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Teatro: Prometeu e Soláris

Prometeu:

Magnífica Soláris!

Porque não ouves teu poeta?

Soláris:

Teus desejos são  loucos!

Prometeu:

Tua alma de poetisa!

Que já me consumiu vivo

Teu espírito me dilacerou;

Vi sua alma sobre o velame de voz carinhosa!

Agora estou como um escravo do sentimento que ela carrega!

Soláris:

Sou louca?

Olhar fatal?

Atração explosiva?

Encontro seu pensamento?

Te devoro no vento?

Eu tenho medo!

Prometeu:

Você te revela, me encerra, me abala!

Soláris:

Te envolvi no crespúsculo,

Cheguei como um furação,

Todas olharam assustadas,

A elas nem dei atenção!

Prometeu:

Vou comendo de seus versos,

Me saciando.

Sim, estou em devaneios!

Soláris:

Segui o vento,

Seu pensamento me chamou,

Atravessei o céu!

Prometeu:

Estou ardendo em chamas!

Soláris:

Você quer se livrar,

Chega a pedir socorro,

Mas calei-te,

Com uma luz na boca!

Então desci selvagemente

Num raio a crepitar

E arranquei seu coração!

Prometeu:

Estou enebriado com fogo tamanho!

Com meu coração em tuas mãos!

Soláris:

Com uma fúria nos lábios

Não conto as estrelas do céu.

Coloco-te em minha boca louca

E todas ficam sem entender.

Prometeu:

Quem entra na minha alma?

Soláris:

Foi o desejo gritante!

Prometeu:

BRAVO!!!!

Soláris:

Domino o momento,

Você consegue reagir?

Então levanta­ a láctea luz de mim

E se podes consuma como eu consumo-o!

Prometeu:

BRAVÍSSIMO!

Soláris:

Jogue todas estrelas no chão,

E me envolva com força

Sobre estas pobres de luz! 

Prometeu:

E eu aqui sonhando,

Perambulando,

Tentando entender tamanha paixão que me alucina

Que me desatina, sem saber o porquê?

Soláris:

É a poesia!

Nossa alma!

Prometeu:

Você é poesia viva!

Posso sentir os crepitantes estalos das nossas almas

Sussurantes em beijos infernais que jamais se acabam

Entrelaçadas em um eterno momento perto do céu.

Onde vou, mais alto, mais perto...

É a nívea luz, cortina que me encerra. dentro de teu peito

E sem parar de me amar, e amar, como se fosse

O único encontro,

O único desejo,

O derradeiro beijo.

O que me resta agora é castigo por tentar roubar o fogo do céu!

 

©Wagner Ortiz 2000

MInha mitologia com a mitologia grega e com uma forçinha de Xama! Valeu! Minha utopia nas horas do fogo que arde meu coração!! Quero ter o fogo que me esquenta!!!

Wagner Ortiz
18/12/2000