Ecce Homo
Sou um enigma,
Um rastro de sereno,
Que se apaga com os raios de meu pensar;
Evaporando-se para fazer parte das nuvens;
E lá das alturas contemplo a planura
Onde esboço o rascunho de minha liberdade.
Sou o que sempre fui deixando de ser...
Sou uma crisálida, uma metamorfose
Sou fogo, sou ar, sou terra, sou água;
Sou um rio que flui sereno
Em direção ao mar e ao abismo;
Onde se desfazem minhas utopias e meus medos...
Sou claridade, sou confusão
Sou paz, sou guerra.
Sou finito, sou imensidão...
Brotam em mim verões, primaveras e outonos
Onde renovo minha aurora.
Há inda em mim muito inverno e lareira,
Mas sobra espaço para aconchego e prosa
Em fuga diante da madrugada matreira.
Pois minha mente nietzscheana está grávida;
Grávida de idéias;
Um dia darei à luz;
A uma estrela pensante.
Nesse dia,
Todas as ilusões e utopias,
Religiões e deuses cairão.
Mas, minha mente sabe,
Que se erguerão outros ídolos;
Outras irracionalidades;
Pois o homem é uma criança perdida
Dos caminhos de si mesma...
E ao encontrar uma pedra,
Nas trevas de sua ignorância voluntária,
Aos prantos dobra os joelhos,
E a chama de pai, lhe rendendo graças...
Pois esta criança grande
Não sabe navegar em outro mar...
Se não for o de suas ilusões...
24/11/2008
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