Site de Poesias


Ecce Homo

Ecce Homo

Sou um enigma,

Um rastro de sereno,

Que se apaga com os raios de meu pensar;

Evaporando-se para fazer parte das nuvens;

E lá das alturas contemplo a planura

Onde esboço o rascunho de minha liberdade.

Sou o que sempre fui deixando de ser...

Sou uma crisálida, uma metamorfose

Sou fogo, sou ar, sou terra, sou água;

Sou um rio que flui sereno

Em direção ao mar e ao abismo;

Onde se desfazem minhas utopias e meus medos...

Sou claridade, sou confusão

Sou paz, sou guerra.

Sou finito, sou imensidão...

Brotam em mim verões, primaveras e outonos

Onde renovo minha aurora.

Há inda em mim muito inverno e lareira,

Mas sobra espaço para aconchego e prosa

Em fuga diante da madrugada matreira.

Pois minha mente nietzscheana está grávida;

Grávida de idéias;

Um dia darei à luz;

A uma estrela pensante.

Nesse dia,

Todas as ilusões e utopias,

Religiões e deuses cairão.

Mas, minha mente sabe,

Que se erguerão outros ídolos;

Outras irracionalidades;

Pois o homem é uma criança perdida

Dos caminhos de si mesma...

E ao encontrar uma pedra,

Nas trevas de sua ignorância voluntária,

Aos prantos dobra os joelhos,

E a chama de pai, lhe rendendo graças...

Pois esta criança grande

Não sabe navegar em outro mar...

Se não for o de suas ilusões...

Davi Roballo
24/11/2008