
de uma parte do prisma,
fui cristal que quebrou!
Que não decompôs a luz...
hoje tento ser poeta,
poeta que sempre canta,
poeta que desencantou...
O que pareceu fiapo,
hoje se consuma
condescendo...
cerzindo o que esteve guardado
permitindo ruptura
ao fluir...transcendendo!
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