Elucubrou-me o ventre primaveril enleado em lírios, do pranto vertido dos olhos da guardiã do longínquo lago além dos horizontes dos confins do espírito. Fugidios comenos vegetei por um ideal d'alma, silente dentre tudo aquilo que me foi cedido pelos Nirvanas do mistério existencial. Pude as noites sentir, elas fluiam pelas campinas verdejantes do jardim das bonanças ignotas, ali uma ara de sonhos eu ergui entre furtivas lágrimas dum silfo ao suicídio. Por noite invernal, ela chorou um pranto imperecível, eu pude atinar para o caos imerso em seu olhar, suas palavras me soavam como da desditada e rude elegia dos demônios. Todavia me enganara o pássaro da surdina da mata, fruto pecaminoso do engano da visão - fora-me a seta que me direcionou a um vislumbre de páramos todos contidos e suspirados no singelo curvar daqueles seios palpitantes de palor, por onde um rio negro de convulsões iracundas vertia harmonias em cavatina, caladas em lábios ressequidos de toda a promessa dos vindouros ouros da manhã. Foi-me aquilo o nítido anátema das clarividências do estar, do ser e do existir. Todo aquele suor a sibilar naquela facezinha iludia toda a minha entidade maldita a uma devoção máxima de cabalísticos eflúvios do que nada se logra. Era por noite que esta alma, após os arquejos lívidos e fúnebres de seu exalar perfumes e vapores que a envolveram num véu de sombras e dúvida, deambulava taciturna através duma praia acometida pelas virações do pélago, este já embalava toda a escuridão da espera do suicídio da essência. Era toda melancolia, toda desgraça, toda tristeza a vagar o seu véu de segredos por uma dessas noites frias que o vinho e a saturnal dos demônios a invadir o vergel, não saciaram a inquietude desesperadora e mefistofélica de meu ser. Ensadecido da embriaguez da farta pureza das perdidas do platonismo, que eu fugi da maçada devassidão. Foi que todo aquele riso de veleidade mortuária amaldiçou a mim os anseios e devaneios que jamais dei lume outrora, quando ardia a infância de eleitos efeitos, de dardejantes ócios. Ora ardiam, sob aqueles véus, seios roliços da curta existência da mundaneidade, naqueles lábio a dura poesia de toda a contradição tentadora, e naqueles olhos o que mais me afogara a uma catalepsia eterna d'infindo amar no leito da areia, dormimos sob o lençol das vagas. Mas, logo desperto de sonhos que nunca dantes sonhados foram a perdição do ideal, toda aquela efígie tumular fora tragada pelo pélago - o verdugo que me foi a senda aos horizontes velados por estrelas alvinitentes que com o relento etéreo ao menos me faziam lembrar da algidez melíflua daqueles lábios. Eis que me dou em terras humanas, no antro da família e da constituição falida, mergulhado em sonhos intangíveis; em ideais feéricos, mas que escusos estão além daqueles horizontes que outrora me foram o real, e agora tão-só de ideal me são o fito dum mancebo que da mocidade nem um amor gozou ainda - e que daquele que desfrutou as enegrecidas ardentias só possui um sonho vago que se oculta nas névoas desse pesadêlo infindo. Minhas eras dão-me o fruto da arte e da poesia desde o infante concreto, quando o inocentinho olhar virginal corrompeu-me a um orbe maldito que se semelha àquele que se me foi amor - é-me agora obscuridade e quimera... eis-me, um poeta maldito...
thierry_mickaelmotta@yahoo.com.br - thierry_mottapoeta@hotmail.com
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