Estado da Perdição
Já está de noite
A escuridão já predomina
E a lua que está tão pálida
A minha vida contamina.
Com essa maldade enorme
Tudo está perdido
E por mais que eu tente
Já não posso ficar arrependido.
Nas trevas sombrias
Eu vivo a delirar
E nesse silêncio tão estranho
Eu fico a me desesperar.
O delírio da minha embriaguez
Faz – me endoidecer a alma
E nas loucuras mundanas
Faz – se perceber a calma.
Maior dádiva divina
A bela perfeição humana
Que torna a me distrair
E o meu coração ufana.
As límpidas águas do riacho
Iluminadas pela lua
Um turbilhão fervoroso
A minha vida insinua.
Os bichos noturnos
Perseguem-me toda noite
Não sei para onde correr
Se vou jogar – lhes a foice.
O velório da vida cotidiana
Predomina sempre
Muita gente nascendo e morrendo
E não pára por mais que a gente tente.
Medonhos fantasmas amedrontam!
Nossos sonhos se tornam pesadelos
Deus nos ajude
A conter os nossos medos.
Ainda mais que há de ver.
O dia clarear – Esperança!
Mas a noite vai voltar!
Está tão escuro – Inconstância!
"A vida é breve
E o amor mais breve ainda.". ( Mário Quintana)
Traduz o que sentia neste dia. Numa triste noite de outubro
02/10/2004
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