O velho
No píncaro dos dias
Um ancião conta sua trajetória
De vida em jovial ufania
Aonde se fez herói de sua historia
Contada pelos traços em sulcos
Desenhados no rosto e na testa.
Andou errante pelos vales dos anos
Tentando laçar o tempo profano
Este cavaleiro rápido e incansável
Que troca de montaria a cada janeiro...
Deixando para trás o hoje
Que já foi o ontem
E o será amanhã...
O tempo andou, anda, não pára
Enquanto que a lassidão
Aninhava-se em sua fisiologia
Anunciando que era vencido
Pela paciência amadurecida
Nos braços dos dias passados
E cada ruga na aurora nascida...
Há nesta odisséia um espírito sem idade
Galopando num corpo corrompido
Pela gravidade a envelhecer sem clemência
Pelos anos que o fazem perder a graça
Diante dos escravos da estética,
Cegos e ignaros de vivência.
Foi-se os encantos pelas ilusões da Terra.
Não há mais paixão cega acesa nesta alma,
Agora, sisudo mais pensa do que fala,
Pois a paciência resplandecente impera
Em seu seio que abandonou a quimera e
Olhando para o céu a liberdade espera...
03/07/2009
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