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Devolvam...

Devolvam...

 
Não quero mais ver o pedido
De clemência nos olhos
Do pobre animal indefeso;
Tampouco o sorriso malicioso
No rosto do seu assassino
Quero presenciar a derrocada das touradas
 
Preciso tirar os pés
Das poças barrentas e fétidas,
Desses leitos infecundos...
Chega de assistir a morte dos rios,
Desejo navegar os olhos
Em águas férteis como dantes
 
Quero as crianças inteiras,
Sorrindo e correndo pelos campos
Cobertos de vida
Não mais quero vê-las
Chorando suas mutilações
Devolvam a pureza dos campos
Sangrem novamente suas entranhas,
Mas retirem as minas malditas
 
Expulsem o espírito da morte,
Que vaga pelos inúmeros escombros
Levem-no com a lembrança dos aflitos
Tragam os órfãos à presença do amor
E calem de vez as explosões.

 

 


Juarez Florintino Dias Filho
15/08/2008
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