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Coleção de Poesias

Há poesias que passam depressa

Por exemplo o tempo, em voltas expresso

Sem preço de volta, em números preso,

Sempre tão disperso que se recomeça

Em seu próprio avesso...

Há poesias que nunca começam

Por exemplo o que eu peço pra me acontecer

Mas que por apreço de Deus pra comigo

Nem mesmo ingressam no meu parecer

Se me havia perigo de não vir crescer...

Há poesias que sempre se rimam

Por exemplo as vidas que buscam se amar

E medem palavras até que se combinam,

Se animam, se atraem, contraem romance

E sem que se cansem rumam-se a rimar...

Há poesias que quase nos choram

Por exemplo os olhos quando enfim enxergam

No sofrimento a razão de ajudar

E na alegria a razão de estar vendo

As coisas que vêm e são

E as outras que, sem mais, vão

Porém ainda estão, tal qual olhos vendo,

Continuamente vivendo...

Há poesias que nunca escrevemos

Há poesias que nunca terminam:

Exemplo...


...O exemplo jamais termina
Porque é presente quando é passado
De um para outro: é ele que fica, é ele que ensina
Expande-se, rende-se, esvazia-se,
Conta o que antes de então já se via,
E seria finito se não o elegêssemos
Para sempre... (Um exemplo de que há poesias que nunca terminam é essa pequena prorrogação... Melhor salvar logo senão isso não termina mesmo!)
Marina Seneda
01/08/2008
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