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Faz de contas

 

Faz de contas que sou recordação
E perfume de ontem, nostalgia
Faz de contas que é sim o que é não
E que é sonho desfeito a poesia

Faz de contas que as pedras preciosas
São areias e restolho na enxurrada
E que as altas colinas luminosas
São altares caindo em derrocada

Faz de contas que o horizonte não lês
Nem vislumbras da verdade os porquês
E caminha pela viela às escuras

Que eu sou feita de sol e de Verão
E se as asas manchares sem coração
Ainda mais hão de erguer-se nas alturas

Nita Ferreira

Nita Ferreira
03/03/2009