BLASFÊMIA
Blasfêmia é falar-te ,com toda a certeza, que sou poeta
Sendo que de fato não o sou
Porque não beiro somente pelas angústias que são dignas de um escritor
Eu navego por entre uma badernada pororoca
De alegrias e infelicidades,sucessos e erros conflitantes
E vivo de relatar a turvidez dessas águas fluentes
Onde minha jangada ousou aventurar-se por causa da minha avidez perante as imparcialidades
Blasfêmia é mostrar-te meus versos
E convencê-la a enxergar todas as rimas existentes fazendo-te perceber a sonoridade macia que delas emanam
Elas não existem
Por pouco nunca rimei nada nestes anos todos
Digo isso, pois procurei unicamente harmonizar a essência com a existência mesmo que não concluísse um poema no qual pudesse dedicar-te com toda modéstia
Blasfêmia é vê-la sumindo pelos horizontes rastejantes no pôr-do-sol
E enganar-me dizendo que não terei medo de dormir sozinho nas noites frias, pois ,espantarei os demônios debaixo da coberta e deixarei passar sobre a testa intenções de troca
Tu és a única que podes governar esse reino tempestuoso e ditar algumas leis que regeriam a paz deste plebeu inocente, porém, voraz
Blasfêmia é beijar-te a boca sentindo na minha certo gosto de cinzas
E ainda reclamar dos afagos que me proferes
Num discurso imoral sobre superficialidade
Estaria difamando a confiança que depositei nesse seu semblante sereno
Da qual eu mesmo conquistei e fiz voto do mesmo
Teria me deixado levar pelas atitudes alheias
Quando voltasse das exageradas pândegas que, vez ou outra, costumo freqüentar para o meu deleite
Blasfêmia é prometer-te o impossível
E deixá-la acreditar que farei dos seus sonhos,realidade
Sendo que até os meus,em certas ocasiões,são devolvidos sem realizarem-se
E, já me acostumei a criar novos e em parceria com os seus para que,de alguma forma, possamos nos compensar e não nos sentir derrotados quando ,por ventura,clamarmos por realizações
Blasfêmia e mostrar-te que prezo a liberdade integral
Mas sentindo que meu maior desejo é de que tu amolaste a tesoura e me arrancasse
Duas ou três penas para que eu não alçasse um vôo tão remoto
Que pudesse me distanciar do puleiro que preservas na suavidade de sua mão na qual reservas com tanta ternura para eu pousar
Blasfêmia é confessar-te que não a amo
Que sou um cubo gelado ainda em processo de solidificação
E que não sinto qualquer afeto..........
Seria eu o maior mentiroso dessa vitalidade toda
Aí sim,cometeria a maior transgressão contra minha pessoa
Iludiria-me com todos os privilégios
Seria o herege absoluto
Mas,neste instante,diante das encenações absurdas que tento demonstrar,acabo por descobrir,sem ferir a onipotência do meu ego,que sou incapaz de ser tão insensível assim
Isto é nulo em mim
Portanto,jamais iria tentar conter uma fonte que jorra tantas sensações gloriosas e que tu me ofereces na maior simplicidade humana,como se não fosse importante para mim querer-te
Blasfêmia, na verdade, seria eu não beber desse teu licor até fartar meu insaciável querer.....
SÃO PAULO/SP
18/11/2007
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