Luisa Lincce
Quando pausas o tempo no meu rosto,
Inspirando o hálito em que te canto,
Eu ganho asas de pássaro santo,
Que ascendesse, liberto, em vôo e gosto.
E se me abraças, mais te quero porto.
E quanto mais te gosto, mais imanto
O vôo e o verso, desse abraço, e é tanto
Que já te abraço a alma, mais que o corpo.
A voz que tenho é esta que conheces:
Desafinada, apaixonada e rouca.
O amor que tenho, penso que mereces.
E a natureza inteira grita: “Louca!
Um outro amor? Não vês que assim padeces?”
- Hei de morrer amando! A vida é pouca!
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