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GRÁVIDA

Trazia no peito o alimento.
Levava no ventre a esperança;
Olhava para o firmamento,
Rogando a Deus à criança.

Correr, trabalhar, uma luta,
No mais evidente cansaço.
A dedicação à labuta,
Tirava do ócio o espaço.

As dores ? Fingia não tê-las.
Complexos ? Por que os teria ?
Mais fácil seria contê-los,
Com sonhos e com fantasia.

Um dia, já triste e cansada,
Olhou para o céu e pediu:
--- Senhor, envie-me um anjo.
E Deus, lá de cima, assentiu.

Nascera um lindo menino,
E os olhos se abriram com brilho;
E ela, com todos os mimos,
Chorou e sorriu para o filho.

Sentindo-se tão importante,
Pois mãe tem direito a sentir;
Pegou a criança no colo,
Chorando, pôs-se a sorrir.

Olhou novamente o infinito
Num gesto de alegria e dor,
E ousou seu falar mais bonito:
--- Obrigada por tudo, Senhor...


luiz angelo vilela tannus
19/08/2008
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