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Miserere!

Meu canto nesta noite cheira fome
De um riso funesto e melancólico
A penumbra recai sobre a face
E a face se empalidece de fome

Oh! Deus! Por que me abandonastes?
Miserável na fria sarjeta brado um canto
Um manto não tenho para enxugar meu pranto
Somente passos na calçada noite adentram

Celebro minha dor em versos
Papel borrado e caneta preta o meu prato
Mesmo assim, sinto fome

Urros estomacais sobem ao céu
Sem resposta voltam para dentro de minha boca
Deus me abandonou!


Enivaldo Ramos
14/02/2006
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