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Da solidão e do solitário


É na solidão que se conhece a si mesmo
Pois acesa a lamparina da consciência
A ilusão desmorona e ficamos frente a frente
Com os demônios e monstros que há dentro de nós
E é impossível mentir quando estamos a sós com essas feras.
 
Inegável são a reflexão e a reciclagem na solidão
Por estarmos a sós não podemos nos omitir
Nem adquirir o anonimato do meio da multidão
O céu transforma-se em inferno e a confusão nasce
Pois é na solidão que os ouvidos enxergam
E os olhos ouvem, enquanto a boca respira
E o nariz fala a voz inconfundível do silêncio.
 
Solidão também é companhia
Companhia de nós mesmos
O “eu” que muitas vezes abandonamos a esmo
Para viver nas asas e sombras alheias
Enquanto nosso espírito se asfixia
Com tanta ilusão e mesquinharias.
 
Quem disse que companhia
Significa ausência de solidão
A muitas maneiras de ser só
Solitário em pensamentos
Solidão intelectual
Mas a pior solidão é a do poeta
Que acompanhado pelas estrelas
Embebido de noites prateadas
Não pode pegá-las... 

Davi Roballo
06/07/2009