de Luisa Lincce
Se inda alguma palavra te anuncia
Poesia que te venha por urgência
Da ilusão de um amor, de uma ciência
Novas, velhas, consequências, manias...
Se inda te desabafa, essa poesia
Que desenhas, desabas, em anuência
Quem te impedirá, amigo, a penitência
A que por gosto te ajoelharias?
Mas, meu amigo, eu que a pouco tive
Que a tenho menos que o sol consentisse
A posso longe da sombra que faço.
E se me acode alguma voz, que avive
É pra desendossar o que eu já disse
Eu desobrigo versos; não abraço.
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