Vagam lumes na madrugada
Dessa floresta de concreto;
Zumbem motores como insetos
Na cidade que nunca pára.
Eu faço ronda na sacada,
Meu passatempo predileto:
Tomo a caneta por graveto
De uma fogueira imaginária,
E taco fogo num papel
Pra iluminar a noite escura
Com as chamas da poesia.
Ergo a tocha, mirando o céu,
Mas a fagulha não perdura
E o vento espalha a cinza fria.