Sou um garoto nascido na cidade de Bauru – sim, a cidade do lanche -, interior de São Paulo, no dia terceiro de março de 1987.
Infância feliz de ‘moleque-bagunça’. Criado em meio a peões e búricas, muitas pipas e pouco gosto por elas, peguei quase o início do vídeo-game – ah, o atari -, esconde-esconde e pega-pega; polícia e ladrão. Gato mia!
Totalmente alheio ao mundo de preocupações, mas ciente que as preocupações viriam.
Forçado a estudar como todo garoto; estudava, e muito. Não digo que tinha algum gosto por literatura ou equações físicas e compostos químicos, mas tinha medo dos tabefes que levaria no final do bimestre caso a nota vermelha colorisse o boletim.
Ia à igreja pra tocar violão, mas totalmente despreocupado com Deus. A igreja era motivo de risos e vários questionamentos. Deus era a incógnita da existência do garoto que não entendia o sofrimento das pessoas pelo senhor barbudo que morreu na cruz sem ninguém ao menos o conhecer. Eram tantas palavras diferentes, uns caras lá na frente falando umas línguas estranhas e o povo chorando pelo rapaz na cruz. Não! Eu não tinha nada a ver com aquele cara pendurado.
Eu valorizava outras coisas como: primeira namorada, meu skate amigo e as festinhas para menores.
E foi logo mais disso tudo que finalmente as responsabilidades chegaram. Primeiro emprego de estagiário na Previdência Social em meio a centenas de arquivos empoeirados, eu “camelei” por dois anos. Não era tão ruim.
Os amores vinham, as lágrimas chegavam e a existência era sempre a questão.
Foi daí então que os primeiros escritos começaram.
Rascunhos e rabiscos com gramática assassinada e nenhuma zelo pelas estruturas.
Ah! Era o modernismo quem sabe me dominando. Desleixo era quase uma regra; uma obrigação. E muitos elogios eu forçava para tirar das pessoas.
No resumo da situação, o tempo passou e a alternativa era descobrir aos poucos a razão dessa maldita existência tão citada. Tão pensada.
E através da Filosofia descobri o peso do existencialismo e, me conformei.
Criei teorias e poesias, poemas e pensamentos, e até umas tirinhas ateístas.
A necessidade de valores e morais me consumiu. O desapego às pessoas me fez ver o descaso como virtude. O Orgulho hoje é meu aliado.
Mas tenho fé sim! Mas não no Deus cristão ou no Paulo Coelho.
Minha fé não move montanhas nem dá peixes aos famintos; ela simplesmente escreve coisas tortas em linhas certas.
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"A falta de valores gera a falta de orgulho.
Falta de orgulho gera falta de essência.
A falta de essência geral a falta de virtudes.
Falta de virtudes gera falta de valores."
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