de Luisa Lincce
Quando se ama amor que vale a pena,
O amor reluta em ir, em esquecer;
Quer amar complacente, em chama eterna,
Quer se iludir, sonhar, quer merecer
A pena de viver a mesma cena,
De acreditar e outra vez se perder;
Naufragar na própria luz e na crença
De ver amor onde não há querer.
E é assim que o amor em si me convence
Que somente a si próprio ele pertence;
Faz-me saber esse mero amador.
E na verdade desse dom sagrado,
Quem ama inda se sente agraciado
Se a pena vale amar, se vale o amor.
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